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. 2020 May 12;114(4):726–729. [Article in Portuguese] doi: 10.36660/abc.20190768
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Tendências de Busca na Internet e Tendências de Mortalidade Regional: O Caso de Anticoagulantes Orais e Acidente Vascular Cerebral

Roberto Muniz Ferreira 1,2, Ísis da Capela Pinheiro 1,2, João Roquette Fleury da Rocha 1,2
PMCID: PMC9744337  PMID: 32491014

Introdução

Vários estudos relataram que até 30% dos casos de acidente vascular cerebral (AVC) isquêmico estão associados com fibrilação atrial (FA), especialmente na população idosa.1 , 2 Apesar de o risco de embolia variar conforme características clínicas e comorbidades, a terapia anticoagulante tem mostrado consistentemente uma redução nas taxas de AVC de aproximadamente 70%.1 No entanto, estudos prévios mostraram que as taxas de tratamento com varfarina eram baixas, mesmo em pacientes com risco elevado para eventos. Apesar da evidência de várias publicações mostrando a eficácia e a segurança dos antagonistas da vitamina K, sua complexa farmacocinética e a necessidade de monitoramento contínuo e ajustes frequentes da dosagem foram as principais justificativas para baixa adesão.3

Durante os últimos 10 anos, quatro Anticoagulantes Orais Diretos (AODs) tornaram-se disponíveis para prevenir eventos embólicos em pacientes com FA não valvular: dabigatrana, rivaroxabana, apixabana e edoxabana. Em agosto de 2011, a dabigatrana foi o primeiro AOD aprovado no Brasil para prevenção de AVC, seguido da rivaroxabana quatro meses depois. Dois anos depois, a apixabana também foi introduzida no mercado brasileiro e somente em fevereiro de 2018 a edoxabana se tornou disponível. Compara à varfarina, muitos ensaios sugeriram que os AODs não são inferiores na prevenção de AVCs isquêmicos e possivelmente superiores na redução da mortalidade, talvez devido à menor ocorrência de hemorragias intracranianas.4 Além de não necessitar monitoramento laboratorial, os AODs têm uma farmacocinética mais previsível e uma incidência mais baixa de interações medicamentosas. Estudos recentes demonstraram um aumento na taxa de prescrições de anticoagulantes entre os médicos desde que os AODs se tornaram disponíveis na prática clínica.1

Análise de tendência de busca na Internet é um método promissor para estimar a frequência com que intervenções médicas têm sido aplicadas na prática clínica. Publicações mais recentes sugeriram uma forte correlação entre os termos inseridos nas buscas na rede, decisões médicas e padrões de prescrição farmacológica para uma dada região.5 No entanto, não está claro se esses padrões de busca também são preditivos de tendências regionais associadas a ventos clínicos.

Tendências de busca na Internet na assistência à saúde

Atualmente, o Google talvez seja a ferramenta de busca mais utilizada, mesmo entre os profissionais de saúde. Os padrões de busca criados dentro do Google estão disponíveis desde 2004 e podem ser acessados a partir do Google Trends (Google Inc. Mountain View, CA, EUA). Em resumo, trata-se de uma ferramenta de acesso aberto que apresenta com que frequência um dado termo ou tópico foi buscado no programa de busca Google. Além disso, podem ser aplicados filtros para especificar uma região e o período para a análise. A frequência á apresentada como um número entre 0 e 100, que varia ao longo do intervalo de tempo pré-definido e representa uma proporção em relação ao ponto mais alto de popularidade. Assim, um valor de 100 indica o momento em que o termo ou tópico alcançou o interesse mais alto de busca, e um valor de zero correlaciona-se com menos que 1% da popularidade máxima.6 Além disso, até cinco termos podem ser analisados simultaneamente, e um valor médio de popularidade é automaticamente gerado para cada termo durante o intervalo selecionado.

Os sistemas de busca de Internet têm o potencial de refletir o interesse geral de uma população sobre um dado tópico, dentro de um intervalo de tempo e uma região específicos. O Google Trends é um exemplo dessa ferramenta, e seus escores resultam de muitos fatores que influenciam diretamente o entendimento do público acerca do assunto pesquisado. Esses fatores incluem campanhas promocionais, cobertura da mídia, taxas de alfabetização e status socioeconômico. No entanto, quando pacientes e profissionais de saúde são expostos à informação e conhecimento, existe uma maior probabilidade de uma tomada de decisão informada em relação à implementação de intervenções médicas.

Um estudo de Kritz et al.,7 mostrou que os médicos utilizam frequentemente sistemas gerais de busca para obterem conhecimento médico na prática diária, principalmente pela falta de tempo para uma pesquisa mais ampla.7 Além disso, alguns países utilizam sistemas de busca como ferramentas de pesquisa epidemiológica para uma variedade de doenças, o que poderia ter implicações nas políticas públicas de saúde. Na França, o Sentinel Network é um sistema público de monitoramento de saúde pública em que médicos clínicos gerais utilizam dados baseados em rede para acompanharem padrões de doenças e potencialmente identificarem surtos em estágio inicial.8

Apesar de escores de popularidade não necessariamente refletirem os padrões de prescrição de medicamentos, estudos anteriores incluindo uma ampla variedade de medicamentos sugeriram que uma associação de fato existe. Essa associação foi demonstrada com estatinas e vários medicamentos não cardiovasculares.9 , 10 Um estudo de Lippi et al.,6 também apontou um aumento no volume de busca online por AODs, o que condiz com o rápido aumento na prática clínica.

Tendências de busca na Internet para anticoagulantes orais e AVC

Apesar do aumento progressivo no número de publicações nessa área, a associação entre padrões específicos de busca de tratamento e variações subsequentes nos eventos clínicos populacionais necessita ainda ser demonstrada. Se uma relação realmente existe, os dados de busca poderiam funcionar como um substituto para efeitos em grande escala de um dado tratamento farmacológico ou intervenção em relação a desfechos clínicos específicos. A influência de anticoagulantes orais na epidemiologia de mortes relacionadas a AVC serve como um exemplo adequado nesse cenário, considerando que a maioria dos eventos cerebrovasculares isquêmicos são cardioembólicos e prevenidos por anticoagulantes orais. Hernandez et al.,11 correlacionaram a variação geográfica no uso de anticoagulantes e as taxas de AVC em usuários do Medicare, demonstrando uma relação inversa entre as duas variáveis.11

Segundo o departamento de tecnologia da informação do Sistema Único de Saúde (DATASUS), o número total de mortes relacionadas a AVC no Brasil diminuiu de 2006 a 2015, apesar que a redução mais significativa tenha ocorrido após 2011.12 Além disso, AVC isquêmico e os casos de AVC sem classificação específica (ICD-10 códigos I63 e I64) foram a maioria dos eventos cerebrovasculares (70.2%), e apresentaram um padrão similar de declínio após 2011 (média de 49 406,4 ± 451 vs. 46447,2 ± 1633 de óbitos por ano antes e após 2011, respectivamente). Por outro lado, mortes por AVC hemorrágico (ICD-10 códigos I60, I61 e I62) aumentaram no mesmo período, apesar que em uma proporção bem menor (média de 19 740,4 ± 278 vs. 20 933.8 ± 446 de óbitos por ano antes e após 2011, respectivamente).13

Durante o mesmo período, quando varfarina, dabigatrana e rivaroxabana foram usadas como tópicos de busca, e o Brasil como a única região de busca, observou-se um franco declínio nos escores do Google Trands para varfarina após 2011. Em 2015, o valor de popularidade havia atingido aproximadamente o mesmo nível que em 2009. Por outro lado, o score para rivaroxabana aumentou consideravelmente após 2011, e ultrapassou a popularidade da varfarina após 2013. O escore de busca para dabigarana permaneceu consistentemente abaixo dos outros dois anticoagulantes por todo o período de tempo analisado. Deve-se ressaltar que, quando um tópico (ou seja, “medicamento”) é usado como opção de busca, os termos associados ao medicamento, incluindo nomes comerciais, também são contemplados.

Quando as mortes relacionadas a AVC e escores de busca são analisados em combinação, parece existir uma correlação inversa com AVC isquêmico e uma associação positiva com eventos hemorrágicos. Entre 2011 e 2015, mortalidade total e por AVC isquêmico diminuiu ( Figura 1 ), ao passo que eventos hemorrágicos aumentaram ( Figura 2 ) concomitantemente ao aumento dos escores do Google Trends para AODs. Mais importante, essa relação parece ter sido primariamente causada por um aumento da popularidade da rivaroxabana.

Figura 1. – Mortes por acidente vascular cerebral isquêmico por ano e média de escores do Google Trends para anticoagulantes. Após 2011, houve um aumento na popularidade online da rivaroxabana acompanhada por um decréscimo no número total de mortes relacionadas a acidente vascular cerebral isquêmico no Brasil.

Figura 1

Figura 2. – Mortes por acidente vascular cerebral hemorrágico por ano e média de escores do Google Trends para anticoagulantes. Após 2011, houve um aumento na popularidade online da rivaroxabana acompanhada por um aumento escalonado no número de mortes relacionadas a acidente vascular cerebral hemorrágico no Brasil.

Figura 2

Uma vez que tem ocorrido um aumento progressivo na prescrição de anticoagulantes orais na prática clínica, além de um aumento na popularidade dos AODs na Internet em todo o mundo, modificações na incidência de eventos cerebrovasculares isquêmicos e hemorrágicos podem ser antecipadas.1 , 6 No Brasil, tal impacto também seria esperado, já que desde 2015 a rivaroxabana já era a droga de maior receita de venda no mercado nacional, apenas quatro anos após ter se tornado disponível ao público.14 Em apenas dois anos, a rivaroxabana ultrapassou a varfarina em volume de busca na Internet na maior parte do país. Esses achados provavelmente se devem a um aumento no uso de AODs, em vez de uma transição entre categorias de anticoagulantes. Os AODs tornaram-se opções atrativas quando a prevenção de AVC é considerada em FA, principalmente devido à sua farmacocinética previsível, provavelmente maior segurança e eficácia não inferior à de antagonistas da vitamina K.

Ao contrário do que foi encontrado em relação a AVC isquêmico, mortes relacionadas a AVC hemorrágico aparentemente aumentaram desde 2011. Apesar de tal aumento haver ocorrido em uma taxa mais lenta, a tendência parece também estar relacionada aos padrões de busca por rivaroxabana. Talvez essa tendência tenha sido consequente ao grande número de pacientes sem tratamento prévio que progressivamente receberam anticoagulantes, já que os AODs tendem a reduzir sangramento intracraniano em comparação à varfarina.

A maior utilização do escore CHA2DS2-Vasc Score também pode ter contribuído para o aumento no número de pacientes recebendo terapia anticoagulante durante o período de estudo.1 Além disso, considerando que a mortalidade total por AVC diminuiu significativamente, o padrão epidemiológico é comparável ao benefício líquido dos AODs descrito em muitos ensaios.4 A possibilidade de que outros fatores, tais como políticas de saúde pública, maior controle dos fatores de risco cardiovascular, e melhores condições socioeconômicas, possa ter influenciado o número anual de mortes não pode ser excluída. Contudo, uma redução nas mortes relacionadas a AVC hemorrágico também já seria esperada como resultado dessas intervenções. Até 2017, observou-se um declínio consistente nas mortes isquêmicas, enquanto os eventos hemorrágicos continuaram a aumentar.12

Apesar de os escores de busca fornecerem uma estimativa dos padrões de prescrição, não são um reflexo direto de utilização ou vendas regionais dos medicamentos. O acesso à Internet em 2014 estava disponível em aproximadamente 50% dos domicílios no Brasil e a taxa de analfabetismo em indivíduos acima de 65 anos ainda era alta (26,4%).15 Assim, esses padrões devem ser interpretados considerando todos os potenciais vieses, principalmente pelo fato de os algoritmos específicos empregados pelo Google Trends não terem sido apresentados. Porém, uma vez que o acesso à Internet aumenta em todo o mundo, e novas políticas são desenvolvidas para a redução das taxas de analfabetismo, as tendências de busca se tornarão cada vez mais correlacionados a padrões diários de comportamento.

Conclusão

O progressivo crescimento da população mundial tem demandado o desenvolvimento de novos mecanismos para monitorar mudanças epidemiológicas tanto nas tendências de tratamento como nos padrões de doença. Nesse contexto, a Internet tornou-se uma ferramenta valiosa para reunir informações na tomada de decisão diária, particularmente no cuidado à saúde, em que a análise crítica dos dados coletados também é de suma importância. Nos últimos dez anos, o aumento em experiência clínica com AODs em pacientes com FA foi acompanhado por um aumento global significativo na popularidade dessas drogas em sistemas de busca na Internet. Esse fenômeno parece também estar ocorrendo em países de renda média, tal como o Brasil. No entanto, a associação entre tendências de buscas na rede e desfechos clínicos continua uma área pouco estudada. Existe a possibilidade de que a eficácia de políticas de saúde e intervenções em grande escala, tais como campanhas de vacinação, possam ser monitoradas por dados de busca online, principalmente em regiões onde a maioria da população tem acesso à Internet. Áreas específicas da medicina onde essa estratégia possa ser valiosa precisam ser determinadas e exploradas em estudos futuros.

Agradecimentos

Este estudo recebeu o apoio da Universidade Federal do Rio de Janeiro e do Instituto do Coração Edson Saad.

Vinculação acadêmica

Não há vinculação deste estudo a programas de pós-graduação.

Aprovação ética e consentimento informado

Este artigo não contém estudos com humanos ou animais realizados por nenhum dos autores.

Fontes de financiamento

O presente estudo não teve fontes de financiamento externas.

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Arq Bras Cardiol. 2020 May 12;114(4):726–729. [Article in English]

Internet Search Trends and Regional Mortality Tendencies: The Case of Oral Anticoagulants and Stroke

Roberto Muniz Ferreira 1,2, Ísis da Capela Pinheiro 1,2, João Roquette Fleury da Rocha 1,2

Introduction

Multiple studies have found that up to 30% of ischemic strokes are associated with atrial fibrillation (AF), especially in the elderly population.1 , 2 Although the embolic risk varies according to clinical characteristics and comorbidities, anticoagulant therapy has consistently shown to reduce stroke rates by approximately 70%.1 However, previous studies demonstrated that treatment rates with warfarin were low, even in patients at high risk for embolic events. Despite evidence from various publications demonstrating the effectiveness and safety of vitamin K antagonists, their complex pharmacokinetics and the need for continuous monitoring and frequent dose adjustments were the main explanations for low adherence.3

Over the last 10 years, four direct oral anticoagulants (DOAC) have become available to prevent embolic events in patients with non-valvular AF: dabigatran, rivaroxaban, apixaban and edoxaban. In August 2011, dabigatran was the first DOAC approved in Brazil for stroke prevention, followed by rivaroxaban four months later. Two years later, apixaban was also introduced in the Brazilian market and only in February 2018 edoxaban became available. When compared to warfarin, multiple trials have suggested that DOACs are non-inferior in preventing ischemic strokes and possibly superior in reducing mortality, perhaps due to fewer intracranial hemorrhages.4 In addition to waive the need for laboratory monitoring, they have more predictable pharmacokinetics and a lower incidence of drug-to-drug interactions. Recent studies have demonstrated an increase in anticoagulation prescription rates among physicians since DOACs have become clinically available.1

The analysis of Internet search trends is a promising method for estimating the frequency by which medical interventions are being applied in clinical practice. More recent publications have suggested a strong correlation between Internet search engine query data, medical decision making and pharmacological prescription patterns for a given region.5 However, it is not clear whether these search patterns are also predictive of regional trends associated with clinical events.

Internet search trends in health care

Currently, Google is perhaps the most utilized online search tool, even among healthcare professionals. The search patterns created within Google have been available since 2004 and can be accessed from Google Trends (Google Inc. Mountain View, CA, USA). Briefly, this is an open-access tool which displays how frequently any given term or topic has been searched for in the Google search engine. Additionally, filters can be used to specify a region and time period for the analysis. The frequency is presented as a number from 0 to 100 which varies over the predefined time interval and represents a proportion in relation to the highest popularity point. Accordingly, a value of 100 indicates the moment at which the term or topic reached the highest search interest, and a value of zero correlates to less than 1% of the peak popularity.6 Also, up to five terms or topics can be analyzed simultaneously, and a mean popularity value is automatically provided for each term during the selected interval.

Internet search engines have the potential to reflect the general interest of a population in a given topic, within a specific time interval and region. Google Trends is an example of such a tool, and the scores provided the website are a result of many factors that directly influence the public’s awareness regarding the subject being researched. These include promotional campaigns, media coverage, internet access, literacy rates and socioeconomic status. Nevertheless, when patients and health care professionals are exposed to information and knowledge, there is a higher probability of an informed decision regarding the implementation of medical interventions.

A study by Kritz et al.7 demonstrated that physicians frequently use general search engines to retrieve medical knowledge in daily practice, chiefly because of lack of time for a more thorough research.7 Furthermore, some countries use search engines as epidemiological surveillance tools for a variety of diseases, which could have implications in public health policies. In France, the Sentinel Network is a public health monitoring system where general practitioners use web-based data to follow disease patterns and potentially identify outbreaks at an early stage.8

Although popularity scores do not necessarily mirror drug prescription patterns, previous studies with a wide variety of medications have suggested that an association does in fact exist. This association has been shown with statins and several non-cardiovascular drugs.9 , 10 A previous study by Lippi et al.6 also found an increase in worldwide online search volume for DOACs, which has been consistent with the escalation in clinical use.

Internet search trends for oral anticoagulants and stroke

Despite a progressive increase in the number of publications in this area, an association between specific patterns of treatment search and subsequent variations in populational clinical events has yet to be clearly demonstrated. If a relationship really exists, search data would have the potential to function as a surrogate for large-scale effects of a given drug or intervention regarding specific clinical outcomes. The influence of oral anticoagulants in the epidemiology of stroke-related deaths serves as an adequate example in this scenario, considering that most ischemic cerebrovascular events are cardioembolic and effectively prevented by oral anticoagulants. Hernandez et al.11 have previously correlated geographic variation in the use of anticoagulation with stroke rates among Medicare beneficiaries, demonstrating an inverse relationship between the two variables.11

According to the Department of Information Technology of the Brazilian Unified Health System (DATASUS), the total number of stroke-related deaths in Brazil declined between 2006 and 2015, although the most significant reduction was after 2011.12 In addition, ischemic strokes and those not classified as a specific type (ICD-10 codes I63 and I64) comprised most of the cerebrovascular events (70,2%), and presented a similar pattern of decline since 2011 (mean of 49,406.4 ± 451 vs. 46,447.2 ± 1633 deaths per year before and after 2011, respectively). Conversely, hemorrhagic stroke deaths (ICD-10 codes I60, I61 and I62) increased in the same period, albeit at a much lower proportion (mean of 19,740.4 ± 278 vs 20,933.8 ± 446 deaths per year before and after 2011, respectively).13

During the same period, when warfarin, dabigatran and rivaroxaban were used as search topics (“drug”) and Brazil was defined as the only search region, there was a clear tendency for a decline in warfarin’s Google Trends search scores after 2011. In 2015 the popularity value reached approximately the same level as 2009. Conversely, rivaroxaban’s score increased considerably after 2011, and surpassed warfarin’s popularity after 2013. Dabigatran’s search score remained consistently below the other two anticoagulants throughout the analyzed time interval. It should be noted that when a topic (i.e. “drug”) is used as the search option, terms that are associated with the corresponding drug, including commercial names, are also contemplated.

When stroke-related deaths and search scores are appreciated in combination there appears to be an inverse correlation with ischemic strokes and a positive association with hemorrhagic events. Between 2011 and 2015, total and ischemic stroke deaths decreased ( Figure 1 ) and hemorrhagic events increased ( Figure 2 ) concurrently to an escalation in DOAC Google Trends’ search scores. Most importantly, this relationship seemed to be primarily driven by a rise in rivaroxaban’s popularity.

Figure 1. – Annual ischemic stroke-related deaths and mean Google Trends scores for anticoagulants. After 2011, an increase in the online popularity of rivaroxaban was accompanied by a decrease in the number of ischemic stroke related-deaths in Brazil.

Figure 1

Figure 2. – Annual hemorrhagic stroke-related deaths and mean anticoagulant Google Trends scores. After 2011, an increase in rivaroxaban’s online popularity was accompanied by an escalation in the total number of hemorrhagic stroke related-deaths in Brazil.

Figure 2

Since there has been a progressive increase in the prescription of oral anticoagulants in clinical practice, and also a rise in the internet popularity of DOAC worldwide, changes in the incidence of both ischemic and hemorrhagic cerebrovascular events may be anticipated.1 , 6 In Brazil, such an impact would also be expected, since in 2015 rivaroxaban was already the drug with the third highest sales revenue in the national market, only four years after it became available to the public.14 In only two years, rivaroxaban surpassed warfarin in Internet search volume in most of the country. This finding is probably related to an increase in the use of DOACs, rather than a transition between anticoagulant categories. DOACs have become attractive options when stroke prevention is considered in AF, mainly because of their predictable pharmacokinetics, probably safer profile and non-inferior effectiveness when compared to vitamin K antagonists.

Contrary to what was found with ischemic strokes, hemorrhagic stroke-related deaths apparently increased since 2011. Although such an escalation occurred at a lower rate, the trend also appeared to be related to rivaroxaban´s search patterns. Perhaps this tendency was also a result of a greater number of previously untreated patients that progressively received anticoagulants, since DOACs tend to reduce intracranial bleeding when compared to warfarin.

The greater adoption of the CHA2DS2-Vasc Score could also have contributed in expanding the number of patients on anticoagulant therapy during the study period.1 Furthermore, considering that total stroke deaths decreased significantly, the epidemiological pattern is comparable to the net benefit of DOACs that has been found in multiple trials.4 The possibility that other factors, such as public health policies, greater cardiovascular risk factor control and improvements in socioeconomic conditions, may have influenced the annual number of deaths cannot be entirely excluded. However, a reduction in hemorrhagic stroke-related deaths would be expected solely from these interventions. Until 2017, a persistent decline in ischemic deaths was still observed, whereas hemorrhagic events continued to increase.12

Although search scores may provide an estimate of prescription patterns, they are not a direct reflection of regional drug utilization or sales. Internet access in 2014 was available in approximately 50% of all households in Brazil and the illiteracy rate in individuals over 65 years of age was still high (26.4%).15 As such, these patterns must be interpreted considering all of the potential biases, especially because the specific algorithms that were employed by Google Trends were not disclosed. Nevertheless, as Internet access expands throughout the World and new policies are developed to reduce illiteracy rates, search trends will become increasingly more correlated to daily behavioral patterns.

Conclusion

The progressive worldwide populational growth has demanded the development of new mechanisms to monitor epidemiological changes in both treatment tendencies and disease patterns. In this context, the Internet has become a valuable tool for gathering information to aid in daily decision making, particularly in health care, where the critical appraisal of the collected data is also of upmost importance. Over the last 10 years, the increasing clinical experience with DOACs in patients with AF has been accompanied by a significant global rise in the popularity of these drugs in Internet search engines. This phenomenon also appears to be occurring in middle-income countries, such as Brazil. However, the association between web-based tendencies and clinical outcomes is still an area that needs further investigation. There is a possibility that the effectiveness of large-scale health care policies and interventions, such as vaccination campaigns, may be monitored by online search data, especially in regions where most of the population have access to the internet. Specific areas in medicine where this strategy may be of value are yet to be determined and should be explored in future studies.

Acknowledgements

This study was supported by the Federal University of Rio de Janeiro and the Edson Saad Heart Institute.

Study Association

This study is not associated with any thesis or dissertation work.

Ethics approval and consent to participate

This article does not contain any studies with human participants or animals performed by any of the authors.

Sources of Funding

There were no external funding sources for this study.


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