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editorial
. 2021 Nov 22;55 Supl 1:1s. doi: 10.11606/s1518-8787.2021055supl1ed
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National Food Surveys: diet and more

Editors: Semíramis Martins Álvares DomeneI,*,, Rita Barradas BarataII,**
PMCID: PMC8969488  PMID: 34910051

The study of the social determination of health or diseases along life shows how different aspects of daily routine contribute to various outcomes, from the adequate growth and development in childhood to the early mortality. Among many determinants, we emphasize food consumption in different stages of life1.

Encouraging a good diet for good health is one of the most efficient ways to protect people from illnesses, while also helping the environment and public management2. Simultaneously, the excessive consumption of ultra-processed foods follows the predominant economic logic of wealth accumulation (for the few) and causes environmental and social degradation3,4.

Despite scientific evidence on why a good diet is important to stay healthy and avoid various diseases, study of the relationships between food and nutrients and health continues to face theoretical, methodological and instrumental challenges, as pointed by one of the articles published here.

Therefore, population surveys such as the Pesquisa de Orçamentos Familiares (POF – Consumer Expenditure Survey) are essential to monitor food consumption and expenses, dietary patterns, outside meals, and energy and nutrient intake. POF is already in its sixth edition (2017–2018) and has contributed to diverse fields of knowledge in Brazil, including Health.

The 2017–2018 POF brought data from the second Inquérito Nacional de Alimentação (INA – National Food Survey) using 24h recalls (R24h), with more than 46.000 individuals from all over the country, and on two non-consecutive days. R24h represents an important improvement for data collection when compared to the first edition of the INA in 2008–2009, which used the two-day food registry from about 30.000 individuals. Two other positive outcomes of the 2017–2018 POF were the expansion of biomarkers to validate consumption data, including research for urinary nitrogen (protein), sodium, and potassium, and the analyses with doubly labeled water to assess energy intake, present in both studies5.

Despite advances, the reduction of measurement errors in food surveys, resulting from the many stages (collection, transformation of reported amounts into weight, conversion of food into energy and nutrients), still poses a challenge for studies on food consumption. This supplement includes the first studies that compare data of the two INAs and address some of the most relevant methodological aspects in such studies, also focusing on vital information about diet in Brazil.

Data from 2008–2009 and 2017–2018 shows that, despite methodological differences, Brazilian diet decreased in quality, especially because rice, dairy, beans, meat, and fish are less consumed; meanwhile, ultra-processed foods, which could cause chronic diseases, are still frequently consumed, except for some items such as soft drinks. The latter study shows an increased number of foods with greater diet diversity, which may encourage eating protective foods such as fruits and vegetables.

The supplement also includes articles that compare the two National Food Surveys – part of the Consumer Expenditure Survey, with a 10-year gap – and are helpful to create policies and programs that prevent chronic diseases, encourage healthy eating as essential for good health, food surveillance and security, and monitor unhealthy behaviors. Additionally, they share knowledge about food “preferences”, shaped by the constraints that modern life and economic and financial difficulties represent for many Brazilians, affecting health and the number of chronic diseases in adults and older adults.

REFERENCES

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Rev Saude Publica. 2021 Nov 22;55 Supl 1:1s. [Article in Portuguese]

Inquéritos Nacionais de Alimentação: consumo alimentar e muito mais

Editors: Semíramis Martins Álvares DomeneI,*,, Rita Barradas BarataII,**

O estudo da determinação social do processo saúde-doença que se desenrola ao longo do ciclo da vida revela como diferentes aspectos do cotidiano contribuem para os mais variados desfechos, desde o adequado crescimento e desenvolvimento na infância até a mortalidade precoce por diferentes males. Dentre os inúmeros determinantes destacam-se a alimentação e a dieta nas diferentes etapas da vid1.

A promoção da saúde por meio da boa alimentação é uma das estratégias mais eficientes para proteger as pessoas dos riscos de adoecimento, com efeitos positivos também para o ambiente e para a gestão pública2. Contemporaneamente, o consumo excessivo de produtos alimentares ultraprocessados obedece à lógica econômica predominante de acúmulo de riqueza (para poucos) e traz ainda degradação ambiental e social3,4.

Apesar das evidências científicas sobre a importância da alimentação saudável não apenas para a manutenção da saúde, mas também para a prevenção de diversas doenças, o estudo das relações entre alimentos, nutrientes e estados de saúde continua apresentando uma série de desafios teóricos, metodológicos e instrumentais, como bem assinalado em um dos artigos ora publicados.

Assim, inquéritos populacionais como a Pesquisa de Orçamentos Familiares (POF) são fundamentais para acompanhar a estrutura de consumo, o gasto com alimentação, os padrões alimentares, o consumo fora do domicílio e a ingestão energética e de nutrientes. Os dados da POF, já em sua sexta edição (2017–2018), têm sido relevantes para as mais diversas áreas de conhecimento no Brasil, dentre as quais a grande área da saúde.

A POF 2017–2018 trouxe os dados do segundo Inquérito Nacional de Alimentação (INA), nesta edição realizado por meio de recordatórios de 24h (R24h), com mais de 46 mil indivíduos em todo o país, e em dois dias não consecutivos. A adoção do R24h representa um importante aprimoramento para a coleta de dados, relativamente à primeira edição do INA em 2008–2009, quando se empregou o registro alimentar de dois dias, realizado por aproximadamente 30 mil indivíduos. Outra boa novidade da edição de 2017–2018 foi a ampliação dos biomarcadores para validação dos dados de consumo, com a inclusão da pesquisa para nitrogênio (proteína) e sódio e potássio urinários, além das análises com água duplamente marcada para avaliar o relato da ingestão de energia, que ocorreu em ambos os estudos5.

Apesar dos avanços, a diminuição dos erros de medida em inquéritos alimentares, decorrentes das diversas etapas (coleta, transformação das quantidades relatadas em peso, conversão de alimentos em energia e nutrientes), segue sendo um desafio para estudos de consumo alimentar. Temos neste suplemento os primeiros estudos que puderam contar com a comparação entre dados dos dois INAs e endereçar alguns dos mais relevantes aspectos metodológicos em estudos desse porte, bem como trazer à luz as informações que a sociedade precisa sobre o cenário da alimentação no Brasil.

A comparação dos dados entre os anos de 2008–2009 e 2017–2018, apesar das diferenças metodológicas, revela que houve piora da qualidade da alimentação do brasileiro, notadamente pela diminuição do consumo de arroz, laticínios, feijão, carne e peixe; e, alimentos ultraprocessados, marcadores de risco para doenças crônicas, seguem entre os alimentos mais consumidos, apesar da queda observada para alguns itens, como os refrigerantes. A ampliação do número de alimentos entre os dois estudos revela maior diversidade de itens alimentares, o que pode favorecer estratégias de incentivo ao consumo de alimentos protetores, como as frutas, os legumes e as verduras.

Os diferentes aspectos tratados no conjunto de artigos derivados das comparações entre os dois Inquéritos Nacionais de Alimentação – parte das Pesquisas de Orçamentos Familiares realizadas com intervalo de 10 anos – apresentados neste suplemento, oferecem um amplo painel de informações para a formulação de políticas e programas de prevenção de doenças crônicas, promoção da alimentação saudável como componente essencial para a manutenção da saúde, vigilância e segurança alimentar, monitoramento de comportamentos não saudáveis. Adicionalmente, propiciam o conhecimento sobre as “preferências” alimentares, moldadas pelos constrangimentos que a vida moderna e as dificuldades econômico-financeiras representam para amplas parcelas da população brasileira, com consequências para o estado de saúde e para a carga de doenças crônicas nas populações adultas e idosas.


Articles from Revista de Saúde Pública are provided here courtesy of Universidade de São Paulo. Faculdade de Saúde Pública.

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