Skip to main content
Arquivos Brasileiros de Cardiologia logoLink to Arquivos Brasileiros de Cardiologia
editorial
. 2022 Apr 7;118(4):735–736. [Article in Portuguese] doi: 10.36660/abc.20220182
View full-text in English

Minieditorial Razão Neutrófilo-Linfócito e Aterosclerose da Aorta Abdominal entre Indivíduos Assintomáticos

Henrique Murad 1
PMCID: PMC9007016  PMID: 35508050

No artigo1 os autores avaliam o papel da relação neutrófilo-linfócito (RNL) com a aterosclerose da aorta abdominal (AtAA). O fundamento do artigo é a premissa de que o crescimento e complicações da placa aterosclerótica são uma resposta imunologicamente mediada. Utilizam a relação neutrófilo-linfócito (RNL) como marcador inflamatório e utilizam o ultrassom da aorta abdominal para avaliar a aterosclerose subclínica, por meio dos achados de ateroma ou placa lipídica (AtAA). Os resultados entre a RNL e a síndrome coronariana aguda já foram bastante estudados, com o estado inflamatório provocando aumento dos neutrófilos e o estresse agudo secundário ao rompimento ou obstrução de placas ateroscleróticas ocasionando diminuição dos linfócitos.2 Machado et al. demonstraram em um grupo de 779 pacientes estudados, que o aumento da RNL em 48 a 72 horas após infarto agudo do miocárdio com elevação de ST(STEMI) estava associada com a mortalidade precoce e tardia3Bozkurt et al. ao estudaram 39 pacientes com Síndrome Hemofagocitica, um estado de hiperinflamação severa sistêmica, e insuficiência cardíaca com fração de ejeção preservada, observaram que a RNL era um forte preditor de mortalidade neste grupo de pacientes.4

Os autores analisaram 36.985 indivíduos através de ultrassom abdominal e encontraram aterosclerose da aorta abdominal em 7% deles. Este grupo de indivíduos com aterosclerose assintomática da aorta abdominal apresentava vários fatores causadores de confusão para a análise do valor da RNL como marcador de aterosclerose: sexo masculino, idade, tabagismo, diabetes, hipertensão arterial e dislipidemias.

Ao analisarem os dados de modo multivariado, ajustados para sexo, idade e fatores de risco para aterosclerose, não observaram relação entre a RNL e a AtAA. A procura de informações sobre aterosclerose em indivíduos assintomáticos através de um exame simples e de baixo custo, como a RNL é extremamente tentador. A análise multivariada realizada nesta amostra, que apresentava tantos fatores confundidores, demonstrou a ausência de relação entre a RNL e a AtAA, ou seja, entre a RNL e a aterosclerose subclinica.

A inclusão da idade como fator confundidor foi importante para definir o real papel das RNL como marcador de AtAA em individuos assintomáticos. Nos indivíduos com presença de AtAA a idade foi de 57,2+/-8,3 anos e nos indivíduos sem AtAA a idade foi de 41,2+/-9,1 anos (p<0,001). É importante incluir a idade dos pacientes ao se fazer um modelo de estudo como este

A informação mais importante desta pesquisa é verificarmos o quanto uma coleta completa de dados pode influenciar no resultado estatístico obtido. A RNL seria considerada um marcador de aterosclerose assintomática, com todas as consequências que pudessem advir desta informação, caso a idade não tivesse sido incluída.

A escolha da AtAA para a pesquisa de aterosclerose assintomática merecia alguma discussão. Li et al.,5 estudaram a presença de placas ateroscleróticas na aorta abdominal em um grupo de 1667 pacientes submetidos a coronariografia. Deste grupo 1268 pacientes tinham doença coronariana e 399 não a tinham. Houve uma maior prevalência de placas ateroscleróticas na aorta abdominal no grupo com doença coronariana do que no grupo sem doença coronariana (37,3% versus 17% com p<0.001). Em análise multivariada observaram que as placas abdominais foram um fator independente associada com a presença de doença coronariana. Este trabalho valida plenamente a escolha da AtAA para analisar o papel da RNL na detecção de aterosclerose assintomática.

Footnotes

Minieditorial referente ao artigo: Razão Neutrófilo-Linfócito e Aterosclerose da Aorta Abdominal entre Indivíduos Assintomáticos

Referências

  • 1.Marin BS, Cesena F, Laurinavicius AG, Santos RD, Bittencourt MS. Neutrophil-To-Lymphocyte Ratio and Abdominal Aortic Atherosclerosis among Asymptomatic Individuals. Arq Bras Cardiol. 2022; 118(4):729-73. [DOI] [PMC free article] [PubMed]; Marin BS, Cesena F, Laurinavicius AG, Santos RD, Bittencourt MS. Neutrophil-To-Lymphocyte Ratio and Abdominal Aortic Atherosclerosis among Asymptomatic Individuals. Arq Bras Cardiol. 2022;118(4):729–773. doi: 10.36660/abc.20201163. [DOI] [PMC free article] [PubMed] [Google Scholar]
  • 2.Zazula AD, Pré-coma Neto D, Gomes AM, Kruklis H, Barbieri CF, Forte RY et al. An assessment of Neutrophils/Lymphocytes ratio in Patients Suspected of Acute Coronary Syndrome. Arq Bras Cardiol. 2008; 90(1):31-6 doi: 10.1590/s0066-782x2008000100006. [DOI] [PubMed]; Zazula AD, Pré-coma D, Neto, Gomes AM, Kruklis H, Barbieri CF, Forte RY, et al. An assessment of Neutrophils/Lymphocytes ratio in Patients Suspected of Acute Coronary Syndrome. 10.1590/s0066-782x2008000100006Arq Bras Cardiol. 2008;90(1):31–36. doi: 10.1590/s0066-782x2008000100006. [DOI] [PubMed] [Google Scholar]
  • 3.Machado GP, Araujo GN, Maltauro D, Custódio J, Milan V, Weinstein M. Early vs.late neutrophil-to-lymphocite ratio for the prediction of adverse outcomes in patients with STEMI undergoing primary PCI Arq Bras Cardiol 2021;116(3):504-. doi: 10.36660/abc.202003276 [DOI] [PMC free article] [PubMed]; Machado GP, Araujo GN, Maltauro D, Custódio J, Milan V, Weinstein M. Early vs.late neutrophil-to-lymphocite ratio for the prediction of adverse outcomes in patients with STEMI undergoing primary PCI. 504Arq Bras Cardiol. 2021;116(3) doi: 10.36660/abc.202003276. [DOI] [PMC free article] [PubMed] [Google Scholar]
  • 4.Bozkurt D, Bozgul, SNK, Emgin O, Butun O, Kose T, Simsek E, Hekimgil M,Kilic S. Mortal interaction between hemophagocytic syndrome and newly developed heart failure Arq Bras Cardiol 2021; 116(3):395-401 doi: 10.36660/abc.20190642. [DOI] [PMC free article] [PubMed]; Bozkurt D, Bozgul SNK, Emgin O, Butun O, Kose T, Simsek E, Hekimgil M, Kilic S. Mortal interaction between hemophagocytic syndrome and newly developed heart failure. Arq Bras Cardiol. 2021;116(3):395–401. doi: 10.36660/abc.20190642. [DOI] [PMC free article] [PubMed] [Google Scholar]
  • 5.Li W, Luo S, Luo J, Liu Y, Huang W and Chen J. Association between abdominal aortic plaque and coronary artery disease. Clin Interv Aging 2016; 11: 683-8. doi: 10.2147/CIA.S104425 [DOI] [PMC free article] [PubMed]; Li W, Luo S, Luo J, Liu Y, Huang W, Chen J. Association between abdominal aortic plaque and coronary artery disease. 10.2147/CIA.S104425Clin Interv Aging. 2016;11:683–688. doi: 10.2147/CIA.S104425. [DOI] [PMC free article] [PubMed] [Google Scholar]
Arq Bras Cardiol. 2022 Apr 7;118(4):735–736. [Article in English]

Short Editorial Neutrophil-To-Lymphocyte Ratio and Abdominal Aortic Atherosclerosis Among Asymptomatic Individuals

Henrique Murad 1

In the article,1 the authors evaluate the role of the neutrophil-to-lymphocyte ratio (NLR) in abdominal aortic atherosclerosis (AAAt). The backbone of this paper is the knowledge that the development and complications of atherosclerotic plaques are part of an immunological response. They have used the neutrophil-to-lymphocyte ratio (NLR) as an inflammatory marker and have used abdominal aortic ultrasound to evaluate subclinical atherosclerosis through the findings of aortic atheroma or lipid plaque (AAAt). The RNL and acute coronary syndrome results were well established, with the inflammatory state leading to a rise in neutrophils and the acute stress of plaque rupture or obstruction leading to a fall in the lymphocyte count.2 In a group of 779 patients with ST-elevation myocardial infarction (STEMI), Machado et al. have shown a strong correlation between NLR at 48-72 hours and early and late death.3 Bozkurt et al. have studied 39 patients with Hemophagocytic syndrome (HPS) and heart failure with preserved ejection fraction. HPS is a state with high lethality, of severe systemic hyper inflammation with increased T lymphocytes and high levels of cytokines. In those patients, NRL was a strong predictor of mortality.4

The authors have studied 36.985 individuals through abdominal ultrasound and have found abdominal aortic atherosclerosis in 7% of them. In this group of abdominal aorta asymptomatic atherosclerosis, many individuals had confounding factors for NLR analysis as an atherosclerosis marker, namely age, smoking habit, diabetes, arterial hypertension, and dyslipidemia.

Through multivariate analysis adjusted for age, sex and risk factors for atherosclerosis, they have observed

no relationship between NLR and AAAt. The quest for information on asymptomatic atherosclerotic individuals through a simple and low-cost exam, like NRL, was tempting. But multivariate analysis has not shown a relationship between NRL and subclinical atherosclerosis

The inclusion of age was important to define the role of NLR as an AAAt marker in asymptomatic individuals. In AAAt positive individuals, the age was 57,2+/-8,3 years, and in the AAAt negative individuals, the age was 41.2 +/- 9.1 years (p<0.001). It is very important to include age in a study model like this one.

The most important information of this research is the need for complete data collection to have a correct statistical analysis. If age were not included in the research, NLR would be considered a marker for asymptomatic atherosclerosis, with all the consequences from this information.

The choice of AAAt in this study would deserve some discussion. Li et al.5 have studied abdominal aorta atherosclerotic plaques in a group of 1667 patients submitted to coronagraphy. Of those, 1268 had coronary artery disease, and 399 had not. There was more prevalence of atherosclerotic plaques in the coronary artery disease group than in the no coronary artery disease group (37,3% vs. 17%, p<0,001). In multivariate analysis, abdominal aortic plaques were an independent factor associated with coronary artery disease. This paper brings validation to the choice of AAAt to analyze the role of NLR in asymptomatic atherosclerosis

Footnotes

Short Editorial related to the article: Neutrophil-To-Lymphocyte Ratio and Abdominal Aortic Atherosclerosis among Asymptomatic Individuals


Articles from Arquivos Brasileiros de Cardiologia are provided here courtesy of Sociedade Brasileira de Cardiologia

RESOURCES