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. 2021 Dec 3;19:eCE6734. doi: 10.31744/einstein_journal/2021CE6734
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COVID-19 and race/color disparity: a brief analysis of the indigenous population in a state in the Brazilian Amazon

Arthur Arantes da Cunha 1, Rodolfo Antonio Corona 1, Emerson Augusto Castilho-Martins 1
PMCID: PMC8664283  PMID: 34932759

Dear Editor,

After more than one year of the first case of the coronavirus disease 2019 (COVID-19) caused by severe acute respiratory syndrome coronavirus 2 (SARS-CoV-2), in Brazil,(1) race/color disparity among affected individuals has great epidemiological relevance in the country.(2) In this context, indigenous individuals have shown significant vulnerability to SARS-CoV-2.(2) A seroprevalence survey for SARS-CoV-2 showed prevalence among natives of 6.4%, which is much higher than among whites (1.4%).(2) In the United States, an expressive unequal relation has also been described among American Indians and Alaska Natives, when compared with the non-Hispanic white population.(3)

Although there are studies on the vulnerability of minority groups,(2,4) few studies on COVID-19 have been conducted exclusively among Brazilian indigenous. Therefore, we used data from the State Department of Health of Amapá(5) and from the Brazilian Institute of Geography and Statistics Automatic Retrieval System,(6) to perform an ecological analysis of the occurrence of COVID-19 in the indigenous and non-indigenous population of Amapá (1°16’50.1”N 51°52’58.6”W). Amapá, a Brazilian state with a population of approximately 860 thousand inhabitants, marked by a history of low socioeconomic development, and located on the left bank of the Amazon River, is one of the regions most affected by SARS-CoV-2 in Brazil.(2,7)

Excluding the cases in which race/skin color of the individual was ignored, between March 20, 2020 and April 29, 2021, a total of 72,913 cases of COVID-19 were recorded in Amapá. Of this total, 4,511 (6.19%) were indigenous and 68,402 (93.81%) were non-indigenous.(5) Considering the distribution according to race/color of the population,(6) the number of cases reported among indigenous people was higher than among non-indigenous people, given the expected frequencies (χ2=1,7120.4; df=1; p value=0.0001). Furthermore, the cumulative incidence of COVID-19 in indigenous people was approximately 5.6-fold higher than among non-indigenous people (Table 1).

Table 1. Number of cases and cumulative incidences of COVID-19 among indigenous and non-indigenous people. State of Amapá, Brazilian Amazon, March 20, 2020 to April 29, 2021.

Variable Observed frequency* (expected) χ2 (p value)
Cases of COVID-19    
Indigenous 4,511 (809) 1,7120.4 (0.0001)
Non-indigenous 68,402 (72,104)
Incidence accumulated during the period Per 10,000 residents Difference %
Indigenous 4,481.9 458.1
Non-indigenous 803.1
Population of the state of Amapá Distribution %
Indigenous 1.11
Non-indigenous 98.89

Sources: Amapá. Governo do Estado do Amapá. Secretaria de Estado da Saúde do Amapá (SESA). Painel Coronavírus. Macapá: SESA; 2021 [citado 2021 Maio 10]. Disponível em: http://painel.corona.ap.gov.br/;(5) Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Sistema IBGE de Recuperação Automática (SIDRA). Rio de Janeiro: SIDRA; 2021 [citado 2021 Maio 10]. Disponível em: https://sidra.ibge.gov.br/Tabela/3175;(6) Amapá. Governo do Estado do Amapá. Secretaria Extraordinária dos Povos Indígenasn (SEPI). Macapá: SEPI; 2021 [citado 2021 Maio 10]. Disponível em: http://www.sepi.ap.gov.br/interno.php?dm=961.(8)

* Quantity of registered COVID-19 cases that had ‘race/skin color’ record; Expected frequency of compliance χ2 test, in reference to the proportion of the population of the state of Amapá; compliance χ2 test.

This discrepancy in COVID-19 infection between indigenous and non-indigenous people in Amapá is possibly due to the susceptibility of indigenous people to SARS-CoV-2, which may be mediated by socioeconomic, sociodemographic, and/or genetic factors.(2-4) Thus, ethnic minorities in contexts of low social development, as is the situation of much of the population of Amapá, may have a greater chance of infection, as well as of developing more severe cases of COVID-19.(4,7)

In Amapá, approximately 20% of indigenous people live in urban areas (https://indigenas.ibge.gov.br/estudos-especiais-3.html), and large parts of this indigenous population residing in cities, as well as an important part of the general population of the state, live in subnormal agglomerations, with low per capita income, and lack of sanitation and medical-hospital services.(7) Regarding indigenous villagers, it should be noted that in Brazil, even during the pandemic, illegal miners and loggers continued to operate on indigenous lands, which might have increased the possibility of exposure to SARS-CoV-2 and the occurrence of outbreaks of the disease.(9)

Therefore, there is a great disparity in the occurrence of COVID-19 between indigenous and non-indigenous people in the state of Amapá. It is suggested that individual studies be conducted to investigate this relation of vulnerability. Furthermore, it is necessary that government authorities improve the support measures for the indigenous population of the state, with more extensive vaccination and social and health support for indigenous people, regardless of their place of residence.

REFERENCES

  • 1.Teich VD, Klajner S, Almeida FA, Dantas AC, Laselva C, Torritesi MG, et al. Epidemiologic and clinical features of patients with COVID-19 in Brazil. einstein (São Paulo). 2020;18:eAO6022. [DOI] [PMC free article] [PubMed]
  • 2.Hallal PC, Hartwig FP, Horta BL, Silveira MF, Struchiner CJ, Vidaletti LP, et al. SARS-CoV-2 antibody prevalence in Brazil: results from two successive nationwide serological household surveys. Lancet Glob Health. 2020; 8(11):1390-8. [DOI] [PMC free article] [PubMed]
  • 3.Burki T. COVID-19 among american indians and Alaska natives. Lancet Infect Dis. 2021;21(3):325-6. [DOI] [PMC free article] [PubMed]
  • 4.Gershengorn HB, Patel S, Shukla B, Warde PR, Bhatia M, Parekh D, et al. Association of race and ethnicity with COVID-19 test positivity and hospitalization is mediated by socioeconomic factors. Ann Am Thorac Soc. 2021;18(8):1326-34. [DOI] [PMC free article] [PubMed]
  • 5.Amapá. Governo do Estado do Amapá. Secretaria de Estado da Saúde do Amapá (SESA). Painel Coronavírus. Macapá: SESA; 2021 [citado 2021 Maio 10]. Disponível em: http://painel.corona.ap.gov.br/
  • 6.Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Sistema IBGE de Recuperação Automática (SIDRA). Rio de Janeiro: SIDRA; 2021 [citado 2021 Maio 10]. Disponível em: https://sidra.ibge.gov.br/Tabela/3175
  • 7.Cunha AA, Corona RA, Alves GC, Castilho-Martins EA. Epidemiological profile, occupational accidents and socioeconomic factors of workers in the state of Amapá, Brazil: a time series analysis (2007-2017). Rev Bras Med Trab. 2021;19(2):181-190. [DOI] [PMC free article] [PubMed]
  • 8.Amapá. Governo do Estado do Amapá. Secretaria Extraordinária dos Povos Indígenasn (SEPI). Macapá: SEPI; 2021 [citado 2021 Maio 10]. Disponível em: http://www.sepi.ap.gov.br/interno.php?dm=961
  • 9.Secretariado Nacional Indigenista. Conselho Indigenista Missionário (CIMI). A pandemia do novo coronavírus e os povos indígenas. Brasília: CIMI; 2021 [citado 2021 Maio 10]. Disponível em: https://cimi.org.br/pandemiaeospovos/
Einstein (Sao Paulo). 2021 Dec 3;19:eCE6734. [Article in Portuguese]

COVID-19 e as disparidades segundo raça/cor: uma breve análise acerca da população indígena em um estado da Amazônia brasileira

Arthur Arantes da Cunha 1, Rodolfo Antonio Corona 1, Emerson Augusto Castilho-Martins 1

Caro Editor,

Após mais de 1 ano do primeiro caso da doença pelo coronavírus 2019 (COVID-19), causada pelo coronavírus da síndrome respiratória aguda grave 2 (SARS-CoV-2), no Brasil,(1) as disparidades segundo a raça/cor dos indivíduos acometidos apresentam grande relevância epidemiológica no país.(2) Nesse contexto, os indígenas apresentaram importante vulnerabilidade ao SARS-CoV-2.(2) Um inquérito de soroprevalência para SARS-CoV-2 demonstrou prevalência entre indígenas de 6,4%, ou seja, muito superior à prevalência entre brancos (1,4%).(2) Nos Estados Unidos, relação desigual expressiva também foi descrita entre indígenas americanos e nativos do Alasca, quando comparados à população branca não hispânica.(3)

Embora existam estudos acerca da vulnerabilidade de grupos minoritários,(2,4) foram realizadas poucas pesquisas acerca da COVID-19 exclusivamente entre indígenas brasileiros. Nesse sentido, utilizamos dados da Secretaria de Estado da Saúde do Amapá(5) e do Sistema do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística de Recuperação Automática,(6) para realizar uma análise ecológica do acometimento pela COVID-19 da população indígena e da população não indígena no Amapá (1°16’50.1”N 51°52’58.6”W). O Amapá é um estado brasileiro com população de aproximadamente 860 mil habitantes, marcado por um histórico de baixo desenvolvimento socioeconômico, e localizado à margem esquerda do rio Amazonas, sendo uma das regiões mais acometidas pelo SARS-CoV-2 no Brasil.(2,7)

Dessa forma, excluindo-se os casos em que raça/cor do indivíduo foi ignorada, registraram-se 72.913 casos de COVID-19, entre 20 de março de 2020 e 29 de abril de 2021 no Amapá. Desse total, 4.511 (6,19%) eram indígenas e 68.402 (93,81%) não indígenas.(5) Considerando-se a distribuição segundo raça/cor da população,(6) o número de casos registrados entre indígenas foi maior que entre não indígenas, dadas as frequências esperadas (χ2=1.7120,4; df=1; valor de p=0,0001). Ademais, a incidência acumulada de COVID-19 em indígenas foi aproximadamente 5,6 vezes maior que entre não indígenas (Tabela 1).

Tabela 1. Quantitativo de casos e incidências acumuladas de COVID-19 entre indígenas e não indígenas. Estado do Amapá, Amazônia brasileira, 20 de março de 2020 a 29 de abril de 2021.

Variável Frequência observada* (esperada) χ2 (Valor de p)‡
Casos de COVID-19    
Indígenas 4.511 (809) 1.7120,4 (0,0001)
Não indígenas 68.402 (72.104)
Incidência acumulada no período Por 10.000 residentes Diferença %
Indígenas 4.481,9 458,1
Não indígenas 803,1
População do estado do Amapá Distribuição %
Indígenas 1,11
Não indígenas 98,89

Fontes: Amapá. Governo do Estado do Amapá. Secretaria de Estado da Saúde do Amapá (SESA). Painel Coronavírus. Macapá: SESA; 2021 [citado 2021 Maio 10]. Disponível em: http://painel.corona.ap.gov.br/;(5) Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Sistema IBGE de Recuperação Automática (SIDRA). Rio de Janeiro: SIDRA; 2021 [citado 2021 Maio 10]. Disponível em: https://sidra.ibge.gov.br/Tabela/3175;(6) Amapá. Governo do Estado do Amapá. Secretaria Extraordinária dos Povos Indígenasn (SEPI). Macapá: SEPI; 2021 [citado 2021 Maio 10]. Disponível em: http://www.sepi.ap.gov.br/interno.php?dm=961.(8)

* Quantitativo de casos de COVID-19 registrado que possuíam notificação de ‘raça/cor’; frequência esperada do teste χ2 de aderência, com referência na proporção da população do estado do Amapá; teste χ2 de aderência.

Essa discrepância no acometimento pela COVID-19 entre indígenas e não indígenas no Amapá é, possivelmente, devida a uma suscetibilidade dos indígenas ao SARS-CoV-2, que pode ser mediada por fatores socioeconômicos, sociodemográficos e/ou genéticos.(2-4) Dessa forma, destaca-se que minorias étnicas, em contextos de baixo desenvolvimento social, como é a situação de grande parte da população do Amapá, podem apresentar maior chance de infecção, assim como de desenvolver quadros mais graves da COVID-19.(4,7)

No Amapá, aproximadamente 20% dos indígenas residem em zonas urbanas (https://indigenas.ibge.gov.br/estudos-especiais-3.html), sendo que grande parte dessa população indígena residente nas cidades, assim como importante parcela da população geral do estado vive em aglomerados subnormais de habitação, com baixa renda per capita e carência de serviços sanitários e médico-hospitalares.(7) Quanto aos indígenas aldeados, ressalta-se que, no Brasil, mesmo durante a pandemia, garimpos e madeireiros ilegais continuaram a atuar em terras indígenas, o que pode ter aumentado a possibilidade de exposição ao SARS-CoV-2 e a ocorrência de surtos da doença.(9)

Portanto, é grande a disparidade no acometimento pela COVID-19 entre indígenas e não indígenas no estado do Amapá. Sugere-se a elaboração de estudos individuados que investiguem essa relação de vulnerabilidade. Ademais, é necessário que as autoridades governamentais aprimorem as medidas de suporte à população indígena do estado, com maior amplitude da vacinação e apoio social e em saúde aos indígenas, independentemente do local de residência.


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