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. 2021 Jul 15;117(1):160–180. [Article in Portuguese] doi: 10.36660/abc.20210408
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Posicionamento sobre Exercícios Físicos na Gestação e no Pós-Parto – 2021

Milena dos Santos Barros Campos 1,2, Susimeire Buglia 3,4, Cléa Simone Sabino de Souza Colombo 4,5, Rica Dodo Delmar Buchler 3,6, Adriana Soares Xavier de Brito 7,8, Carolina Christianini Mizzaci 3, Roberta Helena Fernandes Feitosa 9,10, Danielle Batista Leite 11,12, Carlos Alberto Cordeiro Hossri 3,4, Lorena Christine Araújo de Albuquerque 4, Odilon Gariglio Alvarenga de Freitas 13, Gabriel Blacher Grossman 14,15, Luiz Eduardo Mastrocola 4
PMCID: PMC8294738  PMID: 34320089

Posicionamento sobre Exercícios Físicos na Gestação e no Pós-Parto – 2021.

O relatório abaixo lista as declarações de interesse conforme relatadas à SBC pelos especialistas durante o período de desenvolvimento deste posicionamento, 2020.
Especialista Tipo de relacionamento com a indústria
Adriana Soares Xavier de Brito Nada a ser declarado
Carlos Alberto Cordeiro Hossri Nada a ser declarado
Carolina Christianini Mizzaci Nada a ser declarado
Cléa Simone Sabino de Souza Colombo Nada a ser declarado
Danielle Batista Leite Outros relacionamentos
Participação societária de qualquer natureza e qualquer valor economicamente apreciável de empresas na área de saúde, de ensino ou em empresas concorrentes ou fornecedoras da SBC:
  • Curso de Ergometria: GEFE

Gabriel Blacher Grossman Nada a ser declarado
Lorena Christine Araújo de Albuquerque Nada a ser declarado
Luiz Eduardo Mastrocola Nada a ser declarado
Milena dos Santos Barros Campos Nada a ser declarado
Odilon Gariglio Alvarenga de Freitas Nada a ser declarado
Rica Dodo Delmar Buchler Nada a ser declarado
Roberta Helena Fernandes Feitosa Nada a ser declarado
Susimeire Buglia Nada a ser declarado

1. Introdução

O Departamento de Ergometria, Exercício, Cardiologia Nuclear e Reabilitação Cardiovascular (DERC) por meio da comissão DERC mulher (Saúde e Diagnóstico das Doenças Cardiovasculares nas Mulheres), Grupo de Estudos da Cardiologia do Esporte (GECESP) e Grupo de Estudos de Reabilitação Cardiopulmonar e Metabólica (GERCPM), elaborou este documento de acordo com as normas da Sociedade Brasileira de Cardiologia com a finalidade de orientar aos profissionais de saúde a prescrição dos exercícios físicos (EF) nos períodos gestacional e pós-parto, assim como fortalecer a relação entre os especialistas nas áreas relacionadas (clínicos, cardiologistas e obstetras em especial), incluindo o manejo dos EF nas gestantes atletas e nas portadoras de comorbidades. Ao final deste documento, serão abordadas as peculiaridades da prática dos EF no momento atual da pandemia pelo novo coronavírus.

Os EF apresentam benefícios comprovados na promoção de saúde materno-fetal, porém as mulheres, principalmente as que têm comorbidades, acabam reduzindo as atividades físicas ou permanecem sedentárias na gestação, com receio das complicações clínicas e obstétricas. Portanto, há a necessidade de ratificação das vantagens dos EF na melhora da capacidade funcional, na redução da fadiga, na diminuição do risco de depressão, na prevenção do ganho de peso excessivo, no auxílio ao controle dos distúrbios metabólicos e cardiovasculares, como, por exemplo, pré-eclâmpsia, distúrbios hipertensivos e diabetes melito desenvolvidos na gestação. Estes são hoje considerados fatores de risco emergentes ou específicos para o sexo e estão associados ao maior risco de doenças cardiovasculares (DCV).

As consultas planejadas ao obstetra representam ótima oportunidade de incentivo e conscientização de estilo de vida mais saudável. Em geral, as mulheres ativas durante a gestação mantêm os mesmos hábitos no período pós-parto, com benefícios estabelecidos na saúde cardiovascular a longo prazo. Nesta fase de pandemia da doença do novo coronavírus 2019 (COVID-19), observou-se aumento do sedentarismo, com a necessidade de intensificação das recomendações dos EF em gestantes, orientadas para os cuidados habituais de prevenção da contaminação e disseminação do vírus. As gestantes, principalmente na presença de comorbidades, devem ser encaminhadas ao especialista para contribuir no controle de fatores de risco para DCV e na avaliação e prescrição dos EF.

Tal posicionamento abordará a descrição dos benefícios e indicações dos EF na gestação e pós-parto, a padronização da avaliação clínica pré-participação, orientações na prescrição, nos cuidados e critérios de interrupção dos EF e as particularidades suscitadas na pandemia da COVID-19.

2. Exercícios Físicos na Gestação

2.1. Benefícios e Indicações

A gravidez provoca alterações hormonais e anatômicas que levam a hiperlordose lombar, afrouxamento dos ligamentos da cintura pélvica, retenção de líquido no tecido conjuntivo e aumento do peso corporal. Consequentemente, há sobrecarga da coluna vertebral e lombalgia como sintoma predominante em aproximadamente 60% das gestantes, interferindo negativamente em: qualidade do sono, disposição física, desempenho no trabalho, vida social, atividades domésticas e lazer.1 Há também tendência à redução da prática de atividade física durante a gravidez, principalmente no terceiro trimestre, o que agrava as implicações anatômicas da gestação. As recomendações e diretrizes de ginecologia e obstetrícia e da cardiologia orientam os EF na gravidez na promoção da saúde materna, fetal e neonatal.24 Os EF reduzem o percentual de massa gorda, aumentam a transferência de oxigênio (O2) e reduzem a difusão de dióxido de carbono (CO2) por meio da placenta, favorecendo o desenvolvimento fetal. Adicionalmente, a prática regular diminui em torno de 50% o risco de diabetes melito gestacional (DMG), em até 40% de pré-eclâmpsia (PE), hipertensão arterial gestacional (HG), ganho de peso excessivo e depressão.58

Na ausência de comordidades, as gestantes devem iniciar os EF assim que se sentirem dispostas, considerando-se que a fadiga e os sintomas indesejados do início da gravidez podem atrapalhar. Os EF orientados são vistos como seguros para a mãe e para o feto, sem o relato de aumento na frequência de anomalias congênitas, de parto prematuro e de baixo peso ao nascer.912 É importante que a paciente seja avaliada pelo obstetra e/ou cardiologista antes de iniciar os EF.

As indicações da realização dos EF na gravidez estão descritas na Tabela 1, conforme níveis de evidência e qualidade das recomendações, adotadas em diretriz internacional recentemente publicada.3 A força das recomendações foi estabelecida por um sistema denominado GRADE13 (Grading of Recommendations Assessment, Development and Evaluation System), classificadas como fortes ou fracas de acordo com: (1) balanço entre benefícios e prejuízo; (2) qualidade geral das evidências; (3) importância dos desfechos; (4) utilização de recursos – custo; (5) viabilidade; (6) aceitabilidade.

Tabela 1. Recomendações para a prática de exercícios durante a gravidez: qualidade e força das evidências para atividade física durante a gestação.

Indicações Recomendação Qualidade das evidências
Todas as mulheres sem contraindicações devem ser fisicamente ativas durante todo o período gestacional (subgrupos a, b, c) Forte Moderada
Mulheres previamente inativas Forte Moderada
Mulheres com diabetes gestacional Fraca Baixa
IMC pré-gestacional ≥ 25 Kg/m2 Forte Baixa
Gestantes devem acumular o mínimo de 150 min de exercícios de moderada intensidade/semana, pelo menos 3 dias/semana Forte Moderada
Gestantes devem incorporar atividades aeróbicas e de resistência variadas. Exercícios de alongamento e ioga podem ser adicionados Forte Alta
Treinamento para “assoalho pélvico” (exercícios de Kegel) diários (reduzir risco de incontinência urinária) Fraca Baixa

Modificada de Mottola et al.3

2.2. Adaptações Cardiovasculares e Respiratórias Fisiológicas em Repouso e ao Exercício

O conhecimento das adaptações fisiológicas cardiovasculares e respiratórias é de grande importância para a compreensão dos sintomas cardiorrespiratórios comuns na gestação e auxílio ao diagnóstico diferencial de sintomas relacionados à eventual descompensação de cardiopatias previamente estáveis, bem como na orientação de EF durante esse período.

Repouso: Na gravidez ocorre aumento do volume sanguíneo secundário ao aumento do plasma e das hemácias, levando à “anemia por efeito dilucional”, principalmente ao final do período gestacional. Mesmo em repouso, verifica-se aumento do volume sistólico (VS) e também da frequência cardíaca (FC), ocasionando elevação do débito cardíaco (DC).14,15 Também se observa modificação na excitabilidade cardíaca, propiciando maior ocorrência de extrassistolia. O efeito estrogênico promove a diminuição do tônus vascular, com queda da resistência vascular periférica (RVP) e consequente redução da pressão arterial (PA), em especial a diastólica. Apesar de a RVP permanecer baixa, as variações de fluidos que ocorrem próximo ao parto ocasionam labilidade da PA nessa fase e facilitam o aparecimento de edema de membros inferiores.16 Tais mudanças, além de habitualmente gerarem maior sensação de palpitação ao repouso e tontura pós-esforço, devem ser consideradas fatores predisponentes para a descompensação de cardiopatias preexistentes.17

O aumento dos níveis de oxigênio é mecanismo importante de adaptação materna para facilitar a transferência para o feto através da placenta. As demandas metabólicas aumentadas do feto, útero e do organismo materno resultam em aumento do consumo de oxigênio (VO2), da produção de gás carbônico (VCO2) e da taxa metabólica basal, causando hiperventilação, também influenciada pela progesterona. Há aumento significativo da ventilação-minuto (VE) e do volume corrente, com elevação da pressão parcial de O2 no sangue arterial e diminuição da pressão parcial de CO2. A capacidade funcional residual diminui, principalmente devido ao deslocamento do diafragma, o que aumenta a sensação de desconforto respiratório mesmo em repouso. Essas alterações explicam a “dispneia fisiológica” observada em cerca de 60% a 70% das gestantes saudáveis, comum próximo a 30ᵃ semana, bem como a redução da capacidade de se manter em apneia, o que limita atividades como mergulho e exercícios com maior componente anaeróbico, como corridas de velocidade.18 As adaptações fisiológicas durante o período de gestação estão descritas na Figura 1.

Figura 1. Modificações fisiológicas durante o período de gestação.

Figura 1

DC: débito cardíaco; FC: frequência cardíaca; PA: pressão arterial; RVP: resistência vascular periférica; VE: ventilação-minuto.

Exercício: Durante o exercício, as variáveis VS, DC, FC e VE também sofrem incremento, com aumento da capacidade aeróbica já no primeiro trimestre da gestação e maior rendimento nesse período. Apesar de a FC da gestante ser maior ao repouso, ela não se eleva da mesma forma durante o exercício, e o VO2 não aumenta proporcionalmente ao incremento das cargas, principalmente quando o esforço inclui a sustentação do peso corporal. Dessa forma, ocorre limitação da capacidade funcional com a progressão da gestação. O aumento da VE excede o aumento do VO2, mas a diferença arteriovenosa de O2 diminui, o que proporciona maior entrega de oxigênio para o feto; entretanto, em exercícios de maior intensidade, há risco de desvio de fluxo de sangue do útero para os músculos, o que pode ser prejudicial ao desenvolvimento fetal.18,19

Do ponto de vista anatômico, observa-se aumento das dimensões da cavidade do ventrículo esquerdo (VE), sem aumento da espessura de parede. Estudo com 105 grávidas demonstrou que 35% desenvolveram aumento de trabeculações em VE, 8% preenchendo critérios para diagnóstico de miocárdio não compactado. Tais alterações são relatadas em outras situações em que ocorre aumento de DC, como nas atletas, sendo reversíveis após o retorno às condições hemodinâmicas basais e não devem ser confundidas com alterações patológicas.20

2.3. Avaliação para a Prática de Exercícios

Tanto a recomendação quanto o impedimento para a realização dos EF (Figura 2) durante a gestação geralmente são feitos pelo obstetra, após avaliação clínica e identificação da presença ou não das contraindicações, tais como presença de doenças preexistentes não controladas, complicações médicas ou obstétricas, dentre outras (Tabela 2).3 As mulheres com DCV devem ser acompanhadas também pelo cardiologista. Atualmente, a parceria da cardiologia com a ginecologia e obstetrícia permite a identificação precoce e a modificação dos fatores de risco nas mulheres para DCV.21

Figura 2. Avaliação da gestante para realização dos exercícios.

Figura 2

ECG: eletrocardiograma; EF: exercícios físicos; OMS: Organização Mundial da Saúde.

Tabela 2. Contraindicações para atividade física na gravidez.

CAUSAS OBSTÉTRICAS
ABSOLUTAS RELATIVAS
Rotura da membrana Antecedente de parto prematuro
Trabalho de parto prematuro Perda recorrente de gestação
Placenta prévia após 28 semanas de gestação Gravidez gemelar >28 semanas
Gestação múltipla (trigemelar ou superior)
Sangramento vaginal persistente inexplicado
Incontinência istmo-cervical
Restrição de crescimento intrauterino
CAUSAS CLÍNICAS
ABSOLUTAS RELATIVAS
Hipertensão arterial crônica (não controlada)/pré-eclâmpsia Doença hipertensiva da gravidez
Doença cardiovascular grave (OMS III-IV) Doença cardiovascular leve/moderada (OMS I-II)
Doença pulmonar restritiva Doença pulmonar leve/moderada
Diabetes melito tipo I, doença da tireoide (não controladas) Obesidade extrema, desnutrição ou transtorno alimentar Anemia sintomática

OMS: Organização Mundial da Saúde.

O PARmed-X (Physical Activity Readiness Medical Examination) foi desenvolvido pela Sociedade Canadense de Fisiologia do Exercício, desenhado para avaliação e orientação de exercícios na gravidez, muito bem aceito por diversas sociedades médicas no mundo por sua praticidade, e inclui a seguinte série de verificação: a) saúde pré-exercício (preenchida pela gestante); b) seção relacionada a contraindicações ao exercício; c) avaliação de saúde (preenchido pelo médico assistente) para ser usada pelo profissional de educação física; d) acrescenta adicionalmente instruções para a prescrição de exercícios aeróbicos e de condicionamento muscular, fornecendo assim recomendações para prescrição segura e individualizada, como também indicadores para o momento da sua interrupção.22

Após minuciosa anamnese e exame clínico, pode-se recomendar e orientar os EF na gravidez. Não existe a indicação de exames cardiológicos de rotina para todas as gestantes, tornando a necessidade específica de acordo com a condição clínica. O eletrocardiograma (ECG) não faz parte da rotina pré-natal. O método deve ser utilizado na investigação de cardiopatia, acompanhamento de gestantes com DCV prévia e avaliação de arritmias.23 Recomenda-se o ECG, além dessas indicações, nas pacientes que apresentarem contraindicações clínicas e obstétricas relativas aos EF (Tabela 2).

O ecocardiograma transtorácico é o método de imagem preferido quando se suspeita de DCV; trata-se de modalidade diagnóstica não invasiva, de fácil execução e amplamente disponível.24 Recomenda-se sua utilização nas portadoras de cardiopatia prévia, com sintomas sugestivos de cardiopatia ou ECG alterado.

A realização do teste de esforço (TE) máximo para avaliação funcional em gestantes não é recomendada. Se absolutamente necessário para avaliação cardiovascular e após exclusão das contraindicações, a paciente poderá realizar prova submáxima (até 85% da FC máxima prevista), considerada segura pelas Sociedades Brasileira e Europeia de Cardiologia. Entretanto, a carência de estudos não possibilita validar a sua indicação para a caracterização de doença isquêmica do coração. Neste contexto, o ecocardiograma sob estresse físico em bicicleta ergométrica pode melhorar a especificidade do diagnóstico da doença arterial coronariana, por agregar a imagem aos achados do TE submáximo, sendo contraindicado o uso do estresse farmacológico com dobutamina durante a gravidez.24,25

Em relação à prescrição de exercício, principalmente em pacientes com maior risco cardiovascular, o TE submáximo é mais eficiente quando associado à análise de gases expirados, ou seja, a realização do teste cardiopulmonar de exercício (TCPE), que possibilita a determinação dos índices de limitação funcional e limiares ventilatórios, tornando a prescrição mais precisa, segura e objetiva.26,27 Não existe boa correlação entre carga de esforço e FC para avaliação de gestantes,28 sendo o TCPE realizado nas cardiopatas grávidas em situações específicas (doença valvar e cardiopatias congênitas), após exclusão das contraindicações clínicas e obstétricas absolutas e em nível submáximo. Não é recomendado como exame de rotina.

A análise do condicionamento físico em grávidas pode ajudar a identificar as que desenvolveram ou estão em risco de desenvolver complicações cardiovasculares, como hipertensão arterial sistêmica (HAS) ou PE.O teste de caminhada de 6 minutos (TC6min) é avaliação validada da reserva cardiorrespiratória em adultos de alto risco e não gestantes, tanto em patologias crônicas quanto na avaliação perioperatória. É prova submáxima, segura, viável e aplicável em mulheres grávidas a termo, mas seu uso não é difundido. O estabelecimento de intervalos de referência para o TC6min em mulheres grávidas saudáveis permite a avaliação individual da capacidade funcional e pode ajudar a personalizar os programas de exercícios.29,30 Recomenda-se o TC6min na avaliação cardiorrespiratória de gestantes.

Sendo assim e, geralmente na presença de doenças preexistentes e contraindicações clínicas ou obstétricas relativas aos EF, impõem-se exames cardiológicos mais específicos antes da prática dos EF durante a gravidez.

2.3.1. Estratificação de Risco da Gestante Cardiopata

As pacientes portadoras de DCV devem ser estratificadas quanto ao risco para liberação da prática de EF. O risco de complicações na gravidez depende do diagnóstico cardíaco subjacente, mas deve ser levada em consideração a associação de outras comorbidades. Portanto, as estimativas de risco devem ser individualizadas.

A capacidade funcional e a estabilidade clínica nas cardiopatias são fatores importantes a serem avaliados para análise do risco materno de complicações, mas, muitas vezes, é difícil a diferenciação de sinais e sintomas fisiológicos à gestação ou secundários à descompensação da cardiopatia, tais como edema, dispneia, palpitação e tontura. No entanto, devem ser valorizadas queixas como palpitações, piora da capacidade funcional, tosse seca noturna, ortopneia, dispneia paroxística noturna, hemoptise, dor precordial ao esforço e síncope.24

Nas gestantes com cardiopatia, é necessária abordagem mais detalhada por meio de exames específicos, como saturação de oxigênio, bioquímica sanguínea (níveis de peptídios natriuréticos), ecocardiograma (função ventricular, acometimento das válvulas, pressões intrapulmonares e diâmetros aórticos), TE ou TCPE submáximo (capacidade de exercício) e holter (arritmias).25

O risco da cardiopatia durante a evolução da gravidez pode ser estratificado usando a classificação modificada da Organização Mundial da Saúde (OMS) (Tabela 3).3133 Mulheres com doença cardíaca têm risco aumentado de complicações obstétricas, incluindo parto prematuro, pré-eclâmpsia e hemorragia pós-parto. Complicações fetais também ocorrem em 18% a 30% das pacientes com cardiopatia, com mortalidade neonatal entre 1% e 4%. Os eventos maternos e fetais são altamente correlacionados.34,35

Tabela 3. Classificação modificada da Organização Mundial da Saúde considerando-se o risco cardiovascular materno.
OMS modificada I II II-III III IV
Diagnóstico Pequeno ou leve:
  • Estenose pulmonar

  • Ductus arteriosus patente

  • Prolapso valvar mitral (lesões simples reparadas com sucesso)

  • Ectopias atriais ou ventriculares isoladas

  • Defeito septal atrioventricular não operado

  • Tetralogia de Fallot corrigida

  • Arritmias supraventriculares

  • Síndrome de Turner sem dilatação aórtica

  • Disfunção ventricular leve (FE >45%)

  • Cardiomiopatia hipertrófica

  • Doença valvar não considerada na classe OMS I ou IV (estenose mitral leve, estenose aórtica moderada)

  • Síndrome de Marfan sem dilatação aórtica

  • Coarctação corrigida

  • Defeito septal atrioventricular

  • Disfunção ventricular moderada (FE 30% a 45%)

  • Cardiomiopatia periparto prévia sem disfunção ventricular residual

  • Válvula mecânica

  • Circulação de Fontan

  • Cardiopatia cianótica não corrigida

  • Outras doenças cardíacas complexas

  • Estenose mitral moderada

  • Estenose aórtica grave assintomática

  • Ventrículo direito sistêmico com função preservada ou disfunção leve

  • Dilatação aórtica moderada (40 a 45mm na síndrome de Marfan; 45 a 50mm na válvula aórtica bicúspide; ITA 20 a 25mm/m2 na síndrome de Turner; <50mm na tetralogia de Fallot)

  • Taquicardia ventricular

  • Hipertensão arterial pulmonar

  • Disfunção ventricular grave (FE <30% ou NYHA classe III-IV)

  • Cardiomiopatia periparto com disfunção ventricular residual

  • Estenose mitral grave

  • Estenose aórtica grave sintomática

  • Ventrículo direito sistêmico com disfunção moderada ou grave

  • Dilatação aórtica grave (>45mm na síndrome de Marfan; >50mm na válvula aórtica bicúspide; ITA >25mm/m2 na síndrome de Turner; >50mm na tetralogia de Fallot)

  • Ehlers-Danlos (Re) coarctação grave

  • Fontan com qualquer complicação

Taxa de eventos cardíacos maternos 2,5% a 5% 5,7% a 10,5% 10% a 19% 19% a 27% 40% a 100%
Risco Não detectado aumento do risco materno de morte e nenhum/ou leve aumento do risco na morbidade Aumento leve do risco de morte materna ou aumento moderado da morbidade Aumento intermediário no risco de morte materna ou aumento moderado a grave na morbidade Aumento significativo no risco de morte materna ou grave da morbidade Risco extremo de morte materna ou grave da morbidade

Modificada de Regitz-Zagrosek et al.25FE: fração de ejeção; ITA: índice de tamanho da aorta; NYHA: New York Heart Association; OMS: Organização Mundial de Sáude

As classificações III e IV da OMS contraindicam a prática dos EF na gestação, sendo que as demais classes devem ser avaliadas individualmente (Figura 2).

2.4. Prescrição dos Exercícios Físicos

Exercício físico é conceituado como um tipo de atividade física programada, que envolve movimento corporal repetitivo, objetivando melhorar ou manter um ou mais componentes da capacidade física.36

A aplicação de programas orientados para a prática do exercício, como regra geral, deve contemplar a condição fisiológica vigente na gestante, incorporando obrigatoriamente os componentes básicos: frequência, intensidade, tipo e tempo (FITT). Frequência significa a quantidade de dias por semana em que o EF deve ser praticado; tempo corresponde à duração da sessão de treinamento; o tipo pode ser aeróbico e/ou resistido; e a intensidade é a graduação do nível de trabalho, que pode ser dividida em leve, moderada e intensa.36

2.4.1. Tipos de Exercícios e Prescrição nas Gestantes

Exercícios aeróbicos: São aqueles que utilizam o metabolismo de O2 como principal fonte de energia e demandam trabalho cardiorrespiratório para sua execução. Compreendem a movimentação em flexão e extensão de grandes grupos musculares, ocorrem de maneira rítmica e por tempo prolongado. No entanto, quando realizados em alta intensidade, podem envolver metabolismo “anaeróbico” predominante, necessitando de outros substratos energéticos para a manutenção do esforço, e com risco consequente de maior acúmulo de ácido láctico. A capacidade aeróbica, também conhecida como VO2, reflete a habilidade do sistema cardiovascular em transportar e entregar O2 para os músculos esqueléticos, além da eficiência muscular de extraí-lo da corrente sanguínea e utilizá-lo como fonte de energia para executar o exercício. 36

A prática regular dos exercícios aeróbicos auxilia na manutenção da capacidade funcional, no controle do peso e na prevenção de DMG e HG. Na gestação, os exercícios aeróbicos considerados seguros são os de baixo impacto, como a prática de pedalar em bicicleta estacionária e caminhada (no solo), natação e hidroginástica (aquáticos).4 Os EF realizados no solo, ou em meio “seco”, geralmente apresentam maior dificuldade para execução durante a evolução da gravidez, acarretam maior demanda metabólica, sobrecarga osteoarticular e dificuldade de equilíbrio, pois compreendem a sustentação do peso corporal, que aumenta progressivamente. Assim, o EF no meio aquático é considerado preferencial nesse período. Os efeitos e as recomendações para EF aquáticos serão abordados separadamente.

Como uma das principais respostas ao exercício aeróbico é o aumento da FC e da frequência respiratória, a orientação da intensidade pode ser feita com base no controle da FC, que, apesar de suas limitações nas gestantes, é o índice mais aproximado da capacidade funcional. Há vários métodos propostos para a definição da intensidade do EF aeróbico, elaborados a partir de populações saudáveis em ambos os sexos, que podem ser aplicados durante uma gestação de evolução normal, com as devidas adequações em função das sobrecargas impostas nesse período.36

Para gestantes saudáveis, recomenda-se a realização de EF em intensidade moderada, mas é importante ressaltar que a intensidade escolhida é de responsabilidade integrada entre o médico e o educador físico ou fisioterapeuta, podendo ser diminuída naquelas previamente sedentárias ou portadoras de comorbidades.37

A prescrição da intensidade pode ser estabelecida por meio do cálculo dos valores percentuais da FC máxima prevista para a idade (FCMprev) ou da FC de reserva (FCR). Valores percentuais do VO2 máximo e carga metabólica (MET) prevista também são opções que podem ser utilizadas (Tabela 4).36 Entretanto, para obtenção da FCR e do VO2 máximo, é necessária a realização de TE máximo, que nessa intensidade não é indicado para as gestantes. Existem outros métodos mais fáceis e práticos de orientar os EF, como, por exemplo, a classificação da percepção subjetiva do esforço de Borg38 (Tabela 5) e a técnica de talk test, em que a intensidade confortável é a que o indivíduo consegue conversar, mas não “cantar” durante os EF (Tabela 6). 3,37,39

Tabela 4. Níveis de intensidade de exercícios aeróbicos em indivíduos saudáveis.
Intensidade % VO2 máx. % FCMprev %FCR MET* (absoluto) Escala de Borg
Muito leve <37 <57 <30 <2 <9
Leve 37-45 57-64 30-40 2-3,9 9-11
Moderado 46-64 65-76 40-60 4-6 12-13
Intenso 65-91 76-96 60-90 6,1-8,8 14-17
Muito intenso >91 >96 >90 >8,9 >17

Modificada de ACSM.36

*

MET: unidade metabólica basal, que equivale ao consumo de oxigênio de 3,5 mL.Kg-1.min-1 na condição de repouso supino/sentado para a mulher não grávida. Nas sugestões apresentadas, o consumo de oxigênio (VO2) expresso nas unidades referidas deve ser idealmente obtido diretamente pelo teste cardiopulmonar e não estimado por equações de regressão derivadas de protocolos convencionais utilizados no teste ergométrico; % VO2 máx.: valores percentuais do consumo máximo de oxigênio; % FCMprev: valores percentuais da frequência cardíaca máxima prevista para a idade; % FCR: valores percentuais da frequência cardíaca de reserva; escala de Borg: escala linear de percepção do esforço, graduação de 6 a 20.

Tabela 5. Escala linear de percepção subjetiva do esforço – Borg (graduada de 6 a 20).
Escala de Borg Percepção do exercício
6 Muito fácil
7
8
9 Fácil
10
11 Relativamente fácil
12
13 Ligeiramente cansativo
14
15 Cansativo
16
17 Muito cansativo
18
19 Exaustivo
20

Modificada de Borg.38

Tabela 6. Métodos alternativos de prescrição de exercícios físicos aeróbicos na gestante* .
Método Descrição
Sensação subjetiva de esforço (escala de Borg) Exercícios com autopercepção de esforço relativamente fácil ou ligeiramente cansativo. Recomendado entre 12 e 13
Teste de fala (talk test) Execução dos exercícios em intensidade em que a respiração seja ofegante, porém controlada, de modo que se consiga completar uma frase sem pausas
Percentuais da FCMprev Exercícios na intensidade entre 60% e 80% da FCMprev
FC alvo = percentual x FCMprev
FCMprev = 208 – (0,7 × idade)** ou 220 – idade***
Frequência cardíaca de reserva (Karvonen) Exercícios na intensidade entre 45% e 60% da FCR (FC pico – FC repouso)
FC alvo = FC repouso + percentual × (FC pico – FC de repouso)

FC: frequência cardíaca; FCMprev: frequência máxima prevista; FCR: frequência cardíaca de reserva.

*

Considerar intensidade moderada

**

Fórmula de Tanaka

***

Fórmula de Karvonen.36

Mulheres previamente ativas devem manter os EF aeróbicos de forma habitual ou adequar para o tempo de pelo menos 30 minutos, 4 a 5 vezes por semana. As sedentárias podem iniciar, por exemplo, com 15 minutos de EF aeróbicos 3 vezes por semana e aumentar gradativamente o tempo até atingir a recomendação de 150 minutos/semana ou 30 minutos diariamente.37

a) Exercícios resistidos: representados por contrações musculares em determinados segmentos corporais, que se opõem aos movimentos ou contra uma resistência. Classificam-se em dinâmicos, quando há movimento articular associado à contração muscular, ou estáticos (isométricos), quando não há. Podem ser executados com pesos livres, em aparelhos de musculação, com faixas elásticas e até com o próprio peso corporal.36 Os exercícios devem ser ajustados em cada fase gestacional, adaptando-se às modificações anatômicas impostas ao corpo da mulher. EF resistidos são utilizados para aumentar tônus, força e resistência muscular, o que auxilia na adaptação às alterações posturais, redução de dores musculoesqueléticas e prevenção de eventuais quedas durante a gestação. Há demonstração que o treinamento regular de força proporciona aumento de até 14% da resistência lombar em gestantes.40

Alguns exemplos de exercícios resistidos são musculação, treinamento funcional, pilates e ioga.4 Alongamento suave e ioga também promovem relaxamento muscular, sendo particularmente úteis na melhora postural e no alívio das dores lombar e pélvica, mas devem ser realizados com cautela em virtude da maior frouxidão ligamentar característica dessa fase e consequente risco de lesões.3,4,39 O emprego da técnica “pilates” traz resultados satisfatórios ao preparar o abdome e o assoalho pélvico para o trabalho de parto, além de diminuir o risco de incontinência urinária. O treinamento da musculatura pélvica reduziu em até 50% a ocorrência da incontinência urinária pré-natal e 35% no período pós-natal.41

A intensidade do EF resistido é definida de acordo com o percentual de uma repetição máxima (RPM) que o indivíduo consegue realizar, que se reflete no número de repetições possíveis com determinada carga. A Tabela 7 descreve as faixas de intensidade para treinamento com EF resistido.36

Tabela 7. Níveis de intensidade de exercícios resistidos.
Intensidade Percentual de 1 RPM* Número de repetições
Leve 30% a 50% 15 a 20
Moderada 50% a 70% 10 a 15
Intensa 70% a 85% 8 a 10
*

RPM: repetição máxima.

Nas gestantes, recomenda-se a prática dos EF resistidos, três a cinco vezes por semana, com duração de 15 a 20 min, em intensidade moderada, o que corresponde à realização de duas a três séries, com 10 a 15 repetições.3,36,37 O número de repetições e carga deve ser ajustado de acordo com o condicionamento muscular prévio da mulher, sendo o número de repetições próximo a 10 correspondente à intensidade/carga mais elevada. Recomenda-se preferencialmente o trabalho envolvendo grandes grupos musculares, utilizando faixas elásticas ou máquinas com pesos leves em vez de pesos livres, em virtude da maior dificuldade de equilíbrio pela alteração do centro de gravidade. Cargas muito elevadas e isometria intensa não são recomendadas, pois a realização concomitante da manobra de Valsalva pode resultar em aumento da pressão intra-abdominal e diminuição consequente do fluxo sanguíneo para o feto, além de sobrecarregar mais ainda o assoalho pélvico, aumentando o risco de prolapso, incontinência anal e urinária.19,22

b) Recomendações gerais de exercícios para gestantes saudáveis: englobam a prática dos EF aeróbicos e resistidos de intensidade moderada. É importante lembrar que o tempo da sessão de treinamento deve incluir período de aquecimento e desaquecimento de intensidade leve. A prescrição de EF para a gestante conforme os componentes FITT está resumida da Tabela 8.

Tabela 8. Prescrição (FITT) de exercícios físicos na gestante saudável.
FREQUÊNCIA INTENSIDADE TIPO TEMPO
3 a 5 dias/semana Moderada
  • 60% a 80% FCMprev

  • % de outro método validado (FCR, VO2) ou

  • 12 a 13: escala Borg ou

  • Correspondente a 4 – 6 MET

Aeróbico (de baixo impacto) 20 a 30 minutos por sessão (meta – acumular um total de 150 minutos/semana)
10 a 15 minutos aquecimento e desaquecimento
3 a 5 dias/semana Moderada 2 a 3 séries e 10 a 12 repetições Resistido 15 a 20 minutos
10 a 15 minutos aquecimento e desaquecimento

FCMprev: frequência máxima prevista; FCR: frequência cardíaca de reserva; MET: unidade metabólica basal; VO2: consumo de oxigênio.

2.4.2. Exercício Físico Aquático

A prática de exercícios em imersão tem sido documentada como benéfica e segura durante a gestação. O meio aquático proporciona flutuabilidade, que facilita a execução dos movimentos, diminuindo o peso corporal e a sobrecarga osteoarticular, com sensação de bem-estar e sem risco de quedas. Além disso, facilita a dissipação de calor, favorecendo a termorregulação, o que diminui a chance de hipertermia, cuja ocorrência é indesejada durante o EF devido à associação ao risco de malformações fetais.42 Dessa forma, o exercício aquático constitui a modalidade de EF de escolha nesse período, representado principalmente pela hidroginástica, que pode ser realizada incluindo componentes de treinamento aeróbico e resistido.

O principal efeito favorável da imersão na mulher grávida se deve à presença da pressão hidrostática, que é proporcional à profundidade, atua uniformemente na superfície corpórea, redistribuindo os fluidos do extravascular para o intravascular, levando à rápida expansão do volume plasmático, volume sistólico e DC, bem como aumento do fluxo uteroplacentário e da diurese. O tônus uterino e a FC fetal não apresentaram alterações durante imersão ou após os exercícios em água, demonstrando que não ocorre comprometimento da circulação uteroplacentária ou do substrato energético para o feto.43

Do ponto de vista metabólico, ocorrem alterações hormonais (aumento do fator natriurético e diminuição do hormônio antidiurético secundários ao estímulo de receptores) que aumentam a diurese por até 4 horas. Esse efeito contribui para a diminuição do edema periférico e menores níveis de PA após o esforço.44

Em comparação aos exercícios em solo (meio “seco”), observa-se que o incremento da FC, a PA e a temperatura materna são menores na água, devendo ser ajustadas às faixas de treinamento (cerca de 15 batimentos por minuto a menos). O rendimento aeróbico parece ser melhor, pois, com menor peso corporal, o consumo relativo de oxigênio é maior.45,46

Para tais benefícios, recomenda-se que o tórax permaneça imerso ao nível do apêndice xifoide ou logo abaixo, que a temperatura da água esteja entre 28 e 30°C (nunca exceda a 33,4°C) e a duração da atividade em torno de 45 min, especialmente para mulheres destreinadas, sugerindo-se o apoio dos pés para aquelas que não dominam a técnica natatória.

A natação também tem se mostrado segura, respeitando-se os limites de volume e intensidade recomendados para os EF na gestação. Curiosamente, um estudo recente sugere que a natação em água fria (até e acima de 20 graus, sem aquecimento artificial) pode trazer benefícios às gestantes e ao feto, pois estaria associada à diminuição do estresse e dos níveis de cortisol (aumentado ao repouso), bem como ao aumento do limiar de dor.47 Deve-se observar que tal estudo foi realizado com mulheres do norte europeu, mais habituadas a tal prática.

O mergulho com equipamentos (SCUBA) parece ser seguro para a mulher grávida, porém não é para o feto. No caso de descompressão brusca, a circulação pulmonar fetal não é capaz de filtrar bolhas, levando ao risco de embolia gasosa e malformações fetais. Portanto, o mergulho em profundidade deve ser evitado durante o período gestacional, estando liberada a prática tipo natação com snorkel.48

As recomendações dos componentes FITT para exercícios aquáticos durante a gestação são resumidas na Tabela 9.

Tabela 9. Orientações para exercícios aquáticos.
FREQUÊNCIA INTENSIDADE TIPO TEMPO
3 a 5 dias/semana Moderada (para componentes aeróbicos e resistidos) Hidroginástica ou natação Até 45 minutos/sessão

Temperatura da água entre 28 e 30°C; imersão até o nível ou logo abaixo do apêndice xifoide

2.5. Exercícios Físicos em Populações Especiais

2.5.1. Distúrbios Hipertensivos da Gravidez

Os distúrbios hipertensivos da gravidez (DHG) ocorrem em até 10% das gestações e estão associados ao aumento do risco cardiovascular ao longo da vida;49 além disso, apresentam fatores de risco semelhante aos da população em geral (idade materna avançada, etnia, história familiar de hipertensão e estilo de vida sedentário). A classificação dos DHG está descrita na Tabela 10.

Tabela 10. Classificação dos distúrbios hipertensivos da gravidez25 .
Distúrbios Hipertensivos da Gravidez
Hipertensão preexistente (HPe) Precede a gravidez ou se desenvolve antes da 20ᵃ semana de gestação Persiste por mais de 42 dias após o parto Pode estar associada à proteinúria
Hipertensão gestacional (HG) Desenvolve-se após a 20ᵃ semana de gestação e se resolve por até 42 dias após o parto
Pré-eclâmpsia (PE) Hipertensão gestacional com proteinúria significativa: >0,3 g/24 h e/ou Razão albumina-creatinina >30mg/mmol

A HG afeta 5 a 8% das mulheres e é caracterizada por PA sistólica >140mmHg e/ou PA diastólica >90 mmHg, e deve ser medida em posição sentada ou em decúbito lateral esquerdo. A PE é um distúrbio multissistêmico que ocorre também de 5% a 8% das gestações, sendo mais frequente durante a primeira gestação, gravidez múltipla, mola hidatiforme, síndrome antifosfolípide, hipertensão arterial, doença renal ou diabetes preexistente. Está frequentemente associada à restrição do crescimento fetal devido à insuficiência placentária (25% dos casos), sendo causa comum de prematuridade (27%) e 4% de óbito fetal intrauterino. O principal tratamento e mais efetivo é o parto.25

A literatura científica demonstra que a prática regular de exercícios físicos melhora a saúde cardiovascular na gestação e pode diminuir o risco de desenvolver distúrbios hipertensivos da gravidez em até 30%.37,49,50 A atividade física praticada antes da gestação está relacionada a menor ocorrência de PE, com redução de 22% a 35% no risco relativo (RR) para mulheres com o nível moderado e alto de atividade física, respectivamente.51 Esse risco é ainda mais baixo com a atividade física combinada antes e logo no início da gestação. Ao avaliar o efeito dose-resposta da atividade física, 5 a 6 h por semana reduzem o risco de PE em até 40%, mas nenhuma redução adicional com o aumento do nível de atividade foi relatada. 25,50

De acordo com diretrizes brasileiras e internacionais, a prática dos EF está contraindicada em gestantes com HPe não controlada e diagnóstico suspeito ou confirmado de PE, sendo contraindicação relativa na HG.49,50

Não existem valores de PA estabelecidos como limites para realização de EF durante a gravidez, além de consenso entre especialistas. A Diretriz Brasileira de Reabilitação Cardiovascular preconiza que uma sessão de exercícios não deve ser iniciada quando os níveis de PA em repouso forem superiores a 160/100mmHg, e deverá ser interrompida em valores de 220/105mmHg na população cardiopata e hipertensa.52

Com base nesses conceitos, sugere-se que alguns cuidados merecem ser respeitados:

  1. Para gestantes que estão com PA controlada (<140/90mmHg), recomendam-se EF de leve intensidade nas pacientes sedentárias, mas as fisicamente ativas poderão manter o nível moderado. Nesta condição, realizar aferições da PA (antes, durante e após o exercício), interrompendo-se as atividades quando valores acima de 160/100mmHg forem alcançados. Manobras de Valsalva devem ser evitadas rotineiramente do início até o final da gestação.

    1. Primeiro trimestre: nesta fase, é comum observar-se redução dos níveis de PA, sendo que muitas mulheres tendem a não fazer uso da medicação específica. A interrupção dos medicamentos anti-hipertensivos deve ser evitada; contudo, ajustes de dosagem podem ser necessários em combinação com o aumento na ingestão hídrica. Este cuidado auxiliará na manutenção correta da hidratação e controle da temperatura corporal para realização dos exercícios. Por vezes, a redução da intensidade dos exercícios deve ser aplicada.

    2. Segundo trimestre: neste período, a PA se estabiliza e volta a se elevar, podendo ser necessários novos ajustes terapêuticos. Este trimestre é o mais hemodinamicamente estável e permite discretos aumentos de carga para mulheres com peso adequado e níveis controlados de PA. Exercícios em posição supina passam a ser evitados a partir desta fase.

    3. Terceiro trimestre: a compressão mecânica exercida pelo útero sobre a aorta e veia cava inferior aumenta drasticamente, havendo maior estase e edema nos membros inferiores. Esta situação favorece ao aumento da PA por retenção hídrica. A vigilância sobre os níveis de PA deve aumentar, e a intensidade dos exercícios deve diminuir. A autolimitação na intensidade do exercício, ou mesmo na adesão de sua realização, é natural neste período. Sugerimos manutenção de exercícios da musculatura pélvica, alongamentos e aeróbicos de baixa ou muito baixa intensidade, enquanto os níveis pressóricos se mantiverem dentro de limites aceitáveis (≤160/100mmHg). Se houver qualquer elevação não esperada nos níveis pressóricos, os exercícios deverão ser interrompidos.

2.5.2. Diabetes Melito

O DMG apresenta complicações em curto e longo prazo para a mãe e o bebê. O diagnóstico precoce é importante para que intervenções possam ser realizadas com o objetivo de reduzir efeitos deletérios da hiperglicemia. Observa-se elevada frequência de distocias e tocotraumatismos maternos, com maior chance do desenvolvimento de HG ou PE. Em longo prazo, cerca de 50% dessas mulheres desenvolvem diabetes melito (DM) tipo 2 e os seus filhos correm risco maior de nascer pós-termo, bem como são mais propensos a desenvolver síndrome metabólica na infância e na vida adulta.5355

Modificações de estilo de vida como dieta e exercícios são a base para o tratamento do DMG e importantes aliadas quando associadas ao tratamento medicamentoso. Em contrapartida, os estudos mostram que o comportamento sedentário aumenta o risco de DMG.53,56

Nos casos de DMG, os estudos têm demonstrado evidências de que os exercícios orientados reduzem possíveis desfechos negativos maternos e fetais. No entanto, nas gestantes com DM preexistente, tal evidência ainda não foi comprovada.53,57,58 De qualquer forma, em ambas as populações, exercícios aeróbicos de baixa a moderada intensidade e resistidos auxiliam no controle glicêmico e reduzem a necessidade de insulina, além de todos os outros benefícios físicos e psicológicos já relatados.53,58

Atenção especial deve ser dada às contraindicações à prática do exercício, como em casos de retinopatia pré-proliferativa, hiperglicemia sem controle, hipoglicemias sem aviso, neuropatia periférica avançada e disautonomias. Nas gestantes com DM, recomenda-se exercícios aeróbicos e resistidos, com intensidade leve a moderada, no mínimo três vezes por semana, com duração de 30 min em cada sessão.57,59,60

Um dos maiores riscos do exercício em pacientes diabéticas é a hipoglicemia, a qual pode ocorrer durante ou após o exercício. O monitoramento da glicemia capilar deve ser realizado antes e após os exercícios, principalmente nas gestantes que vão iniciar um programa de exercícios e após ajuste de esquema terapêutico. Para início dos exercícios, o preconizado é que a glicemia capilar esteja entre 100 e 200mg/dL. Na presença de níveis abaixo de 100mg/dL, deve-se estimular a ingestão de 15 a 30 g de carboidratos de rápida absorção e repetir a dosagem com 30 min. Não realizar exercícios físicos em jejum ou mais do que 3 h sem alimentação. Nos casos de hiperglicemia com níveis capilares acima de 250mg/dL, os exercícios estão contraindicados pelo risco de complicações como a cetoacidose diabética.57,60

Alguns aspectos devem ser ressaltados nas pacientes com diabetes tipo I, considerando-se o controle glicêmico quando os níveis de HbA1c forem menores que 7,5%.61 Não realizar EF no pico de ação da insulina e também não aplicar insulina em áreas que serão mais exigidas durante o esforço físico, devido à maior absorção no local.57,59,60 O DM tipo I não controlado é contraindicação absoluta para realização dos EF.

A gestação é período de desafio para a mulher que desenvolve diabetes, mas também de maior motivação para mudanças saudáveis no estilo de vida, que podem persistir após o nascimento e ajudar a prevenir o aparecimento de DM tipo 2.

2.5.3. Obesidade

A gestação está incluída na lista de fatores clássicos para desencadear a obesidade, que predispõe ao DMG, DM tipo 2, HAS, DCV e ao câncer. Filhos de mães obesas também demonstram aumento na incidência de obesidade e suas implicações metabólicas e cardiovasculares. Além disso, há evidências de que mulheres obesas ou com sobrepeso têm menores taxas de início e duração da amamentação, implicando em desvantagem para o crescimento e desenvolvimento de suas crianças.6264

A obesidade aumenta a probabilidade de trabalho de parto prolongado provavelmente por menor tônus miometrial, gestação pós-termo, parto cesárea, internação prolongada e infecções puerperais. Os fatores contribuintes para a maior frequência da via de parto cesárea são a desproporção cefalicopélvica e distocia por aumento de tecidos moles depositados na pelve materna.65 Em partos vaginais, a maior prevalência de macrossomia contribui para distocia de ombro, provocando lacerações perineais e paralisias do plexo braquial no recém-nascido.64

Pelo fato de a obesidade ou o ganho excessivo de peso estarem ligados ao aumento das complicações maternas e fetais durante a gestação, parto e pós parto, recomenda-se fortemente adesão à dieta equilibrada e exercício físico regular preferencialmente supervisionado.6567 A principal meta durante a fase gestacional não se relaciona à perda de peso, mas, sim, ao ganho adequado durante toda a gravidez, evitando-se assim o excesso no terceiro trimestre. O peso materno é fator de risco independente para PE, que dobra a cada aumento de 5 a 7 kg/m2 no índice de massa corporal (IMC) pré-gestacional.68 O treinamento físico no período pré-natal reduz o ganho de peso e o risco de DMG para gestantes em sobrepeso e obesas.64

Vários estudos evidenciaram a segurança da prática de exercícios físicos em intensidade moderada ao longo da gravidez, na ausência de contraindicações médicas ou obstétricas.3,69 Nas gestantes portadoras de obesidade, recomendam-se exercícios aeróbicos, de leve a moderada intensidade, prescrita entre 35% e 60% da FCR, que vai depender da condição cardiorrespiratória prévia. Os benefícios do treinamento de resistência muscular também podem ser verificados neste grupo.37,39

Um dos aspectos de importância relaciona-se à adesão desta população à prática regular das atividades físicas, mesmo em programas supervisionados. Este desafio é o ponto-chave a ser avaliado, com intuito de evitar ou diminuir o abandono dos EF.69

Frente a todos os efeitos favoráveis para o binômio mãe-feto, as mulheres com sobrepeso ou obesidade devem ser encorajadas a abandonar a vida sedentária. No período do pós-parto, o incentivo para a prática de exercícios físicos e a manutenção de dieta saudável são mandatórios, não só para a perda do excesso de peso gestacional, como também para o alcance de metas de peso mais adequadas, ao serem planejadas gestações futuras.

2.5.4. Atletas

O treinamento de atletas pressupõe a realização de exercícios em grande volume e alta intensidade. Além das próprias limitações impostas pela gravidez, questões éticas dificultam a realização de estudos, sem evidências robustas que demonstrem a segurança materno-fetal para a prática de exercícios em alta intensidade durante a gestação. Entretanto, algumas gestantes optam por realizar esse tipo de treinamento, inclusive mantendo competições.

Mulheres ativas que mantêm a prática de exercícios durante a gestação apresentam menor FC de repouso e maior volume sistólico, com melhor tolerância a maiores intensidades de esforço, inclusive no puerpério, facilitando o retorno às condições pré-gestacionais, eventualmente até com melhor desempenho.70 Tais dados são relevantes nas atletas que pretendem continuar a carreira e retomar o treinamento de alto nível em curto prazo.

Por outro lado, deve-se levar em consideração que há diminuição da capacidade residual funcional, redução do estoque de glicogênio hepático e maior dificuldade metabólica de adaptação ao exercício anaeróbico, com maior acúmulo plasmático do ácido láctico e diminuição da disponibilidade de glicose, principalmente quando o tempo de exercício é prolongado. Em comparação com mulheres sedentárias, as ativas e seus bebês apresentam peso menor, porém observa-se que isso se deve à diminuição do percentual de gordura corporal, sem prejuízo para ambos.71

Treinamento e provas de endurance, como maratonas, devem ser evitados, pois, em períodos de exercício acima de 60 min, há risco de hipertermia materna (que pode causar malformações do tubo neural se ocorrer entre a 4ᵃ e a 6ᵃ semana) e hipoglicemia fetal (identificada por diminuição transitória da reatividade do feto).72 Recomenda-se evitar a prática em ambientes quentes e úmidos, redobrar a atenção à hidratação e ao aporte calórico, ajustados para as necessidades metabólicas aumentadas, visando manter a homeostase para o feto.

Esportes com risco de traumatismo por colisão (basquete, futebol), por objetos (hóquei, vôlei) e por queda (saltos, equitação, ciclismo, esqui) também são desaconselhados, pois podem ocasionar descolamento de placenta e/ou hipóxia fetal devido ao traumatismo direto ou à desaceleração.3,19

Apesar dessas considerações, há casos conhecidos de atletas de elite que mantiveram a prática esportiva durante a gestação, inclusive competitiva, e conquistando títulos em esportes como tênis, vôlei de praia, atletismo, maratona, escalada em montanha e esqui, sem relatos de complicações materno-fetais.65,73,74

Entre os poucos dados da literatura, podemos citar o estudo norueguês que demonstrou que um grupo de atletas de elite que treinaram em volume e intensidade alta a partir da 17ᵃ semana apresentou benefícios para retornar à competição após o parto, sem aumento dos riscos quando comparadas com o grupo que realizou treinamento com menor carga de trabalho, sugerindo que mulheres bem treinadas poderiam manter a intensidade habitual durante a gestação.75 Outro estudo realizou teste de esforço até a exaustão (FC >90% da máxima prevista) em três grupos de gestantes: inativas, ativas e muito ativas (atletas), e relatou que um pequeno número de mulheres apresentou diminuição do fluxo em artéria uterina, seguido de bradicardia fetal leve e transitória (<3 min). Contudo, não se conhece o significado deste achado, tendo em vista que não houve prejuízo ao feto antes ou após, nem maior ocorrência de complicações até o parto, em comparação com as outras.76

De qualquer modo, os dados ainda são escassos e há necessidade iminente de mais estudos com atletas gestantes e treinamento de alta intensidade, dentro de princípios éticos e de segurança materno-fetal favorável. Apesar de alguns grupos advogarem que as recomendações para atletas poderiam ser revistas, sendo mais liberais quanto ao tipo de treinamento, ainda não há dados suficientes para a afirmação de que a prática de exercícios em alta intensidade seja segura durante a gestação. Cabe ao médico compreender o impacto psicológico e financeiro que essas condições podem causar no bem-estar e na carreira da atleta, orientando sobre os riscos de complicações e até mesmo de interrupção indesejada da gestação ou danos irreversíveis ao bebê, permanecendo a decisão compartilhada a mais acertada.

2.5.5. Cardiopatias

As modificações que ocorrem durante o processo da gestação são dinâmicas, similares a uma prova de esforço, com mudanças cardiovasculares e sistêmicas que podem comprometer a estabilidade da doença cardíaca. O aumento de VS, FC, DC e fluxo sanguíneo uterino, a redução do hematócrito e a reserva cardíaca podem ser suficientes para instabilidades hemodinâmicas, não apenas no início, mas também no transcorrer de todo o período gestacional.25,77 As consultas ao cardiologista devem ser regulares para auxiliar no controle clínico dessas pacientes.

Embora a prática regular de exercícios físicos seja indicada para as prevenções primária e secundária das DCV, não está amplamente documentada nas gestantes cardiopatas. Os estudos são escassos com esse perfil de pacientes, visto a complexidade da maioria das DCV, tais como cardiopatias congênitas, valvopatias, hipertensão pulmonar, condições que colocam em risco a vida da mãe e do feto. A liberação dos EF nessa população deve ser baseada principalmente na avaliação do risco cardiovascular para evolução da gravidez. A literatura demonstra importantes preditores de eventos cardiovasculares maternos, tais como classe funcional pela New York Heart Association (NYHA) III e IV, lesões obstrutivas do coração esquerdo (moderadas a severas), eventos cardíacos prévios, redução da fração de ejeção do VE (<40%), regurgitação da valva atrioventricular sistêmica (moderada a severa), regurgitação da valva atrioventricular pulmonar (moderada a severa), hipertensão arterial pulmonar, uso de medicação cardíaca antes da gravidez, cianose (saturação de oxigênio <90%), tabagismo, prótese valvar mecânica, doença cardíaca cianótica corrigida ou não.24

Estudo interessante de Jastrow et al. com 227 mulheres cardiopatas acompanhadas por 312 gestações utilizou escore de risco denominado Cardiac Disease in Pregnancy (CARPREG) com suas variáveis descritas na Tabela 11, no seguimento e a associação com desfechos maternos e fetais. No grupo avaliado, as lesões cardíacas maternas eram predominantemente congênitas (81,4%), com escore de risco baixo ou escore = 0 em 66,3%, e risco intermediário ou escore = 1 em 33,7%. Os eventos cardíacos maternos complicaram em 7,4% das gestações, com edema pulmonar ocorrendo em maior frequência (3,8%). O escore intermediário esteve associado à maior taxa de desfechos cardíacos maternos (19,0% × 1,4%, odds ratio [OR] = 15,6, 95% do IC), com eventos adversos em 27,5% dos neonatos. O índice de risco CARPREG apresentou alta sensibilidade e valor preditivo negativo em relação às complicações cardíacas em gestantes com cardiopatia.78 Entretanto, esse índice aplicado em uma amostra composta principalmente por pacientes com cardiopatia reumática superestimou o número de eventos em gestantes classificadas como CARPREG 1 e > 1, além de subestimar o risco em pacientes gestantes de baixo risco (CARPREG 0).79

Tabela 11. Índice de risco Cardiac Disease em Pregnancy (CARPREG).
Preditores de Eventos Cardiovasculares Pontuação
Evento cardíaco prévio (falência cardíaca, ataque isquêmico transitório, infarto antes da gravidez ou arritmia) 1
Classe funcional de NYHA basal > II ou cianose 1
DOLEC (valva mitral com área <2cm2, valva aórtica <1,5cm2 ou gradiente de pico de fluxo de via de saída >30mmHg 1
Função ventricular sistólica reduzida (fração de ejeção <40%) 1

Modificada de Martins et al.79DOLEC: doenças obstrutivas do lado esquerdo; NYHA: New York Heart Association.

Existem outros índices de avaliação do risco materno-fetal, sendo considerado o mais preciso e utilizado atualmente o da OMS, descrito anteriormente. Os EF nas gestantes com risco III e IV pela OMS são considerados proscritos.25 Nos demais casos, sugere-se avaliação pormenorizada da cardiopatia, considerando também a condição cardiorrespiratória da gestante e as modificações fisiológicas peculiares de cada período gestacional, para análise do risco e benefício da prática de EF para a mãe e o feto. A interação entre a cardiologia e a obstetrícia é muito importante na avaliação e liberação dessas pacientes para realização do EF.

As provas funcionais como TE e TCPE têm indicação controversa nesse cenário, com algumas sugestões para provas submáximas e com utilização em situações específicas (doença valvar e cardiopatias congênitas).25

Na orientação dos EF, os níveis de FC, PA e a saturação periférica de oxigênio pela oximetria de pulso podem nortear o tipo e a intensidade do exercício aplicado por profissionais especializados e treinados. É fundamental dar atenção especial aos sinais e sintomas de alerta para interrupção das atividades: cansaço, dispneia, sinais de baixo débito, dentre outros já descritos.

As gestantes com DCV que apresentam potencial para complicações (descritas na Tabela 12) devem ser preferencialmente acompanhadas por equipe multidisciplinar, englobando medicina materno-fetal, cardiologia, cirurgia cardiovascular, anestesiologia, neonatologia e encaminhadas a um centro de atendimento terciário.80

Tabela 12. Principais complicações de gestantes com doença cardiovascular.
Condição Cardiovascular Complicações Potenciais
Hipertensão arterial
  • Pré-eclâmpsia; síndrome Hellp*

Estenose mitral
  • Taquiarritmias com baixo débito, edema pulmonar

Insuficiência mitral
  • Arritmia, edema pulmonar

Estenose aórtica
  • -Baixo débito com queda da pré-carga

Insuficiência aórtica
  • Geralmente bem tolerada

  • Insuficiência cardíaca congestiva

Estenose pulmonar Insuficiência pulmonar
  • Geralmente bem tolerada,

  • Edema pulmonar se insuficiência cardíaca direita

Estenose tricúspide
  • Bem tolerada

Insuficiência tricúspide
  • Bem tolerada

Cardiomiopatia
  • Arritmia; insuficiência cardíaca congestiva; edema pulmonar

Aneurisma de aorta
  • Dissecção de aorta, rotura

Modificada de Adam et al.80

*

Hellp: hemólise, elevação de enzimas hepáticas e plaquetopenia.

No Brasil, a doença reumática é a cardiopatia mais frequente em gestantes, acometendo principalmente as valvas mitral e aórtica.24 As cardiomiopatias apresentam baixa prevalência nessa população, e sua apresentação heterogênea faz com que as orientações sejam individualizadas. 24,25,52

A orientação da atividade física nas doenças valvares dependerá da valva acometida e do grau de comprometimento. Estenoses valvares, particularmente do lado esquerdo, apresentam maior risco de complicações maternas do que as regurgitações valvares, em que DC, vasodilatação e taquicardia provocados pela gestação não são bem tolerados.81 Deve-se analisar também tamanho das cavidades, função ventricular, PA pulmonar, associação com outras cardiopatias, fibrilação atrial, insuficiência cardíaca, tromboembolismo e endocardite prévios, que são considerados fatores de prognóstico. Seguindo a classificação de risco da valvopatia para a gravidez (Tabela 13), orientada pelo Departamento de Cardiologia da Mulher em seu Posicionamento,24 recomenda-se que pacientes com risco intermediário e alto não devem ser liberadas para realização dos EF em virtude da gravidade da cardiopatia e do risco consequente para mãe e o feto.

Tabela 13. Classificação do risco das valvopatias para a gravidez.
Risco Alto Risco Intermediário Risco Aceitável
Estenose mitral grave PB com disfunção moderada Valvopatia discreta
Estenose aórtica grave Estenose pulmonar grave PB sem disfunção
PB estenótica/calcificada PM Valvopatia + FEVE normal
PM com disfunção PM mitral > risco PM aorta Valvopatia sem fatores desfavoráveis
Valvopatia + PAP ≥50mmHg Insuficiência aórtica + doenças da aorta
Insuficiência aórtica + doenças da aorta Síndrome de Marfan (DAorta entre 40 e 45mm)
Síndrome de Marfan (DAorta >45mm) Valva aórtica bicúspide (DAorta entre 45 e 50mm)
Valva aórtica bicúspide (DAorta >50mm) Necessidade de anticoagulantes
Valvopatia + FEVE <35%

Modificada de Avila et al.24DAorta: diâmetro da aorta ascendente; FEVE: fração de ejeção do ventrículo esquerdo; PAP: pressão da artéria pulmonar; PB: prótese biológica; PM: prótese metálica. Considera-se estenose aórtica ou mitral grave: área valvar ≤1cm2.

Nas lesões valvares de grau discreto, na ausência de fatores desfavoráveis e capacidade funcional dentro do previsto para a idade, sugere-se a realização dos EF de leve intensidade. É aceitável a manutenção dos EF de moderada intensidade, apenas nas gestantes com regurgitações valvares leves sem repercussão hemodinâmica, como nas insuficiências mitral e aórtica, principalmente nas pacientes que já realizavam EF anteriormente.

Ressalta-se a importância do acompanhamento dos sintomas, achados ecocardiográficos e peculiaridades de cada período gestacional. No terceiro trimestre, com as próprias mudanças cardiovasculares e respiratórias fisiológicas da gestação, além do aumento do peso, os EF devem ser reavaliados pelo risco de parto prematuro e retardo do crescimento intrauterino. É importante sempre lembrar de que o exercício físico é importante para a mãe, mas pode eventualmente ser prejudicial ao feto.

2.6. Cuidados na Realização dos Exercícios Físicos na Gestação e Critérios de Interrupção

A adoção de medidas gerais para a manutenção de estilo de vida saudável é fundamental na gestação, como manter nutrição e repouso adequados, realizar atividade física e evitar o consumo de álcool, o uso de medicamentos desnecessários e o tabagismo ativo ou passivo.

A gestante necessita ter o conhecimento de alguns cuidados e peculiaridades na realização dos EF, objetivando evitar complicações que são mais evidentes em determinados períodos da gestação. A atenção com a dieta é importante, o gasto calórico do exercício deve ser estimado e balanceado com a ingestão adequada de calorias, ressaltando-se a necessidade de atenção aos sinais e sintomas de hipoglicemia. Evitar exercícios em ambientes quentes e úmidos, especialmente durante o primeiro trimestre. Manter hidratação adequada, com ingestão de líquidos isotônicos antes e após os exercícios.

Deve-se ter atenção especial com os movimentos de alongamento e mudanças bruscas na realização dos exercícios, a partir da 10ᵃ semana, quando aumentam os níveis de relaxina e o risco de lesões.19 Os exercícios na posição supina podem resultar em retorno venoso diminuído e hipotensão em 10% a 20% de todas as grávidas, causando lipotimia ou síncope, principalmente após a 20ᵃ semana. Não existem evidências suficientes para contraindicar ou comprovar segurança nesse tipo de exercício.82 Caso ocorram esses sintomas, realizar os exercícios em decúbito lateral ou em pé. Evitar também os exercícios abdominais pelo risco de aumento da diástase abdominal.

Não existe período determinado para a interrupção da prática dos EF na gestação. Torna-se recomendável estimular os EF de leve intensidade ao final do terceiro trimestre e orientar quanto aos sinais de trabalho de parto37 uma vez que há naturalmente diminuição da atividade física nessa fase. Recomenda-se interrupção dos EF e consulta ao médico especialista caso apareçam sintomas de desconforto, tais como respiração curta e mantida que não resolve com repouso; cefaleia importante; contrações uterinas regulares e dolorosas; sangramento vaginal; perda contínua de fluido amniótico; desmaio ou tontura persistente; dor torácica; palpitações; distúrbios visuais; náuseas e vômitos persistentes; fraqueza muscular afetando o equilíbrio, entre outros.3

2.7. Adaptações e Recomendações para a Prática de Exercícios Durante a Pandemia do Novo Coronavírus

O Ministério da Saúde incluiu gestantes e puérperas no grupo de maior risco para evolução desfavorável à COVID-19. Não há dados de que a gravidez aumente a suscetibilidade à infecção pelo novo coronavírus (SARS-CoV-2, Severe Acute Respiratory Syndrome).83 Em revisão sistemática, incluindo 18 artigos, no período de fevereiro a março de 2020, em 108 gestantes infectadas com o SARS-CoV-2, febre esteve presente em 68% dos casos, tosse em 34% e dispneia em 12%.84

As adaptações fisiológicas da gravidez podem agravar alguns sintomas decorrentes da COVID-19. Deslocamento do diafragma, diminuição da capacidade pulmonar total e da complacência torácica contribuem para evolução pior em pacientes com pneumonia por COVID-19, acarretando hipóxia e comprometimento fetal. Além das alterações respiratórias da gestação, é importante destacar as modificações cardiovasculares e hematológicas, como a elevação da FC, menor resistência vascular sistêmica e estado de hipercoagulabilidade. Esses fatores têm implicações maiores na gestante cardiopata que adquire a COVID-19.85

Dessa forma, a prática de EF em gestantes na pandemia requer cuidados adicionais. Recomenda-se a adoção de rotina de exercícios a serem realizados preferencialmente em domicílio para redução do risco de contaminação. A intensidade de leve a moderada é geralmente segura na gestante saudável e, como regra geral, certamente contribui para modular o estresse emocional, além de todos os benefícios já relatados. As orientações gerais para as gestantes na realização dos EF em âmbito do domicílio consistem em lugar com espaço adequado, arejado e com temperatura agradável, uso de roupas leves e tênis, hidratação e alimentação adequadas. A realização de alguns exercícios pode ser adaptada com o uso de materiais domésticos do dia a dia.

Para as gestantes que já praticavam atividade física regular, torna-se mais fácil mantê-la na pandemia, pois já adquiriram conhecimento necessário quanto à execução dos EF, à percepção de esforço e aos sintomas de alerta para interrupção. Para as sedentárias, é importante que a orientação da importância dos EF ocorra desde a primeira consulta e que sejam prescritos inicialmente exercícios de leve intensidade.

A manutenção da atividade física domiciliar, principalmente para a gestante portadora de comorbidades ou sedentária, deve ser se possível supervisionada por profissional de educação física ou fisioterapia, em teleatendimento caracterizado nas formas de teleconsulta, teleaula e telemonitoramento nesse momento de pandemia, conforme autorizado pelos respectivos conselhos de especialidade. Caso o profissional julgue necessário e com base sempre no benefício e segurança das gestantes, a primeira avaliação poderá ser presencial, seguindo as medidas preventivas e de assepsia.86,87

Considerando-se o relaxamento da quarentena de forma heterogênea no território nacional, houve a liberação de alguns espaços públicos – a gestante deve dar preferência a lugares abertos e com menor circulação de pessoas, implicando consequentemente menor risco de contaminação. Existe consenso quanto ao uso de máscaras faciais fora do domicílio adicionalmente à manutenção do distanciamento social, especialmente para a caminhada em ruas ou condomínios. Estudo holandês recente sugeriu distância de 4 a 5m a ser obedecida em pessoas que caminham uma atrás da outra, distância de 10m para pessoas que correm ou andam de bicicleta lentamente e distância de 20m ao andar de bicicleta rapidamente.88

Em academias de edifícios, deve se adotar a conduta de liberação regional, com a recomendação de reserva exclusiva de horário para os moradores da mesma unidade habitacional, com higienização habitual de aparelhos com álcool 70% em ambiente arejado. Atualmente, em muitas cidades, as academias estão abertas com horários limitados e respeitando os protocolos de segurança recomendados.

Caso a gestante seja acometida pela COVID-19, a orientação de qualquer retorno à atividade física regular deverá acontecer após reavaliação médica e realização de ECG, tendo em vista a possibilidade de lesão miocárdica e arritmias secundárias ao quadro viral.89 Naquelas que apresentaram evolução clínica mais grave, recomenda-se consulta com o obstetra, para minuciosa avaliação materno-fetal, e com cardiologista, para avaliação de complicações cardiovasculares e necessidade de outros exames complementares, como ecocardiograma transtorácico, eletrocardiografia dinâmica (holter), dentre outros.

3. Exercícios Físicos no Pós-Parto

A realização de EF durante a gravidez aumenta a probabilidade da manutenção no pós-parto, com benefícios na qualidade de vida em curto e longo prazo. As mulheres habitualmente reduzem a prática de EF após o parto, em virtude das dificuldades enfrentadas nesse período com o nascimento do bebê. O sedentarismo contribui para o sobrepeso e a obesidade, com repercussão no aparecimento de outras comorbidades, como DM e DCV.90 Aproximadamente 25% das mulheres permanecem com aumento do peso, que é considerado como ganho >4kg em 1 ano após o parto.91 Os EF no período pós-parto são importantes para redução do peso; no entanto, terapias adjuvantes devem ser consideradas. Algumas revisões sistemáticas mostraram efeito maior sobre a perda de peso em estudos que incluíram componente dietético. Intervenções dietéticas mais intensivas e programas de atividades mais estruturados que incorporam monitores de FC foram associados à maior perda de peso.9294

A importância da realização dos EF nessa fase deve ser enfatizada pelo obstetra, pontuando os benefícios na condição cardiorrespiratória, a redução da fadiga, a melhora na qualidade do sono e a redução do risco de depressão.9596 Ressalta-se que a depressão pós-parto é condição prevalente que afeta aproximadamente 10% a 15% das mulheres no primeiro ano de nascimento.97 As mulheres relatam maior sensação de bem-estar e melhora da qualidade de vida com a prática de EF.98,99

A rotina de exercícios no pós-parto deve retornar gradualmente, em uma fase que a prática seja segura, a depender do tipo de parto (vaginal ou cesariano) e se houve complicações cirúrgicas. Orienta-se o retorno aos EF em torno de 6 semanas após o parto cesariano e em torno de 4 semanas após o parto vaginal. Aconselha-se que a progressão seja mais lenta se houver desconforto ou na presença de outros fatores, como anemia e infecção de ferida operatória. As pacientes que já praticavam EF devem reduzir a intensidade nos primeiros meses e evoluir gradualmente.95,99

A prática de exercícios aeróbicos de leve a moderada intensidade pode ser realizada em mulheres que estão amamentando, sem prejuízo na produção do leite e no crescimento da criança. O ideal é realizar os EF após a amamentação, para evitar o desconforto provocado pelo ingurgitamento das mamas e da mesma forma com proteção para a adequada sustentação. Mulheres que estão nessa fase devem manter hidratação abundante, observando inclusive a presença de volume satisfatório de diurese clara, além de garantir que a ingestão calórica não esteja abaixo de 25% das calorias consumidas e manter perda de peso de até 450g por semana. Estima-se o gasto calórico da amamentação em aproximadamente 600kcal/dia.100,101 Os EF de alta intensidade podem estar associados ao aumento de ácido láctico no leite materno e alterar o paladar do leite. Caso a mãe perceba que o bebê está rejeitando o leite materno, deve reduzir o nível do EF.102

Os exercícios resistidos estão liberados, mas são necessários cuidados para os que envolvem flexão do tronco (abdominais tradicionais), pelo risco do aumento da diástase dos músculos retos abdominais. Pilates é opção adequada para o treinamento da musculatura profunda do abdome e do assoalho pélvico, contribuindo para o corpo da mulher retornar ao seu estado pré-gestacional. O comprometimento da musculatura pélvica pode contribuir para o aparecimento de incontinência urinária e fecal, além de disfunção sexual. É importante realizar o treinamento da musculatura pélvica desde a gestação. Os exercícios de pular devem ser evitados no pós-parto pela fragilidade do assoalho pélvico.103

Os EF promovem benefícios na gestação, no puerpério e a longo prazo. As mulheres que mantêm a prática apresentam menor chance de permanecer com o excesso de peso adquirido na gravidez, desenvolver depressão e complicações metabólicas e cardiovasculares.104 Todos os profissionais de saúde responsáveis pelo acompanhamento das gestantes devem estimular e orientar a prática do EF com segurança.

3.1. Particularidades no Pós-Parto da Paciente com Cardiopatia

Algumas particularidades de importância acontecem no pós-parto, especialmente para as gestantes cardiopatas, pois, na fase imediata, ocorre alteração significativa da volemia, que pode levar à descompensação clínica. Após o período expulsivo, ocorre aumento súbito do retorno venoso, que se deve à autotransfusão do plexo uterino, à descompressão do fluxo da veia cava inferior e à redução da capacidade do sistema venoso. Além disso, a resistência vascular periférica está aumentada pela contração sustentada do útero, ocluindo os vasos que se abrem na superfície materna da placenta. A autotransfusão contínua que ocorre durante 24 a 72 h após o parto representa alto risco de congestão pulmonar na mulher cardiopata.105

De modo geral, os padrões de alteração do volume sanguíneo materno durante o trabalho de parto, o período expulsivo e o puerpério obedecem às seguintes fases: (1) hemoconcentração durante o trabalho de parto, que é variável com o grau de atividade uterina e de desidratação materna; (2) redução do volume sanguíneo, que ocorre durante e imediatamente após o parto proporcionalmente à quantidade de sangue perdida; (3) elevação imediata e transitória do volume sanguíneo, ocorrendo após a dequitação placentária e atribuída ao influxo de líquido para o espaço intravascular, devido ao esvaziamento uterino; (4) discreta elevação do volume sanguíneo entre o segundo e o terceiro dia do pós-parto, secundária ao aumento transitório da secreção de aldosterona; (5) redução do volume plasmático após uma semana do parto, de modo que o volume sistólico materno pode apresentar uma discreta queda nesse período, normalizando-se em curto prazo.105

Como sabemos, exercício e dieta saudável pós-parto promovem a perda de peso, o que pode melhorar ou prevenir riscos futuros relacionados à obesidade, como DM e HAS.64,106 No entanto, não há dados robustos na literatura sobre EF no pós-parto de pacientes com cardiopatia ou com complicações durante a gestação. Sendo assim, a prescrição dos EF segue as diretrizes e os princípios prescritos para as cardiopatias específicas, adaptados para minimizar os riscos, lesões maternas e maximizar os benefícios.24,52

As complicações cardíacas mais frequentes no intraparto e puerpério de parturiente cardiopata são: PE, insuficiência cardíaca, edema agudo pulmonar, arritmias, tromboembolismo e dissecção de aorta. Entre as obstétricas, incluem-se principalmente hemorragia e infecções.24 No caso de parto vaginal, deve-se avaliar o grau de traumatismo perineal. Após parto cesariano, outros desfechos devem ser analisados, tais como distúrbios cardiorrespiratórios, tromboembolismo, dor e necessidade de analgesia, cicatrização anormal de feridas, neuropatia e incontinência.107 Os EF não devem ser prescritos no pós-parto até controle da doença cardiológica ou das complicações clínicas e cirúrgicas e avaliação do risco-benefício da realização dos EF, seguindo o intervalo mínimo de 4 semanas após o parto vaginal e de 4 a 6 semanas após o cesariano. A deambulação precoce e o retorno às atividades físicas normais da pré-gravidez, assim que clinicamente seguros, podem reduzir as comorbidades associadas ao estilo de vida sedentário pós-cirúrgico.108110

As atividades físicas deverão ser retomadas em concordância com o obstetra. Na presença de doenças e ou complicações cardiovasculares, a avaliação conjunta do cardiologista torna-se importante.111,112 Em virtude da escassez de dados sobre exercício físico no pós-parto de pacientes com cardiopatia, a maioria das orientações consiste em extrapolações das diretrizes de reabilitação cardiovascular. Sendo assim, mais estudos são necessários para o atendimento individualizado e preciso a essa população específica.

Footnotes

Realização: Departamento de Ergometria, Exercício, Cardiologia Nuclear e Reabilitação Cardiovascular (DERC) da Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC), Grupo de Estudos de Cardiologia do Esporte (GECESP), Comissão DERC Mulher – Saúde e Diagnóstico das Doenças Cardiovasculares nas Mulheres e Grupo de Estudos de Reabilitação Cardiopulmonar e Metabólica (GERCPM)

Conselho de Normatizações e Diretrizes (2020-2021): Brivaldo Markman Filho, Antonio Carlos Sobral Sousa, Aurora Felice Castro Issa, Bruno Ramos Nascimento, Harry Correa Filho, Marcelo Luiz Campos Vieira

Coordenador de Normatizações e Diretrizes (2020-2021): Brivaldo Markman Filho

Nota: Estes posicionamentos se prestam a informar e não a substituir o julgamento clínico do médico que, em última análise, deve determinar o tratamento apropriado para seus pacientes.

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Position Statement on Exercise During Pregnancy and the Post-Partum Period – 2021

Milena dos Santos Barros Campos 1,2, Susimeire Buglia 3,4, Cléa Simone Sabino de Souza Colombo 4,5, Rica Dodo Delmar Buchler 3,6, Adriana Soares Xavier de Brito 7,8, Carolina Christianini Mizzaci 3, Roberta Helena Fernandes Feitosa 9,10, Danielle Batista Leite 11,12, Carlos Alberto Cordeiro Hossri 3,4, Lorena Christine Araújo de Albuquerque 4, Odilon Gariglio Alvarenga de Freitas 13, Gabriel Blacher Grossman 14,15, Luiz Eduardo Mastrocola 4

Position Statement on Exercise During Pregnancy and the Post-Partum Period – 2021.

The report below lists declarations of interest as reported to the SBC by the experts during the period of the development of these statement, 2020.
Expert Type of relationship with industry
Adriana Soares Xavier de Brito Nothing to be declared
Carlos Alberto Cordeiro Hossri Nothing to be declared
Carolina Christianini Mizzaci Nothing to be declared
Cléa Simone Sabino de Souza Colombo Nothing to be declared
Danielle Batista Leite Other relationships
Any economically relevant equity interest in companies in the healthcare or education industry or in any companies competing with or supplying to SBC:
  • Ergometry Course: GEFE

Gabriel Blacher Grossman Nothing to be declared
Lorena Christine Araújo de Albuquerque Nothing to be declared
Luiz Eduardo Mastrocola Nothing to be declared
Milena dos Santos Barros Campos Nothing to be declared
Odilon Gariglio Alvarenga de Freitas Nothing to be declared
Rica Dodo Delmar Buchler Nothing to be declared
Roberta Helena Fernandes Feitosa Nothing to be declared
Susimeire Buglia Nothing to be declared

1. Introduction

The Department of Ergometry, Exercise, Nuclear Cardiology and Cardiovascular Rehabilitation (DERC), through its commission on Health and Diagnosis of Cardiovascular Diseases in Women and in association with the Sports Cardiology Study Group (GECESP) and the Cardiopulmonary Rehabilitation and Metabolic Study Group (GERCPM), has prepared this position paper in accordance with Brazilian Society of Cardiology norms to guide health professionals regarding the prescription of physical exercise during pregnancy and the postpartum period, as well as to strengthen the relationship between specialists in related areas (especially clinicians, cardiologists and obstetricians), including exercise management in pregnant athletes and pregnant women with comorbidities. At the end of this document, details about exercising during the current severe acute respiratory syndrome coronavirus 2 (SARS-CoV-2)/coronavirus disease-2019 (COVID-19) pandemic will be addressed.

Exercise has proven benefits for maternal and fetal health, although women, especially those with comorbidities, often curtail physical activity or remain sedentary during pregnancy due to fear of clinical and obstetric complications. Thus, it should be made clear that exercise has a number of advantages for pregnant women, such as improved functional capacity, reduced fatigue, lower risk of depression, excessive weight gain prevention, and better control of metabolic and cardiovascular disorders (eg, preeclampsia, hypertensive disorders and gestational diabetes mellitus). Preeclampsia, hypertensive disorders and gestational diabetes mellitus are now considered emerging or sex-specific risk factors and are associated with an increased risk of cardiovascular disease (CVD).

Planned consultations with an obstetrician represent a great opportunity to raise awareness about and encourage a healthier lifestyle. In general, women who are active during pregnancy continue to be active in the postpartum period, enjoying the benefits of exercise on long-term cardiovascular health. During the COVID-19 pandemic, sedentary lifestyles have increased, and exercise should be recommended more intensely for pregnant women, including the usual precautions to prevent contamination and the spread of the virus. Pregnant women, especially those with comorbidities, should be referred to specialists to help control risk factors for CVD and receive exercise prescriptions.

This paper will describe the benefits and indications of exercise during pregnancy and the postpartum period, the standardization of clinical assessment prior to exercise prescription, guidance about prescription, criteria for stopping exercise and special conditions during COVID-19 pandemic.

2. Exercise During Pregnancy

2.1. Benefits and Indications

Pregnancy causes hormonal and anatomical changes that lead to lumbar hyperlordosis, loosening of the pelvic ligaments, fluid retention in connective tissue and increased body weight. Consequently, overload in the lumbar spine and low back pain occur in approximately 60% of pregnant women, negatively interfering in sleep quality, physical disposition, work performance, social life, domestic activities, and leisure.1 There is also a tendency to curtail physical activity during pregnancy, especially in the third trimester, which worsens the anatomical implications of pregnancy. Obstetrics/gynecology and cardiology groups have published recommendations and guidelines about exercise during pregnancy to promote maternal, fetal and neonatal health.24 Exercise reduces fat mass percentage, increases the transfer of oxygen (O2) and reduces diffusion of carbon dioxide (CO2) through the placenta, favoring fetal development. Additionally, regular exercise decreases the risk of gestational diabetes mellitus (GDM) by approximately 50%, and the risk of preeclampsia, gestational hypertension, excessive weight gain and depression by up to 40%.58

Pregnant women with no disorders should begin exercising as soon as they feel ready, considering that fatigue and the unwanted symptoms of early pregnancy can be disruptive. Supervised exercise is considered safe for the mother and the fetus, with no reported increase in congenital anomalies, premature births or low birth weight.912 It is important for the patient to be evaluated by an obstetrician and/or cardiologist before begnning an exercise program.

Table 1 shows the recommendations for exercise during pregnancy from a recently published international guideline, describing their evidence levels and quality.3 The strength of the recommendations was determined using the Grading of Recommendations Assessment, Development and Evaluation system13, classifying them as strong or weak according to: (1) balance between benefits and hazards, (2) overall evidence quality, (3) outcome importance, (4) resource usage (cost), (5) viability, and (6) acceptability.

Table 1. Recommendations for exercise during pregnancy, including the quality and strength of the evidence.

Indications Recommendation Evidence quality
All women without contraindications should be physically active throughout pregnancy (subgroups a, b, c) Strong Moderate
Previously inactive women Strong Moderate
Women with gestational diabetes Weak Low
Pre-gestational BMI ≥ 25 kg/m2 Strong Low
Pregnant women should have a minimum of 150 min of moderate-intensity exercise/week, totaling at least 3 days/week Strong Moderate
The exercise regimen of pregnant women should include aerobics and resistance exercise of varying intensities, to which stretching and yoga can be added Strong High
Daily pelvic floor training (Kegel exercises) to reduce the risk of urinary incontinence Weak Low

Adapted from Mottola et al.3BMI: body mass index

2.2. Cardiovascular and Respiratory Adaptations at Rest and during Exercise

Knowledge of cardiovascular and respiratory adaptations is of great importance for understanding common cardiorespiratory symptoms during pregnancy and for assisting in the differential diagnosis of symptoms related to decompensation of previously stable heart diseases, as well as for managing exercise during this period.

Rest: In pregnancy, blood volume increases secondary to an increase in plasma and red blood cells, leading to hemodilution, especially toward the end of the gestational period. Even at rest, there is an increase in stroke volume and heart rate (HR), causing an increase in cardiac output.14,15 There is also a change in cardiac excitability, leading to a greater occurrence of extrasystole. Increased estrogen promotes a decrease in vascular tone, including a decrease in peripheral vascular resistance and a consequent reduction in blood pressure (BP), especially diastolic BP. Although peripheral vascular resistance remains low, fluid variations near delivery cause BP lability and promote lower limb edema during this stage.16 These changes, which usually produce a greater sensation of palpitation at rest and post-exercise dizziness, should be considered predisposing factors for the decompensation of pre-existing heart diseases.17

Increasing oxygen levels are an important mechanism of maternal adaptation, since they facilitate transfer to the fetus through the placenta. The increased metabolic demands of the fetus, uterus and maternal organism result in increased oxygen consumption (VO2), carbon dioxide production and basal metabolic rate, causing hyperventilation, which is also influenced by progesterone. There is a significant increase in minute ventilation (VE) and tidal volume, with an increase in the partial pressure of O2 in arterial blood and a decrease in the partial pressure of CO2. Residual functional capacity decreases, mainly due to displacement of the diaphragm, which increases the sensation of respiratory discomfort, even at rest. These changes explain the “physiological dyspnea” observed in about 60% to 70% of healthy pregnant women, common around the 30th week, as well as a reduced ability to hold their breath, which limits activities such as diving and anaerobic exercise (eg, sprinting).18 Physiological adaptations during pregnancy are described in Figure 1.

Figure 1. Physiological changes during pregnancy.

Figure 1

CO: cardiac output; HR: heart rate; BP: blood pressure; PVR: peripheral vascular resistance; VE: minute ventilation.

Exercise: During exercise, systolic volume, cardiac output, HR and VE also increase, and an increase in aerobic capacity and higher performance can already occur during the first trimester of pregnancy. Although the HR of pregnant women is higher at rest, it does not increase the same way during exercise, and VO2 does not increase proportionally with higher loads, especially when the effort includes supporting body weight. Thus, functional capacity is limited as pregnancy progresses. The increase in VE exceeds the increase in VO2, but the arteriovenous difference in O2 decreases, which provides greater delivery of oxygen to the fetus. However, during high-intensity exercise the blood flow may be diverted from the uterus to the muscles, which can be harmful to fetal development.18,19

From an anatomical point of view, there is an increase in the left ventricular cavity, although wall thickness is not increased. A study of 105 pregnant women found that 35% developed an increase in left ventricular trabeculation, with 8% fulfilling the criteria for non-compacted myocardium. Similar changes have been reported in other situations where there is an increase in cardiac output, such as in athletes (which is reversible after returning to baseline hemodynamic conditions), and should not be confused with pathological changes.20

2.3. Exercise Assessment

Recommendations for and impediments to exercise (Figure 2) during pregnancy are usually determined by an obstetrician after clinical evaluation and identification of contraindications, such as pre-existing diseases, medical or obstetric complications, etc. (Table 2).3 Women with CVD should also be accompanied by a cardiologist. Currently, the partnership between cardiology and obstetrics/gynecology allows the early identification and modification of risk factors for CVD.21

Figure 2. Exercise assessment for pregnant women.

Figure 2

ECG: electrocardiogram; WHO: World Health Organization. Clinical Assessment (Anamnesis and Exercise)

Table 2. Contraindications for physical activity during pregnancy.

OBSTETRIC CAUSES
ABSOLUTE RELATIVE
Membrane rupture History of premature birth
Premature labor Recurrent loss of pregnancy
Placenta previa after 28 weeks of gestation Twin pregnancy >28 weeks
Multiple pregnancy (triplets or higher-order)
Unexplained persistent vaginal bleeding
Cervical weakness
Intrauterine growth restriction
CLINICAL CAUSES
ABSOLUTE RELATIVE
Chronic arterial hypertension (uncontrolled)/ preeclampsia Gestational hypertension
Severe cardiovascular disease (WHO III-IV) Mild/moderate cardiovascular disease (WHO I-II)
Restrictive lung disease Mild/moderate lung disease
Type I diabetes mellitus, thyroid disease (uncontrolled) Extreme obesity, malnutrition or eating disorder Symptomatic anemia

WHO: World Health Organization.

The Physical Activity Readiness Medical Examination, developed by the Canadian Society for Exercise Physiology for exercise evaluation and guidance during pregnancy, has been very well accepted by medical societies worldwide for its practicality. It includes the following sections: a) a pre-exercise health survey (completed by the patient); b) exercise contraindications; c) a health assessment (completed by the attending physician) to be used by the exercise physiologist; d) instructions for prescribing aerobic and muscle conditioning exercises, thus providing recommendations for a safe and personalized prescription, as well as indicators for exercise cessation.22

After a thorough anamnesis and clinical examination, exercise can be recommended and supervised during pregnancy. Routine cardiac exams are not indicated for all pregnant women, only those whose clinical condition warrants them. Although electrocardiography (ECG) is not part of the prenatal routine, it should be used when investigating heart disease, monitoring pregnant women with previous CVD and assessing arrhythmias.23 ECGs are also recommended for patients who have clinical and obstetric contraindications to exercise (Table 2).

Transthoracic ECG is the preferred imaging method when CVD is suspected; it is non-invasive, easy to perform, and widely available.24 It is recommended for patients with previous heart disease, symptoms suggestive of heart disease, or abnormal previous ECG findings.

The one-repetition maximum (1RM) strength test is not recommended for functional assessment in pregnant women. If absolutely necessary for cardiovascular evaluation and after excluding contraindications, the patient can perform a submaximal exercise test (up to 85% of the maximum expected HR), which is considered safe by the Brazilian and European Societies of Cardiology. However, due to a lack of studies it cannot be recommended for characterizing ischemic heart disease. Performing an ECG during a submaximal exercise test on a bicycle ergometer can improve specificity in the detection of coronary artery disease, (ie, by adding imaging to the findings of the submaximal exercise test). Pharmacological stress with dobutamine during pregnancy is contraindicated.24,25

Regarding exercise prescription, especially for patients at higher cardiovascular risk, a submaximal exercise test is more efficient when associated with expired gases analysis, ie, the cardiopulmonary exercise test (CPET), which determines functional limitations and the ventilatory threshold, providing a more accurate, safe and objective prescription.26,27 To evaluate pregnant women, there is no good correlation between training load and HR.28 Pregnant women with heart disease (valve disease or congenital heart disease) undergo the CPET at a submaximal level in specific situations, after excluding absolute contraindications. It is not recommended as a routine exam.

Analyzing the physical fitness of pregnant women can help identify those who have developed or are at risk of developing cardiovascular complications, such as systemic arterial hypertension or preeclampsia. The 6-minute walk test (6MWT) is a validated assessment of cardiorespiratory reserve in high-risk adults and non-pregnant women (for perioperative evaluation or chronic pathologies). Although it is submaximal, safe, viable and applicable in pregnant women at term, its use is not widespread. Since 6MWT reference ranges have been established for healthy pregnant women, individual assessment of functional capacity is possible, which can help personalize exercise programs.29,30 The 6MWT is recommended for the cardiorespiratory assessment of pregnant women.

Therefore, when there are pre-existing diseases and clinical or obstetric contraindications related to exercise, more specific cardiological examinations are required before exercising during pregnancy.

2.3.1. Risk Stratification for Pregnant Women with Heart Disease

Patients with CVD should be stratified for exercise risk. The risk of complications in pregnancy depends on the underlying cardiac diagnosis, but an association of other comorbidities should also be considered. Therefore, risk estimates must be individualized.

Functional capacity and the clinical stability of heart disease are important factors when analyzing the risk of maternal complications, although it is often difficult to distinguish physiological signs and symptoms during pregnancy from those secondary to decompensated heart disease, such as edema, dyspnea, palpitation and dizziness. However, complaints such as palpitations, worsening functional capacity, nocturnal cough, orthopnea, paroxysmal nocturnal dyspnea, hemoptysis, precordial pain on exertion, or syncope should be followed up.24

In pregnant women with heart disease, a more detailed approach with specific exams is required, such as oxygen saturation, blood biochemistry (natriuretic peptide levels), echocardiogram (ventricular function, valve involvement, intrapulmonary pressure and aortic diameter), an exercise test or submaximal CPET (exercise capacity) and Holter monitoring (arrhythmias).25

The risk of heart disease during pregnancy can be stratified according to World Health Organization (WHO) parameters (Table 3).3133 Women with heart disease are at increased risk for obstetric complications, including premature delivery, preeclampsia and postpartum hemorrhage. Fetal complications also occur in 18 to 30% of patients with heart disease, with neonatal mortality between 1 and 4%. Maternal and fetal events are highly correlated.34,35

Table 3. Modified World Health Organization classification system according to maternal cardiovascular risk.
WHO modified I II II-III III IV
Diagnostic Small or light:
  • Pulmonary stenosis

  • Patent ductus arteriosus

  • Mitral valve prolapse (simple injuries successfully repaired)

  • Isolated atrial or ventricular ectopics

  • Untreated atrioventricular septal defect

  • Corrected tetralogy of Fallot

  • Supraventricular arrhythmias

  • Turner's syndrome without aortic dilation

  • Mild ventricular dysfunction (EF >45%)

  • Hypertrophic cardiomyopathy

  • Valve disease not considered WHO class I or IV (mild mitral stenosis, moderate aortic stenosis)

  • Marfan syndrome without aortic dilation

  • Corrected coarctation

  • Atrioventricular septal defect

  • Moderate ventricular dysfunction (EF 30% to 45%)

  • Previous peripartum cardiomyopathy without residual ventricular dysfunction

  • Mechanical valve

  • Fontan circulation

  • Uncorrected cyanotic heart disease

  • Other complex heart diseases

  • Moderate mitral stenosis

  • Asymptomatic severe aortic stenosis

  • Systemic right ventricle with preserved function or mild dysfunction

  • Moderate aortic dilation (40 to 45 mm in Marfan syndrome; 45 to 50 mm in bicuspid aortic valve; aorta index 20 to 25 mm/m² in Turner syndrome; <50 mm in tetralogy of Fallot

  • Ventricular tachycardia

  • -Pulmonary arterial hypertension

  • Severe ventricular dysfunction (EF <30% or NYHA class III-IV)

  • Peripartum cardiomyopathy with residual ventricular dysfunction

  • Severe mitral stenosis

  • Symptomatic severe aortic stenosis

  • Systemic right ventricle with moderate or severe dysfunction

  • Severe aortic dilation (>45 mm in Marfan's syndrome; >50 mm in bicuspid aortic valve; aorta index >25 mm/m² in Turner's syndrome; >50 mm in tetralogy of Fallot

  • Ehlers-Danlos severe (re) coarctation

  • Fontan operation with complications

Maternal cardiac event rate 2.5% to 5% 5.7% to 10.5% 10% to 19% 19% to 27% 40% to 100%
Risk No increased maternal risk of death detected and no/slightly increased risk of morbidity Slightly increased risk of maternal death or moderate increase in morbidity Increased risk of maternal death or moderate to severe increase in morbidity Significant increase in risk of maternal death or severe morbidity Extreme risk of maternal death or severe morbidity

Adapted from Regitz-Zagrosek et al.25EF: ejection fraction; NYHA: New York Heart Association; WHO: World Health Organization.

WHO classifications III and IV contraindicate exercise during pregnancy, and the other classes must be assessed individually (Figure 2).

2.4. Exercise Prescription

Exercise is here conceptualized as programmed physical activity, which involves repetitive body movement, aiming to improve or maintain one or more components of physical capacity.36

As a general rule, exercise programs must consider the pregnant woman’s physiological condition and incorporate these basic components: frequency, intensity, type and time (FITT). Frequency indicates the number of sessions per week, time indicates the duration of session, the types include aerobic and/or resistance, and intensity refers to the work level, which can be classified as light, moderate or intense.36

2.4.1. Exercise Types and their Prescription for Pregnant Women

Aerobic exercise: Aerobic exercise metabolizes O2 as the main source of energy and involves cardiorespiratory demand. It comprises the flexion and extension of large muscle groups in a rhythmic manner for a prolonged time. However, when performed at high intensity, it may involve predominantly anaerobic metabolism, requiring other energy substrates to maintain effort, and a consequent risk of greater accumulation of lactic acid. Aerobic capacity, also known as VO2, reflects the cardiovascular system’s ability to transport and deliver O2 to skeletal muscles, in addition to the muscles’ efficiency at extracting it from the bloodstream and using it as an energy source for exercise.36

Regular aerobic exercise helps maintain functional capacity, control weight and prevent GDM and gestational hypertension. During pregnancy, low impact aerobic exercise, such as walking, swimming, stationary cycling, or water aerobics, is considered safe.4 Exercise performed on the floor or in a “dry” environment is more difficult during pregnancy, causing greater metabolic demand, osteoarticular overload and balance difficulties, because they are related to body weight, which progressively increases. Thus, aquatic exercise is considered preferential during this period. The effects of and recommendations about aquatic exercise will be addressed separately.

Since one of the main responses to aerobic exercise is increased HR and respiratory rate, the intensity can be based on HR control, which, despite its limitations in pregnant women, is the closest index of functional capacity. Based on healthy populations in both sexes, several methods for defining the intensity of aerobic exercise have been proposed, and these can be applied during normal pregnancies, including appropriate adjustments due to overload during that period.36

For healthy pregnant women, moderate-intensity exercise is recommended, although it is important to point out that the selected intensity is the combined responsibility of the doctor and exercise professional or physical therapist and can be reduced in previously sedentary women or those with comorbidities.37

The intensity of the exercise can be determined by calculating the percentage of the age-predicted maximum heart rate (HRmax) or the heart rate reserve (HRR). The percentage of maximum VO2 values and predicted metabolic load (MET) can also be used (Table 4).36 However, to obtain the HRR and maximum VO2, it is necessary to perform a maximum exercise test, which is not recommended for pregnant women. There are easier and more practical methods of prescribing exercise, such as subjective perceived exertion with a Borg scale38 (Table 5) and the talk test, ie, an exercise intensity at which the individual can talk, but not sing (Table 6).3,37,39

Table 4. Aerobic exercise intensity levels for healthy individuals.
Intensity %VO2 max %HRmax %HRR MET* (absolute) Borg Scale
Very light <37 <57 <30 <2 <9
Light 37-45 57-64 30-40 2-3.9 9-11
Moderate 46-64 65-76 40-60 4-6 12-13
Intense 65-91 76-96 60-90 6,1-8,8 14-17
Very intense >91 >96 >90 >8.9 >17

Adapted from the ACSM.36

*

MET: metabolic unit, which for non-pregnant women is equivalent to oxygen consumption of 3.5 ml/kg-1.min-1 while resting in a supine/sitting position. In the presented suggestions, oxygen consumption (VO2) values should ideally be obtained by a direct cardiopulmonary test and not estimated by regression equations derived from conventional exercise testing protocols; %VO2max: percentage of maximal oxygen consumption; %HRmax: percentage of age-predicted maximum heart rate; %HRR: percentage of heart rate reserve; Borg scale: linear scale of perceived exertion, graded from 6 to 20.

Table 5. Borg scale of perceived exertion (graded from 6 to 20).
Borg Scale Exercise perception
6 Very easy
7
8
9 Easy
10
11 Relatively easy
12
13 Slightly tiring
14
15 Tiring
16
17 Very tiring
18
19 Exhausting
20

Adapted from Borg.38

Table 6. Alternative methods of prescribing aerobic exercise for pregnant women* .
METHOD DESCRIPTION
Perceived exertion (Borg scale) Exercise with relatively easy or slightly tiring self-perceived exertion.
Borg score of 12 or 13 recommended
Talk test Exercising at an intensity where breathing is labored but controlled, so that a sentence can be completed without pauses
Percentage of HRmax Exercise at 60%-80% of HRmax
Target HR = % x HRmax
HRmax = 208 - (0.7 × age) ** or 220 - age ***
Heart rate reserve (Karvonen) Exercise at 45%-60% of HRR (HR peak - HR rest)
Target HR = resting HR + % × (peak HR - resting HR)

HR: heart rate; HRmax: maximum heart rate; HRR: heart rate reserve.

*

Considering a moderate intensity

**

Tanaka’s formula

***

Karvonen’s formula.36

Previously active women should continue regular aerobic exercise for at least 30 minutes, 4 to 5 times a week. Sedentary women can begin, for example, with 15 minutes of aerobic exercise 3 times a week and gradually increase the time until reaching the recommended 150 minutes/week or 30 minutes/day.37

a) Resistance exercise: loads specific muscle groups with weight to increase strength over time. When joint movement is associated with muscle contractions, the exercise is considered dynamic, when it is not the exercise is considered static (isometric). Resistance exercise can be performed with free weights, on weight machines, with elastic bands and even with one’s own body weight.36 The exercises must be adjusted in each gestational stage, adapting to the woman’s anatomical changes. Resistance exercise increases muscle tone, strength and endurance, which facilitates adaptation to postural changes, reducing musculoskeletal pain and preventing possible falls during pregnancy. It has been shown that regular strength training results in up to 14% higher lumbar resistance in pregnant women.40

Examples of resistance exercise include weight training, functional training, Pilates and yoga.4 Gentle stretching and yoga also promote muscle relaxation and are particularly useful in improving posture and relieving lower back and pelvic pain, although they should be performed with caution due to greater ligament laxity during pregnancy and the consequent risk of injury.3,4,39 Pilates provides satisfactory results when preparing the abdomen and pelvic floor for labor, in addition to reducing the risk of urinary incontinence. Pelvic muscle training has been found to reduce the occurrence of urinary incontinence by up to 50% in the prenatal period and 35% in the postnatal period.41

The intensity of the resistance exercise is defined according to the percentage of 1RM that the individual can perform, which is reflected in the number of possible repetitions with a given load. Table 7 describes the intensity ranges for resistance exercise training.36

Table 7. Resistance exercise intensity levels.
Intensity 1RM percentage* Number of repetitions
Light 30% to 50% 15 to 20
Moderate 50% to 70% 10 to 15
Intense 70% to 85% 8 to 10
*

1RM: maximum repetition.

Moderate-intensity resistance exercise is recommended for pregnant women three to five times a week, in sessions lasting 15 to 20 min, approximately two to three sets of 10 to 15 repetitions.3,36,37 The number of repetitions and the load must be adjusted according to the individual’s previous muscle conditioning, ie, approximately 10 repetitions at the highest intensity/load. It is preferable to work with large muscle groups, using elastic bands or machines with light weights rather than free weights because of the greater difficulty balancing due to changes in center of gravity. Very high loads and intense isometrics are not recommended, since concomitant performance of the Valsalva maneuver can result in increased intra-abdominal pressure and a consequent decrease in blood flow to the fetus, in addition to further overload of the pelvic floor, increased risk of prolapse, and anal and urinary incontinence.19,22

b) General exercise recommendations for healthy pregnant women include aerobic and moderate-intensity resistance exercise. It is important to remember that the time calculated for the training session should include a mild-intensity warm-up and cool-down period. Exercise prescription for pregnant women according to the FITT components is summarized in Table 8.

Table 8. Exercise prescription for healthy pregnant women according to FITT.
FREQUENCY INTENSITY TYPE TIME
3 to 5 days/week Moderate
  • 60% to 80% HRmax

    or

  • % of other validated method (HRR, VO2)

    or

  • 12 to 13 Borg scale

    or

  • Corresponding to 4 - 6 MET

Aerobic (low impact) 20 to 30 minutes per session (goal - a total of 150 minutes/week) 10 to 15 minutes heating and cooling
3 to 5 days/week Moderate 2 to 3 sets and 10 to 12 repetitions Resistance 15 to 20 minutes
10 to 15 minutes of warm-up and cool-down

HRmax: maximum heart rate; HRR: heart rate reserve; MET: metabolic unit; VO2: oxygen consumption.

2.4.2. Aquatic Exercise

Aquatic exercise has been shown to be beneficial and safe during pregnancy. The aquatic environment provides buoyancy, which facilitates movement, reduces body weight and osteoarticular overload, and provides a feeling of well-being while eliminating the risk of falls. It also facilitates heat dissipation and thermoregulation, which reduces the chance of hyperthermia, which is unwanted during exercise due to the risk of fetal malformation.42 Thus, aquatic exercise (represented mainly by water aerobics) is the exercise of choice in this period and can include aerobic and resistance components.

Hydrostatic pressure, the main favorable effect of immersion for pregnant women, is proportional to depth and acts uniformly on the body surface, redistributing fluids from extravascular to intravascular space, which leads to rapid expansion of plasma volume, stroke volume and CO, as well as increased uteroplacental blood flow and diuresis. A study found that uterine tonus and fetal HR do not change during immersion or after aquatic exercise, demonstrating that neither uteroplacental circulation nor the fetal energy substrate are impaired.43

From a metabolic point of view, hormonal changes (increased natriuretic factor and decreased antidiuretic hormone levels secondary to receptor stimulation) increase diuresis for up to 4 hours. This effect contributes to a reduction in peripheral edema and lower BP levels after exertion.44

In comparison to floor (ie, dry medium) exercises, it has been observed that maternal HR, BP and temperature increases are lower in water and should be adjusted to the training range (approximately 15 beats per minute less). Aerobic performance seems to be better because, with less body weight, relative oxygen consumption is higher.45,46

To achieve these benefits, the chest should remain immersed to the xiphoid process or just below, with a water temperature between 28 and 30°C (never exceeding 33.4°C) and the sessions should last approximately 45 min, especially for untrained women. Foot support should be provided for those who are not good swimmers.

It has been demonstrated that swimming is safe during pregnancy, provided the recommended volume and intensity limits are observed. Interestingly, a recent study suggested that swimming in cold water (approximately 20°C, without artificial heating) can benefit both the mother and the fetus, since it is associated with decreased stress and cortisol levels (which are increased at rest), as well as an increased pain threshold.47 It should be noted, however, that this study was conducted with northern European women, who are more accustomed to such conditions.

Although SCUBA diving appears to be safe for pregnant women, it is not for the fetus. During sudden decompression, the fetal pulmonary circulation cannot filter bubbles, leading to the risk of gas embolism and fetal malformations. Therefore, SCUBA diving should be avoided, although snorkeling is allowed.48

The FITT recommendations for aquatic exercises during pregnancy are summarized in Table 9.

Table 9. Aquatic exercise guidelines.
FREQUENCY INTENSITY TYPE TIME
3 to 5 days/week Moderate (for aerobic and resistance components) Aqua aerobics or swimming Up to 45 minutes/session

Water temperature between 28 and 30°C; immersion level near the xiphoid process

2.5. Exercises for Special Populations

2.5.1. Hypertensive Disorders in Pregnancy

Hypertensive disorders occur in up to 10% of pregnancies and are associated with increased cardiovascular risk throughout life.49 They involve risk factors similar to those of the general population (advanced maternal age, ethnicity, family history of hypertension and sedentary lifestyle). The disorders are classified in Table 10.

Table 10. Classification of hypertensive disorders in pregnancy25 .
Hypertensive Pregnancy Disorders
Pre-existing hypertension Precedes pregnancy or develops before the 20th week of pregnancy.
Persists for more than 42 days after delivery. May be associated with proteinuria
Gestational hypertension Develops after the 20th week of pregnancy and resolves up to 42 days after delivery
Preeclampsia Gestational hypertension with significant proteinuria: >0.3 g/24 h and/or albumin-creatinine ratio >30 mg/mmol

Gestational hypertension affects 5 to 8% of pregnancies and is characterized by systolic BP >140 mmHg and/or diastolic BP >90 mmHg. BP should be measured in a sitting position or in the left lateral position. Preeclampsia is a multisystem disorder that also occurs in 5% to 8% of pregnancies, although it is more frequent in the first pregnancy, multiple pregnancies, hydatidiform mole, antiphospholipid syndrome, arterial hypertension, kidney disease, or pre-existing diabetes. It is frequently associated with fetal growth restriction due to placental insufficiency (25% of cases), being a common cause of prematurity (27%) and intrauterine fetal death (4%). The main and most effective treatment is childbirth.25

The literature shows that regular exercise improves cardiovascular health during pregnancy and can decrease the risk of developing hypertensive disorders during pregnancy by up to 30%.37,49,50 Regular physical activity prior to pregnancy is related to a lower occurrence of preeclampsia, with 22% and 35% reductions in relative risk for women with moderate and high physical activity levels, respectively.51 This risk is even lower with combined physical activity before and early in pregnancy. When assessing the dose-response effect of physical activity, 5 to 6 h per week reduces the risk of preeclampsia by up to 40%, but no further reduction has been reported with higher activity levels.25,50

According to Brazilian and international guidelines, exercise is contraindicated in pregnant women with uncontrolled preexisting hypertension or a suspected/confirmed diagnosis of preeclampsia, and there is a relative contraindication for gestational hypertension.49,50

Other than consensus among specialists, no BP values have been established as exercise limits during pregnancy. The Brazilian Cardiovascular Rehabilitation Guideline recommends that an exercise session should not be started when resting BP levels are above 160/100 mmHg and it should be stopped BP reaches 220/105 mmHg in individuals with heart disease or hypertension.52

Based on these concepts, some precautions should be respected:

  1. For pregnant women with controlled BP (<140/90 mmHg), mild-intensity exercise is recommended in sedentary patients, although a moderate level is acceptable for physically active women. BP measurements should be performed before, during and after exercise, interrupting activities when values above 160/100 mmHg are reached. The Valsalva maneuver should be avoided throughout pregnancy.

    1. First trimester: at this stage, a reduction in BP levels is common, and many women tend not to use any specific medication for it. Discontinuation of antihypertensive drugs should be avoided; however, dosage adjustments may be necessary when water intake is increased. This will assist in correct hydration and body temperature control while exercising. Exercise intensity must be reduced at times.

    2. Second trimester: during this period, BP stabilizes and rises again, and further therapeutic adjustments may be necessary. This trimester is the most hemodynamically stable and allows for slight load increases for women with adequate weight and controlled BP levels. Supine exercises should be avoided after this stage.

    3. Third trimester: the mechanical compression that the uterus exerts on the aorta and inferior vena cava increases dramatically, resulting in greater stasis and edema in the lower limbs. BP is likely to increase due to water retention. Increased monitoring of BP levels is necessary, and exercise intensity should decrease. Self-limitations should guide exercise intensity and adherence during in this period. We suggest maintaining pelvic musculature conditioning, stretching and low- or very low-intensity aerobic exercise, as long as blood pressure levels remain within acceptable limits (≤160/100 mmHg). If there is any unexpected increase in blood pressure, exercise should be stopped.

2.5.2. Diabetes Mellitus

GDM has short- and long-term complications for both mother and baby. Early diagnosis is important so that interventions can be carried out to reduce the deleterious effects of hyperglycemia. A high frequency of maternal dystocia and birth trauma is observed, with a greater chance of developing gestational hypertension or preeclampsia. In the long run, about 50% of these women develop type 2 DM and are at increased risk of post-term pregnancy; the child is also more likely to develop metabolic syndrome in childhood and adulthood.5355

Lifestyle changes, such as diet and exercise, are the basis for treating GDM and are important allies when associated with drug treatment. In contrast, studies show that sedentary behavior increases the risk of GDM.53,56

In GDM, studies have shown that targeted exercise reduces negative maternal and fetal outcomes. However, this has not been proven for pregnant women with pre-existing DM.53,57,58 Nevertheless, in both populations, low- to moderate-intensity resistance and aerobic exercise helps with glycemic control and reduces the need for insulin, in addition to the other previously reported physical and psychological benefits.53,58

Special attention should be paid to contraindications to exercise, such as pre-proliferative retinopathy, uncontrolled hyperglycemia, hypoglycemia unawareness, advanced peripheral neuropathy and dysautonomia. Thirty-minute sessions of light- to moderate-intensity aerobic and resistance exercise at least three times a week are recommended for pregnant women with DM.57,59,60

One of the greatest risks for diabetic patients is hypoglycemia, which can occur during or after exercise. Capillary blood glucose monitoring should be performed before and after exercise, especially in pregnant women who are beginning an exercise program and after adjustments to the therapeutic regimen. At the beginning of exercise, capillary glycemia should be between 100 and 200 mg/dL. At levels below 100 mg/dL, 15 to 30 g of fast-absorbing carbohydrates should be consumed, which should be repeated after 30 min. Exercises must not be performed on an empty stomach or for more than 3 h without food. In cases of hyperglycemia with capillary levels above 250 mg/dL, exercise is contraindicated due to the risk of complications such as diabetic ketoacidosis.57,60

Some glycemic control issues for patients with type I diabetes should be highlighted when HbA1c levels are less than 7.5%.61 Patients must not exercise at the peak of insulin action, and insulin should not be applied in areas that will be most required during physical exertion due to greater absorption at the site.57,59,60 Uncontrolled type I DM is an absolute contraindication to exercise.

Although pregnancy is a challenging period for women who develop diabetes, it is also a greater motivation for healthy lifestyle changes, which can persist after birth and help prevent the onset of type 2 DM.

2.5.3. Obesity

Pregnancy is included in the list of risk factors for obesity, predisposing women to GDM, type 2 DM, systemic arterial hypertension, CVD and cancer. The children of obese mothers also have a higher incidence of obesity and its metabolic and cardiovascular implications. There is also evidence that obese or overweight women have lower rates of breastfeeding initiation and duration, which is disadvantageous for their children’s growth and development.6264

Obesity increases the probability of prolonged labor, probably due to lower myometrial tone, post-term pregnancy, cesarean delivery, prolonged hospitalization and puerperal infections. Contributing factors to the higher frequency of cesarean delivery include cephalopelvic disproportion and dystocia due to an increase in soft tissue in the maternal pelvis.65 In vaginal deliveries, the higher prevalence of macrosomia contributes to shoulder dystocia, causing perineal lacerations and brachial plexus paralysis in the newborn.64

Because obesity or excessive weight gain are linked to increased maternal and fetal complications during pregnancy, childbirth and the postpartum period, adherence to a balanced diet and regular exercise (preferably supervised) is strongly recommended.6567 The main goal during pregnancy is not weight loss, but appropriate weight gain, avoiding excess in the third trimester. Maternal weight is an independent risk factor for preeclampsia, which doubles with each increase of 5 to 7 kg/m2 in pre-gestational body mass index.68 Prenatal physical training reduces weight gain and the risk of GDM for overweight and obese pregnant women.64

Several studies have demonstrated the safety of moderate-intensity exercise throughout pregnancy when there are no medical or obstetric contraindications.3,69 In obese pregnant women, light- to moderate-intensity aerobic exercise is recommended when prescribed at 35% to 60% of the HRR, which will depend on their previous cardiorespiratory condition. The benefits of endurance training can also be seen in this group.37,39

A key challenge is controlling adherence to regular physical activity, even in supervised programs.69 In view of all the favorable effects for both mother and fetus, overweight or obese women should be encouraged to abandon a sedentary lifestyle. In the postpartum period, exercise and a healthy diet must be encouraged, not only to lose excess gestational weight, but to achieve more appropriate weight goals for future pregnancies.

2.5.4. Athletes

Athletic training presupposes great volumes of high-intensity exercise. In addition to the limitations imposed by pregnancy, ethical issues make it difficult to conduct studies, which results in little robust evidence on the safety of high-intensity exercise during pregnancy. However, some pregnant women choose to continue this level of training, including participation in competitions.

Active women who continue to exercise during pregnancy have lower resting HR and greater stroke volume, with better tolerance for high-intensity exertion, including during the puerperium, which facilitates a return to pre-pregnancy conditions and perhaps even better performance.70 Such data are relevant for athletes who intend to continue their careers and resume high-level training in the short term.

On the other hand, it must be considered that there is a decrease in functional residual capacity, a reduction in hepatic glycogen and greater difficulty in adapting to anaerobic exercise, with greater plasma accumulation of lactic acid and a decrease in glucose availability, especially during prolonged exercise. Compared to sedentary women, active women and their babies have lower weight, although this is due to the decreased body fat percentage, which damages neither mother nor child.71

Training and endurance tests, such as marathons, should be avoided because there is a risk of maternal hyperthermia in exercise sessions over 60 min (which can cause malformations of the neural tube if it occurs between the 4th and 6th week) and fetal hypoglycemia (identified by a transient decrease in fetus reactivity).72 When exercising in hot and humid environments, careful attention should be paid to hydration and caloric intake, which should be adjusted for increased metabolic needs to maintain fetal homeostasis.

Sports that involve collision with other players (basketball, football) or objects (hockey, volleyball) and falls (jumping, riding, cycling, skiing) are also discouraged, since they can cause placental detachment and/or fetal hypoxia or slowdown due to direct trauma.3,19

Despite these considerations, some elite athletes have continued to train and compete during pregnancy, winning titles in sports such as tennis, beach volleyball, track and field, marathons, mountain climbing and skiing, without no reported maternal-fetal complications.65,73,74

Although little data is available in the literature, a Norwegian study found that a group of elite athletes who continued training at a high volume and intensity on the 17th week of pregnancy benefitted (with no increased risks) from returning to competition after childbirth compared with a group that trained with a lower workload, which suggests that well-trained women can maintain normal exercise intensity during pregnancy.75 Another study carried out an exercise test until exhaustion (HR >90% of the predicted maximum) in three groups of pregnant women: inactive, active and very active (athletes), reporting decreased uterine artery flow and mild and transient fetal bradycardia (<3 min) in a small number of women. However, the meaning of this finding is unknown, considering that there was no damage to the fetus before or after the test or a greater occurrence of complications.76

In any case, the data are still scarce and further studies on pregnant athletes who continue high-intensity training are needed, provided that ethical principles and maternal-fetal safety are maintained. Although some groups believe that exercise recommendations for pregnant athletes could be more liberal, there is insufficient data to state that high-intensity exercise is safe during pregnancy. It is up to the doctor to understand the psychological and financial impact that these conditions can cause on the athlete’s well-being and career, advising her about the risks of complications and even unwanted terminations or irreversible damage to the baby. A shared decision is the best decision.

2.5.5. Heart Disease

The changes that occur during pregnancy are dynamic, like an exercise test, with cardiovascular and systemic changes that can compromise the stability of heart disease. The increase in stroke volume, HR, CO and uterine blood flow and reduction in hematocrit and cardiac reserve may be sufficient to cause hemodynamic instability, not only at the beginning, but also throughout the gestational period.25,77 Regular consultations with a cardiologist should assist with clinical control in these patients.

Although regular exercise is recommended for primary and secondary prevention of CVD, heart disease in pregnant women has not been widely documented. Studies with this patient profile are scarce, given the complexity of most CVDs, such as congenital heart disease, heart valve disease, and pulmonary hypertension, conditions that endanger the life of the mother and fetus. Exercise prescription in this population should be based mainly on assessing cardiovascular risk during pregnancy. Important predictors of maternal cardiovascular events have been demonstrated in the literature, such as New York Heart Association (NYHA) functional class III and IV, moderate to severe obstructive lesions of the left heart, previous cardiac events, reduced left ventricular ejection fraction (<40%), moderate to severe systemic atrioventricular valve regurgitation, moderate to severe pulmonary atrioventricular valve regurgitation, pulmonary arterial hypertension, use of cardiac medication prior to pregnancy, cyanosis (oxygen saturation <90%), smoking, mechanical valve prosthesis, and corrected or uncorrected cyanotic heart disease.24

An interesting study by Jastrow et al. of 227 women with heart disease (312 pregnancies) used a risk score called Cardiac Disease in Pregnancy (CARPREG), whose variables are described in Table 11, to follow-up and determine the association with maternal and fetal outcomes. In the evaluated group, maternal cardiac injuries were predominantly congenital (81.4%), with a low risk score (score = 0) in 66.3%, and an intermediate risk (score = 1) in 33.7%. Maternal cardiac events complicated 7.4% of the pregnancies, with pulmonary edema being the most frequent (3.8%). Intermediate scores were associated with a higher rate of maternal cardiac outcomes (19.0% × 1.4%, odds ratio [OR] = 15.6, 95% CI), with adverse events occurring in 27.5% of the neonates. The CARPREG risk index showed high sensitivity and negative predictive value for cardiac complications in pregnant women with heart disease.78 However, when this index was applied to a sample of patients with rheumatic heart disease, it overestimated the number of events in pregnant women classified as CARPREG 1 and >1, in addition to underestimating the risk in low-risk patients (CARPREG 0).79

Table 11. Cardiac Disease in Pregnancy risk index.
Predictors of Cardiovascular Events Score
Previous cardiac event (heart failure, transient ischemic attack, infarction before pregnancy or arrhythmia) 1
Baseline NYHA functional class >II or cyanosis 1
Left-sided obstructive heart disease (mitral valve area <2 cm2, aortic valve <1.5 cm2 or peak gradient of outflow tract >30 mmHg 1
Reduced systolic ventricular function (ejection fraction <40%) 1

Adapted from Martins et al.79NYHA: New York Heart Association.

There are other indexes for assessing maternal-fetal risk, the most accurate of which are currently used by the WHO, as described above. Exercise is proscribed for pregnant women in WHO risk categories III and IV.25 For other cases, a detailed heart disease assessment is suggested, including consideration of the patient’s cardiorespiratory condition and the physiological changes peculiar to each gestational period, to assess the risks and benefits of exercise for the mother and fetus. The interaction between cardiology and obstetrics is very important in evaluating these patients and prescribing their exercise.

The use of functional tests in this scenario, such as exercise tests and the CPET, is controversial. Submaximal tests have been suggested for specific situations, including valve disease and congenital heart disease.25

HR, BP and peripheral oxygen saturation (by pulse oximetry) can guide prescription of the type and intensity of exercise, which should be applied by specialized trained professionals. To ensure that exercise is stopped when necessary, special attention must be paid to the warning signs and symptoms: tiredness, dyspnea, low output signs, and others described above.

Pregnant women with CVD at risk for potential complications (described in Table 12) should preferably be accompanied by a multidisciplinary team consisting of maternal-fetal medicine, cardiology, cardiovascular surgery, anesthesiology, and neonatology professionals and treated at a tertiary care center.80

Table 12. Main complications of cardiovascular disease during pregnancy.
Cardiovascular Condition Potential Complications
Arterial hypertension
  • Preeclampsia; HELLP syndrome*

Mitral stenosis
  • Tachyarrhythmias with low output, pulmonary edema

Mitral insufficiency
  • Arrhythmia, pulmonary edema

Aortic stenosis
  • Low cardiac output with preload drop

Aortic insufficiency
  • Generally well tolerated

  • Congestive heart failure

Pulmonary stenosis Pulmonary insufficiency
  • Usually well tolerated,

  • Pulmonary edema if right heart failure

Tricuspid stenosis
  • Well tolerated

Tricuspid insufficiency
  • Well tolerated

Cardiomyopathy
  • Arrhythmia; Congestive heart failure; pulmonary edema

Aortic aneurysm
  • Aortic dissection, rupture

Adapted from Adam et al.80

*

HELLP: hemolysis, elevated liver enzymes and low platelets.

In Brazil, rheumatic disease is the most common heart disease in pregnant women, affecting mainly the mitral and aortic valves.24 Other heart diseases have a low prevalence in this population, and their heterogeneous presentation means that guidelines must be individualized. 24,25,52

Physical activity for those with valve diseases will depend on the affected valve and degree of impairment. Valve stenosis, particularly on the left side, leads to a higher risk of maternal complications than valve regurgitation, in which CO, vasodilation and tachycardia due to pregnancy are not well tolerated.81 Cavity size, ventricular function, pulmonary BP, association with other heart diseases, atrial fibrillation, heart failure, thromboembolism and previous endocarditis should also be analyzed, which are considered prognostic factors. According to the valvular heart disease risk classification for pregnancy (Table 13), which the Department of Women’s Cardiology used in its position statement,24 it is recommended that intermediate- and high-risk patients should not be allowed to exercise due to the severity of the heart disease and the consequent risk for mother and fetus.

Table 13. Classification of the risk of heart valve disease during pregnancy.
High Risk Intermediate Risk Acceptable Risk
Severe mitral stenosis Biological prosthesis with moderate dysfunction Discreet valve disease
Severe aortic stenosis Severe pulmonary stenosis BP without dysfunction
Stenotic/calcified biological prosthesis Metallic prosthesis Valvulopathy + normal LVEF
Malfunctioning metallic prosthesis Mitral metallic prosthesis > metallic prosthesis aorta risk Valvulopathy without unfavorable factors
Valvulopathy + PAP ≥50 mmHg Aortic insufficiency + aortic diseases
Aortic insufficiency + aortic diseases Marfan syndrome (Daorta between 40 and 45 mm)
Marfan Syndrome (Daorta >45 mm) Bicuspid aortic valve (Daorta between 45 and 50 mm)
Bicuspid aortic valve (Daorta >50 mm) Need for anticoagulants
Valvulopathy + LVEF <35%

Adapted from Avila et al.24Daorta: diameter of the ascending aorta; LVEF: left ventricular ejection fraction; PAP: pulmonary artery pressure. Valve area ≤1 cm2is considered severe aortic or mitral stenosis.

In mild valve lesions, when unfavorable factors are absent and functional capacity is within the appropriate age range, light-intensity exercise is suggested. It is acceptable to maintain moderate-intensity exercise only in pregnant women who have mild valve regurgitation without hemodynamic repercussions, as in mitral and aortic insufficiencies, especially for patients who have previously exercised.

It is important to monitor symptoms, echocardiographic findings and the peculiarities of each gestational period. In the third trimester, due to the physiological cardiovascular and respiratory changes and the weight gain, exercise should be reevaluated due to the risk of premature birth and delayed intrauterine growth. It must be remembered that although that physical exercise is important for the mother, it may be harmful to the fetus.

2.6. Precautions for Exercise during Pregnancy and Stopping Criteria

It is essential to maintain a healthy lifestyle during pregnancy, including measures such as maintaining adequate nutrition and rest, staying physically active, avoiding alcohol consumption, unnecessary medications, and active or passive smoking.

Pregnant women should be aware of certain exercise-related issues to avoid complications that are more evident in certain periods of pregnancy. Attention to diet is important: the caloric expenditure of the exercise must be estimated and balanced with adequate intake, and the signs and symptoms of hypoglycemia must be monitored. Exercising in hot and humid environments must be avoided, especially during the first trimester. Adequate hydration must be maintained, including isotonic fluids before and after exercise.

Beginning at the 10th week, special attention should be paid to stretching and sudden changes in exercise performance, when relaxin levels and the risk of injuries increase.19 Supine exercises can result in decreased venous return and hypotension in 10% to 20% of all pregnant women, causing lipothymia or syncope, especially after the 20th week. There is insufficient evidence to prove or disprove the safety of this type of exercise.82 If these symptoms occur, the exercises should be performed in lateral decubitus or standing. Abdominal exercises should also be avoided due to the increased risk of abdominal diastasis.

There is no specific period for stopping exercise during pregnancy. Mild-intensity exercises should be encouraged at the end of the third trimester and the patient should be advised about the signs of labor37, since there is a natural decrease in physical activity during this stage. Exercise should be stopped and a specialist consulted if symptoms of discomfort appear, such as shortness of breath that does not resolve with rest, severe headaches, regular and painful uterine contractions, vaginal bleeding, continuous loss of amniotic fluid, faintness or persistent dizziness, chest pain, palpitations, visual disturbances, persistent nausea and vomiting, muscle weakness that affects balance, etc.3

2.7. Exercise Recommendations and Adaptations during the Coronavirus Pandemic

The Ministry of Health included pregnant and puerperal women in the highest risk group for unfavorable outcomes in COVID-19. There is no evidence that pregnancy increases susceptibility to infection with SARS-CoV-2/COVID 19.83 In a systematic review of 18 articles published from February 12 to April 4 2020, of 108 pregnant women infected with SARS-CoV-2, 68% had fever, 34% cough, and 12% dyspnea.84

Physiological adaptations to pregnancy can aggravate some COVID-19 symptoms. Diaphragm displacement, decreased total lung capacity and chest compliance contribute to a worse outcome in patients with COVID-19 pneumonia, including hypoxia and fetal impairment. In addition to respiratory changes during pregnancy, cardiovascular and hematological changes should also be pointed out, such as increased HR, lower systemic vascular resistance and a hypercoagulable state. These factors have greater implications for pregnant women with heart disease who are infected with COVID-19.85

Thus, pregnant women should take extra precautions when exercising during the pandemic. Home exercise routines are recommended to reduce the risk of contamination. Mild- to moderate-intensity exercise is generally safe in a healthy pregnant woman and, as a general rule, certainly helps modulate emotional stress in addition to all the above mentioned health benefits. For pregnant women, the general guidelines for home exercise consist of a place with adequate space, ventilation and temperature, light clothing and tennis shoes, as well as adequate diet and hydration. Some exercises can be performed with common household materials.

For previously active pregnant women, exercise routines are easier to maintain, since they already understand how to perform the exercises, and understand perceived exertion and the warning symptoms for cessation. For sedentary women, the importance of exercise should be explained at the first consultation and mild-intensity exercises should be prescribed initially.

Home exercise, especially for sedentary pregnant women or those with comorbidities, should be supervised whenever possible by an exercise professional or physical therapist, which during the pandemic can include distance classes and telemonitoring, as deemed appropriate. According to the professional’s determination (always based on the relative benefits and safety), the first assessment could be in person, provided that measures of asepsis are followed.86,87

Considering that the quarantine is being relaxed heterogeneously in Brazil, with some public spaces reopened, when exercising outdoors, pregnant women should seek out open places with reduced circulation of people to lower the risk of contamination. There is a consensus that masks should be worn outside the home in addition to social distancing, especially when walking on city streets or in residential compounds. A recent Dutch study suggested a distance of 4 to 5 m should be maintained between people who are walking, 10 m between people who are running or cycling slowly, and 20 m between those cycling quickly.88

In apartment building gyms, hours should be reserved for residents of the same apartment and the equipment should be cleaned with 70% alcohol prior to use. Currently, gyms in many cities are open with limited hours and follow recommended security protocols.

Pregnant women who have been affected by COVID-19 should only return to regular physical activity after medical and ECG reevaluation, due to the possibility of myocardial injury and arrhythmias secondary to infection.89 In those with a more severe clinical evolution, an obstetrician should perform a thorough maternal-fetal assessment, a cardiologist should assess any cardiovascular complications, and complementary exams, such as transthoracic echocardiography, dynamic electrocardiography (eg, Holter monitoring), etc., should be performed.

3. Postpartum Exercise

When a woman exercises during pregnancy, there is a higher likelihood that she will continue to do so during the postpartum period, which has both short- and long-term benefits on quality of life. Women habitually reduce exercise after childbirth, due to the difficulties involved in this period. A sedentary lifestyle contributes to overweight and obesity and affects the development of other comorbidities, such as DM and CVD.90 Approximately 25% of women retain >4 kg in gained weight 1 year after delivery.91 Although exercise in the postpartum period is important for weight reduction, adjuvant therapies should also be considered. Some systematic reviews have shown that interventions involving a dietary component had a greater effect on weight loss. More intensive dietary interventions and more structured activity programs (eg, that incorporate HR monitoring) have been associated with greater weight loss.9294

Obstetricians should emphasize the importance of exercise during this stage, including the cardiorespiratory benefits, fatigue reduction, improved sleep quality, and reduced risk of depression.9596 It should be pointed out that postpartum depression is a prevalent condition, affecting approximately 10 to 15% of women in the first year after birth.97 Women who exercise during this period report a greater sense of well-being and improved quality of life.98,99

The postpartum exercise routine should gradually return to normal as soon as it is safe, which depends on the type of delivery (vaginal or cesarean) and whether there were surgical complications. It is recommended that exercise begin again approximately 6 weeks after cesarean delivery and 4 weeks after vaginal delivery. Progression should be slower if there is discomfort or other relevant factors, such as anemia or wound infection. Patients who exercised regularly prior to delivery should reduce the intensity in the first few months postpartum and progress gradually.95,99

Breastfeeding women can perform mild- to moderate-intensity aerobic exercise without damaging milk production or the growth of the child. Ideally, exercise should be performed after breastfeeding to avoid the discomfort of engorged breasts and should include adequate support. Women at this stage must maintain adequate hydration, even with satisfactory diuresis volume, as well as ensure that caloric intake is at least 75% of what is consumed in exercise; weight loss should be limited to 450 g per week. The caloric expenditure of breastfeeding is estimated at approximately 600 kcal/day.100,101 High-intensity exercise can be associated with increased lactic acid in breast milk, which changes the taste of milk. If the mother notices that the baby is rejecting breast milk, she should reduce her exercise level.102

Resistance exercises are allowed, but care should be taken not to involve trunk flexion (traditional abdominal exercises), due to the risk of increased diastasis in the rectus abdominis muscles. Pilates, a suitable option for training deep abdominal muscles and the pelvic floor, can help return the woman’s body to its pre-gestational state. Compromised pelvic muscles can contribute to urinary and fecal incontinence, as well as sexual dysfunction. Pelvic muscle training should be initiated during pregnancy. Jumping exercises should be avoided in the postpartum period due to the fragility of the pelvic floor.103

Exercise provides benefits during pregnancy, the puerperium period, and the long term. Women who continue to exercise are less likely to retain the excess weight acquired during pregnancy, develop depression, or develop metabolic and cardiovascular complications.104 All health professionals who monitor pregnant women should encourage safe exercise.

3.1. Particularities of the Postpartum Period for Patients with Heart Disease

The postpartum period involves important characteristics, especially for women with heart disease, since, in the immediate postpartum period, a significant change in blood volume occurs, which can lead to clinical decompensation. After the expulsive period of labor, there is a sudden increase in venous return, which is due to autotransfusion of the uterine plexus, decompression of inferior vena cava flow and reduced capacity in the venous system. In addition, peripheral vascular resistance is increased by sustained contraction of the uterus, which occludes vessels in the maternal surface of the placenta. The continuous autotransfusion that occurs 24 to 72 h after delivery involves a high risk of pulmonary congestion for women with heart disease.105

In general, changes in maternal blood volume during labor, the expulsive period and the puerperium involve the following phases: (1) hemoconcentration during labor, which varies with the degree of uterine activity and maternal dehydration; (2) reduced blood volume, which occurs during and immediately after delivery in proportion to the amount of blood lost; (3) an immediate and transient increase in blood volume, which occurs after placental discharge and is attributed to the influx of fluid into the intravascular space due to uterine emptying; (4) a slight increase in blood volume between the second and third postpartum days secondary to a transient increase in aldosterone secretion; (5) a reduction in plasma volume one week after delivery (the maternal stroke volume may show a slight drop in this period, but normalizes in the short term).105

As is well known, exercise and a healthy postpartum diet promote weight loss, which can improve or prevent future obesity-related risks, such as DM and systemic arterial hypertension.64,106 However, there are no robust data in the literature about postpartum exercise in patients with heart disease or complications during pregnancy. Therefore, exercise prescription follows the guidelines for specific heart diseases, being adapted to minimize risk and maternal injuries and maximize benefits.24,52

The most frequent cardiac complications for women with heart disease during the intrapartum and puerperium include preeclampsia, heart failure, acute pulmonary edema, arrhythmias, thromboembolism, and aortic dissection. Obstetric complications mainly include bleeding and infections.24 For vaginal deliveries, the degree of perineal trauma should be assessed. After cesarean delivery, other outcomes should be analyzed, such as cardiorespiratory disorders, thromboembolism, pain and the need for analgesia, abnormal wound healing, neuropathy and incontinence.107 Exercise should not be prescribed in the postpartum period until cardiac disease or clinical and surgical complications are controlled and a risk-benefit assessment of exercise is performed, a minimum of 4 weeks after vaginal delivery and 4 to 6 weeks after cesarean section. As soon as it is clinically safe, the patient should begin walking and return to normal pre-pregnancy physical activity, which can reduce the comorbidities associated with a sedentary post-surgical lifestyle.108110

Physical activity should be resumed at the obstetrician’s discretion. When there are cardiovascular diseases and/or complications, joint assessment with a cardiologist becomes important.111,112 Due to a lack of data on physical exercise in heart disease patients during the postpartum period, most of the guidelines consist of extrapolations from cardiovascular rehabilitation guidelines. Therefore, more studies are needed to provide individualized and accurate care for this specific population.

Footnotes

Development: Department of Ergometry, Exercise, Nuclear Cardiology, and Cardiovascular Rehabilitation (Departamento de Ergometria, Exercício, Cardiologia Nuclear e Reabilitação Cardiovascular – DERC) of the Brazilian Society of Cardiology (Sociedade Brasileira de Cardiologia – SBC), Sports Cardiology Study Group (Grupo de Estudos de Cardiologia do Esporte – GECESP), DERC Commission for Women - Health and Diagnosis of Cardiovascular Diseases in Women (Comissão DERC Mulher – Saúde e Diagnóstico das Doenças Cardiovasculares nas Mulheres) and Cardiopulmonary and Metabolic Rehabilitation Study Group (Grupo de Estudos de Reabilitação Cardiopulmonar e Metabólica – GERCPM)

Norms and Guidelines Council (2020-2021): Brivaldo Markman Filho, Antonio Carlos Sobral Sousa, Aurora Felice Castro Issa, Bruno Ramos Nascimento, Harry Correa Filho, Marcelo Luiz Campos Vieira

Norms and Guidelines Coordinator (2020-2021): Brivaldo Markman Filho

Note: These statements are for information purposes and should not replace the clinical judgment of a physician, who must ultimately determine the appropriate treatment for each patient.


Articles from Arquivos Brasileiros de Cardiologia are provided here courtesy of Sociedade Brasileira de Cardiologia

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