Skip to main content
Arquivos Brasileiros de Cardiologia logoLink to Arquivos Brasileiros de Cardiologia
editorial
. 2023 Jun 20;120(6):e20230302. [Article in Portuguese] doi: 10.36660/abc.20230302
View full-text in English

Estamos Chegando ao Fim do Caminho Evolutivo para Stents Metálicos Farmacológicos? Quais Stents de 4ª Geração Precisamos?

Manuel Sousa Almeida 1,2
PMCID: PMC10344366  PMID: 37403873

Os stents são a pedra angular da PCI atual. Garantem segurança, resultado angiográfico agudo previsível e resultados clínicos aceitáveis a longo prazo.

Sua realização atual está, sem dúvida, ligada a um caminho evolutivo bem-sucedido impulsionado por contínuas necessidades médicas não atendidas enfrentadas por empresas de dispositivos ávidas por ganhar participação de mercado.

Desde o primeiro stent, objetivou-se o tratamento de salvamento de dissecções coronárias ameaçadoras,1 da trombose aguda de stent levantada como a complicação mais preocupante, posteriormente abordada com sucesso por aposição adequada da parede do stent2 e tratamento antiplaquetário duplo.3 Então, altas taxas de reestenose, particularmente em pessoas com diabetes, permaneceram como o maior obstáculo, resolvido em 2002 pelo advento dos stents farmacológicos4 acompanhados por trombose aguda tardia mais elevada,5 compensação devido a polímeros não biocompatíveis e cicatrização endotelial disfuncional.6 Inicialmente controlada com estratégias antiplaquetárias mais longas e agressivas7 e posteriormente resolvida com polímeros biocompatíveis mais recentes, os atuais stents de 3ª geração. No meio, novas ligas metálicas permitiram melhorias iterativas na espessura do suporte, flexibilidade, capacidade de entrega e conformabilidade do vaso, tornando o trabalho intervencionista muito mais fácil agora.8

Araujo et al.,9 em seu artigo intitulado: “ Avaliação no Mundo Real de um Stent Eluidor de Sirolimus de Hastes Ultrafinas em Pacientes com Infarto do Miocárdio com Supradesnivelamento do Segmento ST Submetidos à Intervenção Coronária Percutânea Primária (Registro INSTEMI)” analisou dados de um registro multicêntrico de STEMI do mundo real no sul do Brasil e comparou um novo stent ultrafino (75µm) de liga de CrCo com uma eluição de sirolimus de curto prazo (45 dias) de um polímero abluminal biocompatível degradável (9 meses) com uma mistura dos atuais stents workhorses padrão.

Para esta comparação, eles selecionaram de uma população maior de pacientes com STEMI tratados com PPCI em dois centros terciários, dois grupos pareados por propensão, cada um com 353 pacientes, tratados com stent Inspiron™ (709 stents) e um grupo controle, uma mistura de DES , quanto ao fármaco (sirolimus em 22% e não sirolimus em 78%), distribuição do polímero biodegradável (abluminal em apenas 2%) e durabilidade (durável em 78%) e espessura do suporte (≤75µm em 20%), em um total de 716 stents de stents atuais de 3ª geração. Embora tal heterogeneidade, para este estudo, não compromete os resultados e conclusões. Como afirmado, os autores tiveram como objetivo comparar um DES mais recente com os DES workhouse atuais em um padrão de atendimento do mundo real.

Além das apontadas pelos autores, teve algumas limitações como a duração do 2DPT, não mencionada em nenhum lugar, por protocolo a critério do operador. Diferenças entre os grupos poderiam comprometer os resultados em um acompanhamento tão longo. Apesar dos grupos de propensão combinada, o comprimento do stent foi significativamente maior no Inspiron™ (10 mm mais longo em média), juntamente com outras pequenas diferenças também consideradas.

No entanto, e para este estudo, eles chegaram a conclusões válidas: até 17 meses de seguimento, em pacientes tratados por PPCI, o uso do stent Inspiron™ parece ser tão seguro e eficaz quanto outros stents de terceira geração padrão de tratamento atuais.

Um copo meio cheio, meio vazio. O Inspiron™ é tão bom quanto os stents atuais, mas não é melhor! Tenho dúvidas se comparar um número maior de pacientes resolverá a questão, já que os resultados clínicos se tornaram tão semelhantes e tão baixos, questionando se é possível ir além.

Outras questões, como capacidade de entrega e acesso aprimorado ao ramo lateral, também são valiosas para os cardiologistas intervencionistas. Um stent não colocado corretamente ou que impeça o acesso a um ramo lateral pode comprometer todos os procedimentos. Tais “detalhes” não são comumente captados na maioria dos estudos. Além da intenção de tratar todos os participantes, ensaios randomizados, registros e pequenos estudos não são desenvolvidos e projetados para abordar adequadamente esses “detalhes”. Ele vem com a experiência diária individual.

Um stent ultrafino com menos metal, uma geometria adequada e um bom compromisso entre força radial, flexibilidade, conformabilidade e capacidade de entrega pode se tornar uma quarta geração. No entanto, suponha que almejamos melhorias futuras significativas. Nesse caso, precisamos estender para outras plataformas de stent, o que garante segurança com menos 2DAPT e entregabilidade, desaparecendo quando o andaime não é mais necessário, restaurando a normalidade das paredes dos vasos e prevenindo a neoaterosclerose local. Por que não?

Footnotes

Minieditorial referente ao artigo: Avaliação no Mundo Real de um Stent Eluidor de Sirolimus de Hastes Ultrafinas em Pacientes com Infarto do Miocárdio com Supradesnivelamento do Segmento ST Submetidos à Intervenção Coronária Percutânea Primária (Registro INSTEMI)

Referências

  • 1.Serruys PW, Keane D. The bailout stent. Is a friend in need always a friend indeed? Circulation. 1993;88(5):2455–2457. doi: 10.1161/01.cir.88.5.2455. pt 1. [DOI] [PubMed] [Google Scholar]
  • 2.Colombo A, Hall P, Nakamura S, Almagor Y, Maiello L, Martini G, et al. Intracoronary stenting without anticoagulation accomplished with intravascular ultrasound guidance. Circulation. 1995;91(6):1676–1688. doi: 10.1161/01.cir.91.6.1676. [DOI] [PubMed] [Google Scholar]
  • 3.Leon MB, Baim DS, Popma JJ, Gordon PC, Cutlip DE, Ho KK, et al. A clinical trial comparing three antithrombotic-drug regimens after coronary-artery stenting. Stent Anticoagulation Restenosis Study Investigators. N Engl J Med. 1998;339(23):1665–1671. doi: 10.1056/NEJM199812033392303. [DOI] [PubMed] [Google Scholar]
  • 4.Sousa JE, Costa MA, Abizaid AC, Rensing BJ, Abizaid AS, Tanajura LF, et al. Sustained suppression of neointimal proliferation by sirolimus-eluting stents: one-year angiographic and intravascular ultrasound follow-up. Circulation. 2001;104(17):2007–2011. doi: 10.1161/hc4201.098056. [DOI] [PubMed] [Google Scholar]
  • 5.Camenzind E, Steg PG, Wijns W. Stent thrombosis late after implantation of first-generation drug-eluting stents: a cause for concern. Circulation. 2007;115(11):1440–1455. doi: 10.1161/CIRCULATIONAHA.106.666800. [DOI] [PubMed] [Google Scholar]
  • 6.Rizas KD, Mehilli J. Stent Polymers: Do they make a difference? Circ Cardiovasc Interv. 2016;9(6):e002943. doi: 10.1161/CIRCINTERVENTIONS.115.002943. [DOI] [PubMed] [Google Scholar]
  • 7.Hodgson JM, Stone GW, Lincoff AM, Klein L, Walpole H, Bottner R, et al. Society for cardiovascular angiography and interventions. Late stent thrombosis: considerations and practical advice for the use of drug-eluting stents: a report from the Society for Cardiovascular Angiography and Interventions Drug-eluting Stent Task Force. Catheter Cardiovasc Interv. 2007;69(3):327–333. doi: 10.1002/ccd.21093. [DOI] [PubMed] [Google Scholar]
  • 8.Hassan S, Ali MN, Ghafoor B. Evolutionary perspective of drug eluting stents: from thick polymer to polymer free approach. 65J Cardiothorac Surg. 17(1) doi: 10.1186/s13019-022-01812-y. [DOI] [PMC free article] [PubMed] [Google Scholar]
  • 9.Araujo GN, Machado GP, Moura M, Silveira AD, Bergoli LC, Fuchs FC, et al. Avaliação no Mundo Real de um Stent Eluidor de Sirolimus de Hastes Ultrafinas em Pacientes com Infarto do Miocárdio com Supradesnivelamento do Segmento ST Submetidos à Intervenção Coronária Percutânea Primária (Registro INSTEMI) Arq Bras Cardiol. 2023;120(6):e20220594. doi: 10.36660/abc.20220594. [DOI] [PMC free article] [PubMed] [Google Scholar]
Arq Bras Cardiol. 2023 Jun 20;120(6):e20230302. [Article in English]

Are We Reaching the End of the Evolutionary Road to Metallic Drug-Eluting Stents? Which 4th Generation Stents Do We Need?

Manuel Sousa Almeida 1,2

Stents are the cornerstone of current PCI. It guarantees safety, a predictable acute angiographic upshot, and long-term acceptable clinical outcomes.

Its current accomplishment is, undoubtedly, linked to a successful evolutionary road driven by continuous unmet medical needs endured by device companies eager to gain market shares.

From the first stent, aimed to bailout treatment of threatful coronary dissections,1 acute stent thrombosis upraised as the most concerned complication, later successfully addressed by proper stent wall apposition2 and double antiplatelet treatment.3 Then, high rates of restenosis, particularly in diabetics, remained the biggest restraint, who was solved in 2002 by the advent of drug-eluting stents4 accompanied by higher late acute stent thrombosis,5 a trade-off due to non-biocompatible polymers and dysfunctional endothelial healing.6 Initially, controlled with longer and more aggressive antiplatelet strategies7, was later resolved with newer biocompatible polymers, the current 3rd generation stents. In between, newer metallic alloys allowed iterative improvements in strut thickness, flexibility, deliverability, and vessel conformability, making interventionist work much easier now.8

Araujo et al.,9 in their paper entitled: “Real-World Assessment of an Ultrathin Strut, Sirolimus-Eluting Stent in Patients with ST-Elevation Myocardial Infarction Submitted to Primary Percutaneous Coronary Intervention (INSTEMI Registry)”, analyzed data from a real-world STEMI multicenter registry in southern Brazil, and compared a new ultrathin (75µm) CrCo alloy stent with a short term sirolimus elution (45 days) from a biocompatible degradable (9 months) abluminal polymer with a mix of current standard workhorses stents.

For this comparison, they select from a larger population of STEMI patients treated with PPCI in two tertiary centers, two propensity-matched groups, each with 353 patients, treated with Inspiron™ stent (709 stents) and a control group, a mix of DES, regarding the drug (sirolimus in 22% and non-sirolimus in 78%), the biodegradable polymer distribution (abluminal in only 2%) and durability (durable in 78%), and the strut thickness (≤75µm in 20%), on a total of 716 stents of current 3rd generation stents. Although such heterogeneity, for this study, it does not compromise the results and conclusions. As stated, the authors aimed to compare a newer DES with the current workhorses DES in a real-world standard of care.

In addition to those pointed out by the authors, it had some limitations, such as the duration of the 2DPT, not mentioned anywhere, per protocol at the operator’s discretion. Differences between groups could jeopardize the results in such a long follow-up. Albeit the propensity-matched groups, stent length was significantly and meaningful higher in Inspiron™ (10mm longer on average), along with other minor differences also accounted for.

Nevertheless, and for this study, they reached valid conclusions: until 17 months follow-up, in patients treated by PPCI, the use of Inspiron™ stent seems to be as safe and effective as other current standard-of-care third-generation stents.

A glass half full, half empty. The Inspiron™ is as good as current stents, but not better! I am doubtful if comparing a larger number of patients will resolve the question, as clinical outcomes became so similar and so low, questioning if it is possible to go further.

Other issues like deliverability and enhanced side branch access are also valuable to interventional cardiologists. A stent not properly delivered or impeding a side branch access may jeopardize all procedures. Such “details” are not commonly grabbed in most studies. Besides the intention to treat all comers, randomized trials, registries, and small studies are not powered and designed to properly tackle such “details.” It comes with individual daily experience.

An ultrathin stent with less metal, a proper geometry, and a good compromise between radial force, flexibility, conformability, and deliverability may become a fourth generation. However, suppose we aim for meaningful future improvements. In that case, we need to extend up for other stent platforms, which guarantees safety with less 2DAPT and deliverability, vanishing a way when scaffolding is no longer needed, restoring vessel walls to normality, and preventing local neo-atherosclerosis. Why not?

Footnotes

Short Editorial related to the article: Real-World Assessment of an Ultrathin Strut, Sirolimus-Eluting Stent in Patients with ST-Elevation Myocardial Infarction Submitted to Primary Percutaneous Coronary Intervention (INSTEMI Registry)


Articles from Arquivos Brasileiros de Cardiologia are provided here courtesy of Sociedade Brasileira de Cardiologia

RESOURCES