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. 2022 Nov 23;119(6):960–967. [Article in Portuguese] doi: 10.36660/abc.20220058
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Disparidade de Gênero na Autoria Principal e Sênior em Periódicos Brasileiros de Cardiologia

Claudio Tinoco Mesquita 1,, Aline Goneli de Lacerda 2, Isabella Carolina de Almeida Barros Urel 2, Eliete Dalla Corte Frantz 2, Vinícius de Pádua Vieira Alves 2, Luana Evelyn de Oliveira Amorim 2, Bruna de Almeida Coutinho 2, Letícia Rodrigues Dalben 2, Juliana Cadilho da Silva Abrantes 2, Vanessa Dias Veloso 2, Luíza Lucchesi Cabral de Mello 2, Gláucia Maria Moraes de Oliveira 3, Fernando de Amorim Fernandes 1,2
PMCID: PMC9814799  PMID: 36541991

Resumo

Fundamento:

Apesar da importância das mulheres na pesquisa clínica, não existe uma avaliação da fração de mulheres em posições de autoria nos periódicos de cardiologia da SBC.

Objetivos:

Avaliar a fração de mulheres autoras na International Journal of Cardiovascular Sciences (IJCS) e nos Arquivos Brasileiros de Cardiologia (ABC Cardiol) nas últimas décadas.

Métodos:

Realizamos busca dos artigos originais dos ABC Cardiol, entre 2000 e 2019, e da IJCS, entre 2010 e 2019. Foi feito levantamento do número de primeiras e últimas autoras e do total de artigos originais de 2010 a 2019. Calculamos as proporções totais de autorias femininas e comparamos o primeiro quinquênio com o segundo. Para avaliar a evolução temporal das duas décadas, analisamos apenas dados dos ABC Cardiol. Utilizamos o teste Qui-quadrado para analisar as diferenças dentro de cada revista e entre ambas. O software IBM® SPSS® foi utilizado nas análises. O nível de significância adotado foi de 5%.

Resultados:

De 2010 a 2019, foram publicados 1157 artigos originais nos ABC Cardiol e 398 na IJCS. Observamos que as mulheres têm maior predominância como primeiras autoras na IJCS em relação aos ABC Cardiol, mas os homens predominam como últimos autores em ambos. De 2010 a 2019, não houve modificação significativa na proporção de autorias femininas. Ao longo das décadas analisadas para os ABC Cardiol, houve projeção de crescimento linear de autorias femininas, sendo que a inclinação da reta é maior na projeção da primeira autoria que na autoria sênior.

Conclusões:

Há disparidade de gênero com menor representatividade feminina nas autorias dos artigos dos periódicos cardiológicos brasileiros analisados: Arquivos Brasileiros de Cardiologia e International Journal of Cardiovascular Sciences. Acreditamos que a partir destes resultados mais esforços devam ser implementados em busca de equidade de gênero na produção científica cardiológica veiculada por estes periódicos.

Palavras-chave: Publicações Científicas, Autoria e Co-autoria de Publicações Científicas, Análise de Gênero, Disparidade, Equidade de Gênero

Introdução

As mulheres na medicina acadêmica continuam tendo sub-representação e enfrentam grandes desafios profissionais. Apesar do aumento progressivo na proporção de mulheres graduadas em medicina, elas têm menor probabilidade de ascenderem a cargos de chefia dentro da medicina acadêmica, menos chances de serem reconhecidas como especialistas e líderes, e menores chances de serem convidadas para apresentações em conferências médicas nacionais ou mesmo de receberem prêmios de prestígio.1,2 Ouyang et al.,3 utilizaram um extenso banco de dados de publicações e concluíram que, apesar de a representação feminina nas pesquisas publicadas na área da cardiologia ter aumentado nas últimas quatro décadas, há uma lacuna persistente na representação das mulheres na pesquisa em todos os níveis, seja como primeira autoria, autoras sêniores e em relação ao número de publicações. Outra observação interessante de Asghar et al.,4 foi que as autoras do sexo feminino têm maior probabilidade de ter uma mentora em comparação com seus colegas do sexo masculino. Estes autores concluíram que as posições de liderança feminina provavelmente influenciam de modo positivo outras mulheres em seus departamentos e motivam o envolvimento com a pesquisa científica de modo mais intenso.

Moraes, Kovacs5 traçaram um paralelo entre o Brasil e os Estados Unidos destacando que, embora as mulheres representem metade da população, apenas um terço dos cardiologistas são mulheres, mesmo com as doenças cardiovasculares respondendo por cerca de 30% das causas de mortalidade em nosso país e por um terço das mortes de mulheres no mundo. Segundo o relatório da Elsevier intitulado The Researcher Journey Through a Gender Lens6 (A jornada do pesquisador através de lentes de gênero), atualizado em novembro de 2020, a desigualdade de gênero pode ser observada em termos de resultados de publicações, citações, bolsas concedidas e colaborações. Em todos os países incluídos no estudo, a porcentagem de mulheres que publicaram em periódicos internacionais é menor do que a de homens. Com relação às citações dos artigos, há ainda uma diferença de gênero: trabalhos de autoria de mulheres são citados com menos frequência do que de homens. Quando avaliamos os estudos de graus mais elevados de impacto científico, que são os estudos clínicos randomizados (ECRs), Mehran et al.,7 observaram que houve um aumento progressivo no número de mulheres que foram as primeiras autoras de ECRs de cardiologia no período de 2011 a 2020; passando de pouco mais de 20% dos artigos para 30% ao final da década. Os autores creditam este aumento à defesa do empoderamento feminino e da representação igualitária dos gêneros.

Conforme a “Carta das Mulheres”, documento publicado por de Oliveira et al.,8 nos Arquivos Brasileiros de Cardiologia, é de suma importância fomentar atividades voltadas para a consolidação da cardiologia entre as mulheres brasileiras, a fim de multiplicar as oportunidades do cuidado na perspectiva feminina, permitindo a integração e a troca de experiências que amplifiquem a melhoria da prática clínica diária. Lançado em 1948, os ABC Cardiol é um dos principais veículos de divulgação das pesquisas científicas brasileiras na área das ciências cardiovasculares. O International Journal of Cardiovascular Sciences (IJCS) é um periódico incorporado à Sociedade Brasileira de Cardiologia em 2015, que foi derivado da Revista Brasileira de Cardiologia, criada em 2010 pela Sociedade de Cardiologia do Estado do Rio de Janeiro. Juntos, estes periódicos publicam grande parte da produção científica na área da cardiologia brasileira, em especial os produtos da pós-graduação stricto sensu. A despeito da importância substancial das mulheres na prestação de cuidados de saúde e na realização da pesquisa clínica em todo o mundo, não existe uma avaliação da fração de mulheres que ocupam posições de primeira autoria e autoria sênior nos periódicos de cardiologia mantidos pela Sociedade Brasileira de Cardiologia, ABC Cardiol e IJCS. A avaliação deste perfil e da sua variação ao longo das últimas duas décadas pode identificar disparidades autorais entre homens e mulheres em periódicos nacionais na área de cardiologia e pode permitir o desenvolvimento de estratégias para redução das barreiras à representação feminina na liderança médica, bem como na promoção acadêmica na área de cardiologia. O objetivo deste artigo é avaliar o papel das mulheres como autoras de artigos científicos em cardiologia nos periódicos da Sociedade Brasileira de Cardiologia para que estes dados possam ser a base para aumentar a inclusão das mulheres na produção científica cardiológica.

Métodos

Realizamos um estudo de corte transversal, em que foi realizada busca bibliográfica de todos os artigos originais publicados na revista ABC Cardiol entre os anos 2000 e 2019 e de todos os artigos originais publicados na IJCS entre os anos 2010 e 2019 nos sites das revistas mencionadas.9,10 A coleta de dados foi realizada entre dezembro de 2020 e fevereiro de 2021 nas bases de dados dos endereços eletrônicos correspondentes de cada revista. O gênero dos(as) autores(as) foi determinado pela inspeção do nome do(a) primeiro(a) autor(a) e do(a) último(a) autor(a) (sênior). Em casos de incerteza do gênero, foi realizada a pesquisa do nome do(a) autor(a) em website da sua respectiva instituição ou em redes sociais.

Em todas as etapas, dois ou mais pesquisadores atuaram de forma independente e as discordâncias foram resolvidas por consenso.

Critérios de elegibilidade para a seleção dos artigos

Os seguintes critérios foram usados para inclusão de artigos nesta revisão: 1) artigos originais, 2) publicações feitas entre 2000 e 2019 nos ABC Cardiol, 3) publicações feitas entre 2010-2019 na Revista IJCS. Os artigos foram excluídos se fossem editoriais, minieditoriais, revisões ou artigos especiais.

Extração de dados

Os investigadores, depois da busca e exclusão dos artigos não pertinentes, extraíram independentemente os dados dos estudos selecionados, de acordo com roteiro pré-estabelecido. Foram coletados o número de autoras mulheres dos artigos, o número de autores homens dos artigos, o número e identificação de todas as mulheres primeiras autoras dos artigos, número e identificação de todas as mulheres últimas autoras dos artigos.

Análise estatística

Foram utilizados dados numéricos para a quantificação dos números absolutos de primeiras e últimas autoras e do total de artigos originais nos periódicos do ano 2010 até 2019 para os artigos dos ABC Cardiol e para os artigos do IJCS. As variáveis categóricas serão apresentadas através de números absolutos e percentagens. A partir dos dados obtidos foram calculadas as proporções totais de autorias femininas de acordo com os periódicos e comparada a evolução temporal dentro da década das autorias comparando o primeiro quinquênio com o segundo. As proporções de autorias femininas e masculinas foram comparadas entre a primeira metade do período com a segunda metade. No caso dos dados dos ABC Cardiol foram analisadas duas décadas (2000 a 2019); enquanto no IJCS foi analisado apenas o período de 2010 a 2019, pois o IJCS foi criado no ano 2010. Para analisar as diferenças de proporções das autorias dentro de cada revista e entre as duas revistas foi utilizado o teste Qui-quadrado. As análises foram realizadas com o software IBM® SPSS® versão 21. O nível de significância adotado foi de 5%.

Aspectos bioéticos

Foram utilizados apenas dados públicos que estão depositados nos websites dos periódicos cardiológicos desta pesquisa, respeitando o item III da Resolução CNS 510/2016 que define que as pesquisas que utilizam dados de domínio público não necessitam de avaliação pelo sistema CEP/CONEP.

Resultados

A Tabela 1 apresenta o número de artigos originais encontrados no período de 2010 a 2019 para os ABC Cardiol e IJCS de acordo com a autoria e o gênero. Foram publicados no período 1157 artigos originais nos ABC Cardiol e 398 artigos originais no IJCS. Observamos uma predominância de homens como primeiros autores de artigos nos ABC (666 autores homens; 58%) enquanto na IJCS há uma discreta predominância de primeiras autoras mulheres (212 autoras mulheres; 53%). Esta diferença entre os periódicos é estatisticamente significativa (p = 0,001; Tabela 1) indicando que as mulheres têm maior predominância como autoras no IJCS em relação aos ABC Cardiol.

Tabela 1. Número e percentual de artigos originais publicados nos Arquivos Brasileiros de Cardiologia e International Journal of Cardiovascular Sciences de acordo com o gênero dos autores entre 2010 e 2019.

Artigos Total de artigos originais Primeira autoria feminina (%) Primeira autoria masculina (%) Última autoria feminina (%) Última autoria masculina (%)
ABC Cardiol 1157 491 (42%) 666 (58%) 284 (25%) 873 (75%) *
IJCS 398 212 (53%) 196 (47%) 163 (41%) 235 (59%) *
TOTAL 1718 771 (45%) 947 (55%) 494 (29%) 1224 (71%)

ABC Cardiol: Arquivos Brasileiros de Cardiologia; IJCS: International Journal of Cardiovascular Sciences.

*

comparação entre última autoria masculina ABC x IJCS: p < 0,001.

Ao analisar a autoria sênior dos artigos, observamos que os homens predominam como últimos autores em ambos os periódicos. Entretanto, a frequência de homens como últimos autores nos ABC Cardiol é significativamente maior do que a frequência de homens como últimos autores no IJCS (873 autores nos ABC Cardiol - 75% x 235 autores no IJCS - 59%; valor de p < 0,001; Tabela 1).

A Tabela 2 apresenta a comparação de gênero das autorias do IJCS no período de 2010 a 2019, dividindo a década em dois quinquênios. Observamos que não houve modificação significativa na proporção de autorias femininas tanto na primeira posição do artigo (55% no primeiro quinquênio x 52% no segundo quinquênio; p = 0,2) quanto na última posição (42% no primeiro quinquênio x 40% no segundo quinquênio; p = 0,8).

Tabela 2. Número e percentual de artigos originais publicados nos International Journal of Cardiovascular Sciences de acordo com o gênero dos autores entre 2010 e 2019 divididos de acordo com os quinquênios da década.

Artigos Total de artigos originais Primeira autoria feminina (%) Primeira autoria masculina (%) Última autoria feminina (%) Última autoria masculina (%)
IJCS 2010-2014 160 88 (55%) 72 (45%) 67 (42%) 93 (58%)
IJCS 2015-2019 238 124 (52%) 112 (48%) 96 (40%) 142 (60%)

IJCS: International Journal of Cardiovascular Sciences.

A Tabela 3 apresenta a comparação de gênero das autorias dos ABC Cardiol no período de 2010 a 2019, dividindo a década em dois quinquênios. Observamos que não houve modificação significativa na proporção de autorias femininas tanto na primeira posição do artigo (42% no primeiro quinquênio x 42% no segundo quinquênio; p=1) quanto na última posição (25% no primeiro quinquênio x 24% no segundo quinquênio; p = 0,8).

Tabela 3. Número e percentual de artigos originais publicados nos Arquivos Brasileiros de Cardiologia de acordo com o gênero dos autores entre 2010 e 2019 divididos de acordo com os quinquênios da década:

Artigos Total de artigos originais Primeira autoria feminina (%) Primeira autoria masculina (%) Última autoria feminina (%) Última autoria masculina (%)
ABC Cardiol 2010-2014 656 279 (42%) 377 (58%) 163 (25%) 493 (75%)
ABC Cardiol 2015-2019 501 212 (42%) 289 (58%) 121 (24%) 380 (76%)

ABC Cardiol: Arquivos Brasileiros de Cardiologia.

A Tabela 4 apresenta a comparação de gênero das autorias dos ABC Cardiol ao longo do tempo, considerando a década de 2000 a 2009 com 2010 à 2019. Observamos um aumento significativo na proporção de autorias femininas tanto na primeira (33% na década de 2000 x 42% na década de 2010; p < 0,0001) quanto na última posição (20% na década de 2000 x 25% na década de 2010; p = 0,006).

Tabela 4. Número e percentual de artigos originais publicados nos Arquivos Brasileiros de Cardiologia de acordo com o gênero dos autores comparando a década de 2000 à década de 2010.

Artigos Total de artigos originais Primeira autoria feminina (%) Primeira autoria masculina (%) Última autoria feminina (%) Última autoria masculina (%)
ABC Cardiol 2000-2009 1026 340 (33%) 686 (77%) 202 (20%) 824 (80%)
ABC Cardiol 2010-2019 1157 491 (42%) 666 (58%) 284 (25%) 873 (75%)

ABC Cardiol: Arquivos Brasileiros de Cardiologia.

As Figuras 1 e 2 demonstram a evolução temporal, ano a ano, das primeiras e últimas autorias femininas, respectivamente, nos periódicos analisados na década de 2010 - 2019. Ambas as Figuras apresentam uma distribuição variável ao longo do período analisado, sem estabelecer um perfil padrão das autorias femininas, independentemente da posição em ambas os periódicos da área de cardiologia.

Figura 1. Evolução da proporção de primeiras autorias femininas entre 2010 e 2019 nos periódicos IJCS e ABC Cardiol. ABC Cardiol: Arquivos Brasileiros de Cardiologia; IJCS: International Journal of Cardiovascular Sciences.

Figura 1

Figura 2. Evolução da proporção de últimas autorias femininas entre 2010 e 2019 nos periódicos IJCS e ABC Cardiol. ABC Cardiol: Arquivos Brasileiros de Cardiologia; IJCS: International Journal of Cardiovascular Sciences.

Figura 2

As Figuras 3 e 4 representam a evolução temporal, ano a ano, da primeira e última autoria, respectivamente, ao longo das duas décadas analisadas para os artigos publicados no periódico ABC Cardiol. Observamos que há uma sazonalidade com relação ao número de autorias femininas tanto na primeira (Figura 3) quanto na última posição (Figura 4) de autores dos artigos originais publicados no período analisado sem configurar uma tendência clara de mudança.

Figura 3. Evolução temporal da proporção da primeira autoria feminina no período de 2000 e 2019, no periódico ABC Cardiol. ABC Cardiol: Arquivos Brasileiros de Cardiologia.

Figura 3

Figura 4. Evolução temporal da proporção da última autoria feminina no período de 2000 e 2019, no periódico ABC Cardiol. ABC Cardiol: Arquivos Brasileiros de Cardiologia.

Figura 4

Discussão

O objetivo do presente estudo foi investigar a diversidade de gênero nas publicações dos principais periódicos das pesquisas brasileiras, na área das ciências cardiovasculares, nas últimas décadas. Nossos achados demostraram uma disparidade de gênero na autoria dos artigos, tanto na primeira (45% de autoras) quanto na última posição (29% de autoras), apontando uma representatividade minoritária feminina. Contudo, mesmo que discreta, nossos resultados sugerem uma crescente participação feminina nas principais posições de autoria durante as últimas décadas, obviamente aquém da equidade de gênero desejada.

O ambiente acadêmico tem presenciado maior número de mulheres cientistas no Brasil nas mais variadas áreas. Haja visto o censo de 2016 do Diretório dos Grupos de Pesquisa no Brasil do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq),11 o qual mostra que cerca de 50% do total de pesquisadores é do sexo feminino. Porém, a representatividade feminina diminui à medida que a carreira científica avança, principalmente em posições de liderança, atingindo 45% do total de líderes de grupos de pesquisa brasileiros. Fato corroborado pelo presente estudo que mostrou a sub-representação feminina nas diferentes posições de autoria, alcançando índices mais próximos da equidade de gênero na primeira autoria feminina (45% do total de artigos publicados no ABC Cardiol e IJCS) e uma disparidade mais evidente em posições de liderança, como na autoria sênior (apenas 29% do total de artigos publicados no ABC Cardiol e IJCS) das produções científicas brasileiras, na área das ciências cardiovasculares, nas últimas décadas. Destacando-se ainda que o IJCS apresenta maior representatividade feminina, tanto na primeira quanto na última posição de autoria, em relação ao ABC Cardiol no total de artigos originais publicados na última década. Os dados do nosso estudo se comparam favoravelmente com os apresentados no estudo de Mehran et al.,7 que encontraram no ano de 2019 a proporção de 30% dos artigos sobre estudos randomizados em cardiologia como tendo primeira autoria feminina.

Dentre as principais causas da disparidade de gênero no desempenho acadêmico estão o viés implícito e a ameaça pelo estereótipo.12 Mulheres e outros grupos étnicos e sociais comumente não se encaixam nas percepções das qualidades de cientistas de sucesso, desencadeando estereótipos culturais negativos, mesmo que sem consciência, de fraco desempenho científico, sem relação com a verdadeira capacidade. O impacto destas atitudes e julgamentos, principalmente em relação ao gênero, acabam implicitamente influenciando ambientes acadêmicos, nos quais os homens geralmente predominam em posições de prestígio.12,13 Além disso, o importante trabalho desempenhado pelo Movimento Parent in Science14 (https://www.parentinscience.com/) destaca a maternidade como um dos fatores mais importantes para a subrepresentatividade das mulheres na ciência, contribuindo com reduções na produtividade de artigos científicos e depósitos de patentes, por exemplo.

Outro fato evidenciado no agravamento da disparidade de gênero no contexto da pandemia de Covid-19 é que as mulheres não têm ocupado papeis de liderança em ensaios clínicos internacionais. Chatterjee, Werner15 analisaram 1.548 estudos relacionados à pandemia e concluíram que apenas 27,8% deles foram liderados por mulheres, sendo menos de um terço dos ensaios clínicos sobre Covid-19 realizados por mulheres. Cabe ressaltar ainda que o levantamento realizado no Brasil durante o isolamento social relativo à Covid-19 (abril e maio de 2020) enfatizou que mulheres com filhos tiveram a produtividade acadêmica mais negativamente afetadas pela pandemia.16 Diante deste fato, o presente estudo não incluiu o período da pandemia na análise (publicações de 2020 e 2021), acreditando que merece atenção diferenciada e será foco de um estudo futuro do grupo, já em andamento.

Por outro lado, nos últimos anos tem se promovido inúmeras iniciativas na tentativa de desencadear mudanças para amenizar a desigualdade de gênero na ciência brasileira. A exemplo da inclusão do período de licença maternidade no Currículo Lattes, tornando a seleção de pesquisadores com base nesta ferramenta mais inclusiva.17 Nesta interface, mesmo que longe do ideal, mostramos uma projeção linear crescente ao longo dos anos na representatividade feminina, principalmente na posição de primeira autoria nas publicações do ABC. Em uma visão otimista, possivelmente com impacto positivo das iniciativas mencionadas acima, podemos projetar uma participação maior das mulheres nos cargos de liderança e nas principais posições de autoria das publicações científicas.

Este levantamento de dados sobre a ordem de autoria por gênero dos principais periódicos das pesquisas brasileiras atualmente, na área das ciências cardiovasculares, revelou a sub-representação feminina na produção científica. Esperamos que o presente estudo estimule reflexões sobre o grande desafio pela busca da equidade de gêneros em uma comunidade mais diversificada e inclusiva na ciência.

Entre as limitações encontradas para a realização do estudo foi que a análise não levou em conta a idade dos autores ou o tempo de formação. Isto pode ser importante tendo em vista que tem havido um aumento progressivo de mulheres médicas. Isto faz com que haja uma proporção maior de homens com mestrado e doutorado em comparação com as mulheres médicas, o que ainda é mais crítico com o fato de que no Brasil estes cursos estão ligados diretamente com a produção científica.18 Outra limitação foi a incapacidade de correlacionar a produção científica de modo regional identificando áreas do Brasil em que haja maior disparidade de gênero e que mereçam maior estudo. Entretanto os resultados deste estudo são únicos e pioneiros apontando a necessidade de ações que aumentem a inclusão das mulheres na autoria da produção científica cardiológica.

Conclusão

Há disparidade de gênero com menor representatividade feminina nas autorias dos artigos dos periódicos cardiológicos brasileiros analisados: Arquivos Brasileiros de Cardiologia e International Journal of Cardiovascular Sciences. Acreditamos que a partir destes resultados mais esforços devam ser implementados em busca de equidade de gênero na produção científica cardiológica veiculada por estes periódicos.

Footnotes

Fontes de financiamento

O presente estudo foi financiado pelo CNPq, FAPERJ e Fundação Euclides da Cunha (FEC).

Vinculação acadêmica

Não há vinculação deste estudo a programas de pós-graduação.

Aprovação ética e consentimento informado

Este artigo não contém estudos com humanos ou animais realizados por nenhum dos autores.

Referências

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Arq Bras Cardiol. 2022 Nov 23;119(6):960–967. [Article in English]

Gender Disparity in First and Senior Authorship in Brazilian Cardiology Journals

Claudio Tinoco Mesquita 1,, Aline Goneli de Lacerda 2, Isabella Carolina de Almeida Barros Urel 2, Eliete Dalla Corte Frantz 2, Vinícius de Pádua Vieira Alves 2, Luana Evelyn de Oliveira Amorim 2, Bruna de Almeida Coutinho 2, Letícia Rodrigues Dalben 2, Juliana Cadilho da Silva Abrantes 2, Vanessa Dias Veloso 2, Luíza Lucchesi Cabral de Mello 2, Gláucia Maria Moraes de Oliveira 3, Fernando de Amorim Fernandes 1,2

Abstract

Background:

Despite the importance of women in clinical research, no assessment has been made of the fraction of women in a leadership positions in the Cardiology journals of the SBC.

Objectives:

To assess the fraction of female authors in the International Journal of Cardiovascular Sciences (IJCS) and the Arquivos Brasileiros de Cardiologia (ABC Cardiol) over the last decades.

Methods:

We searched the original articles of the ABC Cardiol, from 2000 to 2019, and of the IJCS, from 2010 to 2019. We surveyed the number of first and senior female authors and the total number of original articles from 2010 to 2019. We calculated the total proportion of female authorship and compared the first quinquennium with the second. Only data from the ABC Cardiol were analyzed to assess the temporal evolution of the two decades. We used the chi-square test to assess the differences within each journal and between them. The IBM® SPSS® software was used in the analyses. The level of significance adopted was 5%.

Results:

From 2010 to 2019, 1,157 original articles were published in the ABC Cardiol and 398 in the IJCS. We observed that women are more prevalent as first authors in the IJCS compared to the ABC Cardiol, but men prevail as senior authors in both journals. From 2010 to 2019, there was no significant change in the proportion of female authorship. Throughout the decades analyzed for the ABC Cardiol, there was a projection of linear growth of female authorship, with the slope of the line being greater in the first authorship than in senior authorship.

Conclusions:

There is gender disparity, with lower female representativeness in authorship in the articles from the Brazilian Cardiology journals analyzed: Arquivos Brasileiros de Cardiologia and International Journal of Cardiovascular Sciences. We believe that based on these results, more efforts should be implemented in the search for gender equity in the cardiology scientific production published by these journals.

Keywords: Scientific Publications, Authorship and Co-Authorship in Scientific Publications, Gender Analysis, Disparity, Gender Equity

Introduction

Women in Academic Medicine are still underrepresented and face great professional challenges. Although the progressive growth in the proportion of women who graduated in Medicine, they are less likely to occupy leadership positions in Academic Medicine, have lower chances of being recognized as specialists and leaders, and have lower chances of being invited for presentations in national medical conferences or receiving prestige awards.1,2 Ouyang et al.3 used an extensive database of publications and concluded that although female representation in the research published in the area of Cardiology has increased in the last four decades, there is a persistent gap in women’s representation in research at all levels, whether as first authorship, senior authors and concerning the number of publications. Another interesting observation made by Asghar et al.4 was that female authors are more likely to have a female mentor when compared with their male colleagues. These authors concluded that women in leadership positions might positively influence other women in their departments and motivate a more intense involvement with scientific research.

Moraes, Kovacs5 traced a parallel between Brazil and the USA, noting that, although women represent half the population, only one-third of cardiologists are women, even with cardiovascular diseases comprising about 30 percent of the causes of death in Brazil and one-third of deaths among women worldwide. According to the report of Elsevier entitled The Researcher Journey Through a Gender Lens6, upgraded in November 2020, gender inequity can be observed in terms of publications, citations, scholarships awarded and collaborations. In all countries included in the study, the percentage of women who published in international journals is lower compared to men. There is still a gender difference in article citation: female authorship works are less often cited than those authored by men. When we assess higher scientific impact studies, i.e., randomized clinical trials (RCTs), Mehran et al.7 observed a progressive increase in the number of female first authors of cardiology RCTs from 2011 to 2020; going from 20 percent of the articles to 30 percent at the end of the decade. The authors credit this increase to defending female empowerment and equal gender representation.

Oliveira et al.8, in their document named “Carta das Mulheres,” published by the Arquivos Brasileiros de Cardiologia (ABC Cardiol), recognize the importance of promoting practices aimed at the consolidation of Cardiology among Brazilian women to increase the opportunity of healthcare from the female standpoint, allowing for integration and exchange of experiences which improve daily clinical practice. Launched in 1948, the ABC Cardiol is one of the main vehicles for disseminating Brazilian scientific research in cardiovascular sciences. The International Journal of Cardiovascular Sciences (IJCS) was incorporated by the Brazilian Society of Cardiology in 2015 and was preceded by the Revista Brasileira de Cardiologia, created in 2010 by the Society of Cardiology of the State of Rio de Janeiro (SOCERJ). Altogether these journals publish a great part of Brazilian scientific production in cardiology, especially the products of stricto sensu postgraduate programs. Despite the substantial importance of women for healthcare and clinical research worldwide, there is no assessment of the fraction of women in first author and senior author positions in the Cardiology journals kept by the Brazilian Society of Cardiology, namely ABC Cardiol and IJCS. The assessment of this profile and its variation throughout the last two decades may allow for the identification of authorship disparities between men and women in Brazilian journals in the area of cardiology and enable the development of strategies aimed at reducing the barriers to female representativeness in medical leadership, as well as in the academic promotion in the area of cardiology. The purpose of this article is to evaluate the role of women as authors of cardiology scientific articles in the journals of the Brazilian Society of Cardiology so that these data can serve as the basis to increase women’s inclusion in cardiology scientific production.

Methods

We carried out a cross-sectional study, where a bibliographic search of all original articles published in the ABC Cardiol was performed between 2000 and 2019, and of all the original articles of the IJCS, between 2010 and 2019, in the websites of those journals.9,10 Data collection was carried out between December 2020 and February 2021 in the database of the websites of each journal. The gender of the authors was determined by the analysis of the first and senior authors’ names. In cases of uncertainty regarding gender, we searched for the author’s name on the respective institution’s website or social media.

In all stages, data were independently assessed by two or more researchers and discrepancies were resolved by consensus.

Eligibility criteria for the selection of articles

The following inclusion criteria were used for selecting articles in this review: 1) original articles, 2) publications made between 2000 and 2019 for the ABC, and 3) publications made between 2010-2019 in the IJCS. The articles were excluded if they were editorials, mini-editorials, reviews or special articles.

Data collection

After searching and excluding the irrelevant articles, the researchers independently collected the data from the selected studies according to a predefined script. The number of female authors of the articles, the number of male authors of the articles, the number and identification of all women as first authors of the articles, and the number and identification of all women as senior authors of the articles.

Statistical analysis

Numerical data were used to determine the absolute number of first and senior female authors and the total number of original journal articles from 2010 to 2019 for the ABC Cardiol and the IJCS. Categorical variables were presented as absolute numbers and percentages. From the results obtained, the total proportions of female authorships were calculated according to the journals and the temporal evolution within the decade of the authorships by comparing the first quinquennium with the second.

The proportions of female and male authorships were compared between the first half of the period and the second half.

In the case of the data from ABC Cardiol, two decades (2000 to 2019) were analyzed, whereas, for the IJCS, only the period from 2010 to 2019 was analyzed because the IJCS was created in 2010. The chi-square test was used to analyze the differences in proportions of authorships inside each journal and between both journals. Analyses were performed with IBM® SPSS® Statistics version 21. The level of significance adopted was 5%.

Bioethical aspects

Only public data available on the websites of the cardiology journals were used in this research, in compliance with item 3 of CSN Resolution no. 510/2016, which states that research using public domain data does not require evaluation by the CEP/CONEP system.

Results

Table 1 presents the number of original articles found between 2010 and 2019 for the ABC Cardiol and the IJCS according to authorship and gender. During that period, 1,157 original articles were published in the ABC Cardiol and 398 in the IJCS. We observed a predominance of male first authors in the ABC Cardiol (666 male authors; 58%), whereas, in the IJCS, there is a discrete predominance of female first authors (212 female authors; 53%). This difference between the journals is statistically significant (p = 0.001; Table 1), indicating that the predominance of women as first authors is greater in the IJCS compared to the ABC Cardiol.

Table 1. Number and percentage of original articles published in the Arquivos Brasileiros de Cardiologia and the International Journal of Cardiovascular Sciences according to author gender, from 2010 to 2019.

Articles Total of original articles First female authorship (%) First male authorship (%) Senior female authorship (%) Senior male authorship (%)
ABC Cardiol 1,157 491 (42%) 666 (58%) 284 (25%) 873 (75%) *
IJCS 398 212 (53%) 196 (47%) 163 (41%) 235 (59%) *
TOTAL 1,718 771 (45%) 947 (55%) 494 (29%) 1,224 (71%)

ABC Cardiol: Arquivos Brasileiros de Cardiologia; IJC: International Journal of Cardiovascular Sciences.

*

comparison between senior male authorship ABC Cardiol vs. IJCS: p < 0,001.

When we analyze senior authorship, we note that men prevail as senior authors in both journals. However, the number of men as senior authors in the ABC Cardiol is significantly higher than that of men as senior authors in the IJCS (873 authors in the ABC Cardiol - 75% vs. 235 authors in the IJCS - 59%; p value < 0.001; Table 1).

Table 2 compares authorship gender in the IJCS from 2010 to 2019 by dividing the decade into two quinquenniums. We observed that the was no significant change in the proportion of female authorship, both in the first position of the article (55% in the first quinquennium vs. 52% in the second; p = 0.2) and in a senior position (42% in the first quinquennium vs. 40% in the second; p = 0.8).

Table 2. Number and percentage of original articles published in the International Journal of Cardiovascular Sciences according to authorship gender from 2010 and 2019, divided according to the quinquenniums of the decade.

Articles Total of original articles First female authorship (%) First male authorship (%) Senior female authorship (%) Last male authorship (%)
IJCS 2010-2014 160 88 (55%) 72 (45%) 67 (42%) 93 (58%)
IJCS 2015-2019 238 124 (52%) 112 (48%) 96 (40%) 142 (60%)

IJCS: International Journal of Cardiovascular Sciences.

Table 3 compares authorship gender in the ABC Cardiol from 2010 to 2019, splitting the decade into two quinquennials. We observed no significant change in the proportion of female authorship both in the first position of the article (42% in the first quinquennium vs. 42% in the second; p=1) and in a senior position (25% in the first quinquennium vs. 24% in the second; p = 0.8).

Table 3. Number and percentage of original articles published in the Arquivos Brasileiros de Cardiologia according to the gender of the author from 2010 to 2019 divided according to the decade quinquenniums.

Articles Total of original articles First female authorship (%) First male authorship (%) Senior female authorship (%) Senior male authorship (%)
ABC Cardiol 2010-2014 656 279 (42%) 377 (58%) 163 (25%) 493 (75%)
ABC Cardiol 2015-2019 501 212 (42%) 289 (58%) 121 (24%) 380 (76%)

ABC Cardiol: Arquivos Brasileiros de Cardiologia.

Table 4 compares authorship gender in the ABC Cardiol over time, considering the decade from 2000 to 2009 to 2010 to 2019. We observed a significant increase in the proportion of female authorship both in first (33% in the 2000s vs. 42% in the 2010s; p < 0.0001) and in a senior position (20% in the 2000s vs. 25% in the 2010s; p = 0.006).

Table 4. Number and percentage of original articles published in the Arquivos Brasileiros de Cardiologia according to authorship gender comparing the 2000s with the 2010s.

Articles Total of original articles First female authorship (%) First male authorship (%) Senior female authorship (%) Senior male authorship (%)
ABC Cardiol 2000-2009 1,026 340 (33%) 686 (77%) 202 (20%) 824 (80%)
ABC Cardiol 2010-2019 1,157 491 (42%) 666 (58%) 284 (25%) 873 (75%)

ABC Cardiol: Arquivos Brasileiros de Cardiologia.

Figures 1 and 2 show the temporal evolution, year by year, of first and senior female authorships, respectively, in the journals analyzed from 2010 to 2019. Both Figures show a variable distribution throughout the period analyzed, without establishing a standard profile of female authorships, regardless of the position in both cardiology journals.

Figure 1. Evolution of the proportion of the first female between 2010 and 2019 in the IJCS and ABC Cardiol. ABC Cardiol: Arquivos Brasileiros de Cardiologia; IJCS: International Journal of Cardiovascular Sciences.

Figure 1

Figure 2. Evolution in the proportion of senior female authorship between 2010 and 2019 in the IJCS and ABC Cardiol. ABC Cardiol: Arquivos Brasileiros de Cardiologia; IJCS: International Journal of Cardiovascular Sciences.

Figure 2

Figures 3 and 4 represent the temporal evolution, year by year, of first and senior authorship, respectively, throughout the two decades analyzed for the articles published in the ABC Cardiol journal. We observe a seasonality concerning the number of female authorships in the first (Figure 3) and in the senior position (Figure 4) of authors of original articles published in the analyzed period without configuring a clear change trend.

Figure 3. Temporal evolution of the proportion of first female authorship in the period 2000 and 2019, in the ABC Cardiol journal. ABC Cardiol: Arquivos Brasileiros de Cardiologia.

Figure 3

Figure 4. Evolution in the proportion of senior female authorship between 2000 and 2019 in the ABC Cardiol. ABC Cardiol: Arquivos Brasileiros de Cardiologia.

Figure 4

Discussion

This study aimed to investigate gender diversity in the publications of the main journals for Brazilian research in cardiovascular sciences in the last decades. Our findings showed gender disparity in article authorship, in first (45% of female authors) and senior positions (29% of female authors), indicating a minor female representation. However, our results suggest a discrete increase in female participation in main authorship positions during the last decades, which is obviously below the desired gender equality.

The academic environment has witnessed a greater number of female scientists in Brazil in various fields, as demonstrated by the 2016 census of the Directory of Research Groups of the Brazilian National Council for Scientific and Technological Development (CNPq),11 which shows that about 50% of the researchers are female. Nevertheless, female representation decreases as they advance in a scientific career, especially in leadership positions, reaching 45% of the total Brazilian research group leaders. This study corroborates this fact, as it showed female underrepresentation in the different authorship positions, reaching levels that are closer to gender equity in first female authorship (45% of the total articles published by the ABC Cardiol and the IJCS) and more evident disparity in leadership positions, as in senior authorship (only 29% of the total articles published by the ABC Cardiol and the IJCS) of Brazilian scientific production, in the field of cardiovascular sciences, over the last decades. We also highlight that the IJCS presents greater female representation, both in first and senior authorship, compared with the ABC Cardiol, considering the total number of original articles published in the last decade. Our data corroborate those found by Mehran et al.,7 who showed in 2019 that women authored 30% of the articles on randomized trials in cardiology. Among the main causes of gender disparity in academic performance are implicit biases and stereotype threats.12 Women and other ethnic and social groups usually do not fit the perceptions of the qualities of successful scientists, triggering negative cultural stereotypes, even unintentionally, of weak scientific performance, which has no relation with true capacity. The impact of these attitudes and judgments, especially concerning gender, ends up implicitly influencing the academic environment, where men usually predominate in prestigious positions.12,13 In addition, the important work developed by the Parent in Science movement14 (https://www.parentinscience.com/) indicates that motherhood is one of the main factors for the underrepresentation of women in science, accounting for a decrease in the production of scientific articles and deposit of patents, for instance. Another factor that exacerbates gender disparity in the COVID-19 pandemic context is that women have not occupied leadership roles in international clinical trials. Chatterjee, Werner15 analyzed 1,548 related to the pandemic and concluded that only 27.8% of them were led by women, corresponding to less than one-third of the clinical trials on COVID-19 carried out by women. It is also important to point out that the survey done in Brazil during social isolation related to COVID-19 (April and May 2020) showed that women with children had their academic productivity more negatively affected by the pandemic.16 Thus, this study did not include the pandemic period in the analysis (publications from 2020 to 2021) because we believe that it deserves differentiated attention and will be the focus of a future study of the group, which is already in progress.

On the other hand, over the last years, several initiatives have been promoted aimed at making changes that minimize gender disparity in Brazilian science. One example is the inclusion of the period corresponding to maternity leave in the Brazilian national resumé database, “Curriculo Lattes,” which makes the selection of researchers based on this tool more inclusive.17 In this interface, although far from ideal, we showed a growing linear projection in female representation over the years, especially in first-position authorship in the publications of ABC Cardiol. From an optimistic perspective, possibly with the positive impact of the initiatives abovementioned, we can project greater participation of women in leadership positions and the main authorship positions of scientific publications.

This data survey on the order of authorship by gender in the main Brazilian research journals today in the cardiovascular sciences field showed an underrepresentation of women in scientific production. We hope this study stimulates reflections upon the big challenge in the search for gender equity for a more diverse community and a more inclusive science.

Among the limitations found in carrying out this study was that the study did not consider

the authors’ ages and or graduation years. These data may be important since there has been a progressive increase in the number of female doctors. This could cause a greater proportion of men with master and doctorate degrees compared with female medical doctors, which is still more critical because, in Brazil, these courses have a direct connection with scientific production.18 Another limitation is that it was impossible to correlate the scientific production at a regional level, identifying the areas in Brazil where gender disparity is greater and should be studied more. However, the results from this study are the only first to point out the necessity of actions that increase women’s inclusion in cardiology scientific production authorship.

Conclusion

There is gender disparity, with lower female representativeness in authorship in the articles from the Brazilian Cardiology journals analyzed: Arquivos Brasileiros de Cardiologia and International Journal of Cardiovascular Sciences. We believe that from these results, more effort should be put into the search for gender equity in the scientific production on Cardiology published by these journals.

Footnotes

Sources of Funding

This study was partially funded by CNPq FAPERJ and Fundação Euclides da Cunha (FEC).

Study Association

This study is not associated with any thesis or dissertation work.

Ethics approval and consent to participate

This article does not contain any studies with human participants or animals performed by any of the authors.


Articles from Arquivos Brasileiros de Cardiologia are provided here courtesy of Sociedade Brasileira de Cardiologia

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