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editorial
. 2021 Feb 19;116(2):313–314. [Article in Portuguese] doi: 10.36660/abc.20201347
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Imagem Cardiovascular em Cardiopatias Congênitas: Por que não Alavancar Novas Modalidades de Imagem?

Vitor Guerra 1
PMCID: PMC7909975  PMID: 33656081

“Não existe revelação mais nítida da alma de uma sociedade do que a forma como ela trata as suas crianças.”

Nelson Mandela (8 maio 1995)

Mundialmente, estamos vivendo uma era sobrecarregada por doenças cardíacas congênitas (DCC).1 Ao tirar uma fotografia instantânea no ano de 2018, vemos que houve 2.944.932 nascidos vivos no Brasil (Tabnet, DATASUS). Considerando a incidência das DCC, cerca de 9 a cada 1.000 nascidos vivos (índice que tem permanecido estável em todos os países e populações), seria de se esperar cerca de 26.000 novos pacientes com alguma forma de DCC em nosso país. Por outro lado, a taxa de sobrevivência mundial para as DCC durante as últimas 3 décadas tem sido próxima a 98%.2 Dito isso, as DCC continuam um problema de saúde pública em todo o mundo.

Durante os últimos quatro séculos, a especialidade da cardiologia pediátrica tem crescido imensamente, alcançando diversos marcos no cenário clínico e cirúrgico, devido, principalmente, aos incríveis avanços nas ferramentas diagnósticas de imagem cardiovascular. Isso permite o diagnóstico não invasivo em todas as idades, desde a vida fetal até a idade adulta. A modalidade relativamente nova de imagem por ressonância magnética cardíaca (RMC) fornece informações clinicamente úteis em várias situações de pacientes com DCC. As diretrizes atuais para diagnóstico e tratamento incluem ecocardiograma, RMC e cateterismo cardíaco para a maioria dos pacientes com DCC.3

Kozak et al.,4 tiraram uma “fotografia instantânea” da situação brasileira em relação ao uso da RMC em populações pediátricas, entrevistando cardiologistas da maioria dos estados, incluindo centros com diferentes níveis de atenção e volumes cirúrgicos. A “imagem” foi clara: a RMC não está sendo plenamente utilizada! Aproximadamente metade dos cardiologistas (52%) raramente utilizam a RMC para crianças. Ao ampliarmos esta imagem, duas camadas principais são reveladas. A primeira camada envolve o processo de mudança de práticas e da incorporação de novas tecnologias. O uso predominante da RMC ainda depende do uso para cardiomiopatias, tetralogia de Fallot pós-reparo e anomalias do arco aórtico, segundo esses dados. No entanto, a era atual da RMC em cardiologia vai além da avaliação anatômica, permitindo acesso a dados hemodinâmicos e outros dados funcionais que impactam no atendimento aos pacientes, na tomada de decisão cirúrgica e até mesmo nos fatores de risco prognóstico. A segunda camada, não surpreendentemente, é o custo da RMC, que deve ser analisado no contexto dos custos de saúde para populações com DCC. À medida que os países se desenvolvem economicamente, a carga das condições relacionadas à pobreza diminui e é substituída por necessidades de cuidados crônicos e frequentemente complexos, como as DCC. A taxa de sobrevivência e a qualidade de vida desses pacientes, desde a infância até a idade adulta, dependem da excelência do atendimento médico. Devido à sua complexidade, as lesões cardíacas cirurgicamente reparadas requerem vigilância ao longo da vida.5 Portanto, todos esses pontos devem ser levados em consideração no planejamento de cuidados ideais para pacientes com DCC. É caro e requer investimento ao longo da vida. No entanto, o investimento não é a solução única; há uma tríade que precisa ser abordada simultaneamente, “pessoas, processo e tecnologia”. Kozak et al.,4 demonstrou que existem três limitações principais: 1) custo (65%), 2) necessidade de sedação (60%) e 3) número insuficiente de profissionais qualificados (55%). A estas limitações interpõe-se ações para atender à tríade: o investimento em novas tecnologias na área da saúde, a necessidade de desenvolvimento profissional, e um processo para tornar a tecnologia eficaz e impactar a qualidade do atendimento. O treinamento de cardiologistas pediátricos no mundo de hoje requer uma sub-especialidade em diagnóstico por imagem, que tem avançado demasiadamente lenta, principalmente no que diz respeito ao treinamento de RMC.6 O aumento do número e da qualidade de profissionais aptos a executar e interpretar os resultados gerará um novo ciclo, incluindo o uso correto da RMC em pacientes com DCC, especialmente na população pediátrica.

Estes dados têm o poder de desencadear múltiplas ações no cuidado aos pacientes com DCC, a saber, alocação de recursos, capacitação profissional e mudanças nas práticas. Todas essas ações aliadas a fortes práticas de cuidado nos moverão na mesma direção, promovendo uma assistência à saúde de qualidade.

Footnotes

Minieditorial referente ao artigo: Uso Atual de Ressonância Magnética Cardíaca Pediátrica no Brasil

Referências

  • 1.. Penny DJ. Global perspectives on pediatric cardiac critical care. Pediatr Crit Care Med. 2016;17(8):S388–93. [DOI] [PubMed]; Penny DJ. Global perspectives on pediatric cardiac critical care. Pediatr Crit Care Med. 2016;17(8):S388–S393. doi: 10.1097/PCC.0000000000000784. [DOI] [PubMed] [Google Scholar]
  • 2.. Zheleva B, Atwood JB. The invisible child: childhood heart disease in global health. Lancet [Internet]. 2017;389(10064):16–8. Available from: http://dx.doi.org/10.1016/S0140-6736(16)32185-7 [DOI] [PubMed]; Zheleva B, Atwood JB. The invisible child: childhood heart disease in global health. Lancet. 2017;389(10064):16–18. doi: 10.1016/S0140-6736(16)32185-7. Internet. [DOI] [PubMed] [Google Scholar]
  • 3.. Stout KK, Daniels CJ, Aboulhosn JA, Bozkurt B, Broberg CS, Colman JM, et al. 2018 AHA/ACC Guideline for the Management of Adults With Congenital Heart Disease: Executive Summary. Circulation. 2018;139(14)è637-e697. [DOI] [PubMed]; Stout KK, Daniels CJ, Aboulhosn JA, Bozkurt B, Broberg CS, Colman JM, et al. 2018 AHA/ACC Guideline for the Management of Adults With Congenital Heart Disease: Executive Summary. Circulation. 2018;139(14):è637–e697. doi: 10.1161/CIR.0000000000000602. [DOI] [PubMed] [Google Scholar]
  • 4.. Kozak MF, Afiune JY, Crosse-Wortmann. Uso atual de ressonancia magnética cardíaca pediatrica no Brasil.Arq Bras Cardiol. 2021; 116(2):305-312. [DOI] [PMC free article] [PubMed]; Kozak MF, Afiune JY, Crosse-Wortmann Uso atual de ressonancia magnética cardíaca pediatrica no Brasil. Arq Bras Cardiol. 2021;116(2):305–312. doi: 10.36660/abc.20190860. [DOI] [PMC free article] [PubMed] [Google Scholar]
  • 5.. Morhy SS, Barberato SH, Lianza AC, Soares AM, Leal GN, Rivera IR, et al. Posicionamento sobre Indicações da Ecocardiografia em Cardiologia Fetal, Pediátrica e Cardiopatias Congênitas do Adulto – 2020. Arq Bras Cardiol. 2020; 115(5):987-1005. [DOI] [PMC free article] [PubMed]; Morhy SS, Barberato SH, Lianza AC, Soares AM, Leal GN, Rivera IR, et al. Posicionamento sobre Indicações da Ecocardiografia em Cardiologia Fetal, Pediátrica e Cardiopatias Congênitas do Adulto – 2020. Arq Bras Cardiol. 2020;115(5):987–1005. doi: 10.36660/abc.20201122. [DOI] [PMC free article] [PubMed] [Google Scholar]
  • 6.. Helbing WA, Mertens L, Sieverding L. Recommendations from the Association for European Paediatric Cardiology for training in congenital cardiovascular magnetic resonance imaging. Cardiol Young. 2006;16(4):410–2. [DOI] [PubMed]; Helbing WA, Mertens L, Sieverding L. Recommendations from the Association for European Paediatric Cardiology for training in congenital cardiovascular magnetic resonance imaging. Cardiol Young. 2006;16(4):410–412. doi: 10.1017/S1047951106000643. [DOI] [PubMed] [Google Scholar]
Arq Bras Cardiol. 2021 Feb 19;116(2):313–314. [Article in English]

Cardiovascular Imaging in Congenital Heart Diseases: Why not Leverage New Imaging Modalities?

Vitor Guerra 1

“There can be no keener revelation of a society’s soul than the way in which it treats its children.”

Nelson Mandela (8 May 1995)

Worldwide, we are living in an era burdened by congenital heart diseases (CHD).1 If we take a snapshot in 2018, there were 2,944,932 live births in Brazil (Tabnet, DATASUS). Considering the incidence of CHD, about 9 per 1000 live births, which has been stable across countries and populations, we would expect around 26,000 new patients with some form of CHD in our country. On the other hand, worldwide survival rate for CHD in the last 3 decades has been close to 98%.2 Having said that, CHD continues to be a public health problem worldwide.

In the last four centuries, the specialty of pediatric cardiology has grown tremendously, achieving several milestones in clinical and surgical scenarios, mostly due the incredible advances in cardiovascular imaging diagnostic tools. This allows non-invasive diagnosis in all ages from fetal life until adulthood. The relatively new modality of cardiac magnetic resonance imaging (CMR) provides clinically useful information in various situations in patients with CHD. Current guidelines for diagnosis and management include echocardiogram, CMR and cardiac catheterization for the majority of CHD patients.3

Kozak et al.4 took a snapshot of the Brazilian situation on the use of CMR in pediatric populations interviewing cardiologists from most states, including centers with different levels of care and surgical volumes. The big picture: it is not being fully used! About half of the cardiologists (52%) rarely use CMR for children. If we magnify this picture, two major layers are revealed. The first layer involves the process of changing practices and incorporating new technologies. The predominant use of CMR still relies on use for cardiomyopathies, tetralogy of Fallot post-repair, and aortic arch anomalies, according to this data. However, the current era of CMR in cardiology goes beyond anatomical assessment, allowing us to access hemodynamic and other functional data which impacts patient care, surgical decision making, and even prognostic risk factors. The second layer, not surprisingly, is the cost of CMR, which should be analysed in the context of healthcare costs for populations with CHD. As countries develop economically, the burden of poverty-related conditions diminishes and is substituted by chronic and often complex care needs, such as CHD. The survival rate and quality of life for these patients from childhood into adulthood depends on excellence of medical care. The complexity of surgically repaired heart lesions requires lifelong surveillance.5 Therefore, all these points should be taken in consideration when planning ideal care for patients with CHD. It is expensive, and it requires investment during a lifelong journey. However, investment is not a single solution; it is a triad which needs to be addressed simultaneously, “people, process, and technology”. Kozak et al.4 has shown that there are three major limitations: 1) cost (65%), 2) the need for sedation (60%), and 3) insufficient number of qualified professionals (55%). These address the triad: the investment in new technology in healthcare, the need for professional development, and a process to make the technology effective and impact the quality of care. The training of pediatric cardiologist in today’s world requires sub-specialty in imaging diagnosis, which has been advancing too slowly, especially with respect to CMR training.6 The increasing number and quality of professionals able to perform and interpret results will generate a new cycle, including correct use of CMR in patients with CHD, especially in pediatric populations.

This data has the power to trigger multiple actions in caring for patients with CHD, namely, allocation of resources, professional training, and changes in practices. All these actions coupled with strong care practices move us in the same direction, promoting high quality health care.

Footnotes

Short Editorial related to the article: Current Use of Pediatric Cardiac Magnetic Resonance Imaging in Brazil


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