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. 2025 Aug 6;122(7):e20250248. [Article in Portuguese] doi: 10.36660/abc.20250248
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Preditores de Recorrência de Taquiarritmia Atrial após Ablação por Cateter: Impacto Socioeconômico em Países de Baixa e Média Renda

Marwan Shawki 1,2,Correspondência:, Thalys Sampaio Rodrigues 1,2, Levindo Jose Garcia Quarto 3
PMCID: PMC12695035  PMID: 40862403

Ao Editor,

Lemos com grande interesse o artigo de Ternes et al., recentemente publicado nos Arquivos Brasileiros de Cardiologia, juntamente com seu editorial elucidativo. 1 , 2 Este estudo prospectivo, multicêntrico, do tipo coorte, realizado com pacientes consecutivos em três centros no Brasil, forneceu informações valiosas sobre os preditores de recorrência de arritmia atrial após primeira ablação por cateter. O estudo destacou o contexto clínico em um país de renda média e relatou desfechos semelhantes aos de países de alta renda. No entanto, os resultados devem ser interpretados com cautela, e alguns pontos merecem mais discussão.

Primeiramente, fatores socioeconômicos desempenham um papel importante no acesso dos pacientes à ablação por cateter e influenciam os desfechos gerais. 3 , 4 Está bem documentado que, em comparação a países de alta renda, os pacientes com fibrilação atrial (FA) apresentam piores desfechos em países de baixa e média renda, em termos de mortalidade, anos de vida perdidos e anos de vida ajustados por incapacidade. 5 Um dado interessante é que, mesmo em países de alta renda, parece haver diferença nos desfechos da ablação de FA com base nas faixas de renda. 6 , 7 Acreditamos que os resultados atuais reflitam a prática privada do sul do Brasil, e que as inferências sobre os desfechos de um país de renda média devam ser interpretadas nesse contexto. Um maior esclarecimento sobre os caminhos de encaminhamento para esses centros privados bem como o perfil socioeconômico dos pacientes recrutados deve ser considerado para melhor contextualização dos resultados.

Em segundo lugar, no contexto de um acesso mais amplo dos pacientes, o intervalo entre o diagnóstico de FA e a ablação por cateter é uma variável fundamental que não foi suficientemente descrita. Por exemplo, na Austrália, um país de alta renda, possuir plano de saúde privado resultou em uma chance maior e mais rápida de realizar ablação por cateter em comparação a pacientes usuários do sistema público de saúde. 7 Assim, obter mais informações sobre a condição socioeconômica e o status de saúde dos pacientes incluídos no estudo de Ternes et al., bem como sobre o tempo decorrido entre o diagnóstico da FA e a ablação, forneceria dados adicionais para comparação com países de alta renda. 1

Além disso, os métodos utilizados para detectar a recorrência de taquicardia atrial, como a porcentagem de pacientes que realizaram monitoramento Holter após a ablação por cateter e a duração desse monitoramento, não foram suficientemente detalhados. Esses dados são cruciais para fornecer evidências de uma avaliação mais precisa da carga da taquiarritmia atrial.

Reconhecemos os desafios em oferecer ablação por cateter em tempo hábil para arritmias atriais, especialmente no Brasil, e parabenizamos os autores por este importante estudo. Para destacar tais disparidades, sugerimos que estudos futuros sejam conduzidos com populações do mundo real, provenientes de diferentes regiões do Brasil e com distintos perfis socioeconômicos.

Referências

  • 1.Ternes CMP, Rohde LE, Forno AD, Lewandowski A, Nascimento HG, Odozynski G, et al. The Southern Brazilian Registry of Atrial Fibrillation (SBR-AF Registry): Predictors of Atrial Arrhythmia Recurrence after First-Time Catheter Ablation. Arq Bras Cardiol . 2025;122(1):e20240246. doi: 10.36660/abc.20240246. [DOI] [PMC free article] [PubMed] [Google Scholar]
  • 2.Chokr MO. Southern Brazil Registry of Atrial Fibrillation (SBR-AF): Predictors of Atrial Arrhythmia Recurrence after First Catheter Ablation. Arq Bras Cardiol . 2025;122(1):e20240871. doi: 10.36660/abc.20240871. [DOI] [PMC free article] [PubMed] [Google Scholar]
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  • 6.Vinter N, Calvert P, Kronborg MB, Cosedis-Nielsen J, Gupta D, Ding WY, et al. Social Determinants of Health and Catheter Ablation after an Incident Diagnosis of Atrial Fibrillation: A Danish Nationwide Cohort Study. Eur Heart J Qual Care Clin Outcomes . 2023;9(4):389–396. doi: 10.1093/ehjqcco/qcac038. [DOI] [PubMed] [Google Scholar]
  • 7.Quiroz JC, Brieger D, Jorm LR, Sy RW, Falster MO, Gallego B. An Observational Study of Clinical and Health System Factors Associated with Catheter Ablation and Early Ablation Treatment for Atrial Fibrillation in Australia. Heart Lung Circ . 2022;31(9):1269–1276. doi: 10.1016/j.hlc.2022.04.049. [DOI] [PubMed] [Google Scholar]
Arq Bras Cardiol. 2025 Aug 6;122(7):e20250248.

Carta-resposta

Caique M P Ternes 1,2, Andre d’Avila 1,3

Agradecemos os comentários pertinentes apresentados na Carta ao Editor sobre nosso artigo, "Registro SBR-AF: Preditores de Recorrência de Taquiarritmia Atrial após Primeira Ablação por Cateter na Fibrilação Atrial". 1 Os pontos levantados sobre fatores socioeconômicos, vias de encaminhamento e métodos de monitoramento são valiosos e merecem esclarecimentos adicionais para contextualizar nossos achados.

Nossa coorte de estudo, composta por 1043 pacientes consecutivos, foi, de fato, atendida em três instituições privadas na região Sul do Brasil. Vale destacar que Santa Catarina contribuiu com quase 600 das aproximadamente 6000 ablações de Fibrilação Atrial (FA) realizadas no Brasil em 2024, representando 10% do total nacional, apesar de abrigar apenas 3,8% da população brasileira, com cerca de 8 milhões de habitantes. 2 Isso destaca a significativa contribuição da região aos procedimentos de ablação de FA, provavelmente impulsionada por sua robusta infraestrutura de saúde e indicadores socioeconômicos mais elevados em comparação a outros estados brasileiros. Por exemplo, Santa Catarina possui uma renda per capita mensal de aproximadamente R$ 2.200, significativamente superior à média nacional de R$ 1.625. 2 Além disso, seu Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), de 0,792, está entre os mais altos do Brasil. Esses aspectos socioeconômicos provavelmente facilitam o acesso a cuidados especializados, incluindo ablação por cateter, e podem contribuir para melhores desfechos em saúde.

Reconhecemos que fatores socioeconômicos podem impactar o tratamento e o controle de comorbidades como hipertensão, diabetes e obesidade, as quais são conhecidamente associadas ao aumento do risco de recorrência de FA após ablação. 3 No entanto, nossos achados sugerem que um procedimento de ablação tecnicamente adequado pode mitigar alguns desses riscos. Por exemplo, nosso estudo relatou uma baixa taxa de complicações de 2,1% e taxas de recorrência comparáveis às de países de alta renda (19% para FA paroxística e 30% para FA persistente após o primeiro procedimento), destacando o potencial da assistência intervencionista de alta qualidade para superar certas limitações socioeconômicas.

Concordamos que a ausência de dados detalhados sobre o tempo entre o diagnóstico da FA e a ablação limita nossa capacidade de realizar comparações mais precisas com países de alta renda. Da mesma forma, concordamos que os métodos utilizados para detectar recorrências assintomáticas de FA – como o uso de monitoramento implantável para definir a carga arrítmica, em vez de uma definição binária simplista de recorrência – representa uma limitação importante. Sem um sistema de monitoramento mais robusto, as recorrências assintomáticas podem ser subnotificadas, subestimando potencialmente a real carga das taquiarritmias atriais. Infelizmente, essa é uma limitação relevante do nosso registro prospectivo. Estudos futuros devem incorporar protocolos de monitoramento padronizados de longo prazo para lidar com essa limitação.

Para melhor abordar as disparidades, certamente apoiamos a iniciativa de realização de estudos que abranjam diferentes regiões do Brasil e diversos perfis socioeconômicos. Expandir a pesquisa para outros centros, incluindo o sistema público de saúde e populações sub-representadas, proporcionaria uma compreensão mais abrangente dos desfechos da ablação de FA em todo o país. Agradecemos aos autores pela crítica construtiva e esperamos que nosso estudo sirva de base para futuras pesquisas direcionadas ao acesso amplo e eficaz à assistência no tratamento da FA em países de baixa e média renda

Atenciosamente,

Caique Ternes

Andre d’Avila

Referências

  • 1.Ternes CMP, Rohde LE, Forno AD, Lewandowski A, Nascimento HG, Odozynski G, et al. The Southern Brazilian Registry of Atrial Fibrillation (SBR-AF Registry): Predictors of Atrial Arrhythmia Recurrence after First-Time Catheter Ablation. Arq Bras Cardiol . 2025;122(1):e20240246. doi: 10.36660/abc.20240246. [DOI] [PMC free article] [PubMed] [Google Scholar]
  • 2.Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística . [Internet] Rio de Janeiro: IBGE; 2025. [[cited 2025 Jul 1]]. Available from: https://www.ibge.gov.br . [Google Scholar]
  • 3.Santos IS, Goulart AC, Olmos RD, Thomas GN, Lip GYH, Lotufo PA, et al. Atrial Fibrillation in Low- and Middle-Income Countries: A Narrative Review. Eur Heart J Suppl . 2020;22(Suppl O):O61–O77. doi: 10.1093/eurheartj/suaa181. [DOI] [PMC free article] [PubMed] [Google Scholar]
Arq Bras Cardiol. 2025 Aug 6;122(7):e20250248. [Article in English] doi: 10.36660/abc.20250248i

Predictors of Atrial Arrhythmia Recurrence after Catheter Ablation: Socioeconomic Impact in Low to Middle-Income Countries

Marwan Shawki 1,2,Mailing Address:, Thalys Sampaio Rodrigues 1,2, Levindo Jose Garcia Quarto 3

To the Editor,

We read with great interest the article by Ternes et al., recently published in the Arquivos Brasileiros de Cardiologia, with its accompanying insightful editorial. 1 , 2 This multicentre prospective cohort study of consecutive patients across three centres in Brazil provided valuable insights into the predictors of atrial arrhythmia recurrence following first-time catheter ablation. It highlighted its clinical setting in a middle-income country and reported outcomes similar to those in high-income countries. However, the results must be interpreted cautiously, and some points merit further discussion.

Firstly, socioeconomic factors play an important role in patient accessibility to catheter ablation and affect overall outcomes. 3 , 4 It is well described that, compared to high-income countries, patients with atrial fibrillation (AF) have poorer outcomes in low-middle-income countries in terms of death, years of life lost and disability-adjusted life years. 5 Interestingly, even in high-income countries, there appears to be a difference in AF ablation outcomes based on income brackets. 6 , 7 We believe that current results reflect Southern Brazil's private practice and inferences about the outcomes of a middle-income country should be interpreted in that context. Further clarification of the referral pathways to these private centres and the socioeconomic status of recruited patients should be considered to better contextualise results.

Secondly, in the context of broader patient accessibility, the time from the diagnosis of AF to catheter ablation is a pivotal variable that was not sufficiently described. For instance, in Australia, a high-income country, holding private healthcare insurance resulted in a quicker and higher chance of receiving a catheter ablation than publicly covered patients. 7 Hence, having more insights about the socioeconomic and healthcare status of patients included in the study by Ternes and colleagues, and the subsequent interval from AF diagnosis to catheter ablation, would provide further information regarding benchmarking against high-income countries. 1

Furthermore, the methods employed to detect the recurrence of atrial tachycardia, such as the percentage of patients who received Holter monitoring post-catheter ablation and the duration of monitoring, were not sufficiently detailed. This is crucial for providing evidence of a more accurate assessment of the burden of atrial tachyarrhythmia.

We appreciate the challenges in providing timely catheter ablation for atrial arrhythmias, especially in Brazil, and commend the authors for this important study. To highlight such disparities, we suggest that further studies should be carried out to include real-world populations from various regions across Brazil and with different socioeconomic backgrounds.

Arq Bras Cardiol. 2025 Aug 6;122(7):e20250248.

Reply

Caique M P Ternes 1,2, Andre d’Avila 1,3

We appreciate the thoughtful comments provided in the Letter to the Editor regarding our article, "The Southern Brazilian Registry of Atrial Fibrillation (SBR-AF Registry): Predictors of Atrial Arrhythmia Recurrence after First-Time Catheter Ablation". 1 The points raised about socioeconomic factors, referral pathways, and monitoring methods are valuable and warrant further clarification to contextualize our findings.

Our study cohort of 1,043 consecutive patients was indeed treated across three private institutions in Southern Brazil. Notably, Santa Catarina accounted for nearly 600 of the estimated 6,000 atrial fibrillation (AF) ablations performed in Brazil in 2024, representing 10% of the national total despite comprising only 3.8% of Brazil's population, with approximately 8 million inhabitants. 2 This highlights the region's significant contribution to AF ablation procedures, likely driven by its robust healthcare infrastructure and higher socioeconomic indicators compared to other Brazilian states. For instance, Santa Catarina boasts a per capita income of approximately BRL 2,200 per month, significantly higher than the national average of BRL 1,625. 2 Additionally, its Human Development Index (HDI) of 0.792 is among the highest in Brazil. These socioeconomic aspects likely facilitate better access to specialized care, including catheter ablation, and may contribute to improved health outcomes.

We acknowledge that socioeconomic factors can impact treatment and control of comorbidities such as hypertension, diabetes, and obesity, which are known to increase the risk of AF recurrence after ablation. 3 However, our findings suggest that a technically adequate ablation procedure can mitigate some of these risks. For example, our study reported a low complication rate of 2.1% and recurrence rates comparable to high-income countries (19% for paroxysmal AF and 30% for persistent AF after a first procedure), underscoring the potential of high-quality procedural care to overcome certain socioeconomic limitations.

We agree with that the lack of detailed data on the time from AF diagnosis to ablation limits our ability to fully benchmark against high-income countries. Similarly, we concur that the methods for detecting asymptomatic AF recurrence, such as implantable monitoring to define AF burden rather than a simplistic binary definition of recurrence imposes an important limitation. Without a more robust monitoring system, asymptomatic recurrences may be underreported, potentially underestimating the true burden of atrial tachyarrhythmia. Unfortunately, this is an important limitation of our prospective registry. Future studies should incorporate standardized, long-term monitoring protocols to address this limitation.

To further address disparities, we would certainly support the initiative for studies encompassing diverse regions of Brazil and varying socioeconomic backgrounds. Expanding research to other centers to include public healthcare settings and underrepresented populations would provide a more comprehensive understanding of AF ablation outcomes across Brazil. We thank the authors for their insightful critique and hope our study serves as a foundation for future investigations into equitable access to AF care in low- and middle-income countries.

Sincerely,

Caique Ternes

Andre d’Avila


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