Objetivos: O artigo tem como objetivo reunir os principais pontos que devem ser considerados sobre o cuidado na transfusão sanguínea durante a pandemia e, sobretudo, analisar o possível risco de transmissão da doença. Materiais e métodos: O presente trabalho trata-se de uma revisão de literatura acerca dos desafios no processo de transfusão de sangue em relação ao COVID-19 e seus riscos. Foram utilizadas as bases de dados eletrônicas Google Acadêmico e PUBMED. A pesquisa abrange trabalhos publicados em 2020, utilizando como descritores: “COVI-19”e “Blood transfusion”. Resultados: Em um estudo 78% dos pacientes apresentaram RNA viral detectável no plasma na primeira semana de sua doença. Outro estudo, relatou 3 dias após o início da febre, 79% dos pacientes apresentavam RNA detectável e carga viral máxima foi por volta do dia 4 ou 5. Um relato de caso um paciente recebeu transfusão de um paciente que estava contaminado, porém assintomático. Discussão: A pandemia do coronavírus impactou e superlotou sistemas de saúde pelo mundo. Como consequência, afastou muito doadores e deixou os estoques de sangue muito baixos. No entanto, pacientes com doenças hematológicas, por exemplo, continuam precisando de transfusões frequentes e, por isso, é fundamental ter conhecimento sobre a possibilidade de contaminação pelas transfusões sanguíneas. Inevitavelmente, os laboratórios de transfusão de sangue encontram-se com amostras contaminadas ou suspeitas de COVID-19 por conta da alta prevalência da doença e pouco acesso a testes. Além dos achados que evidenciam a presença de RNA viral plasmático, os pesquisadores descobriram que os linfócitos têm uma concentração muito maior de RNA do que o plasma, seja testado na fase aguda ou na fase convalescente. Esses achados forneceram evidências de que os linfócitos podem ser um dos alvos da COVID-19 e com isso indicaram, portanto, o potencial risco de transmissão por produtos sanguíneos com altas concentrações de linfócitos doadores como a doação de células-tronco do sangue periférico, medula óssea, concentrados de granulócitos. Por outro lado, no relato de caso um paciente portador de anemia aplásica que recebeu transfusão de um paciente contaminado pelo vírus, mesmo fazendo uso de imunossupressores obteve resultado negativo no PCR realizado dois dias após a transfusão. Levando em consideração o longo período de incubação desse vírus, alto números de casos assintomáticos, pouca disponibilidade de testes e alta transmissibilidade, deve-se repensar o fornecimento, segurança, administração, análise e transfusão de todo sangue admitido. O vírus mostrou-se suscetível à inativação por calor ou à desnaturação em pH ácido ou básico. No entanto, essas técnicas podem comprometer a qualidade do sangue por danificar seus componentes e, portanto, essas medidas ainda não são recomendadas pelas principais instituições mundiais como a American Association of Blood Banks. Conclusão: Portanto, dada a patogenicidade e o possível potencial de transmissão por transfusões sanguíneas do COVID-19, é crítica a preocupação das unidades de saúde, hospitais e, principalmente, laboratórios de exposição de seus materiais e cuidado com seus pacientes. Desse modo, a atenção e cuidado com essas amostras deve ser significativamente aumentada e torna-se indispensável seguir todos os protocolos de segurança para evitar contaminação de plasmas sadios e, consequentemente, pacientes de transfusão saudáveis.
TRANSFUSÃO DE SANGUE E A PANDEMIA
TF Souza
IS Pimenta
Issue date 2020 Nov.
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