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. 2022 Dec 20;46:e212. [Article in Portuguese] doi: 10.26633/RPSP.2022.212

Tendência de suicídio no Brasil de 2011 a 2020: foco especial na pandemia de covid-19

Trends in suicide rates in Brazil from 2011 to 2020: special focus on the COVID-19 pandemic

Tendencia de las tasas de suicidio en Brasil, 2011–2020, con especial atención a la pandemia de COVID-19

Fernanda Cunha Soares 1, Douglas Nunes Stahnke 2, Mateus Luz Levandowski 1,
PMCID: PMC9767242  PMID: 36569581

ABSTRACT

Objective.

To describe the trends in suicide rates in Brazil from 2011 to 2020 and determine whether these rates are associated with COVID-19 pandemic-related variables.

Method.

This ecological time series study analyzed mortality from suicide with a focus on 2020, the first year of the COVID-19 pandemic. The suicide mortality rate per 100,000 population was the primary outcome. The trends in suicide rates were estimated using generalized Prais-Winsten regression. An autoregressive integrated moving average (ARIMA) model was used to predict suicide rates in 2020. The association between suicide rates and death rates from COVID-19, unemployment, receiving emergency financial aid, and rates of social distancing was investigated.

Results.

From 2011 to 2020, 115 469 deaths by suicide were recorded in Brazil (60.5 deaths/100 000 population). The suicide rate in 2020 was 6.68/100 000 population. An increasing trend in suicide rates was observed from 2011 to 2020 in both sexes, with annual percent change of 0.23 (95%CI: 0.141; 0.322) in women; and 1.19 (95%CI: 0.714; 1.810) in men. Mortality by suicide increased in all regions, with the highest increase recorded in the South. There was no evidence of increase in deaths by suicide in relation to the expected number during the first year of the COVID-19 pandemic.

Conclusions.

Suicide rates increased for both sexes and in all Brazilian states. In the first pandemic year, the number of deaths by suicide did not increase in relation to the expected number, with a stability trend during the months of 2020.

Keywords: Suicide, COVID-19, mortality, Brazil


O suicídio está entre as principais causas de mortalidade no mundo, com taxa global de 9,0 por 100 mil habitantes (1). Em 2019, os suicídios representaram aproximadamente 1,3% do total de mortes. Enquanto a maioria dos países registrou uma queda no número de suicídios no período de 2000 a 2019, com redução global de 36%, a região das Américas apresentou um aumento de 17% nesse período (1), sendo o Brasil um dos países com o maior crescimento de suicídios a partir de 2000 (2). De 2010 a 2019, a taxa de suicídios no Brasil cresceu 43% (3), chegando a 6,7 por 100 mil habitantes.

O Brasil, maior país da América do Sul, com população de mais de 200 milhões de pessoas (4) e área de 8 514 876 km², é a quinta maior extensão territorial do planeta, atrás somente de Rússia, Canadá, Estados Unidos e China. O Brasil está organizado em 26 estados e um Distrito Federal, distribuídos em cinco regiões: Sudeste, Sul, Centro-Oeste, Norte e Nordeste. Cada região apresenta características sociais, culturais e econômicas distintas, que refletem um comportamento discrepante na prevalência de suicídio. Em 2019, as regiões Sul e Centro-Oeste apresentaram a maior prevalência de suicídio, 9% e 11%, respectivamente (3). Com o estado de calamidade pública decretado no Brasil em 2020 em decorrência da pandemia da covid-19, especialistas alertaram para um potencial aumento nas taxas de suicídios (5, 6) em função do estresse psicológico relacionado às medidas de distanciamento social (7-9) e dos reflexos das medidas de distanciamento na área econômica (10).

Contudo, ainda são poucos os estudos avaliando as taxas de suicídio em nível populacional durante a pandemia. Foram encontrados dados tanto sobre aumento (11) e estabilidade (12) como sobre redução (13) de mortes por suicídio durante o ano de 2020. Até a presente data, apenas um estudo avaliou o impacto da pandemia sobre essas taxas no Brasil; entretanto, foram analisadas apenas duas cidades, de pequeno (140 mil habitantes) e médio porte (1 milhão de habitantes), com número baixo de suicídios em cada uma (14).

Até o dia 31 de dezembro 2020, o Brasil havia registrado 7,68 milhões de casos e 194 949 mortes por covid-19, com uma das maiores razões entre mortes confirmadas por covid-19 e densidade populacional — com 2,7% da população global, o Brasil teve aproximadamente 10% das mortes no mundo. Sem vacinação, e com a taxa de transmissibilidade aumentando em 2020, a maioria dos estados brasileiros adotou medidas restritivas de distanciamento social e fechamento de serviços não essenciais para conter a transmissão exponencial do vírus, repercutindo na maior recessão econômica desde os anos 1980.

Frente a esse cenário, o objetivo deste estudo foi descrever a tendência das taxas de suicídio no Brasil na série histórica de 2011 a 2020 e investigar a associação da mortalidade por suicídio com variáveis relacionadas à pandemia em 2020, como taxa de desemprego, distanciamento social e recebimento de auxílio financeiro emergencial.

MATERIAIS E MÉTODOS

Realizou-se um estudo ecológico, de série temporal, com enfoque específico no ano de 2020, primeiro ano da pandemia de covid-19. O estudo utilizou como base os dados de óbitos por suicídio registrados no Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM) do Sistema Único de Saúde (SUS). No Brasil, as mortes por suicídio são registradas a partir dos atestados de óbito emitidos por médicos, conforme exigido por lei. As certidões de óbito são obrigatórias no Brasil e os enterros não podem ocorrer sem elas. Os dados foram coletados em agosto de 2021.

Os óbitos foram codificados segundo a décima revisão da Classificação Estatística Internacional de Doenças e Problemas Relacionados à Saúde (CID-10). Foram identificados como suicídio os óbitos cujas causas básicas foram classificadas como lesão autoprovocada intencionalmente, intoxicação exógena de intenção indeterminada e sequela de lesões autoprovocadas intencionalmente (códigos X60 a X84 da CID-10).

A taxa de mortalidade por suicídio (por 100 mil habitantes) foi o desfecho considerado pelo presente estudo. Foram avaliados também região de residência, sexo (masculino e feminino), raça (branca, preta, parda, amarela e indígena), faixa etária (0 a 4 anos, 5 a 9 anos, 10 a 14 anos, 15 a 19 anos, 20 a 29 anos, 30 a 39 anos, 40 a 49 anos, 50 a 59 anos, 60 a 69 anos, 70 a 79 anos e mais de 80 nos) e ano de ocorrência (2011 a 2020).

Para o cálculo da taxa de incidência de mortalidade por suicídio, foi utilizado como numerador o número de casos notificados de suicídio em um determinado ano e, como denominador, o número total de indivíduos multiplicado por 100 mil. As taxas de suicídio por 100 mil habitantes foram calculadas por região, sexo, raça, faixa etária e período. As informações do denominador foram obtidas a partir do censo populacional de 2010 e das projeções populacionais do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A mortalidade por covid-19 baseou-se em dados oficiais de cartórios de registro, sendo coletado o total de mortes por covid-19 em cada mês do ano de 2020 (https://infoms.saude.gov.br/extensions/covid-19_html/covid-19_html.html). Os dados populacionais (para cálculo das taxas de suicídio), taxas de desemprego, taxas de distanciamento social e informações sobre recebimento de auxílio financeiro emergencial foram obtidos no site do IBGE (https://www.ibge.gov.br/).

Análise estatística

Para o cálculo da tendência temporal de suicídio, utilizou-se o modelo de regressão generalizada de Prais-Winsten, que considera a autocorrelação serial de primeira ordem (AR1). A variável dependente foi o logaritmo das taxas, e a variável independente, os anos. A variação percentual anual (VPA) das taxas de suicídio e os seus respectivos intervalos de confiança de 95% (IC95%) foram calculados pelas seguintes expressões:

vpa=[-1+10b]*100%
IC95%=[-1+10b±t*se]*100%

sendo “b” a taxa de crescimento anual; “se” o erro padrão; e “t” a distribuição de t de Student.

Para a previsão da taxa de suicídio em 2020, utilizou-se o modelo Autoregressive Integrated Moving Average (ARIMA). Na comparação entre a taxa de suicídio esperada e a observada em 2020, foram calculados a razão de risco (RR) e o IC95%. Para verificar as variáveis associadas ao desfecho, foram utilizados modelos de regressão de Poisson. As análises foram realizadas no software STATA versão 14 (StataCorp LP, CollegeStation, EUA) para Windows e no software R.

Considerações éticas

Considerando a resolução 510/2016 do Conselho Nacional de Saúde no Brasil, as pesquisas com bancos de dados cujas informações são agregadas, sem possibilidade de identificação individual, não são registradas nem avaliadas por comitê de ética em pesquisa (CEP). O presente estudo utilizou dados de bancos com informações agregadas e, portanto, foi dispensado de aprovação por CEP.

RESULTADOS

No período de 2011 a 2020, foram registrados 115 469 suicídios no Brasil, o equivalente a uma taxa de 60,5 óbitos por 100 mil habitantes — ou seja, média de aproximadamente 6 casos por 100 mil habitantes a cada ano. Em relação ao sexo, a taxa média anual de suicídio foi de 9,7 (desvio padrão de ± 1,0) por 100 mil habitantes no sexo masculino e 2,5 (± 0,3) no sexo feminino. No recorte por raça, a maior taxa média foi observada nas populações indígenas (14,78 por 100 mil habitantes) e a menor, em pessoas amarelas (2,11 por 100 mil habitantes).

Na estratificação por regiões, verificou-se que o Sul apresentou a maior taxa média de suicídio por ano tanto entre homens (15,47 por 100 mil habitantes) como entre mulheres (3,94 por 100 mil habitantes). Em relação a raça, o Centro-Oeste e o Norte apresentaram maior média de taxa de suicídio entre as populações indígenas (29,14 e 21,76 por 100 mil habitantes, respectivamente). Na região Nordeste, a taxa média de suicídio foi maior entre pardos (6,22 por 100 mil habitantes), enquanto nas regiões Sudeste e Sul foi maior entre brancos (5,77 e 10,62 por 100 mil habitantes, respectivamente). Nos estados da região Centro-Oeste e do Sul, indivíduos com 80 anos ou mais apresentaram taxas médias de suicídio maiores (15,72 e 19,57 por 100 mil habitantes, respectivamente) (tabela 1).

TABELA 1. Taxa média de mortalidade por suicídio em 100 mil habitantes por região do Brasil, 2011 a 2020.

 

Região

 

Centro-Oeste

Nordeste

Norte

Sudeste

Sul

Sexo

 

 

 

 

 

    Mulher

3,26

1,99

2,32

2,32

3,94

    Homem

11,67

8,28

8,48

8,62

15,47

Raça

 

 

 

 

 

    Branca

6,1

2,57

3,19

5,77

10,62

    Preta

5,61

2,94

3,8

4,47

7,39

    Amarela

1,86

0,84

1,38

2,98

3,52

    Parda

8,38

6,22

5,84

4,82

4,96

    Indígena

29,12

3,4

21,71

2,96

9,34

Idade (anos)

 

 

 

 

 

    0 a 4

0,00

0,00

0,01

0,00

0,00

    5 a 9

0,03

0,03

0,1

0,01

0,02

    10 a 14

1,68

0,64

1,64

0,57

0,99

    20 a 29

9,26

5,85

8,5

6,12

9,16

    30 a 39

9,56

7,21

7,63

7,71

11,06

    40 a 49

9,45

7,58

6,69

7,69

12,51

    50 a 59

10,31

8,37

6,58

7,67

15,97

    60 a 69

11,01

8,4

7,16

7,39

17,54

    70 a 79

12,95

9,03

8,58

6,57

19,26

    80 ou mais

15,72

8,00

6,18

6,49

19,57

Análise de tendências e variação percentual anual

A tendência temporal da taxa de suicídio ao longo do período de 2011 a 2020 apresentou alta tanto em mulheres (VPA = 0,23; IC95%: 0,141; 0,322) como em homens (VPA = 1,19; IC95%: 0,714; 1,810). Na avaliação do suicídio por faixa etária, percebeu-se uma tendência estacionária entre 0 e 9 anos (VPA = 0,01; IC95%: -0,012; 0,011). Já as outras faixas etárias apresentaram tendência de crescimento, sendo a maior variação percentual anual registrada em indivíduos maiores de 60 anos (VPA = 2,18; IC95%: 1,345; 3,324). Ressalta-se que também houve crescimento em todas as regiões, com a maior alta no Sul (VPA = 1,52; IC95%: 0,739; 2,662) e a menor alta no Sudeste (VPA = 0,36; IC95%: 0,335; 0,383) (figura 1).

FIGURA 1. Série histórica da taxa de brasileiros que morreram por suicídio de 2011 a 2020 com variação percentual anual e intervalo de confiança estratificados por região.

FIGURA 1.

Observou-se comportamento semelhante na tendência de suicídio entre 2011 e 2020 na estratificação por região. Houve aumento em ambos os sexos, sendo que as mulheres apresentaram maior taxa de suicídio no Sul (39,36 por 100 mil habitantes), com maior variação percentual anual no Centro-Oeste (VPA = 0,52; IC95%: 0,25; 0,84). Entre os homens, tanto a maior taxa quanto a maior variação percentual anual ocorreram na região Sul. Indivíduos da raça amarela apresentaram tendência estacionária em todas as regiões (tabela 2).

TABELA 2. Número e porcentagem de suicídios, coeficiente médio por 100 mil habitantes e tendência das taxas de suicídio por sexo e raçaa segundo região, Brasil, 2011 a 2020.

 

Suicídios

 

No.

%

Taxa por 100 milb

VPAc

IC95%d

Interpretação

Mulheres

 

 

 

 

 

 

    Centro-oeste

2 305

9,37

32,57

0,52

0,25; 0,84

Aumento

    Nordeste

5 396

21,93

19,86

0,16

0,09; 0,22

Aumento

    Norte

1 823

7,41

23,19

0,46

0,27; 0,68

Aumento

    Sudeste

9 592

38,98

23,23

0,14

0,07; 0,22

Aumento

    Sul

5 491

22,31

39,36

0,4

0,31; 0,49

Aumento

    Total

24 607

100,00

25,86

0,23

0,14; 0,32

Aumento

Homens

 

 

 

 

 

    Centro-oeste

8 146

8,97

116,71

2,35

0,56; 6,17

Aumento

    Nordeste

21 446

23,61

82,77

1

0,54; 1,61

Aumento

    Norte

6 788

7,47

84,8

1,79

1,07; 2,76

Aumento

    Sudeste

33 676

37,07

86,18

0,61

0,32; 0,97

Aumento

    Sul

20 782

22,88

154,67

3,64

0,24; 16,31

Aumento

    Total

90 838

100,00

97,25

1,19

0,71; 1,81

Aumento

Brancos

 

 

 

 

 

 

    Centro-oeste

3 589

6,28

61,48

1,32

1,19; 1,45

Aumento

    Nordeste

4 012

7,02

25,9

0,27

0,15; 0,4

Aumento

    Norte

1 186

2,07

32,17

0,6

0,35; 0,91

Aumento

    Sudeste

25 563

44,71

57,9

0,22

0,20; 0,25

Aumento

    Sul

22 819

39,91

106,35

1,58

0,58;3,2

Aumento

    Total

57 169

100,00

63,09

0,58

0,53; 0,64

Aumento

Pretos

 

 

 

 

 

 

    Centro-oeste

527

8,67

56,86

0,82

0,80; 0,83

Aumento

    Nordeste

1 487

24,47

29,66

0,06

-0,19; 0,4

Estável

    Norte

400

6,58

38,7

0,32

0,16; 0,49

Aumento

    Sudeste

2 844

46,79

45,27

0,23

0,16; 0,32

Aumento

    Sul

820

13,49

74,86

1,55

0,62; 0,30

Aumento

    Total

6 078

100,00

42,35

0,3

0,20; 0,40

Aumento

Amarelos

 

 

 

 

 

 

    Centro-oeste

38

8,54

18,2

-0,2

-0,59; 0,58

Estável

    Nordeste

53

11,91

8,39

-0,03

-0,42; 0,64

Estável

    Norte

24

5,39

13,58

0,34

-0,43; 2,15

Estável

    Sudeste

265

59,55

29,36

0,01

-0,37; 0,62

Estável

    Sul

65

14,61

35,02

-0,06

-0,51;0,81

Estável

    Total

445

100,00

21,14

0,01

-0,25; 0,35

Estável

Pardos

 

 

 

 

 

 

    Centro-oeste

5 782

12,13

83,18

1,3

0,63; 2,24

Aumento

    Nordeste

19 623

41,16

61,84

1,07

0,92; 1,23

Aumento

    Norte

6 195

12,99

58,12

1,27

1,19; 1,34

Aumento

    Sudeste

13 830

29,01

47,85

0,59

0,53; 0,66

Aumento

    Sul

2 245

4,71

49,09

1,62

1,40; 1,86

Aumento

    Total

47 675

100,00

57,56

0,93

0,90; 0,95

Aumento

Indígenas

 

 

 

 

 

 

    Centro-oeste

380

31,3

291,38

4,57

-1,00; 1,42

Estável

    Nordeste

71

5,85

33,9

0,86

0,13; 2,04

Aumento

    Norte

664

54,7

217,6

5,7

-0,99; 61,41

Estável

    Sudeste

29

2,39

28,63

-0,05

-0,78; 3,18

Estável

    Sul

70

5,77

93,11

3,33

-0,41; 30,99

Estável

    Total

1 214

100,00

147,78

2,49

-0,88; 96,49

Estável

a

Categorias do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística utilizadas em censos demográficos.

b

Taxa de mortalidade por suicídio/100 mil indivíduos padronizada pela população brasileira

c

Variação percentual anual.

d

Intervalo de confiança da VPA.

Suicídios observados versus esperados para o ano da pandemia

A taxa observada e esperada de suicídio no ano de 2020 e suas respectivas RR estão apresentadas na figura 2. Os IC95% em torno da RR para cada região incluem o valor nulo (1), indicando que não houve evidência de um aumento na taxa de suicídio em relação ao número esperado durante o primeiro ano da pandemia de covid-19 nem no Brasil nem nas regiões. Em 2020, a taxa de suicídio observada foi de 6,68 por 100 mil habitantes no país. A região com menor taxa foi o Nordeste (5,66), e a região com a maior taxa observada foi o Sul (11,18). A tendência temporal de óbitos por suicídio se mostrou estável durante os meses de 2020, seja avaliando o Brasil, seja avaliando as regiões separadamente (figura 3).

FIGURA 2. Número esperado e observado de suicídios no período da pandemia de covid-19 (2020) com base nas tendências pré-covid-19 (2011 a 2019) por região, Brasil.

FIGURA 2.

FIGURA 3. Série histórica das taxas de brasileiros que morreram por suicídio em 2020 com variação percentual anual e intervalo de confiança, estratificado por região.

FIGURA 3.

Análises de associação com variáveis da pandemia

Ao avaliar características socioeconômicas no ano de 2020 no Brasil, observou-se, entre os meses de julho e novembro de 2020, uma diminuição na tendência de isolamento social; ainda, no decorrer do ano, houve um aumento no desemprego e nas mortes por covid-19. Por sua vez, a porcentagem de pessoas que receberam auxílio emergencial de maio a dezembro de 2020 permaneceu estável. Não houve associação de nenhuma variável socioeconômica com a taxa de suicídio (isolamento social [β = -0,008; IC95%: -0,162; 0,147]; auxílio emergencial [β = -0,010; IC95%: -0,510; 0,490], desemprego [β = -0,040; IC95%: -0,897; 0,817]).

DISCUSSÃO

No período de 2011 a 2020, o Brasil apresentou uma taxa de suicídio de 60,5 óbitos por 100 mil habitantes. A região Sul apresentou a maior taxa média de suicídio em ambos os sexos; as regiões Centro-Oeste e Norte apresentaram as maiores taxas médias de suicídio entre indígenas; a região Nordeste apresentou a maior taxa média em pardos; e as regiões Sudeste e Sul apresentaram a maior taxa média de suicídio na raça branca.

Nesse período, a tendência da taxa de suicídio foi de aumento em ambos os sexos e em todas as regiões do Brasil. Por sua vez, não houve evidência de aumento da taxa de suicídio no primeiro ano da pandemia no Brasil em nenhuma região em relação ao número esperado, e a tendência temporal de óbitos por suicídio se mostrou estável durante os meses de 2020. Entre os meses de julho e novembro de 2020, registrou-se uma diminuição na tendência de isolamento social e um aumento no desemprego e nas mortes por covid-19 no decorrer do ano; entretanto, esses fatores não foram associados às taxas de suicídio nesse período.

Evidências mostram que as mortes por suicídio podem aumentar durante surtos de doenças infecciosas. As mortes por suicídio aumentaram durante a pandemia de influenza de 1918 nos Estados Unidos (15) e durante o surto de síndrome respiratória aguda grave (SARS) em Hong Kong (16, 17). Entretanto, revisões sistemáticas com foco em epidemias ou pandemias de influenza no Reino Unido e nos Estados Unidos e do vírus Ebola na Guiné (18) sugerem que, embora as taxas de suicídio possam aumentar após períodos emergenciais em saúde pública, as mudanças podem não ocorrer imediatamente, e que o risco pode, na verdade, inicialmente ser reduzido (14).

Apesar da suspeita de que haveria mais mortes por suicídio em tempos de crise social ou de outras naturezas, a literatura apresenta informações discrepantes, demonstrando que esse impacto varia dependendo do país e da magnitude da crise, entre outros fatores (19, 20). Por exemplo, as taxas de suicídio diminuíram durante períodos de guerra (21) ou depois de catástrofes como o Grande Terremoto do Leste do Japão, momento no qual a tendência foi menor entre os residentes de áreas afetadas (22). A explicação mais amplamente aceita para esse fenômeno é a maior coesão da sociedade que pode emergir durante guerras ou grandes tragédias (21). Diante disso, o estudo da variação nas taxas de suicídio durante uma crise econômico-social deve levar em conta fatores como sexo, região e tempo decorrente desde a crise.

A pandemia do novo coronavírus (SARS-CoV-2) é uma catástrofe que persiste até o presente o momento e que terá um efeito de longo prazo nas pessoas em todo o mundo. Pandemias e suicídios parecem ter alguma associação, embora a literatura seja limitada. A maioria dos estudos discutiu o risco de suicídio após eventos traumáticos agudos, como calamidades naturais. A pandemia, sendo um fenômeno crônico com efeitos biopsicossociais incertos e sustentados por meses, é diferente das calamidades naturais (23).

A exemplo do presente estudo, outros autores relataram que, no início da pandemia, não houve aumento nas taxas de suicídio, como foi verificado no Japão (24). Segundo um relatório mensal da autoridade de saúde do estado de Victoria, Austrália, o número de mortes por suicídio no estado foi menor em setembro de 2020 do que o relatado em setembro de 2019, mostrando que a pandemia de covid-19 não teve impacto nas mortes por suicídio nos primeiros 7 meses após a Declaração de Emergência de Saúde Pública (25). Estudos realizados na Grécia, Queensland (Austrália) e Massachusetts (Estados Unidos) mostraram que os números observados e esperados de mortes por suicídio não diferiram depois que as restrições de combate à pandemia foram introduzidas (12, 25). Um estudo realizado no Peru relatou uma diminuição nos suicídios após ordens de permanência em casa (26).

A ausência de aumento nas taxas de suicídio no Brasil no início da pandemia pode ser atribuída a alguns fatores. Nos primeiros meses da pandemia, a sociedade parece ter tentado ativamente apoiar indivíduos em risco; as pessoas buscaram novas maneiras de se conectarem e os relacionamentos foram fortalecidos pelo fato de os membros das famílias passarem mais tempo uns com os outros (27). O estresse diário causado pelo trânsito das grandes cidades e pela falta de segurança pública pode ter sido reduzido durante os períodos de permanência em casa e o sentimento coletivo de que todos estavam passando pelo mesmo problema pode ter sido benéfico (14).

Entretanto, após os primeiros meses de pandemia, um aumento nas taxas de suicídio já foi relatado (11). A pandemia de covid-19 pode não ter um impacto imediato ou de curto prazo nas taxas de suicídio e tentativas de suicídio; no entanto, é possível que promova uma confluência de fatores de risco para suicídio, como aumento significativo de transtornos mentais (por exemplo, depressão e transtorno de estresse pós-traumático), levando ao crescimento das taxas de suicídio e das tentativas de suicídio em mais longo prazo (28).

Especificamente no Brasil, é importante ressaltar que foi implementado o auxílio emergencial para amenizar as consequências econômicas da pandemia. Entretanto, esse auxílio foi extinto em outubro de 2021, o que pode ter contribuído para maior estresse das populações anteriormente protegidas. As taxas de suicídio podem aumentar em tempos de recessão econômica (19) e, portanto, é possível que os efeitos potenciais da pandemia relacionados ao suicídio ainda não tenham ocorrido (14).

Mesmo sem aumento significativo nas taxas de suicídio nos primeiros meses de pandemia, o Brasil tem enfrentado um aumento no número de suicídios ao longo dos anos, enquanto outros países mostram uma diminuição. Globalmente, a taxa de suicídios caiu 36% no período de 20 anos entre 2000 e 2019, com diminuições variando de 17% na região do Mediterrâneo Oriental a 47% na região europeia e 49% no Pacífico Ocidental. Entretanto, na Região das Américas, as taxas aumentaram 17% no mesmo período (1). O Brasil possui um produto interno bruto (PIB) que está entre os maiores do mundo. Porém, em contrapartida, apresenta um dos maiores índices de desigualdade social e de renda, com variáveis econômicas que podem influenciar as taxas de suicídio (29).

Destaca-se ainda que, no Brasil, somente a partir de 2006 o suicídio passou a ser reconhecido como um desafio prioritário para a saúde pública do país (2). Em 2017, o Ministério da Saúde brasileiro elaborou a Agenda Estratégica de Ação 2017-2020 para Vigilância e Prevenção e Promoção da Saúde do Suicídio no Brasil (2, 30) com base no Plano de Ação de Saúde Mental da Organização Mundial da Saúde (OMS) (31). Embora esse documento estabeleça uma série de ações para melhorar a qualidade da promoção da saúde, prevenção do suicídio e atendimento às vítimas de tentativas de suicídio e seus familiares, o fato de ser muito recente parece não ter ainda surtido efeitos no sentido de diminuir as taxas de suicídio no Brasil (2). Vale notar a falta de investimento em serviços públicos (32) que marcou os últimos anos no Brasil, o que acaba por gerar uma precarização no Sistema Único de Assistência Social (SUAS) e no SUS, mecanismos essenciais para frear o aumento das mortes por suicídio no país.

A principal limitação do presente estudo é a possibilidade de viés ecológico, ou seja, a impossibilidade de fazer inferências em nível individual a partir de dados agregados de um grupo. Como estratégia para evitar esse tipo de viés, foram utilizadas unidades menores de análise para tornar os grupos mais homogêneos em relação às exposições. Por isso, optou-se por estratificar essas taxas por estado, sexo e faixa etária. Outra limitação foi o uso de dados secundários sobre suicídio, pois, embora a cobertura e a qualidade desses dados sejam satisfatórias, pode haver uma subestimação das taxas de suicídio, principalmente nas regiões menos desenvolvidas (33).

Por outro lado, os pontos fortes deste estudo devem ser destacados. A principal virtude deste estudo foi avaliar a taxa de suicídio ao longo de um período relativamente longo, no caso, 10 anos. Em ambientes com áreas e populações muito grandes, como no Brasil, uma abordagem de série temporal ecológica pode identificar rapidamente grupos vulneráveis aos quais os recursos devem ser alocados como prioridade. Devido à alta validade externa, os achados são representativos da população estudada e podem ser extrapolados com cautela para outros países em desenvolvimento.

Ainda parece ser cedo para dizer qual será o efeito final da pandemia sobre as taxas de suicídio. A pandemia apresentou variações dentro dos países e entre as comunidades. Portanto, um efeito universal nas taxas de suicídio é improvável. O impacto sobre o suicídio poderá se modificar com o tempo e manifestar-se de modos diferentes de acordo com fatores macroeconômicos, como o PIB nacional, e com características individuais, como posição socioeconômica, etnia e saúde mental.

Conclui-se assim que a tendência das taxas de suicídio entre 2011 e 2020 no Brasil apresentou aumento em ambos os sexos e em todas as regiões da federação. Ao analisar a taxa de suicídio no primeiro ano da pandemia de covid-19, não houve evidência de um aumento em relação ao número esperado, nem no Brasil nem em qualquer uma de suas regiões. Além disso, a tendência temporal de ocorrência de óbitos por suicídio se mostrou estável durante os meses de 2020.

Declaração.

As opiniões expressas no manuscrito são de responsabilidade exclusiva dos autores e não refletem necessariamente a opinião ou política da RPSP/PAJPH ou da Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS).

Funding Statement

Este estudo foi financiado em parte pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior – Brasil (CAPES) – bolsa 88887.653377/2021-00, Família e Políticas Públicas o Brasil.

Footnotes

Contribuições dos autores.

FCS e ML conceberam o estudo e contribuíram com aquisição dos dados, análise e interpretação de dados, redação e revisão crítica do manuscrito. DNS participou da interpretação de dados, redação e revisão crítica do manuscrito. Todos os autores aprovaram o texto final.

Financiamento.

Este estudo foi financiado em parte pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior – Brasil (CAPES) – bolsa 88887.653377/2021-00, Família e Políticas Públicas o Brasil.

Conflitos de interesse.

Nada declarado pelos autores.

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