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. 2024 May 7;121(4):e20230798. [Article in Portuguese] doi: 10.36660/abc.20230798
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Efeitos da Imunossupressão em Transplantados Cardíacos por Doença de Chagas

Lúcio Moreira Fontenele 1, Nayara Ribeiro Máximo de Almeida 1, Breno Rennan de Souza Carvalho 1, Egidio Bezerra da Silva Neto 1, Brenda dos Santos Teixeira 1, Johnnatas Mikael Lopes 1
PMCID: PMC11081063  PMID: 38775615

O acometimento cardíaco na Doença de Chagas (DC) representa a forma mais grave da doença, ocorrendo em 30 a 40 % dos pacientes infectados. 1 Paciente com insuficiência cardíaca de origem chagásica muitas vezes são refratários ao tratamento medicamentoso, requerendo avaliação de necessidade de transplante cardíaco (TC). Após realização do TC faz-se necessário a imunossupressão do paciente para garantir maior chance de aceitação e vitalidade do enxerto, por outro lado, a imunossupressão é fator contribuinte para recidiva da DC, o que poderia comprometer diretamente o enxerto ou mesmo agravar outros parâmetros de saúde do paciente chagásico, repercutindo diretamente na mortalidade nos próximos 5 anos após transplante. 2 Muitas das terapias cardíacas implementadas na DC advêm de terapias estudadas em cardiopatias de outras origens, sendo necessário mais pesquisas terapêuticas em populações de indivíduos portadores de DC. 1

O artigo intitulado Sobrevida de Pacientes Transplantados Cardíacos com Doença De Chagas Sob Diferentes Regimes de Imunossupressores Antiproliferativos 3 apresenta uma temática de extrema importância para o cenário da atenção aos indivíduos com Doença de Chagas, principalmente no que tange a desfechos danosos como óbito e reativação da doença.

Entretanto, visualizamos uma possibilidade de enriquecer mais as inferências apresentadas pelos autores por meio da distinção entre o conceito de risco para o evento de saúde e o risco de o tempo para o evento ocorrer. Esses dois conceitos são medidos de forma diferente em estudos longitudinais, sendo o risco para o evento medido através do risco relativo ou odds ratio e no caso no risco do tempo para ocorrência seria o hazard ratio (HR). O RR e o OR medem o risco em um intervalo de tempo fixo e o HR mede a velocidade em que o desfecho acontece. 4

Dessa forma, o que na verdade os autores pretendiam medir, de acordo com os objetivos apresentados, seria o risco para o óbito e nesta situação a forma correta seria o RR, o qual revela a probabilidade para o óbito mediante alguma característica como a terapêutica imunossupressora. Sendo assim, o que temos apresentado na Tabela 3 é a velocidade (risco) para ocorrência do desfecho óbito.

Queremos sugerir que os autores apresentem uma tabela com análise multivariada por regressão de Poisson evidenciando o RR para o evento óbito assim como a mesma análise para o desfecho reativação da DC, a fim de confirmar a ausência de efeito da variável grupo imunossupressor, aprofundando os achados mostrados na Tabela 2.

Referências

  • 1.Lima RS, Teixeira AB, Lima VL. Doença de Chagas: uma atualização bibliográfica. RBAC . 2019;51(2):103–106. doi: 10.21877/2448-3877.201900727. [DOI] [Google Scholar]
  • 2.Almeida DR. Transplante cardíaco na Doença de Chagas. Rev Soc Cardiol Estado de São Paulo . 2016;26(4):266–271. [Google Scholar]
  • 3.Furquim SR, Galbiati LC, Avila MS, Marcondes Braga FG, Fukushima J, Mangini S, et al. Sobrevida de Pacientes Transplantados Cardíacos com Doença de Chagas Sob Diferentes Regimes de Imunossupressores Antiproliferativos. Arq Bras Cardiol . 2023;120(10):e20230133. doi: 10.36660/abc.20230133. [DOI] [PMC free article] [PubMed] [Google Scholar]
  • 4.George A, Stead TS, Ganti L. What's the Risk: Differentiating Risk Ratios, Odds Ratios, and Hazard Ratios? Cureus . 2020;12(8):e10047. doi: 10.7759/cureus.10047. [DOI] [PMC free article] [PubMed] [Google Scholar]
Arq Bras Cardiol. 2024 May 7;121(4):e20230798. [Article in English] doi: 10.36660/abc.20230798i

Effects of Immunosuppression in Heart Transplant Patients Due to Chagas Disease

Lúcio Moreira Fontenele 1, Nayara Ribeiro Máximo de Almeida 1, Breno Rennan de Souza Carvalho 1, Egidio Bezerra da Silva Neto 1, Brenda dos Santos Teixeira 1, Johnnatas Mikael Lopes 1,

Cardiac involvement in Chagas Disease (CD) represents the most severe form of the disease, occurring in 30 to 40% of infected patients. 1 Patients with heart failure of chagasic origin are often refractory to drug treatment, requiring assessment of the need for heart transplantation (CT). After carrying out the CT, it is necessary patient's immunosuppression to ensure a greater chance of graft acceptance and vitality, on the other hand, immunosuppression is a contributing factor to CD relapse, which could directly compromise the graft or even worsen other health parameters of the patient, directly impacting mortality in the next 5 years after transplant. 2 Many of the cardiac therapies implemented in CD come from therapies studied in heart diseases of other origins, requiring more therapeutic research in populations of individuals with CD. 1

The article entitled Survival of Survival of Heart Transplant Patients with Chagas’ Disease Under Different Antiproliferative Immunosuppressive Regimens 3 presents a theme of extreme importance for the scenario of care for individuals with Chagas, especially concerning harmful outcomes such as death and reactivation of the disease.

However, we see a possibility of further enriching inferences presented by the authors through the distinction between the concept of risk for the event of health and the risk of time for the event to occur. These two concepts are measured in a way different in longitudinal studies, with the risk for the event measured through the relative risk or odds ratio, and in the case of the risk of time to occurrence, it would be the hazard ratio (HR). The RR and the OR measure the risk in a fixed time interval and the HR measures the speed at which the outcome happens. 4

In this way, what the authors actually intended to measure, according to the objectives presented, would be the risk of death and in this situation, the correct way would be better through RR, which reveals the probability of death based on some characteristic such as immunosuppressive therapy. Therefore, what we have presented in Table 3 is the speed (risk) for the occurrence of the death outcome.

We would like to suggest that the authors present a table with multivariate analysis by Poisson regression showing the RR for the death event as well as the same analysis for the outcome of CD reactivation, to confirm the absence of effect of the group variable immunosuppressant, deepening the findings shown in Table 2.


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