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. 2024 Oct 22;121(9):e20240583. [Article in Portuguese] doi: 10.36660/abc.20240583
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Mulheres e Fibrilação Atrial: A Disparidade na Anticoagulação é apenas uma Questão de Gênero? Em Busca da Realidade Brasileira

Jorge Elias Neto 1,2,Correspondência:, Fernando Luiz Torres Gomes 2
PMCID: PMC11634200  PMID: 39607098

A discussão sobre a fibrilação atrial (FA) deve partir da premissa de que, certamente ao lado de outras condições como a obesidade, e em uma parceria particularmente prejudicial com ela, esse distúrbio do ritmo emergiu como um problema global de saúde pública, justificando uma projeção epidêmica para este século.1

Numerosos estudos demonstraram diferenças na apresentação da FA, incidência de comorbidades e taxas de internação entre homens e mulheres. Portanto é crucial avaliar se existem diferenças de gênero na adesão e na utilização de anticoagulantes orais, bem como nos desfechos baseados nas condições clinicas na alta hospitalar.17

Tomando como base essas considerações, a necessidade de uma publicação abordando essa questão no contexto da população brasileira se tornou evidente, embora com foco em um segmento populacional específico, como discutiremos mais adiante. Entre os diversos contextos para analisar essa disparidade entre os sexos, o setor de emergência (SE) representa um ambiente ideal para identificar possíveis lacunas no atendimento.8

Na edição dos ABC Cardiol, Medei et al. apresentam o primeiro estudo observacional prospectivo multicêntrico brasileiro envolvendo adultos consecutivos com FA sintomática admitidos em SE.9 Como principal achado, esse estudo revela uma disparidade entre os sexos quanto à indicação para terapia anticoagulante (41,8% mulheres vs. 31,3% homens) e o uso inadequado de anticoagulantes (23,5% mulheres vs. 18,2% homens).9 Esse resultado indica que o panorama brasileiro em relação à disparidade na anticoagulação oral entre gêneros reflete os resultados documentadas globalmente.

É imperativo analisar esses resultados à luz do paradoxo bem estabelecido de que mulheres com FA apresentam mais sintomas, pior qualidade de vida, e têm um risco maior de acidente vascular cerebral em comparação com os homens, porém são menos propensas a receber terapia anticoagulante e tratamento de controle de ritmo.4

A subutilização da anticoagulação oral em mulheres pode ser atribuída a múltiplos fatores. Em primeiro lugar, embora o escore CHA2DS2-VASc, incorporado nas diretrizes clínicas, reconheça o perfil de risco globalmente mais alto das mulheres, os clínicos podem aderir a dados de registro mais recentes que indicam que o sexo pode atuar como um modificador de risco em vez de um fator de risco direto, particularmente em escores de risco mais baixos.1 No entanto, análises de subgrupos de maior risco revelam que a subutilização de anticoagulantes em mulheres persiste.3

É essencial reconhecer diferenças significativas entre os sexos na epidemiologia das arritmias cardíacas e nas características eletrofisiológicas do miocárdio.10 Além disso, existem diferenças biológicas relacionadas ao peso corporal, à área de superfície corporal, à distribuição de água total corporal e à compartimentalização da água extracelular e intracelular.7 Essas características podem impactar o metabolismo dos medicamentos.11

Entre as diversas causas que podem explicar essas diferenças biológicas entre os gêneros, se destacam os mecanismos de coagulação que flutuam significativamente durante diferentes estados hormonais femininos em várias fases da vida (ciclo menstrual, gravidez, pós-menopausa), juntamente com fatores como a função endotelial, uso de contraceptivos e terapia de reposição hormonal.7 Por exemplo, o estado de hipercoagulabilidade induzido por um aumento nas citocinas inflamatórias durante o período menopausal merece atenção.7,10

Outras considerações críticas incluem a propensão das mulheres a receber uma "dose mais alta" das medicações em comparação com os homens — provavelmente devido a diferenças no volume de distribuição, uma "fração livre" maior dos medicamentos e variabilidade na depuração dos medicamentos — assim como sua maior sensibilidade aos efeitos dos medicamentos.11

Além disso, as mulheres tendem a usar um maior número de medicamentos do que os homens, aumentando assim o risco de interações medicamentosas.7,11 Também é importante reconhecer que "características de gênero" podem incorporar variáveis externas que atuam como fatores epigenéticos, como ambientes socioculturais, diferenças comportamentais, hábitos nutricionais, exposições ambientais, atitudes de estilo de vida e adesão à terapia.7

Outros pontos estruturais importantes na tomada de decisão compartilhada sobre a terapia anticoagulante incluem a adequada explicação pelo profissional de saúde dos riscos e benefícios do uso de anticoagulantes, concordância de gênero entre pacientes e médicos, e fatores não médicos que afetam os pacientes, como o custo dos medicamentos, disponibilidade nas redes de saúde pública, baixo nível de escolaridade e barreiras logísticas (como exemplo: os pacientes que habitam áreas rurais).3

Além disso, em algumas circunstâncias, as mulheres podem ser percebidas como mais frágeis e com menor massa corporal, levando à prescrição de doses menores dos mesmos medicamentos, o que pode comprometer a eficácia do tratamento.

Dadas as complexidades descritas, se torna compreensível como o subtratamento observado por Medei et al. contribui para um aumento do risco de acidente vascular cerebral e hospitalização entre as pacientes do sexo feminino.9 Além disso, em comparação com os homens, as mulheres com FA recentemente diagnosticada tendem a ser mais idosas, apresentam escores CHA2DS2-VASc mais altos, enfrentam uma carga maior4 de comorbidades e geralmente são tratadas em circunstâncias clínicas mais adversas. Assim, é uma questão clinicamente significativa que o alto risco enfrentado pelas mulheres não seja correspondido por respostas clínicas adequadas para mitigar esse risco aumentado.3

Neste ponto, é essencial mudar nossa discussão para aspectos que muitas vezes são negligenciados, mesmo no presente estudo: a influência das variáveis étnicas, raciais e socioeconômicas nas disparidades observadas no tratamento das pacientes do sexo feminino.

Duas revisões sistemáticas destacaram uma disparidade persistente na prescrição e no tipo de anticoagulante oral usado para FA, particularmente evidente ao se analisarem a raça, a etnia e o status socioeconômico dos pacientes.2,12

Notavelmente, no contexto da população brasileira, esses estudos sinalizam que há uma tendência preocupante de que pacientes negros têm menos probabilidade de receber prescrição de anticoagulantes orais em comparação com pacientes brancos e asiáticos, mesmo quando seus escores de risco de AVC CHA2DS2-VASc são comparáveis. Além disso, se observa uma prevalência clara do uso de varfarina nesse grupo demográfico. Vale mencionar que, mesmo em países socialmente equitativos como a Suécia, o nível de escolaridade influencia na relação entre a utilização de anticoagulantes orais diretos (DOACs) e varfarina.2

Existe um ponto crítico que merece ser sinalizado nesse artigo, que é a falta de consideração das questões étnicas e raciais — fundamentais em uma população diversa como a do Brasil — o que pode levar a resultados tendenciosos. O fato de o estudo ter sido conduzido principalmente em ambientes de saúde privada pode agravar tais vieses em comparação com hospitais públicos. De fato, apenas um Estado no Brasil atualmente fornece DOACs gratuitamente, o que afeta significativamente a utilização adequada da terapia anticoagulante em classes sociais mais desfavorecidas.

Além disso, é importante notar que os pacientes recebem diferentes tipos de anticoagulantes orais, dependendo se são tratados no SE, no ambiente ambulatorial ou durante internações.2 Esse achado reflete variações nos processos de cuidado na medicina de emergência em comparação com o cuidado ambulatorial padrão, sugerindo que pacientes desfavorecidos frequentemente recorrem ao SE devido à instabilidade clínica, indicando barreiras no acesso ao atendimento regular.

Para abordar as disparidades observadas no tratamento da FA, é crucial que futuros estudos clínicos proporcionem representação equitativa entre coortes de pacientes diversos, incorporando categorização apropriada não apenas de gênero, mas também de origens raciais, étnicas e socioeconômicas.

Os resultados de ensaios clínicos fornecem a base de evidências críticas para avaliar a segurança e a eficácia de novos medicamentos e produtos médicos. A eficácia e a segurança podem mudar entre subgrupos populacionais dependendo de diversas variáveis sub-representadas na grande maioria dos estudos realizados até o momento. Não devemos negligenciar o impacto das análises sistemáticas realizadas com base nesses estudos e os significativos vieses e impactos na prática clínica.13

É essencial assumir que tanto o gênero quanto outras variáveis qualitativas influenciam significativamente o acesso dos pacientes ao tratamento da FA, incluindo a prevenção de eventos tromboembólicos por meio da terapia anticoagulante.

Footnotes

Minieditorial referente ao artigo: Falta de Uso de Anticoagulantes em Pacientes com Fibrilação Atrial e Risco Aumentado de Eventos

Tromboembólicos de Acordo com o Sexo: Insights de um Estudo Multicêntrico Brasileiro

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Women and Atrial Fibrillation: Is the Disparity in Anticoagulation Just a Question of Gender? In Search of the Brazilian Reality

Jorge Elias Neto 1,2,Mailing Address:, Fernando Luiz Torres Gomes 2

The discussion of atrial fibrillation (AF) must begin with the premise that certainly, alongside other conditions such as obesity — and in a particularly harmful partnership with it — this rhythm disturbance has emerged as a global public health problem, warranting an epidemic projection for this century.1

Numerous studies have demonstrated differences in AF presentation, comorbidity burden, and admission rates between males and females. Therefore, it is critical to assess whether there are sex differences in adherence to and utilization of oral anticoagulants and outcomes based on hospital discharge status.17

Given these considerations, the necessity for a publication addressing this issue within the context of the Brazilian population has become evident, albeit focusing on a specific segment, as we will discuss later. Among the various contexts for analyzing this disparity between the sexes, the emergency department (ED) represents an optimal setting to identify potential gaps in care.8

In the issue of ABC Cardiol, Medei et al. present the first multicenter prospective observational study involving consecutive adults with symptomatic AF admitted to emergency departments.9 The central finding of this study reveals a disparity between the sexes regarding the indication for anticoagulant therapy (41.8% female vs. 31.3% male) and the inappropriate use of anticoagulants (23.5% female vs. 18.2% male).9 This outcome indicates that the Brazilian landscape pertaining to the disparity in oral anticoagulation between genders mirrors findings documented globally.

It is imperative to analyze these results in light of the well-established paradox that women with AF experience more symptoms, poorer quality of life, and a higher risk of stroke compared to men, yet they are less likely to receive anticoagulant therapy and rhythm control treatment.4

The underutilization of oral anticoagulation in women can be attributed to multiple factors. Firstly, although the CHA2DS2-VASc score, incorporated into clinical guidelines, acknowledges women's overall higher risk profile, clinicians may adhere to more recent registry data indicating that sex may act as a risk modifier rather than a direct risk factor, particularly at lower risk scores.3 Nonetheless, analyses of higher-risk subgroups reveal that the underutilization of anticoagulants in women persists.3

Significant sex differences in the epidemiology of cardiac arrhythmias and the electrophysiological characteristics of the myocardium must be acknowledged.10 Additionally, biological differences concerning body weight, body surface area, total body water distribution, and the compartmentalization of extracellular and intracellular water7 exist. These characteristics can impact drug metabolismo.11

Among the various causes that may account for these biological differences between genders, we emphasize the coagulation mechanisms that significantly fluctuate during different female hormonal states at various life stages (menstrual cycle, pregnancy, postmenopause), alongside factors such as endothelial function, contraceptive use, and hormone replacement therapy.7 For instance, the state of hypercoagulability induced by an increase in inflammatory cytokines during the menopausal period warrants attention.7,10

Other critical considerations include the propensity for women to be disproportionately overdosed compared to men — likely secondary to differences in the volume of distribution, a larger "free fraction" of drugs, and variability in drug clearance — as well as their heightened sensitivity to drug effects.11

Moreover, women tend to take a greater number of medications than men, thereby increasing the risk of drug interactions.7,11 It is also important to recognize that "gender characteristics" can incorporate external variables acting as epigenetic factors, such as sociocultural environments, behavioral differences, nutritional habits, environmental exposures, lifestyle attitudes, and adherence to therapy.7

Further points worth highlighting in shared decision-making frameworks against anticoagulation therapy include adequate clarification of the risks and benefits of anticoagulant use, gender concordance between patients and providers, and non-medical factors affecting patients, such as the cost of medications, availability in public healthcare networks, low education levels, and logistical barriers.3

Additionally, in some circumstances, women may be perceived as more frail and of lower body mass, leading to the prescription of lower doses of the same medications, potentially compromising treatment efficacy.

Given the complexities outlined, it becomes comprehensible how the under-treatment observed by Medei et al. contributes to an increased risk of stroke and hospitalization among female patients.9 Furthermore, in comparison to men, women with newly diagnosed AF tend to be older, present with higher CHA2DS2-VASc scores, experience a greater burden of comorbidity, and are generally treated under worse clinical circumstances.4 It is thus a clinically significant issue that the high risk faced by women is not matched by corresponding clinical responses aimed at mitigating this heightened risk.3

At this juncture, it is essential to pivot our discussion to aspects that are often overlooked, even in this study: the influence of ethnic, racial, and socioeconomic variables on the observed disparities in the treatment of female patients.

Two systematic reviews have highlighted a persistent disparity in the prescription and type of oral anticoagulant used for AF, particularly evident when analyzing the race, ethnicity, and socioeconomic status of patients.2,12

Notably, within the context of the Brazilian population, there is a concerning trend that Black patients are less likely to be prescribed oral anticoagulation compared to White and Asian patients, even when their CHA2DS2-VASc stroke risk scores are comparable. Furthermore, a clear prevalence of warfarin usage is observed in this demographic. It is worth mentioning that even in socially equitable countries like Sweden, education level influences the relationship between the utilization of direct oral anticoagulants (DOACs) and warfarin.2

This article underscores the critical point that failing to account for ethnic and racial considerations — which are fundamental in a diverse population such as Brazil's — can lead to biased results. The fact that the study was primarily conducted in private healthcare settings may further exacerbate such biases in comparison to public hospitals. Indeed, only one state in Brazil currently provides DOACs at no cost, significantly affecting the proper usage of anticoagulant therapy.

Additionally, it is noteworthy that patients receive different types of oral anticoagulants depending on whether they are treated in the ED, the outpatient setting, or during inpatient admissions.2 This finding reflects variations in care processes in emergency medicine as opposed to standard outpatient care, suggesting that underprivileged patients often resort to the ED for clinical instability, indicating barriers to accessing regular care.

To address the observed treatment disparities in AF, future clinical studies must provide equitable representation across diverse patient cohorts, incorporating appropriate categorizations of not only gender but also racial and ethnic backgrounds.

Clinical trial results provide the critical evidence base for evaluating the safety and efficacy of new medicines and medical products. Efficacy and safety may differ among population subgroups depending on several variables under-represented in the vast majority of studies conducted to date. We must not overlook the impact of systematic analyses carried out based on these studies and the significant biases and implications on clinical practice.13

It is essential to assume that both gender and other categorizations significantly influence patients’ access to AF treatment, including the prevention of thromboembolic events through anticoagulant therapy.

Footnotes

Short Editorial related to the article: Lack of Anticoagulant Use in Patients with Atrial Fibrillation and Increased Risk of Thromboembolic Events

According to Sex: Insights from a Multicentric Brazilian Study


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