Objetivos: Descrever o caso de um paciente portador de Anemia Falciforme com Síndrome Torácica Aguda em decorrência da COVID 19. Material e métodos: Estudo realizado por meio de coleta de dados do prontuário eletrônico. Resultados: Trata-se de D.R.A.D.S, 16 anos, sexo masculino, foi admitido no Centro de Doenças Tropicais em abril (Sede da linha de frente do Estado contra a COVID19) com provas de hemólise alteradas e quadro de Síndrome Respiratória Aguda Grave, com saturação periférica de 80%, infiltrados bilaterais com consolidação no RX de tórax, leucocitose, febre e taquipnéia, configurando quadro de Síndrome Torácica Aguda, sendo iniciado oxigenioterapia suplementar e antibioticoterapia com ceftriaxone e azitromicina. Posteriormente, apresentou RT-PCR para SARS Cov2 detectável, sendo acrescentado anticoagulação profilática e corticoterapia à prescrição médica. O paciente não respondeu ao antibiótico prescrito, com aumento da consolidação na tomografia de tórax, sendo escalonado para cefepime, porém teve persistência da leucocitose, hipoxemia e febre e foi escalonado para meropenem, com melhora clínica progressiva e desmame progressivo do oxigênio até alta hospitalar. Discussão: As pessoas com doença falciforme desenvolvem na 1ªinfância asplenia funcional, nesta condição o baço não funciona como expositor de antígenos e o indivíduo se torna imunossuprimido, ou seja, dentro do grupo de maior risco de desenvolver as formas graves da COVID-19. Uma das principais causas de morbimortalidade nesses indivíduos é a síndrome torácica aguda (STA), que é o termo usado para uma constelação de achados que incluem dor no peito, tosse, febre, hipóxia (baixo nível de oxigênio) e infiltrados pulmonares. A síndrome torácica aguda pode ser resultado de falcização nos pequenos vasos sanguíneos, infarto/embolia pulmonar ou pneumonia viral ou bacteriana. O tratamento tem objetivo a correção da hipoxemia, elevação dos níveis da hemoglobina, com redução da Hb S e antibioticoterapia, além de tromboprofilaxia e corticoterapia no contexto da COVID-19. Conclusão: Existe uma preocupação significativa de que a sobreposição de doença pulmonar da COVID-19, no cenário pulmonar em Doença Falciforme marcados pela síndrome torácica aguda, possa resultar em complicações significativas, motivo pelo qual, os relatos de caso, como este, são de suma importância para avaliar o manejo e desfecho desses pacientes na pandemia da COVID-19.
SÍNDROME TORÁCICA AGUDA SECUNDÁRIA A COVID-19 EM PACIENTE COM ANEMIA FALCIFORME
MCAD Nascimento
HGB Barroso
Issue date 2020 Nov.
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