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. 2023 Jun 23;120(7):e20220858. [Article in Portuguese] doi: 10.36660/abc.20220858
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Depressão, Doença Cardiovascular e Sexo Feminino: Uma Tríade Subestimada

Walkiria Samuel Avila 1, Maria Alayde Mendonça Rivera 2, Ivan Romero Rivera 2
PMCID: PMC10364992  PMID: 37466622

Introdução

A depressão é uma doença global que acomete cerca de 330 milhões de pessoas, o que corresponde a 4,4% da população mundial, e a coloca como a segunda causa de incapacitação nos EEUU. 1 No Brasil, estima-se que 5,8% da população, ou seja, 11 milhões de pessoas, sofram dessa doença, colocando o país como o primeiro na América Latina, e o segundo das Américas em número de casos. 1 Acrescentam-se os dados divulgados pela Pesquisa Nacional de Saúde (PNS) realizada em 2013 em que se verificou que 78,8% dos brasileiros com sintomas depressivos importantes, não recebiam nenhum tipo de tratamento. 2

Depressão, mulheres e risco cardiovascular

As mulheres, a partir da adolescência, apresentam duas vezes maior propensão a desenvolver depressão quando comparadas aos homens e, quanto mais precoce é o início da doença, mais grave é o prognóstico. Estima-se que cerca de 20 a 25% das mulheres sofrerão pelo menos um episódio de depressão ao longo da vida, com elevada taxa de recorrência da doença, que por sua vez, está associada a risco aumentado de doença cardiovascular (DCV). 3

Nesse cenário, o mundo contemporâneo destaca a DCV como a principal causa de morte em ambos os sexos, representando 56% da mortalidade entre as mulheres. 4 Vale destacar que a depressão é identificada com muita frequência entre pacientes que apresentam DCV, além de haver indícios que depressão e DCV apresentam uma relação bidirecional, o que equivale dizer, que ambas são preditivas “entre si”, e em conjunto deflagram eventos cardíacos mais graves ( Figura 1 ). 5 , 6

Figura 1. – Fisiopatologia da depressão e doença cardiovascular.

Figura 1

Há evidências de que depressão e DCV compartilham uma patogenia relacionada ao sistema imunológico, com a hipótese de que a persistência de um estado inflamatório crônico, com maior expressão de citocinas inflamatórias, proteínas de fase aguda e moléculas de adesão, quando associado à desregulação do eixo hipotálamo-pituitário-adrenal, do sistema renina-angiotensina-aldosterona e vias serotonina-kynurenina 7 contribuem para o desenvolvimento de ambas as doenças ( Figura 1 ). 7

As razões da predominância em mulheres ainda não estão esclarecidas, contudo admite-se que além da predisposição genética e de fatores biológicos, psicossociais e familiares, existe uma conexão da depressão com as flutuações hormonais, moduladas pelos níveis de estrogênio e progesterona, particularmente aquelas inerentes ao ciclo gravídico-puerperal e a menopausa ( Figura 1 ). 8

Depressão puerperal

Nesse contexto, vale ressaltar a importância da depressão puerperal, com prevalência no Brasil de cerca de 20,5%, que pode estar subestimada, em razão da falta de diagnóstico e omissão na notificação. 9 É oportuno mencionar uma recente pesquisa que demonstrou uma proporção maior de infarto do miocárdio e acidente vascular cerebral entre mulheres que sofreram de depressão puerperal, tema que merece futuros estudos no rastreamento de um novo preditivo de risco cardiovascular na mulher. 10

O quadro clínico da depressão puerperal, apresentado na tabela 1 não difere do clássico da população em geral e pode ter início na gestação ou em até quatro semanas após o parto. 11 Dentre os sintomas, destacam-se mudanças do humor, perda de interesse pela vida, sentimento de baixa estima e ideação suicida/homicida. Este quadro pode progredir para a psicose (agitação, confusão, delírios), e culminar com o suicídio.

Tabela 1. – Características da depressão do gênero feminino e da depressão puerperal.

  Depressão Depressão pós-parto
Fatores de Risco
  • História familiar de depressão

  • Desequilíbrio em neurotransmissores cerebrais

  • Doenças crônicas (esclerose múltipla, diabetes mellitus, câncer)

  • Dor crônica, alterações do sono

  • Flutuações hormonais (pré-menstrual, gestação, perimenopausa)

  • Alterações do ritmo circadiano

  • Deficiência nutricional

  • Estresse, Perda, luto

  • Medicamentos (anticonvulsivantes, benzodiazepínicos, corticoides)

  • Abuso de álcool e outras drogas

  • Depressão durante a gestação

  • Multíparas (≥ 3 partos )

  • Estresse grave durante a gravidez

  • Abuso sexual atual ou anterior

  • Insatisfação conjugal ou do parceiro

  • Complicações referentes ao parto ou ao recém-nascido

  • Sentimentos mistos sobre a gravidez (planejada ou não)

  • Falta de apoio emocional do cônjuge, parceiro, família/amigos

  • FATORES DE PROTEÇÃO

  • Maior escolaridade materna e paterna

  • Presença do cônjuge ou companheiro

  • Apoio do pai da criança e da família durante a gravidez

Sintomas observados
  • Humor deprimido;

  • Perda de interesse ou prazer pelas atividades habituais;

  • Insônia ou hipersonia;

  • Perda ou ganho de peso significativo (> 5% /mês), diminuição ou aumento do apetite

  • Retardo psicomotor ou agitação

  • Fadiga e baixa estima;

  • Diminuição da capacidade de concentração ou tomar decisões

  • Pensamentos de inutilidade ou culpa excessiva ou inadequada

  • Pensamentos recorrentes de morte, ou ideação suicida, ou tentativa de suicídio

  • Mudanças no apetite e hábitos alimentares

  • Fadiga extrema, Insônia

  • Mudanças de humor (irritabilidade, raiva e tristeza)

  • Falta de interesse em atividades prazerosas ou favoritas

  • Baixa estima ou capacidade de concentração

  • Isolamento social, incluindo o bebê, associado a sentimento de culpa/vergonha

  • Sentimentos de tristeza, inquietação, ansiedade ou desesperança

  • Queixas persistentes (dor de cabeça, estomago ou outras)

  • Pensamentos sobre ferir a si mesmo ou ao seu bebê (ideação suicida/homicida)

Ferramenta Diagnóstica
  • Questionário de Saúde do Paciente de 2 Perguntas (PHQ-2).

  • Questionário de Saúde do Paciente de 9 Perguntas (PHQ-9).

  • Escala de Depressão Pós-natal de Edimburgo (EPDS).

Tratamento
  • Psicoterapia (terapia cognitivo-comportamental; terapia interpessoal; grupos de suporte);

  • Antidepressivos: inibidores seletivos da recaptação de serotonina; inibidores da recaptação da serotonina /norepinefrina (exceto fluoxetina e paroxetina, que inibem o efeito do tamoxifeno, não devendo ser usados em pacientes com câncer de mama); inibidores seletivos da recaptação da norepinefrina/dopamina; antagonistas do receptor alfa-1; moduladores da serotonina.

  • Antidepressivos tricíclicos devem ser evitados em pacientes com doença cardiovascular estrutural pelos seus efeitos na condução do estímulo cardíaco.

  • Exercícios físicos

  • Eletroconvulsoterapia (depressão grave)

  • Orientação para a busca de fatores psicológicos positivos

  • Psicoterapia (terapia cognitivo-comportamental; terapia interpessoal; grupos de suporte).

  • Antidepressivos: inibidores seletivos da recaptação de serotonina no tratamento inicial (sertralina é a droga preferencial, por sua baixa concentração no leite materno);

  • Outras drogas indicadas: paroxetina, duloxetina, nortriptilina e imipramina;

  • Antidepressivos tricíclicos podem ser considerados o tratamento de primeira escolha, caso haja história de tratamento prévio com sucesso e não existam contraindicações para seu uso, como a probabilidade de suicídio; doxepina é contraindicada (depressão respiratória; sedação; hipotonia)

  • Brexanolona IV em casos graves (disponível nos EUA)

  • Exercícios físicos

  • Outras terapias (yoga; massagens; técnicas de relaxamento; meditação)

  • Eletroconvulsoterapia (depressão grave, com alucinações, ilusões, pensamentos suicidas)

  • A lactação deve ser incentivada pelos benefícios na relação mãe e filho; devem ser discutidos os riscos do tratamento para o bebê e os riscos para a dinâmica familiar de não tratar a depressão.

Prognóstico
  • O não reconhecimento/tratamento da depressão pode causar:

  • a) impacto negativo no reconhecimento e controle dos fatores de riscos da doença cardiovascular;

  • b) aumento na incidência de eventos agudos

  • O não reconhecimento/tratamento da depressão puerperal pode causar:

  • a) aumento do risco de suicídio e infanticídio;

  • b) ruptura do vínculo mãe-filho, com danos físicos/emocionais de impacto negativo no crescimento e desenvolvimento da criança (tendência à obesidade; dificuldades nas interações sociais)

A depressão puerperal prejudica a qualidade de vida, fragiliza o vínculo materno-infantil, favorece a discórdia conjugal e motiva o infanticídio, além do suicídio materno. Nesse aspecto, o fato mais alarmante é que a depressão puerperal é uma complicação psiquiátrica que aumenta em cinco vezes a tentativa de suicídio, e foi incluída como a causa entre 30 e 50% das gestantes que se suicidaram. 12 À vista das razões apresentadas, a perspicácia do profissional médico no diagnóstico da depressão na mulher, é de extrema importância, vez que 10 a 20% das pacientes negam a doença e omitem os sintomas. 13

Depressão e perimenopausa

Ainda no ciclo biológico da mulher, a perimenopausa é uma janela de vulnerabilidade para o desenvolvimento da depressão, mesmo em mulheres sem histórico da doença.

Dentre os fatores de risco para a depressão na perimenopausa destacam-se aqueles relacionados à saúde mental, em particular a ansiedade e transtornos depressivos anteriores, e outras condições como a raça negra, obesidade, eventos trágicos no decorrer da vida e isolamento social. 14 Os “gatilhos” da depressão na perimenopausa encontram-se nas mudanças de carreira ou de relacionamento, na conscientização do envelhecimento, na transformação da aparência física, doença pessoal ou familiar, além da conhecida síndrome do “ninho vazio”.

Os sintomas habituais da depressão são superpostos aos específicos da menopausa, tais como as ondas de calor, suores noturnos, distúrbios do sono e da libido, e alterações cognitivas, que dificultam o diagnóstico da doença. Nesse sentido, a aplicação de questionários convencionais 13 ( Menopause Rating Scale MRS, Menopause Quality of Life Questionnaire- MENQOL, Greene Climacteric Scale, Utian Quality-of-Life Scale ) pode contribuir na interface de sintomas (menopausa, ansiedade e depressão), e direcionar para a abordagem segura e eficaz da doença. 15

Depressão, COVID-19 e mulheres

Uma análise abrangente sobre a interação entre gênero, depressão, DCV e COVID-19, destacou uma prevalência combinada de 25% (95% IC: 18%-33%) de depressão na população geral, resultante dos efeitos da pandemia da COVID-19. Curiosamente, as mulheres parecem ter complicações menos graves em curto prazo, quando comparadas aos homens, porém sofrem de complicações maiores da COVID-19 ao longo do tempo, incluindo a depressão e piora nos hábitos de vida, aumentando o risco cardiovascular. 16

O sexo feminino tem sido o destaque significativo para a piora do estado de saúde mental e sintomas de depressão, provavelmente em razão da maior prevalência de transtornos depressivos e de ansiedade preexistentes, do estresse ambiental constante, e da violência doméstica, que intensificaram durante a pandemia pela COVID-19. Além do mais, as mulheres vivenciam situações de estresse relacionadas ao período reprodutivo, tais como problemas de fertilidade, gravidez, aborto espontâneo, depressão pós-parto e violência por parceiro íntimo.

Nesse cenário, um estudo multicêntrico que teve o objetivo de avaliar a saúde mental de mulheres no período gravídico-puerperal, durante a pandemia da COVID-19, mostrou uma prevalência de 15% de sintomas depressivos maiores entre 3.907 gestantes e de 13% entre 5.134 lactantes. Esse estudo destaca a importância de monitorar a condição mental perinatal durante pandemias e outras crises sociais, para a salvaguarda da saúde materno-infantil. 17

Diagnóstico e tratamento da depressão nas mulheres

A recomendação usual para o diagnóstico da depressão é a aplicação do método conhecido como Patient Health Questionnaire (PHQ)-2 , que inclui duas questões e, diante da suspeita da doença, utiliza-se o chamado Patient Health Questionnaire (PHQ)-9 , que contém nove questões, para a confirmação do diagnóstico. A utilização de ambos os métodos de investigação da depressão na prática clínica tem demonstrado boa sensibilidade, especificidade e valor preditivo negativo. Ambos os métodos estão respectivamente disponíveis nos sites https://bit.ly/2VvPHIG (PHQ-2) e https://bit.ly/2PY3INz (PHQ-9).

Para a investigação da depressão puerperal recomenda-se a aplicação da Escala de Depressão Pós-Natal de Edimburgo (EPDS), considerado bom método de triagem, 13 que compreende um questionário com dez perguntas, pontuadas numa escala de risco, que classifica a doença desde a forma leve àquela de alta gravidade.

No que diz respeito ao tratamento da depressão, o uso de antidepressivos melhora os sintomas da doença, 18 favorece a aderência às demais terapêuticas e demonstra tendência na redução de eventos cardiovasculares maiores, no entanto, sem evidências na redução da mortalidade geral ou cardiovascular. Os melhores resultados do tratamento são potencializados com a psicoterapia, especialmente a terapia cognitivo-comportamental, e a prática de exercícios físicos ( Tabela 1 ).

Os inibidores seletivos de recaptação da serotonina (ISRS) são os antidepressivos considerados como de primeira linha, inclusive no tratamento da depressão puerperal, destacando-se o uso da sertralina, nas mulheres lactantes, pela baixa concentração no leite materno e boa eficácia no tratamento não inferior ao tempo de 6 a 12 meses após o diagnóstico. Nos casos moderados a graves, tem sido indicada a brexanolona, recentemente aprovada pela Food and Drug Administration (FDA) como fármaco bem tolerado, eficaz e específico para depressão puerperal. 18

Quanto aos efeitos do uso prolongado de antidepressivos, um estudo de coorte recente demonstrou que a utilização de ISRS ao longo de dez anos promoveu a redução de 32% do risco de diabetes e de 23% de hipertensão arterial. 19 O estudo também evidenciou aumento do risco de doença coronariana e de mortalidade geral e cardiovascular, particularmente associados ao uso de outros antidepressivos (mirtazapina, venlafaxina, duloxetina, trazodona), 18 chamando a atenção para o fato de que algumas classes de antidepressivos podem oferecer melhores benefícios que outras, no cuidado à saúde cardiovascular.

É oportuno mencionar que a serotonina, conhecida como 5-hidroxitriptamina (5-HT), além de neurotransmissor do sistema nervoso central, também desempenha um papel significativo nos tecidos periféricos. Há crescentes indícios sugerindo que a serotonina interfere nas respostas das células imunes e, contribui para o desenvolvimento da doença cardiovascular e outras doenças consequentes da hiperatividade do sistema imunológico. Admite-se que a serotonina deflagra processos inflamatórios em condições fisiológicas normais e intensifica o estado pró-inflamatório em condições patológicas que envolvem inflamação, como a aterosclerose. 20

Por último, é importante reforçar que a busca de convicções psicológicas positivas, tais como otimismo, senso de propósito, afetos positivos, sentimentos de gratidão e resiliência, e não apenas o controle dos fatores negativos, determinam a redução dos eventos agudos e o melhor controle dos fatores de riscos da DCV em mulheres que sofrem de depressão ( Tabela 1 ). 21 , 22

Conclusões

As crescentes evidências estabelecem a depressão como um fator de risco modificável para a DCV, e diante do reconhecimento da sua alta prevalência entre as mulheres, é imprescindível que o aprimoramento da investigação e o implemento de estratégias efetivas de abordagem das distintas formas de depressão devam ser reforçadas em diretrizes de prevenção da DCV na mulher.

Vinculação acadêmica

Não há vinculação deste estudo a programas de pós-graduação.

Aprovação ética e consentimento informado

Este artigo não contém estudos com humanos ou animais realizados por nenhum dos autores.

Fontes de financiamento: O presente estudo não teve fontes de financiamento externas.

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Arq Bras Cardiol. 2023 Jun 23;120(7):e20220858. [Article in English]

Depression, Cardiovascular Disease, and Female Gender: An Underestimated Triad

Walkiria Samuel Avila 1, Maria Alayde Mendonça Rivera 2, Ivan Romero Rivera 2

Introduction

Depression is a global disease affecting around 330 million people, corresponding to 4.4% of the global population, and is the second cause of incapacitation in the USA. 1 In Brazil, it is estimated that 5.8% of the population, 11 million people, suffer from this disease, placing the country first in Latin America and the second in the Americas considering the number of cases. 1 In addition, the data published by the National Health Survey (PNS) conducted in 2013 verified that 78.8% of Brazilian people with significant depressive symptoms were not receiving any treatment. 2

Depression, women, and cardiovascular risk

Women, since their teenage years, are twice as likely to develop depression compared to men; the early the disease appears, the more severe the prognosis. It is estimated that around 20 to 25% of women will suffer at least one depression episode throughout their lives, with a high rate of disease recurrence, which, in its turn, is related to an increased risk of cardiovascular disease (CVD). 3

Within this scenario, the contemporary world highlights CVD as the main reason for death in both sexes, representing 56% of the mortality among women. 4 It is worth emphasizing that depression is frequently identified among CVD patients, besides evidence that depression and CVD present a bidirectional relationship, which means that they are predictive “among themselves,” and combined, they set off more severe cardiac events ( Figure 1 ). 5 , 6

Figure 1. – Pathophysiology of depression and cardiovascular disease.

Figure 1

There is evidence that depression and CVD share a pathogenesis related to the immune system, with the hypothesis that the persistence of a chronic inflammatory state, with increased expression of inflammatory cytokines, acute-phase proteins, and adhesion molecules, when associated with the deregulation of the hypothalamic-pituitary-adrenal axis, of the renin-angiotensin-aldosterone system and the serotonin-kynurenine 7 pathways contribute to the development of both diseases ( Figure 1 ). 7

The reasons for the prevalence in the female gender are not yet clear; however, it is assumed that, beyond the genetical predisposition, biological, psychosocial, and family factors, there is a connection between depression and hormonal fluctuations, modulated by the levels of estrogen and progesterone, especially those inherent to the pregnancy and childbirth cycle and the menopause ( Figure1). 8

Puerperal depression

In this context, it is worth highlighting the importance of post-partum depression, with a prevalence of around 20.5% in Brazil, which may be underestimated due to the lack of diagnosis and omission in notifications. 9 A recent study should be mentioned, which demonstrated a higher proportion of myocardial infarction and cerebrovascular accidents among women who suffered post-partum depression, a theme that must be further studied to track a new predictor of cardiovascular risk in women. 10

The clinical condition of post-partum depression is no different from the classic conditions for the general population ( Table 1 ), and it can begin during pregnancy or up to four weeks after childbirth. 11 Among the symptoms, we highlight mood changes, loss of interest in life, changes in appetite and sleep, incapacity to focus, low self-esteem, and suicide/homicide thoughts. This scenario can progress to psychosis (agitation, confusion, delusions) and culminate with suicide.

Table 1. – Characteristics of female gender depression and puerperal depression.

  Depression Post-partum depression
Risk Factors
  • Family history of depression

  • Chronic diseases (multiple sclerosis, diabetes mellitus, cancer), Chronic pain, sleep changes

  • Hormonal fluctuations (premenstrual, pregnancy, perimenopause)

  • Changes in the circadian rhythm

  • Nutritional deficiency

  • Stress, Loss, Mourning

  • Medicines (anticonvulsants, benzodiazepine, corticosteroids)

  • Abuse of alcohol and other drugs

  • Depression during pregnancy

  • Multiparous women (≥ 3 births)

  • Severe stress during pregnancy

  • Current or previous sexual abuse

  • Marital or partner dissatisfaction

  • Complications referring to the birth or the newborns

  • Mixed feelings about the pregnancy (planned or not)

  • Lack of emotional support by the spouse, partner, family/friends

  • PROTECTIVE FACTORS

  • Higher maternal and paternal schooling

  • Presence of spouse or partner

  • Support from the child’s father and family during pregnancy

Observed Symptoms
  • Depressed mood; Lack of interest or pleasure in usual activities; Insomnia or hypersomnia;

  • Significant weight gain or loss (> 5%/month), reduction or increase in appetite

  • Psychomotor retardation or agitation

  • Fatigue and low self-esteem; Reduction in the ability to focus or make decisions

  • Thoughts of uselessness or excessive or inadequate guilt

  • Recurring death or suicide thoughts, or attempt at suicide

  • Changes in appetite and eating habits

  • Extreme fatigue, Insomnia

  • Mood changes (irritability, anger, and sadness)

  • Lack of interest in pleasant or favorite activities

  • Low self-esteem or ability to focus

  • Social isolation, including the baby, associated with feelings of guilt/shame

  • Feelings of sadness, unrest, anxiety, or hopelessness

  • Persistent complaints (headache, stomachache, or others)

  • Thoughts about hurting herself or the baby (suicidal/homicidal thoughts)

Diagnostic Tool
  • 2-Question Patient Health Questionnaire (PHQ-2)

  • 9-Question Patient Health Questionnaire (PHQ-9)

  • Edinburgh Postnatal Depression Scale (EPDS)

Treatment
  • Psychotherapy (cognitive behavioral therapy; interpersonal therapy; support groups);

  • Physical exercises

  • Antidepressants: selective serotonin reuptake inhibitors; serotonin/norepinephrine reuptake inhibitors (fluoxetine and paroxetine inhibit the effect of tamoxifen and should not be used in patients with breast cancer); selective norepinephrine/dopamine reuptake inhibitors; alpha-1 receptor antagonists; serotonin modulators. Tricyclic antidepressants must be avoided in patients with structural cardiovascular disease due to their effects on the conduction of cardiac stimuli.

  • Electroconvulsive therapy (severe depression)

  • Orientation for searching for positive psychological factors

  • Psychotherapy (cognitive behavioral therapy, interpersonal therapy, support groups). Antidepressants: selective serotonin reuptake inhibitors in the initial treatment (sertraline is the preferred drug due to its low concentration in mother’s milk);

  • Other indicated drugs: paroxetine, duloxetine, nortriptyline, and imipramine;

  • Tricyclic antidepressants can be considered the first-choice treatment in case of a history of previous successful treatment and provided there are no counter-indications to its use, such as the probability of suicide; doxepin is counter-indicated (respiratory depression; sedation; hypotonia)

  • Brexanolone IV in severe cases (available in the USA)

  • Physical exercise

  • Other therapies (yoga; massages; relaxation techniques; meditation)

  • Electroconvulsive therapy (severe depression, with hallucinations, illusions, and suicidal thoughts)

  • Lactation must be encouraged due to its benefits for the mother and child relationship; the risks of the treatment for the baby must be discussed, as well as the risks of not treating the depression for the family dynamics.

Prognosis
  • Failure to recognize/treat the depression can cause:

  • a) negative impact in recognizing and controlling cardiovascular risk factors

  • b) increased incidence of acute events

  • Failure to recognize/treat post-partum depression can cause:

  • a) increased the risk of suicide and infanticide;

  • b) rupture of the mother-child bond, with physical/emotional damages with negative impacts on the child’s growth and development (prone to obesity; difficulty in social interactions)

Post-partum depression harms the quality of life, weakens the mother-child bond, favors marital discord, and motivates infanticide, besides mother suicide. In this aspect, the most alarming fact is that post-partum depression is a psychiatric complication that increases by five times suicide attempts, and it was included as the cause among 30 to 50% of pregnant women who committed suicide. 12 Given the reasons presented, the foresight of medical professionals in diagnosing depression in women is extremely important, once 10 to 20% of patients deny the disease and omit symptoms. 13

Perimenopause depression

Still, in the women’s biological cycle, perimenopause is a vulnerable window for the development of depression, even among women who have no history of the disease. Among risk factors for depression in perimenopause, we highlight anxiety and previous depressive disorders, as well as other conditions, such as black race, obesity, tragic events throughout life, and social isolation. 14 The depression “triggers” in perimenopause lie in career or relationship changes, awareness of aging, the transformation of physical features, and personal or family diseases, besides the known “empty nest” syndrome.

The usual depression symptoms are overlapped with the ones specific to menopause, such as heat waves, night sweats, sleep and libido disorders, and cognitive changes, making it harder for the disease to be diagnosed. 13 In this sense, the application of conventional questionnaires (Menopause Rating Scale – MRS, Menopause Quality of Life Questionnaire – MENQOL, Greene Climacteric Scale, Utian Quality-of-Life Scale) can contribute to the interface of symptoms (menopause, anxiety, depression), and guide towards a safe and efficient approach to the disease. 15

Depression, pandemic COVID-19, and gender female

A comprehensive review of the interaction between gender, depression, CVD, and COVID-19 highlighted a combined 25% prevalence (95% CI: 18%-33%) of depression in the general population resulting from the effects of the COVID-19 pandemic. Interestingly, women seem to have less severe complications in the short term when diagnosed than men but suffer from greater complications from COVID-19 over time, including depression and worsening lifestyle habits, increasing cardiovascular risk. 16

The female gender has been highlighted as a significant risk factor for worsening health status and symptoms of depression, probably due to the higher prevalence of depressive disorders and pre-existing anxiety, constant environmental stress, and domestic violence, which have intensified during the COVID-19 pandemic. Furthermore, women experience stressful situations related to the reproductive period, such as fertility problems, pregnancy, miscarriage, post-partum depression, and intimate partner violence.

A multicenter study that assessed the mental health status of pregnant and breastfeeding women during the COVID-19 pandemic showed a prevalence of 15% of major depressive symptoms among 3,907 pregnant women and 13% among 5,134 breastfeeding mothers. This study reinforced the importance of monitoring the perinatal mental condition during pandemics and other social crises to safeguard maternal and child health. 17

Depression, diagnosis, and treatment in women

The usual recommendation to diagnose depression is the application of the Patient Health Questionnaire (PHQ)-2 method, which includes two questions and, given the suspicion of the disease, the Patient Health Questionnaire (PHQ)-9, which contains nine questions, to confirm the diagnosis. The use of both depression investigation methods in clinical practice has shown good sensitivity, specificity, and negative predictive value. They are available at https://bit.ly/2VvPHIG (PHQ-2) and https://bit.ly/2PY3INz (PHQ-9).

In the investigation of post-partum depression, it is recommended to apply the Edinburgh Postnatal Depression Scale (EPDS), considered a good triage method, 13 which is composed of a questionnaire with ten questions, scored in a risk scale, which classified the disease from light to high severity.

Regarding the treatment of depression, the use of antidepressants improves the symptoms of the disease, 18 favors adherence to other therapies, and shows a tendency to reduce bigger cardiovascular events; however, with no evidence of the reduction of general or cardiovascular mortality. The best results of the treatment are potentialized with psychotherapy, especially cognitive behavioral therapy, and the practice of physical exercise ( Table 1 ).

Selective serotonin reuptake inhibitors (SSRIs) are considered the first-line antidepressants, including in the treatment of post-partum depression, with a highlight on the use of sertraline, in lactating women, due to its low concentration in mother milk and good efficiency in the treatment not shorter than 6 to 12 months after the diagnosis. In moderate to severe cases, brexanolone is being indicated, which was recently approved by the Food and Drug Administration (FDA) as a well-tolerated, efficient, and specific drug for post-partum depression. 18

Regarding the effects of the long-term use of antidepressants, a recent cohort study showed that using SSRIs for ten years was associated with a 32% reduction in the risk of diabetes and a 23% reduction in arterial hypertension. 19 The study also showed an increase in the risk of coronary disease and general/cardiovascular mortality, particularly associated with the use of other antidepressants (mirtazapine, venlafaxine, duloxetine, trazodone), 18 reinforcing that some classes of antidepressants may offer better benefits than others in health care cardiovascular.

It is opportune to comment that serotonin, also known as 5-hydroxytryptamine (5-HT), is a neurotransmitter in the central nervous system and plays a significant role in peripheral tissues. Growing evidence suggests that serotonin interferes with immune cell responses and contributes to the development of cardiovascular disease and other diseases resulting from an immune hyperactivity system. It is assumed that serotonin triggers inflammatory processes under normal physiological conditions and intensifies the pro-inflammatory state in pathological conditions involving inflammation, such as atherosclerosis. 20

Finally, it is very important to reinforce that the search for positive psychological convictions, such as optimism, a sense of purpose, positive affections, feelings of gratitude, and resilience, and not only the control of negative factors, determines that reduction of acute events and the better control of CVD risk factors in depression patients ( Table 1 ). 21 , 22

Conclusions

The growing evidence establishes depression as a modifiable risk factor for CVD. Given the recognition of its high prevalence among women, it is fundamental that the improvement of the investigation and implementation of effective strategies to approach the different types of depression must be reinforced in guidelines for CVD prevention in women.

Study association

This study is not associated with any thesis or dissertation work.

Ethics approval and consent to participate

This article does not contain any studies with human participants or animals performed by any of the authors.

Sources of funding: There were no external funding sources for this study.


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