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editorial
. 2021 Oct 6;117(4):713–714. [Article in Portuguese] doi: 10.36660/abc.20210716
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Estratégia Chave para Prever Doenças Cardiovasculares: Uma Combinação de Índices Antropométricos

José Bruno Nunes Ferreira Silva 1
PMCID: PMC8528361  PMID: 34709298

A pandemia de obesidade é um dos problemas de saúde mais urgentes do século XXI. Prevalente mesmo em países desenvolvidos e em desenvolvimento, essa doença tem sido relacionada a eventos cardiovasculares, dislipidemia, diabetes tipo 2, distúrbios do sono e câncer. Recentemente, foi considerada um fator de risco para gravidade na doença causada pelo novo coronavírus-2019 (COVID-19).1 , 2

No Brasil, a Pesquisa Nacional de Saúde, em parceria com o Ministério da Saúde, constatou que a obesidade tem aumentado gradativamente nos últimos 17 anos em mulheres (14,5% a 30,2%) e homens (9,6% a 22,8%) adultos. Sua prevalência mais do que dobrou entre 2003 e 2019.3 Um esforço colaborativo entre o governo, funcionários de saúde pública e equipe médica é necessário para lidar com o problema complexo e multifatorial da obesidade.

Na prática clínica diária, a obesidade é avaliada por meio da medida do peso corporal e da gordura excessiva. Além do índice de massa corporal (IMC), índices antropométricos independentes, incluindo a circunferência da cintura (CC), relação cintura-quadril (RCQ) e índice de adiposidade corporal (IAC), são meios acessíveis para avaliar a obesidade abdominal. Apesar da disponibilidade e segurança na obtenção desses parâmetros, os índices adequados para prever o desenvolvimento de doenças cardiovasculares (DCV) em diferentes idades, sexos e etnias permanecem desconhecidos.4

Vários estudos brasileiros obtiveram resultados conflitantes ao avaliar as medidas antropométricas e o risco de desenvolvimento de DCV em adultos. Barroso et al. descobriram que a obesidade central, mas não o IMC, foi um preditor de DCV em mulheres adultas.5 A CC foi considerada a ferramenta alternativa de triagem mais adequada para identificar mulheres quilombolas com risco mais significativo de DCV.6 Outro estudo relatou que o IMC, a CC e a RCQ foram preditores viáveis de DCV em homens, enquanto o IMC foi o preditor mais confiável para mulheres.7 Hachbardt et al.8 recentemente demonstraram que o IMC estava associado à CC, relacionado ao risco de DCV, mas não à RCQ.8 Ao resolver os resultados conflitantes desses estudos, o indicador antropométrico padrão-ouro de adiposidade para predizer DCV pode ser estabelecido. Esses estudos foram realizados em diferentes períodos de tempo e seus tamanhos de amostra não eram representativos de toda a população do país.

O Estudo Longitudinal de Saúde do Adulto (ELSA-Brasil) relatou a associação entre indicadores antropométricos de obesidade e DCV em uma grande amostra de mulheres e homens.9 O parâmetro da circunferência do pescoço e o IAC foram propostos como preditores de um risco de 10 anos para o desenvolvimento de doença coronariana.10 , 11

Nesta edição dos Arquivos Brasileiros de Cardiologia, a equipe do ELSA-Brasil propôs um novo método de previsão de DCV baseado na combinação dos parâmetros antropométricos. O primeiro mérito do estudo foi que Almeida et al.12 foram o primeiro grupo a investigar a capacidade preditiva de parâmetros antropométricos individuais ou combinados para risco coronariano em 15.092 brasileiros.12 Além da análise individual dos parâmetros de obesidade, os autores criaram quatro combinações (IAC mais CC, IMC mais CC, IAC mais RCQ e IMC mais RCQ) para testar suas hipóteses. O segundo ponto positivo do estudo foi associar um parâmetro de obesidade geral a um indicador de obesidade central. Para caracterizar um risco aumentado para eventos cardiovasculares, os indivíduos foram classificados nos seguintes grupos: VHR20% - para aqueles com 20% ou mais de risco de doença arterial coronariana em 10 anos; e HR10%, para indivíduos com 10-20% de risco de doença arterial coronariana em 10 anos.

Abaixo estão as principais conclusões do estudo: Para parâmetros individuais, a RCQ foi o parâmetro mais confiável para VHR20% em ambos os sexos. Ao analisar as combinações, RCQ mais IAC foi o preditor mais confiável para homens, enquanto RCQ mais IMC foi o preditor mais confiável para mulheres com VHR 20%. Além disso, indivíduos com HR10% tiveram um risco maior de doença coronariana em 10 anos quando um IAC ou IMC aumentado foi combinado com uma CC ou RCQ mais elevada.12 Em resumo, as combinações de pelo menos um parâmetro de obesidade geral e um parâmetro de obesidade central foram os principais preditores de desenvolvimento de risco coronariano em 10 anos.

Esses dados destacaram a importância de incluir medidas agrupadas para analisar perfis de DCV. As informações obtidas neste estudo são essenciais para a revisão e atualização das diretrizes clínicas e das políticas públicas de saúde. A população brasileira é heterogênea em termos de condições sociais, econômicas e de saúde.12 Assim, análises futuras devem incluir um tamanho de amostra representativo para melhor compreender esta doença e seu manejo. Além disso, a pesquisa de Almeida et al.12 pode abrir caminhos para novos estudos que identifiquem os marcadores ideais em outros grupos, como a população jovem brasileira, comparando a associação de parâmetros antropométricos combinados no desenvolvimento do risco de DCV.

É hora de agir para proteger nossos corações.

Footnotes

Minieditorial referente ao artigo: Desempenho Individual e Combinado de Indicadores de Obesidade Geral e Central para Estimar Risco Coronariano em Participantes do ELSA-Brasil

Referências

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Arq Bras Cardiol. 2021 Oct 6;117(4):713–714. [Article in English]

Key Strategy to Predict Cardiovascular Diseases: A Combination of Anthropometric Indices

José Bruno Nunes Ferreira Silva 1

The obesity pandemic is one of the most pressing health concerns of the 21stcentury. Prevalent even among developed and developing countries, this disease has been related to cardiovascular events, dyslipidemia, type 2 diabetes, sleep disorders, and cancer. It has recently been considered a risk factor for critical illness in coronavirus disease-2019 (COVID-19) pandemic.1 , 2

In Brazil, the National Health Survey , in partnership with the Ministry of Health, found that obesity has gradually increased over the last 17 years in adult women (14.5% to 30.2%) and men (9.6% to 22.8%). Its prevalence has more than doubled between 2003 and 2019.3 A collaborative effort between the government, public health officers, and medical staff is needed to manage the complex and multifactorial obesity issue.

In everyday clinical practice, obesity is assessed using body weight and excessive fat measurement. In addition to the body mass index (BMI), independent anthropometric indices, including the waist circumference (WC), waist-to-hip ratio (WHR), and body adiposity index (BAI), are accessible means for evaluating abdominal obesity. Despite the availability and safety when obtaining these parameters, the appropriate indices for predicting the development of cardiovascular disease (CVD) across different ages, genders, and ethnicity, remain unknown.4

Several Brazilian studies have obtained conflicting results when evaluating the anthropometric measures and risk of CVD development in adults. Barroso et al. found that central obesity, but not BMI, was a predictor of CVD in adult women.5 WC was considered the most appropriate alternative screening tool to identify Quilombola women with the most significant risk for CVD.6 Another study reported that the BMI, WC, and WHR were viable predictors of CVD in men, while BMI was the most reliable predictor for women.7 Hachbardt et al.8 recently showed that BMI was associated with WC, related to CVD risk, but not WHR.8 By resolving the conflicting results of these studies, the gold standard anthropometric indicator of adiposity for predicting CVD can be established. These studies were conducted in different time periods, and their sample sizes were not representative of the country’s entire population.

The Brazilian Longitudinal Study of Adult Health (ELSA-Brazil) has reported the association between anthropometric indicators of obesity and CVD in a large sample of women and men.9 The neck circumference parameter and BAI index have been proposed as predictors of a 10-year risk for developing coronary disease.10 , 11

In this issue of the Arquivos Brasileiros de Cardiologia , the ELSA-Brazil team has proposed a novel CVD prediction method based on the combination of the anthropometric parameters. The first merit of the study was that Almeida et al.12 were the first group to investigate the predictive ability of individual or combined anthropometric parameters for coronary risk in 15,092 Brazilian individuals.12 In addition to the individual analysis of obesity parameters, the authors created four combinations (BAI plus WC, BMI plus WC, BAI plus WHR, and BMI plus WHR) to test their hypotheses. The second positive point of the study was to associate one overall obesity parameter with one central obesity indicator. To characterize an increased risk for cardiovascular events, individuals were classified in the following groups: VHR20% - for those with 20% or more of a 10-year coronary artery disease risk; and HR10%, for subjects with 10-20% of a 10-year coronary artery disease risk.

Below are the main findings of the study: For individual parameters, WHR was the most reliable parameter for VHR20% in both sexes. When analyzing combinations, WHR plus BAI was the most reliable predictor for men, while WHR plus BMI was the most reliable predictor for women with VHR20%. In addition, individuals with HR10% had a higher 10-year coronary disease risk when an increased BAI or BMI was combined with a higher WC or WHR.12 In summary, the combinations of at least one overall obesity parameter and one central obesity parameter were the main predictors of coronary risk development in 10 years.

These data highlighted the importance of including grouped measures for analyzing CVD profiles. The information obtained in this study is essential for reviewing and updating the clinical guidelines and public health policies. The Brazilian population is heterogenous in terms of social, economic, and health conditions.12 . Thus, future analyses should include a representative sample size to better understand this disease and its management. Also, the research of Almeida et al.12 can open up ways for new studies that will identify the ideal markers in other groups, as the Brazilian youth population, comparing the association of combined anthropometric parameters on CVD risk development.

It is time to act to protect our hearts.

Footnotes

Short Editorial related to the article: Individual and Combined Performance of Indicators of Overall and Central Obesity to Estimate Coronary Risk in ELSA-Brasil Participants


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