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. 2025 Dec 18;122(11):e20250189. [Article in Portuguese] doi: 10.36660/abc.20250189
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Projeções de Mortalidade por Doença Isquêmica do Coração, Acidente Vascular Cerebral e Doença Arterial Periférica no Brasil até 2040: Uma Abordagem de Modelagem Bayesiana

Pedro Rafael Vieira de Oliveira Salerno 1, Antoinette Cotton 3, Bruno R Nascimento 4, Zhuo Chen 2,3, Gabriel Tensol Rodrigues Pereira 3, Alexandre A Abizaid 5, Luis Augusto Palma Dallan 2,6, Pedro Rafael Salerno 7, Sadeer Al-Kindi 8, Fanny Petermann-Rocha 9, Salil V Deo 3,10,11
PMCID: PMC12978281  PMID: 41563262

Resumo

Fundamento

As doenças cardiovasculares ateroscleróticas — especialmente a doença isquêmica do coração (DIC), o acidente vascular cerebral (AVC) e a doença arterial periférica (DAP) — são a principal causa de mortalidade cardiovascular no Brasil.

Objetivos

Projetar as tendências de mortalidade por DIC, AVC e DAP no Brasil até 2040.

Métodos

As contagens anuais de óbitos (1990-2021) por DIC, AVC e DAP entre indivíduos de 40 a 79 anos foram obtidas a partir do estudo Carga Global de Doenças (Global Burden of Disease, GBD) de 2021. Utilizaram-se estimativas populacionais de meio de ano tanto para o período observado (1990-2021) quanto para o projetado (2022-2040). Foram calculadas as taxas de mortalidade brutas e padronizadas por idade. Modelos bayesianos idade-período-coorte foram aplicados para projetar as taxas de mortalidade de 2022 a 2040. Foram computadas as variações percentuais relativas e as estimativas anuais de variação percentual (EAVPs). As projeções (por 100.000 habitantes) são apresentadas como medianas com intervalos de incerteza (IIs) de 95%, e as EAVPs incluem intervalos de confiança (ICs) de 95% derivados por bootstrap.

Resultados

Entre 1990 e 2040, estima-se que a população brasileira de 40 a 79 anos aumente em 237,82%. A taxa de mortalidade padronizada por idade para DIC deverá apresentar uma redução de 14,16% [de 118,61 em 2021 para 101,82 em 2040 (II 95%, 0,36-203,27)] (EAVP: -0,83% [IC 95%, -0,84 a -0,83]); e, para AVC, uma redução de 17,36% [de 84,58 para 69,90 (II 95%, 0-152,48)] (EAVP: -1,07% [IC 95%, -1,10 a -1,04]). Em contraste, projeta-se que a mortalidade por DAP aumente em 10,99% [de 1,82 para 2,02 (II 95%, 0-5,03)] (EAVP: 0,45% [IC 95%, 0,30-0,59]). Adicionalmente, as taxas de mortalidade padronizadas por idade, específicas por sexo, mostraram variações consideráveis. Para a DIC, projeta-se uma redução de 25,31% entre homens (EAVP, -1,56% [IC 95%, -1,57 a -1,55]), enquanto entre mulheres deverá haver um aumento de 4,12% (EAVP: 0,14% [IC 95%, 0,13-0,16]). A mortalidade por AVC deverá reduzir em 30,00% entre homens (EAVP, -1,94% [IC 95%: -1,96 a -1,91]) e em 4,52% entre mulheres (EAVP: -0,33% [IC 95%, -0,37 a -0,29]). Em contrapartida, a mortalidade por DAP deverá crescer 14,64% entre homens (EAVP, 0,55% [IC 95%: 0,38-0,71]) e 21,92% entre mulheres (EAVP: 0,91% [IC 95%: 0,78-1,02]).

Conclusão

Embora se preveja redução nas taxas de mortalidade por DIC e AVC, espera-se um aumento na mortalidade por DAP — especialmente entre as mulheres —, o que evidencia a necessidade urgente de intervenções em saúde pública específicas por sexo e por tipo de doença.

Palavras-chave: Isquemia Miocárdica, Acidente Vascular Cerebral, Doença Arterial Periférica, Mortalidade, Brasil


Introdução

As doenças cardiovasculares (DCVs) ateroscleróticas englobam 3 condições principais: doença isquêmica do coração (DIC), acidente vascular cerebral (AVC) e doença arterial periférica (DAP). Em 2013, DIC e AVC juntos foram responsáveis por 247,9 óbitos por 100.000 habitantes em todo o mundo.1 Por muitos anos, ambas têm figurado consistentemente entre as principais causas de mortalidade cardiovascular na maioria dos países. Em 2019, o estudo Carga Global de Doença (Global Burden of Disease, GBD) relatou que 113 milhões de adultos em todo o mundo eram afetados pela DAP, com 42% dos óbitos relacionados ocorrendo em países de baixa e média renda, incluindo o Brasil.2 Segundo o relatório Estatística Cardiovascular – Brasil 2023, as DCVs continuam sendo a principal causa de morte no país.3

Embora a taxa de mortalidade padronizada por idade por DCV tenha diminuído nas últimas décadas no Brasil, a prevalência dessas condições aumentou em 26%.4,5 As taxas de obesidade e dislipidemia permanecem elevadas e, de acordo com o relatório de 2024 da Organização Mundial da Saúde (OMS), o Brasil figura entre os países com maior uso de tabaco. Além disso, estima-se que a mortalidade atribuível ao diabetes no país aumente em 144% nas próximas 2 décadas.4,6

Reconhecendo o impacto negativo das condições cardiovasculares na saúde da população, o Congresso Nacional Brasileiro promulgou, em 1990, a Lei nº 8.080, que instituiu o Sistema Único de Saúde (SUS), sistema público de saúde gratuito e universal. Atualmente, o SUS atende mais de 70% da população brasileira.7 Adicionalmente, o Ministério da Saúde implementou o Programa Saúde da Família em meados da década de 1990, seguido por estratégias de prevenção primária em 2002 e pela adoção de uma política de cobertura de medicamentos genéricos para o tratamento da hipertensão, diabetes e dislipidemia.8 Essas iniciativas contribuíram para melhorias na saúde da população. No entanto, à medida que as políticas públicas evoluem e as opções terapêuticas se expandem, a carga atribuível às DCVs e seus componentes pode se modificar. Assim, compreender a trajetória futura dessas condições é essencial para orientar estratégias nacionais de saúde.

Alguns países, como Estados Unidos, Japão e Reino Unido, já realizaram projeções sobre a saúde cardiovascular.9,10 Nos EUA e no Japão, projeta-se redução na mortalidade por DIC, enquanto a mortalidade por AVC deverá permanecer relativamente estável. No entanto, tais achados não podem ser generalizados para outros contextos, devido às variações na estrutura populacional, nas taxas de fecundidade, nos padrões de envelhecimento e nos fluxos migratórios. Como o Brasil está entre os países mais populosos do mundo, sua contribuição para as estimativas globais é significativa.

Assim, o presente estudo teve como objetivo projetar as taxas de mortalidade por DIC, AVC e DAP entre adultos brasileiros com idade entre 40 e 79 anos até 2040, com base em dados observados de 1990 a 2021.

Métodos

Fonte de dados

Mortalidade por DIC, AVC e DAP

A principal fonte de dados deste estudo foi o estudo GBD 2021.11 O GBD, um consórcio global com mais de 12.000 colaboradores, fornece dados padronizados sobre incapacidade e mortalidade atribuíveis a diversas condições de saúde e fatores de risco em 204 países e territórios.12 A atualização de 2021 oferece acesso público por meio da ferramenta de consulta da Global Health Data Exchange (GHDx) (http://ghdx.healthdata.org/gbd-results-tool).11 Como signatário das Guidelines for Accurate and Transparent Health Estimates Reporting da OMS, o GBD aplica um processamento padronizado de dados para garantir a comparabilidade entre os países.12

Utilizando o GHDx, extraímos as contagens anuais de óbitos atribuídos à DIC, AVC e DAP no Brasil em intervalos etários de 5 anos (40-44, 45-49, 50-54, 55-59, 60-64, 65-69, 70-74 e 75-79 anos), de 1990 a 2021. O GBD 2021 define DIC como um composto de infarto agudo do miocárdio, angina estável crônica, doença arterial coronariana e miocardiopatia isquêmica, e define DAP como índice tornozelo-braquial < 0,9.13 De acordo com o GBD, a fonte original dos dados de mortalidade foi o Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM), um banco de dados nacional de atestados de óbito curado e avaliado quanto à qualidade, gerenciado pelo Ministério da Saúde do Brasil.14 Os dados brutos foram processados utilizando o modelo Cause of Death Ensemble (CODEm), uma estrutura de regressão geoespacial bayesiana desenvolvida pelo Institute for Health Metrics and Evaluation (Seattle, WA).13 Informações adicionais sobre os dados do GBD 2021 utilizados neste estudo estão disponíveis no material suplementar.

Estimativas populacionais

Também obtivemos estimativas populacionais de meio de ano para os mesmos intervalos etários (40-44 a 75-79 anos) no período de 1990 a 2040, a partir do GBD 2021.15,16 Tais estimativas são oriundas do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, responsável pelos censos nacionais no Brasil.15 Os dados foram extraídos para a população geral, bem como desagregados por sexo.

Análise estatística

Inicialmente, calculamos as taxas de mortalidade anuais observadas, brutas e padronizadas por idade (por 100.000 habitantes), para DIC, AVC e DAP entre 1990 e 2021. As taxas padronizadas por idade e os respectivos intervalos de confiança (ICs) 95% foram calculados utilizando a população de meio de ano de 1990 como padrão, com os ICs estimados por meio do método delta.

Em seguida, aplicamos modelos bayesianos idade-período-coorte (IPC) aos dados observados (1990-2021) para projetar as taxas de mortalidade por DIC, AVC e DAP até 2040. Os modelos IPC permitem a modelagem simultânea dos efeitos de idade, período e coorte em uma única equação de regressão e podem acomodar relações não lineares.17 Utilizamos priors do tipo random walk 2 com distribuição log-gama, e modelamos a variável desfecho (eventos de mortalidade) por meio de uma estrutura de regressão linear generalizada com função log-link e distribuição de Poisson.

Embora existam diversas formulações possíveis para os modelos IPC, estudos recentes de simulação demonstraram que os modelos bayesianos IPC oferecem melhor acurácia preditiva.18 As estimativas dos modelos ajustados foram obtidas utilizando a integrated nested Laplace approximation, uma abordagem computacionalmente eficiente, conhecida por produzir estimativas posteriores estáveis e confiáveis sem problemas de convergência, comparáveis às obtidas por simulações de Cadeia de Markov de Monte Carlo.19 Informações detalhadas sobre a especificação dos priors, metodologia de projeção e procedimentos de avaliação dos modelos estão disponíveis no material suplementar.

Os modelos foram ajustados para a população brasileira total e separadamente para homens e mulheres. Para cada grupo, as taxas de mortalidade foram projetadas para todos os intervalos etários de 5 anos definidos, e as taxas padronizadas por idade foram novamente indexadas à população de meio de ano de 1990. As taxas projetadas são apresentadas como medianas com intervalos de incerteza (IIs) de 95%. Também calculamos a variação percentual relativa e a estimativa anual de variação percentual (EAVP) entre o último ano observado (2021) e o último ano projetado (2040). As EAVPs foram estimadas por regressão linear generalizada com função log-link, e os ICs 95% foram obtidos por reamostragem bootstrap.

Todas as análises foram realizadas no R versão 4.3.0 (R Foundation for Statistical Computing, Viena, Áustria). Como o estudo utilizou exclusivamente dados públicos em nível populacional, foi isento de aprovação por Comitê de Ética em Pesquisa com Seres Humanos e não exigiu consentimento informado. Este estudo foi conduzido e reportado em conformidade com as diretrizes Strengthening the Reporting of Observational Studies in Epidemiology.

Envolvimento de pacientes e do público

Pacientes e membros do público não participaram do delineamento, execução, relato ou plano de disseminação desta pesquisa, uma vez que tal participação não foi considerada apropriada ou viável.

Resultados

Em 1990, o Brasil possuía 32.751.825 residentes com idade entre 40 e 79 anos, dos quais 51,7% eram mulheres. Entre 1990 e 2040, projeta-se que esse grupo etário aumente em 237,8%, acompanhado por um envelhecimento populacional substancial (Figura S1). A proporção de adultos com idade entre 75 e 79 anos deverá praticamente dobrar, enquanto a participação de faixas etárias mais jovens (p.ex., 40-44 anos) deverá diminuir.

A taxa de mortalidade padronizada por idade por DIC apresentou uma redução substancial entre 1990 e 2021 (Tabela S1, Figura S2), e essa tendência deverá se manter até 2040 (Tabela 1, Figura 1). Embora se prevejam reduções em todas as faixas etárias, a maior queda é esperada entre indivíduos de 60 a 64 anos (Tabela 1, Figura S3, Figura 2).

Tabela 1. – Taxas de mortalidade projetadas (por 100.000 habitantes) por DIC, AVC e DAP no Brasil, por grupos etários de 5 anos (40-79 anos), para 2021 (observado), 2030 e 2040 (projetado).

    Ano Taxa padronizada por idade Faixa etária (anos)
    40-44 45-49 50-54 55-59 60-64 65-69 70-74 75-79
DIC Observado 2021 118,61 (117,90-119,32) 21,37 (20,68-22,09) 40,30 (39,27-41,36) 70,76 (69,33-72,23) 112,61 (110,70-114,54) 173,32 (170,74-175,94) 249,85 (246,35-253,40) 354,19 (349,37-359,08) 516,39 (509,22-523,65)
Projetado 2030 110,76 (72,36-149,16) 19,88 (13,48-29,54) 37,16 (25,90-53,67) 62,84 (44,09-90,21) 99,91 (70,11-143,41) 155,50 (109,13-223,17) 232,25 (162,99-333,31) 347,29 (243,72-498,40) 506,23 (355,24-726,46)
2040 101,82 (0,36-203,27) 19,04 (6,38-57,74) 35,59 (12,40-103,55) 60,20 (21,46-171,18) 93,99 (33,83-264,76) 141,99 (51,21-399,30) 210,94 (76,06-593,26) 309,77 (111,71-871,19) 453,55 (163,55-1275,56)
Variação percentual relativa   -14,16% -10,90% -11,69% -14,92% -16,53% -18,08% -15,58% -12,54% -12,17%
  EAVP   -0,83 (-0,84a-0,83) -1,58 (-1,73a-1,43) -1,63 (-1,76a-1,5) -1,66 (-1,78a-1,54) -1,69 (-1,79a-1,58) -1,7 (-1,79a-1,6) -1,68 (-1,77a-1,59) -1,69 (-1,81a-1,59) -1,72 (-1,86a-1,6)
AVC Observado 2021 84,58 (83,99-85,18) 15,24 (14,66-15,85) 27,11 (26,27-27,98) 44,48 (43,35-45,65) 67,22 (65,75-68,72) 106,10 (104,09-108,16) 170,44 (167,56-173,38) 280,48 (276,18-284,83) 467,18 (460,37-474,10)
Projetado 2030 78,38 (46,18-110,59) 13,56 (8,62-21,37) 23,28 (15,19-35,71) 37,83 (24,84-57,66) 58,81 (38,63-89,63) 94,08 (61,80-143,37) 155,30 (102,02-236,67) 273,05 (179,36-416,09) 466,67 (306,54-711,13)
2040 69,90 (0-152,48) 12,35 (3,44-44,46) 21,20 (6,13-73,40) 34,45 (10,18-116,68) 52,89 (15,77-177,51) 83,52 (24,96-279,82) 139,11 (41,57-466,15) 240,41 (71,84-805,53) 410,59 (122,69-1375,73)
Variação percentual relativa   -17,36% -18,96% -21,80% -22,55% -21,32% -21,28% -18,38% -14,29% -12,11%
  EAVP   -1,07 (-1,10a-1,04) -2,77 (-3,02a-2,52) -2,75 (-2,97a-2,52) -2,72 (-2,94a-2,51) -2,67 (-2,87a-2,47) -2,57 (-2,75a-2,39) -2,41 (-2,57a-2,26) -2,27 (-2,42a-2,12) -2,11 (-2,28a-1,96)
DAP Observado 2021 1,82 (1,73-1,91) 0,13 (0,09-0,20) 0,27 (0,20-0,38) 0,58 (0,46-0,73) 1,28 (1,09-1,50) 2,38 (2,10-2,71) 4,05 (3,62-4,53) 7,12 (6,46-7,85) 12,08 (11,03-13,24)
Projetado 2030 2.01 (0,91, 3,10) 0,12 (0,06-0,24) 0,26 (0,14-0,48) 0,56 (0,31-0,98) 1,17 (0,64-2,01) 2,34 (1,29-4,00) 4,52 (2,50-7,72) 8,44 (4,68-14,42) 14,92 (8,27-25,49)
2040 2,02 (0-5,03) 0,12 (0,02-0,63) 0,26 (0,05-1,24) 0,55 (0,11-2,51) 1,14 (0,23-5,06) 2,28 (0,47-9,94) 4,41 (0,90-19,10) 8,49 (1,74-36,74) 16,23 (3,33-70,24)
Variação percentual relativa   +10,99% -7,69% -3,70% -5,17% -10,94% -4,20% +8,89% +19,24% +34,35%
  EAVP   0,45 (0,30-0,59) -0,21 (-0,22a-0,21) -0,21 (-0,21a-0,21) -0,21 (-0,21a-0,21) -0,23 (-0,24a-0,23) -0,21 (-0,24a-0,21) 0,07 (-0,08-0,07) 0,70 (0,45-0,70) 1,4 (1,17-1,40)

As taxas padronizadas por idade e específicas por faixa etária são apresentadas como medianas com intervalo de incerteza (II) para as projeções de 2030 e 2040, e como taxas brutas com IC 95% para o ano observado (2021). Também são fornecidas a variação percentual relativa e a EAVP entre 2021 e 2040. DAP: doença arterial periférica; DIC: doença isquêmica do coração; EAVP: estimativa anual de variação percentual; IC: intervalo de confiança.

Figura 1. – Projeções das taxas de mortalidade padronizadas por idade no Brasil até 2040. Os painéis A, B e C apresentam, respectivamente, as taxas de mortalidade padronizadas por idade (por 100.000 habitantes) para DIC, AVC e DAP. As estimativas foram obtidas por meio de modelos bayesianos idade-período-coorte, com base em dados observados de 1990 a 2021. Os pontos pretos representam os valores observados (1990-2021), enquanto os gráficos em leque ilustram as estimativas projetadas para 2022-2040. As áreas sombreadas indicam os intervalos de incerteza: as faixas mais escuras representam o intervalo interquartil (25º ao 75º percentil) e as faixas mais claras representam o II 95% (2,5º ao 97,5º percentil). AVC: acidente vascular cerebral; DAP: doença arterial periférica; DIC: doença isquêmica do coração; II: intervalo de incerteza.

Figura 1

Figura 3. – Variação projetada na mortalidade por DIC, AVC e DAP no Brasil até 2040. Esta figura apresenta a EAVP nas taxas de mortalidade padronizadas por idade (por 100.000 habitantes) para DIC (Painel A), AVC (Painel B) e DAP (Painel C) entre 2021 e 2040. Os resultados são apresentados para a população total, bem como desagregados por sexo (homens e mulheres). AVC: acidente vascular periférico; DAP: doença arterial periférica; DIC: doença isquêmica do coração; EAVP: estimativa anual de variação.

Figura 3

Entre 1990 e 2021, a mortalidade padronizada por idade por DIC caiu tanto em homens quanto em mulheres, embora as taxas tenham se mantido consistentemente mais altas entre os homens (Tabela S1). Entre 2021 e 2040, projeta-se que a taxa padronizada por idade por DIC diminua 25,33% em homens, mas aumente 4,13% em mulheres (Tabela S2, Figura 3 e Figura 4). Conforme mostrado na Figura 4, a diferença na mortalidade por DIC entre homens e mulheres deverá se estreitar ao longo do tempo.

Figura 4. – Projeções das taxas de mortalidade padronizadas por idade em homens e mulheres no Brasil até 2040. Os painéis A, B e C apresentam as taxas de mortalidade padronizadas por idade (por 100.000 habitantes) para doença isquêmica do coração, acidente vascular cerebral e doença arterial periférica, respectivamente, estratificadas por sexo — homens (vermelho) e mulheres (azul). Os pontos representam os dados observados de 1990 a 2021, enquanto as linhas correspondem às projeções para 2022–2040, com base em modelos bayesianos idade-período-coorte. As linhas contínuas indicam as estimativas medianas; as linhas tracejadas representam o intervalo interquartil (25º ao 75º percentil); e as linhas pontilhadas refletem o intervalo de incerteza de 95% (2,5º ao 97,5º percentil).

Figura 4

De forma semelhante, a mortalidade padronizada por idade por AVC também apresentou declínio substancial entre 1990 e 2021 (Tabela S3, Figura S2). Espera-se que essa tendência de queda persista até 2040, com uma redução global de 17,36% no Brasil (Tabela 1, Figura 1). Entre os grupos etários, a maior queda é projetada para indivíduos de 50-54 anos (Tabela 1, Figura S4, Figura 2).

Figura 2. – Variação projetada na mortalidade por DIC, AVC e DAP no Brasil por faixa etária, 2021-2040. Esta figura apresenta a EAVP nas taxas de mortalidade (por 100.000 habitantes) por DIC, AVC e DAP em faixas etárias de 5 anos no Brasil, projetadas para o período de 2021 a 2040. As barras representam as estimativas pontuais, e as linhas de erro indicam os IC 95%. Os valores completos da EAVP por faixa etária e condição estão apresentados na Tabela 2. AVC: acidente vascular cerebral; EAVP: estimativa anual de variação percentual; DAP: doença arterial periférica; DIC: doença isquêmica do coração; IC: intervalo de confiança.

Figura 2

De 1990 a 2021, as taxas de mortalidade por AVC diminuíram em ambos os sexos (Tabela S3). Entre 2021 e 2040, novas reduções são projetadas; no entanto, a queda será significativamente maior entre os homens (30,02%) em comparação às mulheres (4,51%) (Tabela S4, Figura 3 e Figura 4). Como ilustrado na Figura 4, a diferença entre os sexos na mortalidade por AVC também deverá se reduzir ao longo do tempo.

Com relação à DAP, a taxa de mortalidade padronizada por idade apresentou declínio inicial entre 1990 e 2015, seguido por um aumento acentuado até 2021 (Tabela S5, Figura S2). Entre 2021 e 2040, projeta-se que a mortalidade por DAP no Brasil aumente 10,99% (Tabela 1, Figura 1). Notadamente, as tendências projetadas variam substancialmente por faixa etária. Enquanto se espera uma redução de 7,69% no grupo de 40–44 anos, a mortalidade deverá aumentar 34,35% entre os indivíduos de 75 a 79 anos (Tabela 1, Figura S5, Figura 2).

A tendência de queda inicial seguida por aumento acentuado na mortalidade por DAP foi observada tanto em homens quanto em mulheres. Ao longo de todo o período observado, os homens apresentaram taxas consistentemente mais elevadas de mortalidade por DAP (Tabela S5). Entre 2021 e 2040, projeta-se que a mortalidade padronizada por idade por DAP aumente 14,61% em homens e 21,99% em mulheres (Tabela S6, Figura 3 e Figura 4).

A Figura Central fornece um resumo gráfico dos principais achados do estudo e da abordagem metodológica empregada.

Figura Central: Projeções de Mortalidade por Doença Isquêmica do Coração, Acidente Vascular Cerebral e Doença Arterial Periférica no Brasil até 2040: Uma Abordagem de Modelagem Bayesiana.

Figura Central:

Taxas de mortalidade padronizadas por idade projetadas (por 100.000 habitantes) para AVC, DIC e DAP no Brasil. As projeções foram derivadas por meio de modelagem bayesiana, com base em dados observados de mortalidade de 1990 a 2021 e em estimativas populacionais de meio de ano para o período de 2022 a 2040. Os valores para 2021 e 2040 são apresentados, juntamente com seus respectivos II 95%. Os resultados indicam reduções projetadas nas taxas de mortalidade por AVC e DIC de 17,36% e 14,16%, respectivamente, enquanto se espera um aumento de 10,99% na mortalidade por DAP. As taxas específicas de mortalidade para 2021 e 2040 estão apresentadas abaixo de cada condição. AVC: acidente vascular cerebral; BAPC: modelo bayesiano idade-período-coorte; GBD: Global Burden of Disease; DAP: doença arterial periférica; DIC: doença isquêmica do coração; II: intervalo de incerteza.

Discussão

Examinamos a carga observada de mortalidade por DIC, AVC e DAP entre adultos brasileiros de 1990 a 2021 e ajustamos modelos para projetar estimativas futuras até 2040. Nossos achados indicam que as taxas de mortalidade padronizadas por idade para DIC e AVC vêm diminuindo de forma contínua nas últimas 3 décadas, com projeções que apontam para a manutenção dessa tendência. Em contraste, espera-se que a mortalidade por DAP aumente entre 2021 e 2040, com um crescimento desproporcionalmente maior entre as mulheres.

A redução observada na mortalidade por DIC e AVC desde 1990 está em consonância com achados prévios relatados por Bastos et al., que observaram tendências semelhantes, mas destacaram que as melhorias foram atenuadas em regiões socioeconomicamente vulneráveis, especialmente nas regiões Norte e Nordeste do Brasil.20 A Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC) também relatou reduções contínuas na mortalidade por DIC e AVC, apesar do impacto adverso da COVID-19 nos desfechos cardiovasculares.3,21 Projeções comparáveis foram publicadas para países como Estados Unidos, Reino Unido e Japão.9,10,22 Em conjunto com nossos achados, esse corpo de evidências é encorajador, pois sugere que a mortalidade por DIC e AVC pode continuar a declinar, mesmo diante do expressivo envelhecimento populacional.

No entanto, nosso estudo também revelou que a queda projetada na mortalidade por AVC será consideravelmente menor entre os idosos. Um estudo anterior com dados dos EUA relatou reduções mínimas na mortalidade por AVC entre indivíduos com 65-74, 75-84 e 85 anos ou mais, de ambos os sexos.9 Esses achados ressaltam a necessidade de estratégias específicas de prevenção e cuidados com o AVC nas populações idosas. É importante destacar que DIC e AVC compartilham diversos fatores de risco modificáveis. Uma meta-análise recente envolvendo 50.000 pacientes mostrou que aproximadamente um terço dos pacientes com AVC agudo também apresenta DIC e possui risco aumentado de infarto do miocárdio dentro de 1 ano após o AVC.23

No Brasil, o cuidado agudo do AVC é dificultado por populações rurais extensas e pela distribuição desigual dos recursos de saúde. Embora unidades dedicadas ao atendimento do AVC e programas de fibrinólise tenham sido implementados em diversos centros metropolitanos, o acesso permanece limitado em regiões rurais e desassistidas.24 Embora as políticas públicas de saúde existentes tenham contribuído para a melhora da mortalidade por DIC e AVC, esforços adicionais são necessários para consolidar esses avanços — especialmente diante do rápido envelhecimento da população brasileira.

Nosso estudo também destaca 2 aspectos particularmente preocupantes: (i) a crescente carga de mortalidade por DAP no Brasil e (ii) diferenças significativas entre os sexos nas taxas projetadas de mortalidade por DIC, AVC e DAP. Segundo o GBD, a carga global de DAP aumentou 72% entre 1990 e 2019.25 Projeções do Institute for Health Metrics and Evaluation — responsável pelo GBD — indicam que os países de baixa e média renda deverão arcar com uma parcela desproporcionalmente maior dessa carga.2 A DAP avançada está associada a elevadas taxas de amputação de membros inferiores, baixa qualidade de vida, morbidade substancial e mortalidade elevada em 5 a 10 anos.27,28 Esses desfechos ressaltam a urgência de implementação de políticas públicas voltadas para a detecção precoce e o manejo adequado da DAP.

A segunda questão-chave identificada refere-se à acentuada disparidade nos desfechos cardiovasculares entre os sexos. Um estudo realizado na Espanha observou que, em comparação aos homens, as mulheres apresentaram maiores atrasos no diagnóstico e tratamento do infarto agudo do miocárdio.28 No contexto da DAP, os desfechos da cirurgia vascular também são piores para as mulheres, que têm maior probabilidade de se apresentar com isquemia aguda de membros.26,29 Segundo o relatório de 2023 do Ministério da Saúde do Brasil e da SBC, as taxas de obesidade são mais elevadas entre mulheres do que entre homens, e as mulheres têm 44% mais probabilidade de apresentar dislipidemia.3 A maior prevalência e mortalidade por DAP entre mulheres pode também refletir a presença de aterosclerose não diagnosticada ou não tratada, condição sabidamente mais prevalente entre mulheres. Em conjunto, esses achados reforçam a necessidade urgente de iniciativas de saúde direcionadas à redução das disparidades de sexo nos desfechos cardiovasculares.

Em 2011, o Ministério da Saúde do Brasil lançou um plano estratégico de 10 anos para redução das taxas de doenças crônicas não transmissíveis. Desde então, o país obteve conquistas importantes, incluindo uma redução de 30% na prevalência de tabagismo e um aumento de 10% na prática de atividade física entre adultos.30 Esses avanços são expressivos, considerando que aproximadamente 70% da carga total de DCVs é atribuível a fatores de risco modificáveis.2 No entanto, como observado em muitos outros países, o Brasil continua enfrentando aumento nas taxas de obesidade em adultos, bem como maior prevalência de hipertensão, diabetes e dislipidemia.30

Em resposta, o governo brasileiro — em parceria com a SBC e outras sociedades médicas — apresentou, em 2023, um novo plano nacional de enfrentamento das DCVs, atualmente em análise pelo Senado.31 Essa proposta legislativa busca enfrentar os desafios atuais por meio da implementação de intervenções direcionadas e da criação de um fundo federal dedicado ao combate das DCV. A alocação proposta para esse fundo inclui: 30% para pesquisa relacionada às DCV; 15% para campanhas públicas de conscientização sobre fatores de risco cardiovasculares; 30% para capacitação de profissionais de saúde, com ênfase na atenção primária; e 15% para programas voltados à redução do tabagismo, do consumo de álcool e de outros fatores de risco modificáveis. Além disso, 10% do fundo seriam administrados pelo Conselho Federal de Medicina para apoiar a formação especializada em cuidados cardiovasculares. Tais iniciativas podem contribuir para reverter as tendências recentes de subfinanciamento do sistema público de saúde no Brasil.32

Melhorar a adesão ao tratamento medicamentoso e ampliar o acesso aos cuidados — especialmente por meio da formação e distribuição geográfica de profissionais de saúde capacitados em cardiologia preventiva — também são estratégias fundamentais para enfrentar de forma eficaz a carga nacional de DCV.5,33,34

Além dos fatores de risco cardiovasculares tradicionais, é essencial reconhecer o papel das exposições ambientais, como a poluição do ar por partículas finas, que foi associada causalmente às DCV. De forma encorajadora, dados recentes mostram que a mortalidade atribuível à poluição do ar no Brasil diminuiu entre 2010 e 2019.35 Contudo, o mesmo estudo relatou que os níveis de poluição em determinadas regiões permaneceram múltiplas vezes acima dos limites recomendados pela OMS.35 Assim, os futuros esforços em políticas públicas devem não apenas manter o foco nos fatores de risco convencionais para DCV, mas também se expandir para contemplar os determinantes ambientais da saúde cardiovascular.

Por fim, conforme amplamente discutido na comunidade cardiológica, o desenvolvimento de diretrizes de cardiologia preventiva especificamente voltadas às mulheres constitui um passo crucial para reduzir as disparidades de sexo identificadas em nosso estudo.36-39

Pontos fortes e limitações

Este estudo apresenta várias limitações que devem ser reconhecidas. Tanto as taxas de eventos quanto as estimativas populacionais de meio de ano foram obtidas a partir do conjunto de dados do GBD 2021. Embora esses dados tenham como fonte primeira o SIM, o GBD aplica seus próprios procedimentos de modelagem. Como resultado, nossos achados podem divergir de estudos que extraem diretamente os dados da fonte original.40,41 Ainda assim, por harmonizar os dados entre países, o GBD permite que nossos resultados sejam mais facilmente comparáveis a estudos internacionais.

Embora o SIM realize rotineiramente verificações de qualidade para garantir a precisão dos dados, os atestados de óbito permanecem como principal fonte de informação sobre mortalidade. A acurácia desses registros pode variar, especialmente em regiões rurais com recursos limitados. No entanto, a metodologia do GBD é especificamente desenvolvida para lidar com questões de completude e classificação incorreta dos dados.

Nosso estudo não considera fatores de risco em nível individual ou populacional. Tendências futuras na mortalidade por DIC, AVC e DAP podem ser significativamente influenciadas por alterações nesses fatores. Embora estratégias mais agressivas de mitigação possam reduzir as taxas de eventos no futuro, as tendências atuais — como o aumento da prevalência de obesidade, diabetes e tabagismo — podem potencialmente resultar em mortalidade ainda mais elevada do que a projetada.

Utilizamos modelos bayesianos IPC para projetar estimativas futuras de mortalidade. Como toda abordagem de modelagem, esses modelos requerem certas premissas. Embora não se possa descartar a possibilidade de especificação inadequada, apresentamos II 95% para contemplar tais limitações. Ademais, os desfechos em saúde pública são influenciados por uma ampla gama de fatores — incluindo mudanças políticas, culturais, migratórias e ambientais — muitos dos quais não podem ser totalmente capturados pelos modelos matemáticos utilizados neste estudo.

Conclusão

Com base nos dados observados de 1990 a 2021, projeta-se que a mortalidade padronizada por idade por DIC e AVC no Brasil continue em declínio até 2040. Em contraste, espera-se que a mortalidade padronizada por idade atribuível à DAP aumente substancialmente ao longo do mesmo período. Enquanto as reduções projetadas na mortalidade por DIC e AVC serão mais acentuadas entre os homens, o aumento na mortalidade por DAP deverá ser consideravelmente maior entre as mulheres. Esses achados ressaltam a necessidade urgente de intervenções sustentadas e direcionadas em saúde pública, com o objetivo de reduzir disparidades cardiovasculares, ampliar a conscientização e melhorar o acesso equitativo a cuidados embasados em evidências em todo o Brasil.

*Material suplementar

Para informação adicional, por favor, clique aqui.https://abccardiol.org/supplementary-material/2025/12212/2025-0189_final_supplemental_section.pdf

Funding Statement

Fontes de financiamento:O presente estudo não teve fontes de financiamento externas.

Footnotes

Vinculação acadêmica: Não há vinculação deste estudo a programas de pós-graduação.

Aprovação ética e consentimento informado: Este artigo não contém estudos com humanos ou animais realizados por nenhum dos autores.

Uso de Inteligência Artificial: Os autores não utilizaram ferramentas de inteligência artificial no desenvolvimento deste trabalho.

Disponibilidade de Dados: Os conteúdos estão disponíveis no portal do GBD 2021 que pode ser acessado em: https://vizhub.healthdata.org/gbd-results/. Pesquisadores podem se registrar e baixar os dados gratuitamente por meio dessa plataforma. Todos os dados utilizados neste estudo — incluindo contagens de mortalidade e estimativas populacionais de meio de ano —, bem como os scripts em R usados na análise, foram depositados em um repositório público no GitHub: https://github.com/svd09/Brazil_CVD. Alternativamente, leitores interessados podem solicitar um arquivo compactado com todo o material entrando em contato com o autor correspondente.

Fontes de financiamento: O presente estudo não teve fontes de financiamento externas.

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Forecasting Ischemic Heart Disease, Stroke, and Peripheral Artery Disease Mortality in Brazil Through 2040: A Bayesian Modeling Approach

Pedro Rafael Vieira de Oliveira Salerno 1, Antoinette Cotton 3, Bruno R Nascimento 4, Zhuo Chen 2,3, Gabriel Tensol Rodrigues Pereira 3, Alexandre A Abizaid 5, Luis Augusto Palma Dallan 2,6, Pedro Rafael Salerno 7, Sadeer Al-Kindi 8, Fanny Petermann-Rocha 9, Salil V Deo 3,10,11

Abstract

Background

Atherosclerotic cardiovascular disease — particularly ischemic heart disease (IHD), stroke, and peripheral artery disease (PAD) — is the leading cause of cardiovascular mortality in Brazil.

Objectives

This study aimed to project mortality trends for IHD, stroke, and PAD in Brazil through 2040.

Methods

Annual death counts (1990-2021) for IHD, stroke, and PAD among individuals aged 40-79 years were obtained from the Global Burden of Disease (GBD) 2021 study. Mid-year population estimates for both observed (1990-2021) and projected (2022-2040) periods were used. Crude and age-standardized mortality rates were calculated. Bayesian age-period-cohort models were applied to project mortality rates from 2022 to 2040. Relative percentage changes and estimated annual percentage changes (EAPCs) were computed. Projections (per 100,000 population) are reported as medians with 95% uncertainty intervals (UIs), and EAPCs include bootstrap-derived confidence intervals (CIs).

Results

Between 1990 and 2040, Brazil’s population aged 40-79 years is projected to grow by 237.82%. The age-standardized mortality rate for IHD is expected to decline by 14.16% [from 118.61 in 2021 to 101.82 in 2040 (95% UI, 0.36-203.27)] (EAPC: -0.83% [95% CI, -0.84 to -0.83]); and for stroke by 17.36% [from 84.58 to 69.90 (95% UI, 0-152.48)] (EAPC: -1.07% [95% CI, -1.10 to -1.04]). In contrast, PAD mortality is projected to increase by 10.99% [from 1.82 to 2.02 (95% UI, 0-5.03)] (EAPC: 0.45% [95% CI, 0.30-0.59]). Additionally, sex-specific age-standardized mortality rates showed considerable variation. For IHD, rates are projected to decline by 25.31% among men (EAPC: -1.56% [95% CI, -1.57 to -1.55]), while increasing by 4.12% among women (EAPC: 0.14% [95% CI, 0.13-0.16]). Stroke mortality is expected to decrease by 30.00% in men (EAPC: -1.94% [95% CI, -1.96 to -1.91]) and by 4.52% in women (EAPC: -0.33% [95% CI, -0.37 to -0.29]). In contrast, PAD mortality is projected to rise by 14.64% in men (EAPC: 0.55% [95% CI, 0.38 to 0.71]) and by 21.92% in women (EAPC: 0.91% [95% CI, 0.78-1.02]).

Conclusion

While mortality rates for IHD and stroke are projected to decline, PAD mortality is expected to rise — particularly among women — highlighting the urgent need for sex-specific and disease-specific public health interventions.

Keywords: Myocardial Ischemia, Stroke, Peripheral Arterial Disease, Mortality, Brazil


Introduction

Atherosclerotic cardiovascular disease (CVD) encompasses 3 major conditions: ischemic heart disease (IHD), stroke, and peripheral artery disease (PAD). In 2013, IHD and stroke together accounted for 247.9 deaths per 100,000 population worldwide.1 For many years, both have consistently ranked among the leading causes of cardiovascular mortality across most nations. In 2019, the Global Burden of Disease (GBD) study reported that 113 million adults globally were affected by PAD, with 42% of related deaths occurring in low- and middle-income countries, including Brazil.2 According to the Cardiovascular Statistics – Brazil 2023, CVD remains the leading cause of death in the country.3

Although the age-standardized mortality rate from CVD has declined over the past decades in Brazil, the prevalence of these conditions has increased by 26%.4,5 Rates of obesity and dyslipidemia remain high, and according to the 2024 report by the World Health Organization (WHO), Brazil is among the top-ranking countries in tobacco use. Moreover, mortality attributable to diabetes in the country is projected to rise by 144% over the next 2 decades.4,6

Recognizing the detrimental impact of cardiovascular conditions on national health, the Brazilian Congress enacted Law No. 8,080 in 1990, establishing the Brazilian Unified Health System (SUS), a free and universal public health care system. Currently, the SUS serves more than 70% of the Brazilian population.7 In addition, the Ministry of Health introduced the Family Health Program in the mid-1990s, followed by primary prevention strategies in 2002 and the implementation of a generic drug coverage policy for the treatment of hypertension, diabetes, and dyslipidemia.8 These initiatives have contributed to improvements in population health. However, as public policies evolve and therapeutic options advance, the attributable burden of CVD and its components may shift. Therefore, understanding the future trajectory of these conditions is critical to guiding national health strategies.

Some countries, such as the United States, Japan, and the United Kingdom, have already undertaken projections of future cardiovascular health.9,10 In the U.S. and Japan, IHD mortality is expected to decline, while stroke-related mortality is projected to remain relatively stable. However, such findings cannot be generalized to other contexts due to variations in population structure, fertility rates, aging patterns, and migration flows. Since Brazil is among the most populous countries globally, its contribution to global estimates is substantial.

Therefore, the present study aimed to project mortality rates for IHD, stroke, and PAD among Brazilian adults aged 40-79 years through 2040, based on observed data from 1990 to 2021.

Methods

Data source

IHD, stroke, and PAD mortality

The primary data source for this study was the GBD 2021 study.11 The GBD, a global consortium of over 12,000 collaborators, provides harmonized data on disability and mortality attributable to various health conditions and risk factors across 204 countries and territories.12 The 2021 update offers public access through the Global Health Data Exchange (GHDx) query tool (http://ghdx.healthdata.org/gbd-results-tool).11 As a signatory of the WHO Guidelines for Accurate and Transparent Health Estimates Reporting, GBD applies standardized data processing to ensure comparability across countries.12

By using GHDx, we extracted annual death counts attributed to IHD, stroke, and PAD in Brazil across 5-year age intervals (40-44, 45-49, 50-54, 55-59, 60-64, 65-69, 70-74, and 75-79 years) from 1990 to 2021. The GBD 2021 defines IHD as a composite of acute myocardial infarction, chronic stable angina, coronary artery disease, and ischemic cardiomyopathy, and PAD as an ankle-brachial index < 0.9.13 According to the GBD, the original source of mortality data was the Mortality Information System (SIM), a curated and quality-assessed national death certificate database managed by the Brazilian Ministry of Health.14 Raw data were processed using the Cause of Death Ensemble model (CODEm), a Bayesian geospatial regression framework developed by the Institute for Health Metrics and Evaluation (Seattle, WA).13 Additional details on the GBD 2021 data specific to our study are provided in the supplemental material.

Population estimates

We also obtained mid-year population estimates for the same age intervals (40-44 to 75-79 years) for the period 1990 to 2040 from the GBD 2021.15,16 The original source of this estimates was the Brazilian Institute of Geography and Statistics, which conducts national censuses in Brazil.15 Data were extracted for the overall population, as well as disaggregated by sex.

Statistical analysis

We first calculated observed annual crude and age-standardized mortality rates (per 100,000 population) for IHD, stroke, and PAD from 1990 to 2021. Age-standardized rates and corresponding 95% confidence intervals (CIs) were computed using the 1990 mid-year population as the standard, with CIs estimated via the delta method.

We then applied Bayesian age-period-cohort (APC) models to the observed data (1990-2021) to project mortality rates for IHD, stroke, and PAD through 2040. APC models allow for simultaneous modeling of age, period, and cohort effects using a single regression equation and can accommodate non-linear relationships.17 We used random walk 2 priors with a log-gamma distribution, and modeled the outcome variable (mortality events) using a generalized linear regression framework with a log-link and a Poisson distribution.

Although multiple APC model formulations exist, recent simulation studies have shown that Bayesian APC models offer superior forecasting accuracy.18 Estimates from the fitted models were obtained using the integrated nested Laplace approximation, a computationally efficient approach known to produce stable and reliable posterior estimates without convergence issues, comparable to those derived from Markov Chain Monte Carlo simulations.19 Detailed information on prior specifications, projection methodology, and model assessment procedures is provided in the supplemental material.

Models were fitted for the total Brazilian population and separately for men and women. For each group, mortality rates were projected for all defined 5-year age intervals, and age-standardized rates were again indexed to the 1990 mid-year population. Projected rates are reported as medians with 95% uncertainty intervals (UIs). We also calculated the relative percentage change and the estimated annual percentage change (EAPC) between the final observed year (2021) and the final projected year (2040). EAPCs were computed using generalized linear regression with a log-link function, and 95% CIs were derived using bootstrap resampling.

All analyses were conducted in R version 4.3.0 (R Foundation for Statistical Computing, Vienna, Austria). As the study relied solely on publicly available, population-level data, it was exempt from Human Research Ethics Committee approval and did not require informed consent. This study was conducted and reported in accordance with the Strengthening the Reporting of Observational Studies in Epidemiology guidelines.

Patient and public involvement

Patients and members of the public were not involved in the design, conduct, reporting, or dissemination plans of this research, as such involvement was not deemed appropriate or feasible.

Results

In 1990, Brazil had 32,751,825 residents aged 40-79 years, of whom 51.7% were women. Between 1990 and 2040, this age group is projected to grow by 237.8%, accompanied by substantial population aging (Figure S1). The proportion of adults aged 75-79 years is expected to nearly double, while the share of younger age groups (e.g., 40-44 years) will decline.

The age-standardized IHD mortality rate declined substantially from 1990 to 2021 (Table S1, Figure S2), and this trend is projected to continue through 2040 (Table 1, Figure 1). Although reductions are expected across all age brackets, the greatest decrease is anticipated in individuals aged 60-64 years (Table 1, Figure S3, Figure 2).

Table 1. – Projected mortality rates (per 100,000 population) for IHD, stroke, and PAD in Brazil, by 5-year age groups (40-79 years), for 2021 (observed), 2030, and 2040 (projected).

    Year Age- standardized rate Age groups (years)
    40-44 45-49 50-54 55-59 60-64 65-69 70-74 75-79
IHD Observed data 2021 118.61 (117.90-119.32) 21.37 (20.68-22.09) 40.30 (39.27-41.36) 70.76 (69.33-72.23) 112.61 (110.70-114.54) 173.32 (170.74-175.94) 249.85 (246.35-253.40) 354.19 (349.37-359.08) 516.39 (509.22-523.65)
Projected results 2030 110.76 (72.36-149.16) 19.88 (13.48-29.54) 37.16 (25.90-53.67) 62.84 (44.09-90.21) 99.91 (70.11-143.41) 155.50 (109.13-223.17) 232.25 (162.99-333.31) 347.29 (243.72-498.40) 506.23 (355.24-726.46)
2040 101.82 (0.36-203.27) 19.04 (6.38-57.74) 35.59 (12.40-103.55) 60.20 (21.46-171.18) 93.99 (33.83-264.76) 141.99 (51.21-399.30) 210.94 (76.06-593.26) 309.77 (111.71-871.19) 453.55 (163.55-1275.56)
Relative percent change   -14.16% -10.90% -11.69% -14.92% -16.53% -18.08% -15.58% -12.54% -12.17%
  EAPC   -0.83 (-0.84a-0.83) -1.58 (-1.73a-1.43) -1.63 (-1.76a-1.5) -1.66 (-1.78a-1.54) -1.69 (-1.79a-1.58) -1.7 (-1.79a-1.6) -1.68 (-1.77a-1.59) -1.69 (-1.81a-1.59) -1.72 (-1.86a-1.6)
Stroke Observed data 2021 84.58 (83.99-85.18) 15.24 (14.66-15.85) 27.11 (26.27-27.98) 44.48 (43.35-45.65) 67.22 (65.75-68.72) 106.10 (104.09-108.16) 170.44 (167.56-173.38) 280.48 (276.18-284.83) 467.18 (460.37-474.10)
Projected results 2030 78.38 (46.18-110.59) 13.56 (8.62-21.37) 23.28 (15.19-35.71) 37.83 (24.84-57.66) 58.81 (38.63-89.63) 94.08 (61.80-143.37) 155.30 (102.02-236.67) 273.05 (179.36-416.09) 466.67 (306.54-711.13)
2040 69.90 (0-152.48) 12.35 (3.44-44.46) 21.20 (6.13-73.40) 34.45 (10.18-116.68) 52.89 (15.77-177.51) 83.52 (24.96-279.82) 139.11 (41.57-466.15) 240.41 (71.84-805.53) 410.59 (122.69-1375.73)
Relative percent change   -17.36% -18.96% -21.80% -22.55% -21.32% -21.28% -18.38% -14.29% -12.11%
  EAPC   -1.07 (-1.10a-1.04) -2.77 (-3.02a-2.52) -2.75 (-2.97a-2.52) -2.72 (-2.94a-2.51) -2.67 (-2.87a-2.47) -2.57 (-2.75a-2.39) -2.41 (-2.57a-2.26) -2.27 (-2.42a-2.12) -2.11 (-2.28a-1.96)
PAD Observed data 2021 1.82 (1.73-1.91) 0.13 (0.09-0.20) 0.27 (0.20-0.38) 0.58 (0.46-0.73) 1.28 (1.09-1.50) 2.38 (2.10-2.71) 4.05 (3.62-4.53) 7.12 (6.46-7.85) 12.08 (11.03-13.24)
Projected results 2030 2.01 (0.91, 3.10) 0.12 (0.06-0.24) 0.26 (0.14-0.48) 0.56 (0.31-0.98) 1.17 (0.64-2.01) 2.34 (1.29-4.00) 4.52 (2.50-7.72) 8.44 (4.68-14.42) 14.92 (8.27-25.49)
2040 2.02 (0-5.03) 0.12 (0.02-0.63) 0.26 (0.05-1.24) 0.55 (0.11-2.51) 1.14 (0.23-5.06) 2.28 (0.47-9.94) 4.41 (0.90-19.10) 8.49 (1.74-36.74) 16.23 (3.33-70.24)
Relative percent change   +10.99% -7.69% -3.70% -5.17% -10.94% -4.20% +8.89% +19.24% +34.35%
  EAPC   0.45 (0.30-0.59) -0.21 (-0.22a-0.21) -0.21 (-0.21a-0.21) -0.21 (-0.21a-0.21) -0.23 (-0.24a-0.23) -0.21 (-0.24a-0.21) 0.07 (-0.08-0.07) 0.70 (0.45-0.70) 1.4 (1.17-1.40)

Age-standardized and age-specific rates are presented as medians with 95% uncertainty interval for 2030 and 2040 projections, and as crude rates with 95% CIs for the observed year (2021). Relative percentage change and EAPC between 2021 and 2040 are also provided. CI: confidence interval; EAPC: estimated annual percent change; IHD: ischemic heart disease; PAD: peripheral artery disease.

Figure 1. – Projected age-standardized mortality rates in Brazil through 2040. Panels A, B, and C depict age-standardized mortality rates (per 100,000 population) for IHD, stroke, and PAD, respectively. Estimates were obtained using Bayesian age-period-cohort models based on observed data from 1990 to 2021. Black dots represent observed values (1990-2021), while the fan plots illustrate projected estimates for 2022-2040. Shaded regions indicate uncertainty intervals: the darker bands represent the interquartile range (25th to 75th percentile), and the lighter bands represent the 95% UI (2.5th to 97.5th percentile). IHD: ischemic heart disease; PAD: peripheral artery disease; UI: uncertainty interval.

Figure 1

Figure 2. – Projected change in IHD, stroke, and PAD mortality in Brazil by age group, 2021-2040. This figure shows the EAPC in mortality rates (per 100,000 population) for IHD, stroke, and PAD across 5-year age brackets in Brazil, projected from 2021 to 2040. Bars represent point estimates, and error bars indicate 95% CIs. Full EAPC values by age group and condition are presented in Table 2.

Figure 2

EAPC: estimated annual percentage change; IHD: ischemic heart disease; PAD: peripheral artery disease.

Between 1990 and 2021, age-standardized IHD mortality declined for both men and women, although rates consistently remained higher in men (Table S1). Between 2021 and 2040, the age-standardized IHD mortality rate is projected to decrease by 25.33% in men but increase by 4.13% in women (Table S2, Figure 3, and Figure 4). As shown in Figure 4, the gap in IHD mortality between men and women is expected to narrow over time.

Figure 3. – Projected change in ischemic heart disease (IHD), stroke, and peripheral artery disease (PAD) mortality in Brazil through 2040. This figure presents the estimated annual percentage change (EAPC) in age-standardized mortality rates (per 100,000 population) for IHD (Panel A), stroke (Panel B), and PAD (Panel C) between 2021 and 2040. Results are shown for the overall population, as well as disaggregated by sex (men and women).

Figure 3

Figure 4. – Projected age-standardized mortality rates in men and women in Brazil through 2040. Panels A, B, and C show age-standardized mortality rates (per 100,000 population) for ischemic heart disease, stroke, and peripheral artery disease, respectively, stratified by sex — men (red) and women (blue). Dots represent observed data from 1990 to 2021, while lines correspond to projections for 2022-2040 based on Bayesian age-period-cohort models. Solid lines indicate median estimates; dashed lines represent the interquartile range (25th to 75th percentile); and dotted lines reflect the 95% UI (2.5th to 97.5th percentile). UI: uncertainty. interval.

Figure 4

Similarly, age-standardized stroke mortality declined substantially from 1990 to 2021 (Table S3, Figure S2). This downward trend is projected to persist through 2040, with an overall reduction of 17.36% in Brazil (Table 1, Figure 1). Among age groups, the greatest decline is expected in individuals aged 50-54 years (Table 1, Figure S4, Figure 2).

From 1990 to 2021, stroke mortality rates decreased in both sexes (Table S3). Between 2021 and 2040, further reductions are projected; however, the decline will be markedly greater among men (30.02%) compared to women (4.51%) (Table S4, Figure 3 and Figure 4). As illustrated in Figure 4, the sex gap in stroke mortality is also expected to diminish over time.

Regarding PAD, the age-standardized mortality rate initially declined between 1990 and 2015, followed by a sharp increase up to 2021 (Table S5, Figure S2). Between 2021 and 2040, PAD mortality in Brazil is projected to rise by 10.99% (Table 1, Figure 1). Notably, the projected trends vary substantially by age. While a 7.69% decline is anticipated in the 40-44 age group, mortality is expected to increase by 34.35% in those aged 75-79 years (Table 1, Figure S5, Figure 2).

The trend of an initial decline followed by a subsequent sharp increase in PAD mortality was observed in both men and women. Throughout the observed period, men consistently exhibited higher PAD mortality rates (Table S5). Between 2021 and 2040, age-standardized PAD mortality is projected to increase by 14.61% in men and 21.99% in women (Table S6, Figure 3 and Figure 4).

The Central Illustration provides a graphical summary of the study’s key findings and methodological approach.

Central Illustration: Forecasting Ischemic Heart Disease, Stroke, and Peripheral Artery Disease Mortality in Brazil Through 2040: A Bayesian Modeling Approach.

Central Illustration:

Projected age-standardized mortality rates (per 100,000 population) for stroke, IHD, and PAD in Brazil. Projections were derived using Bayesian modeling based on observed mortality data from 1990 to 2021 and mid-year population estimates for 2022 to 2040. Values for both 2021 and 2040 are shown, along with their corresponding 95% UIs. The results indicate projected reductions in stroke and IHD mortality rates by 17.36% and 14.16%, respectively, whereas PAD mortality is expected to increase by 10.99%. The specific mortality rates for 2021 and 2040 are displayed below each condition. BAPC: Bayesian age-period-cohort; GBD: Global Burden of Disease; IHD: ischemic heart disease; PAD: peripheral artery disease; UI: uncertainty interval.

Discussion

We examined the observed burden of IHD, stroke, and PAD mortality among Brazilian adults from 1990 to 2021 and fitted models to project future estimates through 2040. Our findings indicate that age-standardized mortality rates for IHD and stroke have steadily declined over the past 3 decades and are projected to continue decreasing. In contrast, PAD mortality is expected to rise between 2021 and 2040, with a disproportionately greater increase among women.

The observed decline in IHD and stroke mortality since 1990 aligns with prior findings reported by Bastos et al., who noted similar trends but highlighted that improvements were attenuated in socioeconomically vulnerable regions, particularly in North and Northeast Brazil.20 The Brazilian Society of Cardiology (SBC) has also reported continued reductions in IHD and stroke mortality, despite the adverse impact of COVID-19 on cardiovascular outcomes.3,21 Comparable projections have been published for countries such as the United States, United Kingdom, and Japan.9,10,22 Together with our findings, this body of evidence is encouraging, as it suggests that IHD and stroke mortality may continue to decline despite significant population aging.

However, our study also revealed that the projected decline in stroke mortality will be considerably smaller among older adults. A previous study analyzing U.S. data reported minimal reductions in stroke mortality among individuals aged 65-74, 75-84, and 85 years or older for both sexes.9 These findings underscore the need for targeted stroke prevention and care strategies in older populations. Importantly, IHD and stroke share several modifiable risk factors. A recent meta-analysis involving 50,000 patients showed that approximately one-third of acute stroke patients also have IHD and are at increased risk of myocardial infarction within 1 year following a stroke.23

In Brazil, effective acute stroke care is challenged by large rural populations and unequal distribution of health care resources. Although dedicated stroke units and fibrinolysis programs have been implemented in several metropolitan centers, access remains limited in rural and underserved regions.24 While existing health care policies have contributed to improvements in IHD and stroke mortality, further efforts are necessary to consolidate these gains — especially in view of Brazil’s rapidly aging population.

Our study also highlights 2 particularly concerning issues: (i) the growing burden of PAD mortality in Brazil, and (ii) significant sex differences in the projected mortality rates for IHD, stroke, and PAD. According to the GBD, the global burden of PAD increased by 72% between 1990 and 2019.25 Projections by the Institute for Health Metrics and Evaluation — developers of the GBD — indicate that low- and middle-income countries will bear a disproportionately greater share of this burden.2 Advanced PAD is associated with high rates of lower limb amputation, poor quality of life, substantial morbidity, and elevated 5- to 10-year mortality.27,28 These outcomes underscore the urgency of implementing public policies focused on early PAD detection and management.

The second key issue identified is the marked disparity in cardiovascular outcomes between sexes. A study from Spain found that, compared to men, women experienced longer delays in the diagnosis and treatment of acute myocardial infarction.28 In the context of PAD, vascular surgery outcomes are also poorer for women, who are more likely to present with acute limb ischemia.26,29 According to the 2023 report from the Brazilian Ministry of Health and the SBC, obesity rates are higher among women than men, and women are 44% more likely to have dyslipidemia.3 Higher PAD prevalence and mortality in women may also serve as a surrogate for undiagnosed or untreated atherosclerosis, which is known to be more prevalent in women. Taken together, these findings emphasize the urgent need for targeted health initiatives aimed at addressing the observed sex disparities in cardiovascular outcomes.

In 2011, Brazil’s Ministry of Health launched a 10-year strategic plan to reduce non-communicable disease rates. Since then, the country has achieved important gains, including a 30% reduction in smoking prevalence and a 10% increase in physical activity among adults.30 These are significant achievements, considering that approximately 70% of the total burden of CVD is attributable to modifiable risk factors.2 However, as observed in many other countries, Brazil continues to experience rising rates of adult obesity as well as increased prevalence of hypertension, diabetes, and dyslipidemia.30

In response, the Brazilian government — alongside the SBC and other medical associations — introduced a new national CVD plan in 2023, which is currently under review by the Senate.31 This proposed legislation seeks to address current challenges by implementing targeted interventions and establishing a dedicated federal fund to combat CVD. The proposed allocation of this fund includes: 30% for CVD-related research; 15% for public awareness campaigns on cardiovascular risk factors; 30% for training health professionals, particularly in primary care; and 15% for programs aimed at reducing smoking, alcohol consumption, and other modifiable risk factors. Additionally, 10% of the fund would be managed by the Brazilian Federal Council of Medicine to support specialized training in cardiovascular care. Such initiatives could help reverse the recent trends of underinvestment in Brazil’s public health care system.32

Improving medication adherence and expanding access to care — especially by increasing the number and geographic distribution of health professionals trained in preventive cardiology — are also critical strategies for effectively addressing the national CVD burden.5,33,34

Beyond traditional cardiovascular risk factors, it is essential to recognize the role of environmental exposures, such as air pollution from fine particulate matter, which has been causally linked to CVD. Encouragingly, recent data show that air pollution-related mortality in Brazil declined between 2010 and 2019.35 However, the same study reported that pollution levels in certain regions remained multiple times higher than the limits recommended by the WHO.35 Thus, future policy efforts should not only continue to address conventional CVD risk factors but also expand to include environmental determinants of cardiovascular health.

Finally, as increasingly discussed within the cardiology community, the development of preventive cardiology guidelines specifically tailored to women is a crucial step toward reducing the sex-based disparities identified in our study.36-39

Strengths and limitations

This study has several limitations that should be acknowledged. Both event rates and mid-year population estimates were obtained from the GBD 2021 dataset. While these data are originally sourced from the SIM, the GBD applies its own modeling procedures. As a result, our findings may differ from studies that directly abstract data from the original source.40,41 Nevertheless, because the GBD harmonizes data across countries, our results are more readily comparable to international studies.

Although the SIM routinely conducts quality checks to ensure accuracy, death certification remains the primary source of mortality information. The accuracy of these records may vary, particularly in resource-limited rural regions. However, the GBD methodology is specifically designed to address issues of data completeness and misclassification.

Our study does not account for individual-level or population-level risk factors. Future trends in IHD, stroke, and PAD mortality may be significantly influenced by changes in these factors. While more aggressive mitigation strategies could reduce future event rates, current trends — such as rising prevalence of obesity, diabetes, and tobacco use — could potentially lead to even higher mortality than projected.

We employed Bayesian APC models to project future mortality estimates. Like all modeling approaches, these require certain assumptions. Although model misspecification remains a possibility, we reported 95% UIs to account for such limitations. Furthermore, public health outcomes are influenced by a broad array of factors — including political, cultural, migratory, and environmental changes — many of which cannot be fully captured by the mathematical models used in this study.

Conclusion

Based on observed data from 1990 to 2021, age-standardized mortality from IHD and stroke in Brazil is projected to continue declining through 2040. In contrast, age-standardized mortality attributable to PAD is expected to rise substantially over the same period. While the projected reductions in IHD and stroke mortality will be more pronounced among men, the increase in PAD mortality is anticipated to be considerably higher among women. These findings underscore the urgent need for sustained and targeted public health interventions to reduce cardiovascular health disparities, increase awareness, and improve equitable access to evidence-based care across Brazil.

*Supplemental Materials

For additional information, please click here. https://abccardiol.org/supplementary-material/2025/12212/2025-0189_final_supplemental_section.pdf

Funding Statement

Sources of funding:There were no external funding sources for this study.

Footnotes

Study association: This study is not associated with any thesis or dissertation work.

Ethics approval and consent to participate: This article does not contain any studies with human participants or animals performed by any of the authors.

Use of Artificial Intelligence: The authors did not use any artificial intelligence tools in the development of this work.

Data Availability Statement: GBD 2021 data is accessible from https://vizhub.healthdata.org/gbd-results/. Researchers may register and download data free of charge from this platform. All data used in this study — including mortality counts and mid-year population estimates — along with the R scripts used for analysis, have been deposited in a publicly available GitHub repository: https://github.com/svd09/Brazil_CVD. Alternatively, interested readers may request a zipped archive of all materials by contacting the corresponding author.

Sources of funding: There were no external funding sources for this study.

Associated Data

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    Supplementary Materials

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