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. 2022 Nov 9;119(5 Suppl 1):43–51. [Article in Portuguese] doi: 10.36660/abc.20220457
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Programa de Residência Médica em Cardiologia de Adultos do InCor em 2022: 40 Anos Formando Cardiologistas para as Demandas do Brasil

Marcos Pita Lottenberg 1,*, Luciana Dornfeld Bichuette 1,*, Luiz Aparecido Bortolotto 1, Luís Henrique Wolff Gowdak 1, Francisco Carlos da Costa Darrieux 1, Maria Angélica Binotto 1, Roberto Kalil Filho 1, Bruno Caramelli 1
PMCID: PMC9750193  PMID: 36449958

Resumo

Fundamento

Diante de dados demográficos referentes às áreas de atuação dos cardiologistas no Brasil, a coordenação do Programa de Residência Médica em Cardiologia do Instituto do Coração (PRM INCOR) entendeu a necessidade de uma atualização de seu conteúdo programático, a fim de adaptar o processo de formação à realidade profissional do cardiologista.

Objetivo

O presente artigo tem como objetivo descrever à comunidade científica as atualizações recentemente implementadas no PRM INCOR.

Métodos

No artigo, descrevemos as atualizações recentes do PRM INCOR, comparando a grade teórica pregressa e a atual. Expomos também o racional por trás de tais mudanças com dados de literatura relacionados à atuação do médico cardiologista no mercado de trabalho.

Resultado

Houve uma redução da carga horária destinada a estágios de terapia intensiva, e um incremento nas atividades ambulatoriais relacionadas a medidas de prevenção primária e secundária. Além disso, o programa passou por uma reformulação de seu conteúdo didático, organizado agora por núcleos de competência.

Conclusão

A atualização da grade curricular decorre da necessidade de adequar o PRM INCOR à realidade atual do mercado de trabalho brasileiro. O grupo envolvido na atualização está ciente que se trata de um processo dinâmico e que pode exigir modificações no decorrer do tempo.

Keywords: Cardiologia, Residência Médica, Educação Médica

Introdução

As doenças cardiovasculares representam uma grande preocupação no Brasil e no mundo, sendo a principal causa de morte no país e responsável por uma parcela significativa dos custos relacionados aos cuidados de saúde. No entanto, muitos brasileiros ainda não recebem cuidados cardiovasculares adequados, seja por escassez de recursos ou formação deficitária de médicos especialistas. Melhorar a formação dos profissionais de saúde pode contribuir para mudar esse cenário, embora a compreensão das mudanças necessárias nos programas de treinamento em cardiologia não seja uma tarefa fácil.

Traçar paralelos entre os programas de residência em cardiologia no Brasil e em países desenvolvidos pode ajudar a identificar possíveis alvos de melhoria. Porém, é fundamental conhecer a inserção e a área de atuação dos profissionais de saúde depois de formados, para adaptar o processo de formação à realidade do mercado.

Segundo Scheffer et al., 1 em 2020, o número de médicos aproximou-se a meio milhão no Brasil, o que corresponde à relação de 2,4 por mil habitantes. Desses, 4,1% (n=17 802) são cardiologistas, o que coloca essa especialidade entre as 10 com o maior número de médicos, correspondendo à razão de 8,47 por 100.000 habitantes. Apesar do aumento do número de médicos, resultado da abertura de novos cursos de medicina, os profissionais ainda se encontram mal distribuídos geograficamente (entre regiões urbanas, periféricas e rurais) e no sistema de saúde (entre os setores público e privado, e entre os níveis de atenção primária, ambulatorial e hospitalar). 1 Ainda segundo este levantamento, apenas 8,16% dos cardiologistas em atividade possui o título de especialista em medicina intensiva. Apesar de não ser obrigatória a obtenção do título de especialista em terapia intensiva para realizar plantões em Unidades de Terapia Intensiva (UTI) e prontos-socorros no país, esse dado pode indicar que, o plantão nesses locais seja apenas uma etapa transitória na vida profissional do cardiologista no Brasil. Por outro lado, a preferência ou a maior duração dos estágios de emergência e UTI na grade curricular da residência, em detrimento de outras áreas clínicas, talvez não reflita o perfil profissional atual.

A Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC) realizou, em 2017, um levantamento entre seus sócios para identificar o perfil de atuação profissional do médico cardiologista no território brasileiro. 2 Um total de 2101 médicos responderam ao questionário, sendo que 70,5% eram portadores do título de cardiologia pela SBC e 29,5% eram aspirantes ao título; 49,3% declararam trabalhar em três ou mais locais diferentes, e 46,5% declararam ter o hospital público como local de trabalho mais frequente. Esse dado sugere que a formação do cardiologista, fundamentalmente em um hospital-escola público, traz ao médico residente aspectos práticos do cenário em que provavelmente será inserido após o término de sua formação. Outro estudo observacional transversal 3 envolvendo médicos graduados pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP) demonstrou que mais da metade deles trabalha tanto no setor público quanto privado, sendo que 63,4% trabalhavam em consultórios e clínicas particulares.

Este artigo tem como objetivo descrever as mudanças instituídas no programa de Residência Médica (PRM) do Instituto do Coração do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (PRM Incor).

Programa de residência médica

O PRM Incor existe desde 1982, quando aconteceu o credenciamento junto à Comissão de Residência Médica (COREME). Desde então, já foram formados 796 médicos cardiologistas vindos de todos os estados do Brasil. O PRM Incor tinha uma grade curricular que contemplava, no primeiro ano, dois meses de treinamento em urgência e emergência, um mês de treinamento em métodos diagnósticos e o restante do ano em estágios que envolviam atividades em ambulatório e enfermaria. O residente percorria as unidades de aterosclerose, coronariopatia crônica, valvopatias, insuficiência cardíaca, transplante cardíaco, hipertensão, lipídios e marcapasso. O segundo ano do programa também possuía estágios de cunho ambulatorial, como o de arritmia, miocardiopatias e doenças da aorta e cardiopatias congênitas. Além disso, havia grande concentração de atividades de terapia intensiva: cinco meses voltados exclusivamente a atividades na unidade coronariana, na UTI clínica e na UTI pós-operatória. A tabela 1 exemplifica a grade curricular em vigor até o ano de 2021.

Tabela 1. Grade curricular do programa de residência médica do Instituto do Coração em vigor até 2021.

Primeiro Ano Segundo Ano
Urgência e emergência (2 meses) UTI clínica (2 meses)
Valvopatias (2 meses) Unidade coronariana (2 meses)
Aterosclerose e coronariopatia crônica (2 meses) UTI pós operatória (1 mês)
Estimulação cardíaca artificial (1 mês) Miocardiopatias (1 mês)
Transplante cardíaco (1 mês) Cardiopatias congênitas (1 mês)
Insuficiência cardíaca (1 mês) Arritmia clínica (1 mês)
Métodos gráficos (1 mês) Interconsulta (1 mês)
Hipertensão (15 dias) Estágio eletivo (1 mês)
Lipídios (15 dias) Doenças da Aorta (15 dias)
  Cardio-oncologia (15 dias)

UTI: unidade de terapia intensiva.

Apesar de se tratar de uma grade curricular extremamente competente e abrangente, a nova coordenação do programa decidiu realizar uma atualização considerando que é fundamental que o conteúdo programático da residência reflita a prática do médico cardiologista contemporâneo no país. Este processo envolveu longo período de discussão desenvolvido pelo grupo constituído por diretores de todas as unidades clínicas da instituição, incluindo docentes da Universidade de São Paulo que atuam na formação de médicos residentes há várias décadas e que estão indicados ao final deste artigo.

Neste sentido, alguns pontos de mudança foram definidos: primeiramente, decidiu-se pelo desenvolvimento dos estágios em núcleos de competência, para proporcionar uma melhor organização e continuidade dos temas abordados. Essa dinâmica possibilita, também, que os núcleos unifiquem programas didáticos e organizem de forma mais centralizada as competências primordiais ao residente naqueles estágios. As Tabelas 2 e 3 e as Figuras 1 , 2 , 3 e 4 trazem o exemplo do conteúdo programático e das competências definidas pelos núcleos de valvopatias e coronariopatia crônica/aterosclerose.

Tabela 2. Programa teórico do núcleo de valvopatias.

Número da Aula Conteúdo da Aula
1 Diagnóstico e conduta nas valvopatias
2 Fisiopatologia das valvopatias
3 Febre reumática
4 Estenose aórtica
5 Insuficiência aórtica
6 Estenose mitral
7 Insuficiência mitral
8 Tratamento da valvopatia tricúspide
9 Doença coronariana e valvopatias
10 Endocardite infecciosa
11 TAVI
12 Fragilidade no portador de valvopatias
13 Amiloidose e estenose aórtica
14 Anticoagulação
15 Complicações da TAVI
16 Diretrizes
17 Revisão de 120 questões
18 Revisão geral

TAVI: implante de válvula aórtica transcateter.

Tabela 3. Programa teórico do núcleo de coronariopatia crônica/aterosclerose.

Número da Aula Conteúdo da Aula
1 Fisiopatologia da placa aterosclerótica
2 Interpretação da cinecoronariografia
3 Bases do tratamento medicamentoso
4 Redução de risco residual em diabéticos
5 Anticoagulação na SCC
6 Antiagregação em longo prazo na SCC
7 TAPD - seleção e duração
8 Etiologias incomuns de SCC
9 Indicações de revascularização
10 Seleção de estratégia de intervenção
11 SCC e disfunção ventricular
12 Investigação e estratificação da SCC
13 Síndrome coronária crônica em populações especiais
14 Uso de AngioTC de coronárias e RM cardíaca na SCC
15 Ecocardiograma de stress em SCC
16 Medicina Nuclear em SCC
17 Redução de risco residual lipídico
18 Reabilitação em SCC
19 Aspectos técnicos da cirurgia de revascularização
20 Escolha dos enxertos na cirurgia de revascularização
21 Aspectos técnicos da intervenção coronária percutânea
22 Tratamento da angina refratária

SCC: síndrome coronária crônica; TAPD: terapia antiplaquetária dupla; AngioTC: angiotomografia.

Figura 1. Competências pré-estabelecidas pelo núcleo de valvopatias. TAVI: implante de válvula aórtica transcateter.

Figura 1

Figura 2. Estimativa de pacientes acompanhados no núcleo de valvopatias. TAVI: implante de válvula aórtica transcateter.

Figura 2

Figura 3. Competências pré-estabelecidas pelo núcleo de coronariopatia crônica/aterosclerose. INOCA: isquemia sem doença arterial coronariana; SCC: síndrome coronária crônica; FA: fibrilação atrial; IAM: infarto agudo do miocárdio; DRC: doença renal crônica.

Figura 3

Figura 4. Estimativa de pacientes acompanhados no núcleo de coronariopatia crônica/aterosclerose. INOCA: isquemia sem doença arterial coronariana; SCC: síndrome coronária crônica; FA: fibrilação atrial; DRC: doença renal crônica.

Figura 4

Em segundo lugar, entendeu-se que a carga horária destinada a estágios de terapia intensiva era desproporcional à carga de atuação do médico cardiologista nessa área, e optou-se pela redução do tempo de estágio em UTI. Em terceiro, diante da relevante participação do médico cardiologista em atividades ambulatoriais, e dado que essas contemplam em boa parte a assistência a pacientes em busca de medidas de prevenção primária e secundária, criou-se o núcleo de prevenção. Nesse, o residente tem a oportunidade de ter contato com áreas não contempladas no programa até então, como cardiogeriatria, reabilitação cardiopulmonar e ambulatório de triagem, além de estágios pré-existentes como lípides, hipertensão, tabagismo e ambulatório de atendimento a pacientes com cardiopatias em nível secundário em unidade externa. A Figura 5 mostra a nova grade curricular em vigor a partir de 2022.

Figura 5. Grade curricular do programa de residência médica do Instituto do Coração a partir de 2022. UTI: Unidade de Terapia Intensiva; UCO: Unidade Coronariana; REC: UTI pós-operatória.

Figura 5

Formas de ingresso

Para se tornar cardiologista no Brasil, é necessário, após a formação em Medicina, cursar dois anos de especialização em Clínica Médica, seguidos de dois anos de especialização em Cardiologia. Até o ano de 2021 havia duas formas de ingresso no Incor. A primeira ocorria por meio do processo seletivo de Residência Médica, cuja prova é a mesma para todos as especialidades clínicas oferecidas pela instituição, com remuneração prevista durante o período e 28 vagas ofertadas. A segunda ocorria por meio de um processo seletivo exclusivo do Incor, cujos ingressantes possuíam uma menor carga horária de trabalho e algumas diferenças em relação à grade curricular, sem remuneração prevista. Esses profissionais não recebiam automaticamente, ao término de seu treinamento, o certificado de cardiologista pelo Conselho Federal de Medicina, sendo necessário realizar a prova de título da Sociedade Brasileira de Cardiologia.

Diante da necessidade de homogeneização na formação dos médicos na instituição, foi solicitado no ano de 2022, junto ao Ministério da Saúde e à Secretaria de Saúde do Estado de São Paulo, o aumento do número de vagas no PRM INCOR, que passou a ofertar 52 vagas, sendo que todos os aprovados passam atualmente por mesma grade curricular. Diante disso, foram extintas outras formas de ingresso.

Conclusão

Entendemos que, para adequar o PRM em cardiologia do Incor à realidade do mercado de trabalho brasileiro, houve a necessidade de atualização da grade curricular, com destaque para atividades ambulatoriais de prevenção primária e secundária, que representam hoje parcela significativa de atuação do médico cardiologista no Brasil.

O grupo envolvido na gestão do PRM INCOR está ciente de que se trata de um processo dinâmico e que pode exigir modificações. O PRM INCOR já foi implementado e está em constante monitoramento por uma Comissão criada nos anos anteriores para acompanhar e resolver demandas de médicos residentes e professores do programa.

Em nome do Programa de Residência Médica em Cardiologia do Instituto do Coração (a lista completa dos colaboradores se encontra no final do artigo)

Vinculação acadêmica

Não há vinculação deste estudo a programas de pós-graduação.

Aprovação ética e consentimento informado

Este artigo não contém estudos com humanos ou animais realizados por nenhum dos autores.

Fontes de financiamento: O presente estudo não teve fontes de financiamento externas.

Referências

  • 1.Scheffer M, editor, editor. Demografia Médica no Brasil 2020. São Paulo: Departamento de Medicina Preventiva da Faculdade de Medicina da USP, Conselho Federal de Medicina; 2020. [Google Scholar]
  • 2.Faganello LS, Pimentel M, Polanczyk CA, Zimerman T, Malachias MVB, Dutra OP, et al. The Profile of the Brazilian Cardiologist - A Sample of Members of the Brazilian Society of Cardiology. Arq Bras Cardiol. 2019;113(1):62–68. doi: 10.5935/abc.20190089. [DOI] [PMC free article] [PubMed] [Google Scholar]
  • 3.Godoy LC, Farkouh ME, Manta ICKA, Dalçóquio TF, Furtado RHM, Yu EHC, et al. Cardiology Training in Brazil and Developed Countries: Some Ideas for Improvement. Arq Bras Cardiol. 2019;113(4):768–774. doi: 10.5935/abc.20190212. [DOI] [PMC free article] [PubMed] [Google Scholar]
Arq Bras Cardiol. 2022 Nov 9;119(5 Suppl 1):43–51. [Article in English]

Incor Residency Program in Adult Cardiology in 2022: 40 Years Preparing Cardiologists for the Demands in Brazil

Marcos Pita Lottenberg 1,*, Luciana Dornfeld Bichuette 1,*, Luiz Aparecido Bortolotto 1, Luís Henrique Wolff Gowdak 1, Francisco Carlos da Costa Darrieux 1, Maria Angélica Binotto 1, Roberto Kalil Filho 1, Bruno Caramelli 1

Abstract

Background

Considering demographic data related to the cardiologist’s fields of work in Brazil, the administrative board of the InCor medical residency program decided for an update of its curriculum content, to adapt the educational process to the cardiologist’s work reality.

Objective

This article aimed to describe the recent updates applied to the InCor medical residency program.

Methods

In the article, we described the recent updates on the InCor residency program, and compared the current curriculum track with the previous one. We also presented the rationale for these changes, based on the literature on the participation of cardiologists in the labor market.

Results

There was a reduction in the working hours of residents in training in the intensive care unit, and an increase in the outpatient activities of primary and secondary prevention. Also, the didactic content was reformulated and became organized by the corresponding division.

Conclusion

The update of the curriculum track of the InCor medical residency program was required in order to adapt it to the Brazilian labor market. The commission in charge of this update is aware that this is a dynamic process that may need changes over time.

Keywords: Cardiology, Medical residency, Medical Education

Introduction

Cardiovascular diseases are a serious concern in Brazil and in the world, representing the main cause of death in Brazil, and responsible for a high proportion of health costs. However, a large part of the Brazilian population still does not receive adequate cardiovascular care, due to scarcity of resources and poor training of specialist physicians. A better education of health professionals can help to change this scenario, although understanding the necessary changes in the cardiology fellowship programs is not an easy task.

Drawing a parallel between cardiology residency programs in Brazil and in developed countries can help identify potential improvement targets. However, it is essential to identify the physician’s placement and main field of work after graduation, to adapt the process of professional formation to the market reality.

According to Scheffer et al.,1 in 2020, there were nearly half million physicians in Brazil, corresponding to 2.4 doctors per thousand inhabitants. Of these, 4.1% (n=17,802) are cardiologists, placing Cardiology among the top ten specialties with the highest number of physicians (8.47 per 100,000 inhabitants). Despite the increasing number of professionals, resulting from the emerging of new undergraduate medical courses, the number of professionals is unequally distributed across geographical regions in Brazil (between urban, peripheral and rural areas) and across the health system (between the private and the public sectors, and between primary, outpatient and hospital care).1 According to the same study,1 only 8.16% of professionally active cardiologists have a title of intensive care specialist. Although working shifts in the emergency department and in intensive care units (ICUs) does not require a title of specialist, this may suggest that working shifts in these locations represent only a transitory stage of their professional lives in Brazil. On the other hand, the preference for and the longer duration of internship in emergency medicine, in detriment of other areas, in the cardiology residency program, may not reflect the current professional profile of cardiologists.

In 2017, the Brazilian Cardiology Society (SBC) conducted a survey among its members to identify the professional profile of cardiologists in Brazil.2 A total of 2101 physicians filled out the questionnaire; 70.5% had obtained the title of cardiology specialist from the SBC and 29.5% had applied for the title; 49.3% reported to work at three or more different places, and 46.5% reported that the public hospital was the most common place of work. This indicates that the cardiology training program is mostly carried out in public hospital schools, where the physician learns much of the practical aspects of the scenario in which he/she will be probably inserted after finishing the residency. Another cross-sectional observational study3 involving physicians who graduated from the University of Sao Paulo Medical School showed that more than half of them worked both in the private and the public sectors, and 63.4% worked in private offices and clinics.

This article aims to describe the changes implemented in the medical residency program (MRP) of the Heart Institute (InCor) of the University of Sao Paulo Medical School.

Medical residency program

The Incor MRP was created in 1982, when it was accredited by the Residency Committee (COREME, Comissão de Residência Médica ). Since then, 796 physicians, coming from all Brazilian federative units, completed the cardiology fellowship program. The curricular track of the Incor MRP comprised, in the first year, of two months of training in urgency and emergency, one month of training in diagnostic methods, and nine months of training in outpatient and inpatient care. The intern passed through the units of atherosclerosis, chronic heart disease, valve disease, heart failure, heart transplant, hypertension, lipids and pacemaker. The second year of the program was comprised of an internship in outpatient care of patients with conditions like arrythmia, cardiomyopathies, aortic disease and congenital heart disease. In addition, there was a great number of activities focused on intensive care – five months exclusively dedicated to the training at the coronary care unit, at the medical ICU and the postoperative ICU. Table 1 exemplifies the curriculum in force until 2021.

Table 1. Curriculum of the University of Sao Paulo Medical School Institute of Heart (InCor) medical residency program in force until 2021.

First year Second year
Urgency and emergency (two months) Medical ICU (two months)
Heart valve disease (two months) Coronary care unit (two months)
Atherosclerosis and chronic coronary disease (two months) Postoperative ICU (one month)
Artificial cardiac pacing (one month) Myocardiopathies (one month)
Heart transplant (one month) Congenital heart disease (one month)
Heart failure (one month) Clinical arrhythmia (one month)
Graphical methods (one month) Referral (one month)
Hypertension (15 days) Elective internship (one month)
Lipids (15 days) Aortic diseases (15 days)
  Cardio-oncology (15 days)

ICU: intensive care unit.

Although it is an extremely competent and comprehensive program, the new coordinators of the InCor MRP have decided for an update, considering that it is essential that the curricular content reflects the practice of the contemporary cardiologist in Brazil. This process involved a long period of discussion by the group composed of directors of the clinical units of the institution, including lecturers (listed at the end of this paper) of the University of Sao Paulo who have worked in residency programs for decades.

Then, some change points have been defined: first, it was decided that each stage of the residency would be developed at the respective unit/center to enable better organization and continuity of the topics. This dynamic process would also allow the unification of didactic programs across the centers and the concentration of the main competencies for the interns in each stage. Tables 2 and 3 and Figures 1-4 present an example of the program and competencies defined by the heart valve disease and chronic coronary disease/atherosclerosis centers.

Table 2. Didactic training content of the heart valve disease unit.

Class number Class content
1 Diagnosis and management of valve heart disease
2 Pathophysiology of valve heart disease
3 Rheumatic fever
4 Aortic stenosis
5 Aortic insufficiency
6 Mitral stenosis
7 Mitral insufficiency
8 Treatment of tricuspid valve disease
9 Coronary disease and heart valve disease
10 Infective endocarditis
11 TAVI
12 Frailty in patients with heart valve disease
13 Amyloidosis and aortic stenosis
14 Anticoagulation
15 Complications of TAVI
16 Guidelines
17 Review of 120 questions
18 General review

TAVI: transcatheter aortic valve implantation.

Table 3. Didactic training content defined by the unit of chronic coronary disease/atherosclerosis.

Class number Class content
1 Pathophysiology of the atherosclerotic plaque
2 Interpretation of coronary angiography
3 Fundamentals of pharmacological treatment
4 Reduction of residual risk in diabetics
5 Anticoagulation in CCS
6 Long term antiaggregation in CCS
7 DAPT – selection and duration
8 Uncommon causes of CCS
9 Indications for revascularization
10 Selection of the intervention strategy
11 Chronic coronary syndrome and ventricular dysfunction
12 Investigation and stratification of CCS
13 CCS in special populations
14 Use CCTA and CMR in CCS
15 Stress echocardiography in CCS
16 Nuclear medicine in CCS
17 Reduction of residual lipid risk
18 Rehabilitation in CCS
19 Technical aspects of revascularization surgery
20 Graft selection in revascularization surgery
21 Technical aspects of percutaneous coronary intervention
22 Treatment of refractory angina

CCS: chronic coronary syndrome; DAPT: Dual antiplatelet therapy; CCTA: Coronary computed tomography angiography; CMR: cardiac magnetic resonance

Figure 1. Competencies pre-established by the division of heart valve disease. TAVI: transcatheter aortic valve implantation.

Figure 1

Figure 2. Estimative of patients seen at the unit of heart valve diseases. TAVI: transcatheter aortic valve implantation.

Figure 2

Figure 3. Competencies pre-established by the division of chronic coronary disease/atherosclerosis. INOCA: ischemia and no obstructive coronary artery disease (INOCA); CCS: chronic coronary syndrome; AF: atrial fibrillation; AMI: acute myocardial infarction; CRD: chronic renal disease.

Figure 3

Figure 4. Estimative of patients seen at the unit of chronic coronary disease/atherosclerosis. INOCA: ischemia and no obstructive coronary artery disease; CCS: chronic coronary syndrome; AF: atrial fibrillation; CRD: chronic renal disease.

Figure 4

Second, the total workload in intensive care units determined in the fellowship program was considered disproportionate given the actual working participation of cardiologists in this area, and the total of hours the residents spent in the ICU were then reduced. Third, in light of the active participation of cardiologists in outpatient care and considering that it involves strategies of primary and secondary prevention, the division of prevention was created. In this unit, the intern has the opportunity to gain work experience in areas that were not covered by the program so far, such as geriatric cardiology, cardiopulmonary rehabilitation and outpatient screening, in addition to pre-existing fellowship, including lipids, hypertension, smoking, outpatient care of heart disease patients at secondary care level at an external clinic. Figure 5 presents the new curricular program that entered into force in 2022.

Figure 5. Curricular program of the Incor residency program implemented in 2022. ICU: intensive care unit; CCU: coronary care unit.

Figure 5

Entry pathways

In Brazil, to become a cardiologist, after graduating from medical school, the physician must complete two years of internal medicine residency, followed by two years of cardiology fellowship. Until 2021 there were two entry pathways in the InCor residency program. The first one was a selection process consisting of an exam that is the same for every clinical specialty of the institution, with a salary predicted for the entire residency period and 28 openings. The second one consisted of a selection process that was exclusive of the Incor. The interns had a lower workload, there were some differences in the rotations and no salary predicted. These physicians who have fully completed their training do not get a certificate in cardiology from the Brazilian National Medical Council, and still have to pass the Brazilian Cardiology Society exam.

Considering the need to homogenize medical residency training at InCor, in 2022, the number of openings increased to 52, as requested and conceded by the Brazilian Ministry of Health and Sao Paulo State’s Secretariat of Health. All residents, once passed the exam, follow the same curricular program, and hence other entry pathways were excluded.

Conclusion

To adapt the residency program in cardiology offered at InCor to the labor market in Brazil, we believed that an update of the curricular program was required, focusing on outpatient activities of primary and secondary prevention, which accounts for a considerable volume of the cardiologist practice in the country.

The administrative board of the InCor MPR understands that this is a dynamic process that may need modification. The InCor MRP was already implemented and has been constantly monitored by a commission created in previous years to follow-up and meet the demands of resident physicians and teachers of the program.

On behalf of the InCor Residency Program in Adult Cardiology (the full list of collaborators is found in the end of this article)

Study Association

This study is not associated with any thesis or dissertation work.

Ethics approval and consent to participate

This article does not contain any studies with human participants or animals performed by any of the authors.

Sources of Funding: There were no external funding sources for this study.


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