Abstract
Introdução:
A falência intestinal (FI) é uma condição rara, caracterizada pela incapacidade do órgão em manter a digestão e a absorção de nutrientes necessários para a manutenção nutricional do indivíduo. Estima-se que sua prevalência seja em torno de 20 a 80 casos por milhão de adultos e de 14,1 a 56 casos por milhão de crianças. Entre a população com diagnóstico de FI, 10% a 15% serão candidatas ao transplante de intestino delgado (TID) e ao transplante multivisceral (TMV). O TID e o TMV são procedimentos indicados para pacientes com FI irreversível que correm risco de morte por causa de complicações relacionadas à nutrição parenteral total (NPT). Dessa forma, este estudo tem como objetivo avaliar a custo-efetividade e a análise do impacto orçamentário (AIO) do TID ou do TMV comparados à nutrição parenteral total em paciente com FI.
Método:
Elaborou-se uma avaliação econômica de custo-efetividade e uma análise do impacto orçamentário dos dois procedimentos na população estudada na perspectiva do Sistema Único de Saúde (SUS). Foi realizada uma avaliação para estimar a relação de custo-efetividade incremental (RCEI) entre TID em relação à NPT na FI. O desfecho avaliado para medir a efetividade das tecnologias foi a sobrevida do paciente. Foram considerados apenas os custos médicos diretos referentes aos procedimentos, cuidados pré-transplante e pós-transplante, cujos valores foram provenientes do sistema de convênio que a saúde pública brasileira tem, atualmente, com hospitais de referência para realização do procedimento. Na análise de impacto orçamentário, foi considerado um horizonte temporal de cinco anos; e, para a composição do cenário atual, sem a incorporação das novas tecnologias, foi considerada a NPT como opção. Para o cálculo da população elegível para o primeiro ano de análise, foi considerada a prevalência da falência intestinal com indicação de transplantes em casuísticas internacionais, além da disponibilidade de órgãos para transplantes no Brasil. Foram considerados os mesmos custos utilizados na análise de custo-efetividade.
Resultados:
Como resultado, a RCEI foi de R$ 1.201.028,47 por ano acrescido à sobrevida do paciente. Os resultados das análises de sensibilidade probabilística mostraram ampla variação de RCEI, entre R$ 321.934,23 e R$ 7.405.729,85. Em relação a AIO, observou-se que a incorporação do TID para pacientes com FI no SUS resultaria num incremento de custo de R$ 13.254.038,51 no primeiro ano e de R$ 22.539.058,50 no quinto ano.
Conclusão:
O TID e o TMV para FI apresentam uma razão de custo incremental bastante elevada em relação aos comparadores, porém devem ser considerados num cenário de raridade da indicação e do acesso ao procedimento, devendo ser consideradas as imprecisões na avaliação do custo do procedimento. A análise do impacto orçamentário demonstra que ambos os cenários apresentam custos maiores que o cenário atual nos primeiros cinco anos após o transplante. Contudo, dependendo dos valores do procedimento, os custos podem ser semelhantes ou menores em comparação ao cenário atual.
Funding Statement
Financiamento: Ministério da Saúde e Organização Pan-Americana da Saúde/Organização Mundial da Saúde.
Footnotes
ATS aplicada
Estudo com seres humanos/protocolo CEP: Não
Financiamento: Ministério da Saúde e Organização Pan-Americana da Saúde/Organização Mundial da Saúde.
