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. 2022 Nov 23;119(6):970–978. [Article in Portuguese] doi: 10.36660/abc.20220194
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Mortalidade Hospitalar Por Infarto do Miocárdio na América Latina e no Caribe: Revisão Sistemática e Metanálise

Leonardo Alves 1,2,, Patrícia K Ziegelmann 1, Victor Ribeiro 2, Carisi Polanczyk 1,3
PMCID: PMC9814809  PMID: 36541993

Resumo

Fundamento:

A maioria das mortes por doenças cardiovasculares ocorrem em países de renda baixa e média, e o infarto do miocárdio é uma das condições com maior risco de morte.

Objetivos:

Avaliar a mortalidade hospitalar por todas as causas em pacientes admitidos por infarto do miocárdio (IAMCSST e IAMSSST) na América Latina e no Caribe no ano de 2000 em diante.

Métodos:

Realizamos uma busca sistemática em bancos de dados eletrônicos por estudos do tipo coorte que relataram morte hospitalar por IAMCSST e IAMSSST. Foi realizada uma metanálise e um valor de p<0,05 foi considerado estatisticamente significativo.

Resultados:

Identificamos 38 estudos (29 com pacientes com IAMCSST, 3 com IAMSSST e 6 com IAMCSST e IAMSSST). A mortalidade por IAMCSST agrupada foi de 9,9% (IC95%: 9,1 – 10,7). Observou-se importante heterogeneidade (I2 = 74% e o intervalo de predição foi de 6,6 – 14.5). A porcentagem de terapia de reperfusão e a década em que os estudos foram conduzidos explicam parte dessa heterogeneidade (I2 = 54%). Quanto maior a taxa de terapia de reperfusão, menor a mortalidade hospitalar (coeficiente = −0,009, IC95%: −0,013 a −0,006, p<0,001). A mortalidade foi maior na primeira década em comparação com a mortalidade na segunda década (coeficiente = −0,14, IC95%: −0,27 a −0,02, p=0,047). A mortalidade hospitalar por IAMSSST foi de 6,3% (IC95%: 5,4 – 7,4) e a heterogeneidade foi nula.

Conclusão:

A mortalidade por IAMCSST em países de renda baixa e média foi maior em comparação com as taxas relatadas em outros países. Para melhorar essas estimativas, deve-se buscar um maior uso de terapia de reperfusão. A mortalidade hospitalar por IAMSSST agrupada foi similar às taxas descritas em países de alta renda. Contudo, esse dado foi baseado em poucos estudos, cuja maioria foi conduzida em dois países.

Palavras-chave: Doenças Cardiovasculares/mortalidade, Infarto do Miocárdio/mortalidade, Pobreza/estatística e dados numéricos, América Latina, Caribe, Revisão Sistemática, Metanálise

Introdução

As doenças cardiovasculares (DCVs) são a principal causa de morte em adultos em todo o mundo. Mais de três quartos das mortes por DCVs ocorrem em países de renda baixa e média.1 Consequentemente, na América Latina e no Caribe, onde esses países prevalecem,2 as DCVs representam um peso significativo em suas economias.3 Na Agenda de Saúde Sustentável para as Américas 2018-2030, a Organização Panamericana de Saúde (OPAS) declarou que a redução no peso das DCVs é uma de suas metas, uma vez que essas doenças são as principais doenças não transmissíveis.4

A doença cardíaca isquêmica é responsável pela maioria das mortes por DCV bem como por mortes prematuras e incapacidade.5 Uma de suas principais manifestações é o infarto do miocárdio, uma situação comum de emergência, potencialmente fatal. O infarto do miocárdio é classificado como Infarto do Miocárdio com Elevação do Segmento ST (IAMCSST) ou como Infarto do Miocárdio sem Elevação do Segmento ST (IAMSSST), ambos com prognóstico e terapia diferentes.6

O manejo do infarto do miocárdio melhorou nas últimas décadas. No IAMCSST, agentes fibrinolíticos e aspirina, juntamente com intervenção coronária percutânea e agentes antiplaquetários mais potentes, diminuíram as taxas de mortalidade para 5-6%. Da mesma forma, no IAMSSST, a revascularização precoce associada com anticoagulação e novos agentes antiplaquetários também promoveram melhora dos desfechos.7,8

Para avaliar o manejo contemporâneo do infarto do miocárdio em países de renda baixa e média, conduzimos uma revisão sistemática para investigar mortalidade hospitalar por todas as causas em pacientes admitidos por IAMCSST e IAMSSST em hospitais na América Latina e Caribe do ano 2000 em diante.

Métodos

Esta revisão sistemática foi conduzida de acordo com o checklist do Meta-analysis of Observational Studies in Epidemiology (MOOSE).9 O protocolo foi registrado no International Prospective Register of Systematic Review (PROSPERO, número CRD42019109184).

Terminologia

Nesta revisão sistemática, a região da América Latina e do Caribe foi definida como a área geográfica composta de todos os países do continente americano, exceto os Estados Unidos, Canadá e ilhas Bermudas.10 Essa região tem uma população de 645 milhões; 82% moram em áreas urbanas. O Brasil e o México são os países mais populosos, contribuindo com mais da metade da população total, e Argentina, Colômbia, Peru, Venezuela e Chile com cerca de um terço da população. A região do Caribe abrange menos de 10% da população, e 70% dessa concentram-se em Cuba, Haiti, e República Dominicana.10 A lista de todos os países pode ser acessada no Material Suplementar.

Critérios de seleção

Esta revisão sistemática incluiu estudos que preencheram os seguintes critérios de inclusão: (1) estudos que incluíram adultos com idade igual ou maior que 18 anos, do sexo masculino ou feminino; (2) estudos conduzidos na América Latina e no Caribe; (3) estudos que coletaram dados de pacientes admitidos em 2000 em diante; (4) estudos prospectivos e retrospectivos do tipo coorte; e (5) estudos que relataram mortalidade hospitalar por todas as causas por IAMCSST e IAMSSST.

Os critérios de exclusão consistiram em (1) estudos cujas amostras eram compostas por um grupo específico da população alvo (tais como adultos mais velhos, mulheres, diabéticas); (2) estudos cujas amostras eram compostas por um grupo com uma condição específica (como pacientes que se submeteram a uma terapia de reperfusão específica, pacientes em choque cardiogênico, pacientes que não se submeteram à terapia de reperfusão); e (3) estudos baseados em dados administrativos. Em estudos avaliando o efeito de um protocolo de tratamento comparando-se coortes antes e após sua implementação, nós selecionados o segundo período por fornecer dados mais recentes. Para coortes repetitivos, consideramos aqueles com dados originais e mais recentes. Tivemos o cuidado para evitar dupla contagem dos pacientes incluídos em diferentes coortes.

Estratégia de busca

Conduzimos uma busca sistemática nas seguintes bases de dados eletrônicas: MEDLINE, Embase, Web of Science, Literatura Latino-Americana e do Caribe em Ciências da Saúde (LILACS), Centro Nacional de Informação de Ciências Médicas de Cuba (CUMED), Literatura do Caribe em Ciências da Saúde (MEDCARIB) e Institutional Repository for Information Sharing/Pan America Health Organization (IRIS/PAHO). A estratégia de busca combinou termos relacionados a “infarto do miocárdio” e “América Laitina e Caribe” e se restringiu a estudos publicados de 2000 em diante (Material Suplementar). Uma busca manual de referências nos artigos selecionados também foi conduzida.

Todos os artigos identificados nas diferentes fontes foram exportados para o EndNote e reunidos em um mesmo arquivo, e os artigos duplicados foram removidos.

Seleção de artigos e extração de dados

O primeiro passo da seleção de estudos foi o rastreamento de artigos, a partir dos títulos e resumos, seguindo os critérios de elegibilidade. A segunda etapa envolveu a confirmação da elegibilidade pela leitura completa dos artigos selecionados. Nessa etapa, foram registradas as razões da exclusão do artigo e, em caso de dúvidas, os autores dos artigos foram contatados. Dois revisores independentes (L.A. e V.R.) selecionaram os estudos, e discordâncias foram resolvidas por consenso.

Extraímos características dos artigos – primeiro autor, ano de publicação, país, duração, tamanho amostral, tipo de coorte, local de recrutamento, número de centros de saúde, sistema de saúde (público/privado); características dos pacientes – características demográficas e fatores de risco (hipertensão, diabetes, tabagismo, dislipidemia); dados relacionados ao IAMCSST – classe Killip III/IV, tempo de isquemia, tipo e frequência de terapia de reperfusão – e ao IAMSSST – biomarcador de lesão miocárdica, escore de risco, terapia antitrombótica, e revascularização do miocárdio; e mortalidade hospitalar. Esse processo foi conduzido por dois revisores independentes (LA. E V.R.), e divergências foram resolvidas por consenso.

Avaliação do risco de viés

O risco de viés nos estudos incluídos foi avaliado pela ferramenta QUIPS (Quality in Prognosis Studies) que contem seis domínios.11 Nesta revisão, usamos três desses domínios que abordam a representatividade da amostra do estudo, perda de seguimento, e a medida do desfecho. A fim de classificar a representatividade, consideramos estudos com alto risco aqueles que, no mínimo, foram conduzidos em uma única unidade de terapia intensiva ou que não realizaram (ou não informaram) recrutamento consecutivo; estudos de baixo risco aqueles com amostras populacionais; e estudos de risco moderado aqueles que não preencheram os critérios anteriores. Ainda, classificamos a perda de seguimento em baixo risco (< 10%), risco moderado (10 - 20%) ou alto risco (> 20%).

Estudos que tiveram ao menos um domínio classificado como de alto risco foram classificados como de alto risco de viés, e aqueles estudos que tiveram todos os domínios classificados como de baixo risco foram classificados como de baixo risco de viés. Estudos que não preencheram os critérios prévios foram classificados como de risco moderado de viés. Dois revisores independentes (L.A. e V.R.) conduziram essa avaliação e discordâncias foram solucionadas por consenso.

Análise dos dados

Realizamos metanálises independentes para avaliar mortalidade hospitalar por IAMCSST e IAMSSST. A mortalidade foi exibida como proporção (número de mortes dividido pelo total de número de pacientes em risco no período de avaliação). Estimativas foram calculadas usando modelos de efeitos aleatórios (devido à heterogeneidade, esperada em estudos observacionais como o nosso), com transformação logit e método de variância inversa. Usamos o método proposto por DerSimonian e Laird para estimar a variabilidade entre estudos.

A heterogeneidade entre os estudos foi avaliada pela estatística I2,12 teste de Cochran e intervalo de predição de 95%. Esse intervalo fornece uma melhor perspectiva da variabilidade esperada de mortalidade entre diferentes populações consideradas nos modelos de efeito aleatórios, ou seja, a relevância clínica da heterogeneidade.13,14 Para identificar fontes potenciais de heterogeneidade, conduzimos análise de subgrupo (país, década do estudo) e meta-regressão. Também conduzimos análise de sensibilidade (excluindo estudos com algumas características, estudos com uma amostra pequena, estudo de alto risco de viés e estudos outliers) para avaliar heterogeneidade e a robustez dos resultados.

Efeitos de estudos pequenos, causados, entre outros, por viés de publicação,15 foram avaliados usando um gráfico de funil construído com a transformação logit de mortalidade versus o tamanho amostral. O uso do tamanho da amostra é mais preciso para avaliar estudos de proporções que uma medida de precisão.16 Esse efeito, observado como assimetria no gráfico de funil, foi avaliado analiticamente usando-se o teste de Peters, o qual também se baseia no tamanho da amostra.17 O programa R para metanálise foi usado para todas as análises.18,19 Um valor de p<0,05 foi considerado como estatisticamente significativo.

Resultados

Resultados da busca

Nossa estratégia de busca identificou 9244 artigos (01 de setembro de 2018; atualizada em 15 de abril de 2020). Após a exclusão de duplicatas, rastreamos 7597 artigos pela análise do título e do resumo; 381desses tiveram o texto completo avaliado quanto à elegibilidade. Incluímos um estudo conduzido por nosso grupo de pesquisa, que ainda não havia sido publicado até a data da última pesquisa, e cinco artigos encontrados pela busca na lista de referência de cada artigo completo incluído na revisão. Não conseguimos ter acesso a 14 artigos na íntegra mesmo após busca exaustiva. Esse processo resultou em 38 estudos: 29 sobre IAMCSST, três sobre NSTEMI e seis que avaliaram ambos (Figura Suplementar 1).

Características do estudo

Um total de 28878 indivíduos de 35 estudos com STEMI2054 e um total de 2377 indivíduos de nove estudos sobre IAMSSST20,26,30,32,39,46,5557 foram incluídos na revisão. Os estudos sobre IAMCSST foram conduzidos no Brasil (n=15), Cuba (n=6), Argentina (n=5), México (n=3), Colômbia (n=2), Chile (n=1), Paraguai (n=1), Peru (n=1) e Porto Rico (n=1), enquanto estudos sobre IAMSSST foram realizados no Brasil (n=6), Argentina (n=2) e Colômbia (n=1). A maioria dos estudos foram estudos multicêntricos, prospectivos, do tipo coorte, e o departamento de emergência foi o local mais comum em que os pacientes foram recrutados. O período mediano de estudo foi de 18 meses (IQR: 12 – 37) para estudos sobre IAMCSST e 10 meses (IQR: 12 – 37) para estudos sobre IAMSSST. Características dos estudos selecionados são apresentadas nas Tabelas Suplementares 1 (IAMCSST) e 2 (IAMSSST).

Nos estudos sobre IAMCSST, a idade média variou de 55 a 65 anos de idade, e a maioria dos indivíduos eram do sexo masculino (56% ou mais em cada estudo). Em relação à seleção dos pacientes, alguns estudos usaram tempos específicos de isquemia como critérios de inclusão (até 12, 24, 36, 48 8e 72 horas). O tempo de atraso do paciente foi relatado em menos de 50% dos estudos, enquanto o tempo de atraso do sistema foi relatado em poucos estudos. A porcentagem de terapia de reperfusão variou consideravelmente entre os estudos, de 21 a 99%; cerca de 60% mostraram porcentagens abaixo de 70%. Na primeira década, a terapia de reperfusão mais frequente foi fibrinólise (estreptoquinase). A intervenção coronária percutânea foi mais frequente na segunda década; no entanto, quando fibrinólise era uma opção, escolhia -se um agente específico à fibrina. O principal motivo pela não realização de terapia e reperfusão foi o fato de os pacientes buscaram assistência 12 horas após o início dos sintomas. O atraso no sistema e o subdiagnóstico também foram mencionados.

Em estudos de IAMSSST, a idade média variou de 63 a 64 anos e a maioria dos indivíduos era do sexo masculino (60% ou mais em cada estudo). Nenhum estudo apresentou escores de risco ou relatou o uso de troponina como biomarcador de lesão miocárdica. Cinco estudos apresentaram informações sobre terapia antiplaquetária dupla e terapia de anticoagulação, e somente dois estudos mostraram dados de revascularização coronariana precoce.

Risco de viés

O risco total de viés em estudos de IAMCSST foi de 14%, 49% e 37% para estudos de risco baixo, moderado e alto, respectivamente, e de 22%, 56% e 22% para estudos de IAMSSST com risco baixo, moderado e alto, respectivamente (Tabela Suplementar 3). O viés de seleção (domínio da representatividade) foi a principal preocupação, ao passo que a medida do desfecho e a perda de seguimento não representaram riscos.

Desfechos de IAMCSST

As taxas de mortalidade variaram substancialmente entre os estudos, de 4,9% a 17.5%. A mortalidade hospitalar agrupada foi 9,9% (IC95%: 9,1 – 10,7) (Figura 1). A amplitude do intervalo de predição (6,6 – 14,5) mostrou uma heterogeneidade relativamente importante entre os estudos. A porcentagem de variância não explicada por erro de amostragem (estatística I2) foi 74% (p<0,001). A metarregressão univaridada revelou que quanto maior a porcentagem de terapia de reperfusão, menor a mortalidade hospitalar (coeficiente −0,010, IC95%: −0,014 a −0,006, p<0,001; I2 residual = 56%) (Tabela Suplementar 4 e Figura Suplementar 2). O efeito linear sobre a taxa de mortalidade encontra-se na escala logit; assim, para uma melhor interpretação dos resultados, são apresentadas estimativas de mortalidade para algumas porcentagens de reperfusão (Tabela 1). A análise de subgrupo também identificou mortalidade hospitalar mais baixa na segunda década (2010 a 2020) ao se comparar com a primeira década (2000 a 2009) desta revisão (9,1%, IC95%: 8,2 – 10,1 vs 10,7%, IC95%: 9,6 – 11,9; p=0,036) (Tabela 1 e Tabela Suplementar 4). Considerando a mortalidade por país, a taxa de mortalidade mais baixa foi no Chile (8,5, IC95%: 5,3 – 13,5), e a mais alta foi na Colômbia (15%, IC95%; 10,1 – 21,7) (Tabela 1); no entanto, não foi encontrada diferença estatística entre os países (p=0,47) (Tabela Suplementar 4).

Figura 1. Mortalidade hospitalar agrupada em pacientes admitidos por Infarto do Miocírdio com Elevação do Segmento ST (IAMCSST) na América Latina e no Caribe do ano 2000 em diante.

Figura 1

Tabela 1. Estimativa de mortalidade hospitalar após análise de metarregressão univariada e multivariada.

Características Mortalidade % (IC95%)
Análise bruta
Taxa de terapia de reperfusão
20% 14,4 (12,3 – 16,8)
30% 13,2 (11,6 – 15,0)
40% 12,1 (11,0 – 13,4)
50% 11,1 (10,3 – 12,0)
60% 10,2 (9,5 – 10,8)
70% 9,3 (8,7 – 9,9)
80% 8,5 (7,8 – 9,2)
Década
Primeira 10,7 (9,6 – 11,9)
Segunda 9,1 (8,2 – 10,1)
País (N de estudos)
Chile (1) 8,5 (5,3 – 13,5)
México (3) 8,6 (6,5 – 11,4)
Argentina (5) 9,6 (7,6 – 12,1)
Brasil (15) 9,6 (8,3 – 11,0)
Cuba (6) 10,0 (8,2 – 12,1)
Peru (1) 10,9 (6,5 – 17,5)
Porto Rico (1) 12,5 (7,0 – 21,2)
Paraguai (1) 12,8 (7,7 – 20,5)
Colômbia (2) 15,0 (10,1 – 21,7)
Análise ajustada
Primeira década Segunda década
Taxa de terapia de reperfusão
20% 15,0 (12,8 – 17,5) 13,3 (11,2 – 15,8)
30% 13,8 (12,1 – 15,7) 12,3 (10,6 – 14,2)
40% 12,7 (11,4 – 14,2) 11,3 (10,0 – 12,7)
50% 11,7 (10,7 – 12,9) 10,4 (9,4 – 11,5)
60% 10,8 (9,9 – 11,8) 9,5 (8,8 – 10,4)
70% 9,9 (9,4 – 10,9) 8,8 (8,0 – 9,5)
80% 9,1 (8,2 – 10,2) 8,0 (7,3 – 8,9)

IC: intervalo de confiança.

No modelo de meta-regressão múltipla, somente a taxa de reperfusão e a década mantiveram associação independente com mortalidade hospitalar (Tabela Suplementar 4). Independentemente da década, o logit da mortalidade diminuiu linearmente com o aumento da taxa de reperfusão (coeficiente −0,009, IC 95%: −0,013 a −0,006, p<0,001). Independentemente da taxa de reperfusão, o logit da mortalidade foi maior na primeira década em comparação à segunda (coeficiente −0,14, IC95%: −0,27 a −0,02, p=0,047). As estimativas de mortalidade variaram de 15% a 9,1% na primeira década e de 13,3% a 8% na segunda década, dependendo da taxa de reperfusão (Tabela 1). A diferença na mortalidade ao longo das décadas variou de 1,7 ponto percentual para taxa de reperfusão de 20% a 1,1 ponto percentual para taxa de reperfusão de 80% (Tabela 1). Finalmente, a heterogeneidade diminuiu, e foi em parte explicada por essas características (I2 residual =54%).

As análises de sensibilidade excluíram estudos retrospectivos do tipo coorte, estudos com uma pequena amostra (menos de 100 participantes), estudos que usaram tempo de isquemia do paciente < 12 horas como critério de inclusão, e estudos com alto viés não afetaram muito os resultados como um todo.

Desfechos de IAMSSST

As taxas de mortalidade por IAMSSST variaram de 4,9% a 8,5%, exceto um estudo cuja taxa foi de 16,5% (estudo outlier). A mortalidade hospitalar agrupada foi 7,2% (IC95%: 5,5 – 9,3) (Figura 2). A amplitude do intervalo de predição (3,2 – 15,2) mostrou uma heterogeneidade importante entre os estudos. A porcentagem de variância não explicada por erro de amostragem (estatística I2) foi de 63%. Na análise de sensibilidade (Tabela Suplementar 6), a heterogeneidade foi totalmente explicada (I2 = 0%) pela exclusão do estudo outlier (que também apresenta um viés elevado). Consequentemente, a estimativa agrupada diminuiu para 6,3% (IC95%: 5,4 – 7,4) e o intervalo de predição diminuiu para 5,1 – 7,7. A exclusão de um estudo com alto risco de viés e de três estudos com pequeno tamanho amostral (menor que 100 pacientes) não afetou os resultados. Nenhum dos estudos teve impacto individual sobre os resultados, exceto o estudo outlier como previamente mencionado.

Figura 2. Mortalidade hospitalar agrupada em pacientes admitidos por Infarto do Miocírdio sem Elevação do Segmento ST (IAMSSST) na América Latina e no Caribe do ano 2000 em diante.

Figura 2

Efeitos de estudos pequenos

A análise visual do gráfico de funil não sugeriu efeitos de estudos pequenos sobre a mortalidade por IAMCSST, uma vez que não foi observada assimetria (Figura Suplementar 3), o que não foi corroborado pelo teste de Peters (p=0,04). Contudo, após a imputação de dois estudos hipotéticos pelo método “aparar e preencher”, ou “trim and fill” em inglês (análise de sensibilidade), a mortalidade agrupada não sofreu muita alteração (9,7%; IC95%: 8,9 – 10,5). Em relação aos estudos de IAMSSST, não tivemos muitos estudos para avaliar esse efeito.

Discussão

Nesta revisão sistemática, investigamos a mortalidade hospitalar por infarto do miocárdio (IAMCSST e IAMSSST) na América Latina e no Caribe ao longo das últimas duas décadas. A mortalidade hospitalar agrupada foi de 9,3% e 6,3% para IAMCSST e IAMSSST, respectivamente, após exclusão do estudo outlier e do estudo com alto risco de viés. Em nosso conhecimento, esta é a primeira revisão sistemática que avaliou mortalidade por infarto do miocárdio nesta área geográfica.

A taxa de mortalidade hospitalar por IAMCSST variou entre os estudos. A principal fonte dessa heterogeneidade foi a terapia de reperfusão cuja associação com mortalidade está bem estabelecida. O mesmo fato é observado na Europa, cujos registros conduzidos por vários países mostraram taxas de mortalidade que variaram entre 4% e 13%, e grande variação também na terapia de reperfusão.58 Assim, o baixo uso dessa terapia, observado em muitos estudos em nossa revisão, é uma preocupação em termos da qualidade do cuidado médico. As principais razões para essa situação foram atraso do paciente em buscar cuidado médico, além do atraso no sistema e subdiagnóstico. Essas questões podem ser resolvidas principalmente com a implementação de um sistema de assistência estruturado, que envolve avaliação pré-hospitalar, triagem, e transferência, juntamente com protocolos padronizados. Essa estrutura pode melhorar o acesso a estabelecimentos de atenção terciária, diminuir o número de pacientes “elegíveis mas não tratados”, e reduzir o tempo para o tratamento.59 Medidas educacionais sobre dor torácica na população também devem ser implementadas. Resultados favoráveis dessas estratégias foram descritas em estudos conduzidos em países da América Latina.22,50,60

A mortalidade hospitalar agrupada por IAMCSST é maior que as taxas descritas em registros de países de alta renda, tais como 5,1% e 7%61,62 nos Estados Unidos e 6,8% no Canadá.63 Essa diferença pode ser devido às baixas porcentagens de terapia de reperfusão. Esse fato é corroborado pelo estudo que avaliou desfechos em pacientes com STEMI em ensaios clínicos que mostraram uma associação negativa entre mortalidade e renda nacional bruta.64 Essa associação foi independente de outros preditores, tais como gravidade dos casos, tempo de isquemia e manejo de perfusão.

Outra fonte de heterogeneidade encontrada nos estudos com pacientes com IAMCSST relacionou-se ao período em que os estudos foram conduzidos. Na primeira década dessa revisão, observamos uma maior mortalidade que na segunda década, o que pode ser devido ao uso predominante de agentes não específicos à fibrina para a fibrinólise e menor uso de terapia antitrombótica. Deve-se salientar que o resultado dessa fonte de heterogeneidade foi muito próximo ao limite arbitrário da significância estatística.

Finalmente, a mortalidade hospitalar variou ente os países em que os estudos foram desenvolvidos, mas essa fonte de heterogeneidade não foi estatisticamente significativa. Apesar de a América Latina e o Caribe serem compostos de países de renda baixa e média, existem diferenças em suas rendas nacionais brutas e seus sistemas de saúde.64 Nesse caso, o fato de a presente revisão sistemática não ter poder estatístico suficiente pode ter influenciado no resultado.

Dois grandes registros de IAMCSST conduzidos na América Latina (México e Brasil) devem ser destacados. Esses estudos relataram a mortalidade cardiovascular hospitalar60 e em 30 dias65 em vez de mortalidade hospitalar por todas as causas, como em nossa revisão.60,65 No registro mexicano, 71% dos pacientes receberam terapia de reperfusão e a mortalidade cardiovascular foi 9,4% (após implementação do protocolo de manejo). Essa taxa também é mais elevada que as taxas encontradas nos registros em países de alta renda. No registro brasileiro, a terapia de reperfusão foi aplicada em 88% dos pacientes enquanto a mortalidade cardiovascular em 30 dias foi de 3,4%. Essa taxa foi mais baixa que aquelas observadas em países de alta renda embora essa tenha considerado apenas mortes cardiovasculares. As razões para esse fato podem incluir a participação de centros de tratamento cardíaco de referência, além dos métodos de amostragem e recrutamento usados.

Há limitações a serem consideradas. Alguns estudos adotaram limites diferentes de tempos de isquemia devido ao atraso do paciente como critério de inclusão (outros não mencionaram se os usaram). Uma vez que o tempo de isquemia está associado com mortalidade, esses estudos poderiam selecionar pacientes com diferentes prognósticos. Ainda, a falta de dados sobre tempo de isquemia (atraso do paciente ou do sistema) nos estudos não permitiu avaliá-lo como uma fonte de heterogeneidade, uma vez que a mortalidade está associada não só com a realização de terapia de reperfusão, como também com o período em que foi realizada. Outras fontes potenciais de heterogeneidade, tais como idade e proporção de mulheres não foram avaliadas devido à falta de informação. Por fim, deve-se considerar a questão da representatividade dos estudos. Esta revisão de estudos sobre IAMCSST incluiu apenas nove países, e a maioria dos estudos foram conduzidos em serviços de saúde bem estruturados, que geralmente apresentam melhores resultados.

A mortalidade hospitalar por IAMCSST entre os estudos, após excluir o estudo outlier e de alto risco de viés. As estimativas acumuladas foram similares às taxas de mortalidade de grandes registros, tais como 5% no estudo GRACE e 7,6% no registro Kaiser.62,66 Contudo, há algumas ressalvas a ser consideradas nessas análises. A escassez de dados sobre mortalidade hospitalar por IAMSSST isolada deve-se ao fato de que, na maioria dos estudos, a mortalidade por IAMSSST estar combinada com outras causas como angina instável. Além disso, os estudos foram conduzidos principalmente em dois países (Brasil e Argentina), o que pode prejudicar a generalização das estimativas para toda a região. Ainda, os estudos não apresentaram nenhum escore de risco; assim, não conseguimos avaliar a gravidade da população estudada para fins comparativos.

Finalmente, o risco global de viés foi classificado em alto e moderado de acordo com o viés de seleção. Assim, deve-se prestar atenção aos métodos de amostragem para evitar uma estimativa enviesada. Ainda, a definição do domínio de representatividade nesta revisão foi arbitrária, o que foi uma limitação. Consequentemente, esses fatos devem ser considerados na avaliação das estimativas de mortalidade hospitalar.

Conclusão

A mortalidade hospitalar por IAMCSST agrupada em países de renda baixa e média foi elevada em comparação a taxas encontradas em países de renda alta. Para melhorar essas estimativas, é fundamental aumentar a porcentagem da terapia de reperfusão, o que pode ser alcançado focando-se na organização do sistema de saúde e na saúde da população. A mortalidade hospitalar por IAMSSST foi similar às encontradas em países de alta renda; no entanto, tal estimativa baseou-se em poucos estudos, cuja maioria foi conduzida em dois países. Assim, em relação aos dados de IAMSSST, devem-se avaliar mais registros de diferentes países para se obter uma estimativa mais precisa. Por fim, pesquisadores devem focar na qualidade dos métodos de amostragem e de recrutamento para se evitar o risco de viés e, consequentemente, melhorar as estimativas.

Footnotes

Fontes de financiamento

O presente estudo não teve fontes de financiamento externas.

Vinculação acadêmica

Este artigo é parte de tese de doutorado de Leonardo Alves pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul.

Aprovação ética e consentimento informado

Este artigo não contém estudos com humanos ou animais realizados por nenhum dos autores.

*Material suplementar

Para informação adicional, por favor, clique aqui.

Referências

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Hospital Mortality from Myocardial Infarction in Latin America and the Caribbean: Systematic Review and Meta-Analysis

Leonardo Alves 1,2,, Patrícia K Ziegelmann 1, Victor Ribeiro 2, Carisi Polanczyk 1,3

Abstract

Background:

Most cardiovascular deaths occur in low- and middle-income countries and myocardial infarction is one of the main life-threatening conditions.

Objective:

We assessed all-cause in-hospital mortality in patients admitted for myocardial infarction (STEMI and NSTEMI) in Latin America and the Caribbean from 2000 onward.

Methods:

We systematically searched in electronic bibliographic databases for cohort studies which reported in-hospital mortality due to STEMI and NSTEMI. A meta-analysis was performed and a p-value < 0.05 was considered significant.

Results:

We identified 38 studies (29 STEMI, 3 NSTEMI and 6 both). Pooled STEMI in-hospital mortality was 9.9% (95% CI: 9.1 – 10.7). Heterogeneity was not trivial (I2 = 74% and prediction interval = 6.6 – 14.5). The percentage of reperfusion therapy and decade explain part of the heterogeneity (I2 = 54%). The higher the rate of reperfusion therapy, the lower the in-hospital mortality (coefficient = −0.009, 95% CI: −0.013 to −0.006, p<0.001). This mortality was higher in the first decade as compared with the second (coefficient = −0.14, 95% CI: −0.27 to −0.02, p=0.047). Pooled NSTEMI in-hospital mortality was 6.3% (95% CI: 5.4 – 7.4) and heterogeneity was null.

Conclusion:

Pooled STEMI in-hospital mortality in low- and middle-income countries was high in comparison with rates reported in high income countries. To improve these estimates, higher use of reperfusion therapy must be pursued. Pooled NSTEMI in-hospital mortality was similar to the ones found in high-income countries; however, it was based on few studies and most of them were carried out in two countries.

Keywords: Cardiovascular Diseases/mortality, Myocardial Infarction/mortality, Poverty/statistics & Numeral data, Latin America, Caribbean Region, Systematic Review, Meta-Analysis

Introduction

Cardiovascular diseases (CVDs) are the main cause of mortality among adults worldwide. Over three quarters of CVD deaths occur in low- and middle-income countries.1 As a result, in Latin American and the Caribbean, where these countries prevail,2 CVD represent a significant burden on their economies.3 In the Sustainable Health Agenda for the Americas 2018-2030, the Pan American Health Organization (PAHO) declared that decrease in the CVD burden is one of its goals since these disorders are the main noncommunicable diseases.4

Ischemic heart disease is responsible for most deaths caused by CVD as well as for premature death and disability.5 One of its main clinical manifestations is myocardial infarction, a common life-threatening emergency. It is classified as ST-segment elevation myocardial infarction (STEMI) or non-ST-elevation myocardial infarction (NSTEMI), and both have different prognosis and therapy.6

Management of myocardial infarction has improved in last decades. In STEMI, fibrinolytic agents and aspirin, along with percutaneous coronary intervention and more powerful new antiplatelet agents, have decreased hospital mortality rates to 5-6%. Likewise, in NSTEMI, early revascularization associated with anticoagulation and new antiplatelet agents has also improved the outcomes.7,8

In order to evaluate the contemporary management of myocardial infarction in low- and middle-income countries, we carried out a systematic review to assess all-cause in-hospital mortality in patients admitted for STEMI and NSTEMI in hospitals in Latin America and the Caribbean from 2000 onward.

Methods

This systematic review was performed according to the Meta-analysis of Observational Studies in Epidemiology (MOOSE) checklist.9 The protocol was registered in the International Prospective Register of Systematic Reviews (PROSPERO, number CRD42019109184).

Terminology

In this systematic review, the Latin America and the Caribbean region was defined as the geographic composed of all countries in the American continent, except the USA, Canada and the Bermuda Islands.10 The region has a population of 645 million; 82% live in urban areas. Brazil and Mexico are the most populous countries, accounting for more than a half of the total population, and Argentina, Colombia, Peru, Venezuela and Chile for about one third. The Caribbean region accounts for less than 10% of the population and approximately 70% of this concentrates in Cuba, Haiti and Dominican Republic.10 The list of all countries may be accessed in the Supplementary Material.

Selection criteria

This systematic review included studies that met the following inclusion criteria: (1) included male and female adults who are 18 years old and older; (2) carried out in countries in Latin America and the Caribbean; (3) collected data from patients admitted from 2000 onward; (4) prospective or retrospective cohort studies; and (5) reported all-cause in-hospital mortality due to STEMI and/or NSTEMI.

Exclusion criteria consisted of studies (1) whose samples were a specific group of the target population (such as older adults, women, diabetics); (2) whose samples were a group with a specific condition (such as patients who underwent a specific reperfusion therapy, who were in cardiogenic shock, who did not undergo reperfusion therapy); and (3) studies based on administrative data. In studies using before-after cohorts to evaluate the effect of implementing a management protocol, we selected the second period, as it would provide more recent data. For repetitive cohorts, we considered the ones with original and more recent data. We were careful to avoid double counting of patients included in different cohorts.

Search strategy

A systematic search was carried out in the following electronic databases: MEDLINE, Embase, Web of Science, Latin America and Caribbean Health Science Literature (LILACS), National Center of Cuba Medical Information (CUMED), Caribbean Health Sciences Literature (MEDCARIB) and Institutional Repository for Information Sharing/Pan America Health Organization (IRIS/PAHO). The search strategy combined terms related to “myocardial infarction” and “Latin America and the Caribbean” and was restricted to studies published from 2000 onward (Supplementary Material), and was not limited by language. A manual search of the references of selected articles was also conducted.

All reports identified in the different sources were exported to EndNote, gathered in a same file, and duplicates were removed.

Study selection and data extraction

The first step of study selection comprised the screening of reports, in agreement with eligibility criteria, through reading titles and abstracts. The second step involved the confirmation of eligibility through reading the full texts of the selected studies. In this step, reasons for exclusion were registered and, if there was any doubt, the authors were contacted. Two independent reviewers (L.A. and V.R.) selected the studies, and disagreements were resolved by consensus.

We extracted study characteristics (first author, year of publication, country, time period, sample size, type of cohort, local of recruitment, number of health centers, funding health system); patient characteristics (demographic characteristics and risk factors – hypertension, diabetes, smoking and dyslipidemia); STEMI-related data (III/IV Killip classes, ischemic time and reperfusion therapy percentage and type) and to NSTEMI studies (biomarker of myocardial injury, risk score, antithrombotic therapy and myocardial revascularization); and in-hospital mortality. This process was conducted by two reviewers independently (L.A. and V.R.) and disagreements were resolved by consensus.

Risk of bias assessment

The overall risk of bias in included studies was assessed by the Quality in Prognosis Studies (QUIPS) tool which consists of six domains.11 In this review, we used three of them that address representativeness of the study sample, loss to follow-up, and the outcome measurement. In order to rate representativeness, we considered high-risk studies those that, at least, conducted in a single intensive care unit or did not perform consecutive recruitment (or not reported); low-risk studies those with population-based samples; and moderate-risk studies those that did not meet the previous criteria. We rated loss to follow-up as low risk (< 10%), moderate risk (10 – 20%) or high risk (> 20%).

Studies that had at least one domain rated as high risk were classified into overall high risk of bias, while the ones that had all domains rated as low risk were classified into overall low risk of bias. Studies that did not meet the previous criteria were classified into overall moderate risk of bias. Two independent reviewers (L.A. and V.R.) conducted this evaluation and disagreement was solved by consensus.

Data analysis

We performed independent meta-analyses to assess STEMI and NSTEMI in-hospital mortality. Mortality was exhibited as proportion (number of deaths divided by the total number of patients at risk in the period under evaluation). Pooled estimates were calculated by using the random effect models (due to heterogeneity, which is expected in observational studies like ours) with logit transformation and inverse variance method (as a sensitive analysis, GLM was adjusted and the difference in results was unnoticeable). We used the DerSimonian and Laird method to estimate the between-study variability.

Heterogeneity across studies was evaluated by I2 statistics,12 Cochran test and 95% prediction interval. This interval gives a better picture of the mortality variability expected among different populations considered in the random effect models, that is, the clinical relevance of heterogeneity.13,14 To identify potential sources of heterogeneity, we conducted subgroup analysis (country, decade of the study) and meta-regression. We also conducted sensitivity analysis (excluding studies with some characteristics, studies with a small sample size, high bias risk studies and outlier studies) to evaluate heterogeneity and the robustness of results.

Small-study effects, which has publication bias as one of the causes,15 were evaluated by funnel plot that was constructed with the logit transformation of mortality against the sample size. The use of sample size is more accurate to evaluate proportion studies than the use of a measure of precision.16 This effect, which is observed by asymmetry on funnel plot, was evaluated analytically by the Peters test that is also based on sample size.17 R software meta package was used to perform all analyses.18,19 A P value below < 0.05 was considered statistically significant.

Results

Search results

Our search strategy identified 9,244 reports (1st September 2018; updated on 15th April 2020). After the exclusion of duplicates, we screened 7,597 reports through title and abstract analysis of which 381 full texts were assessed for eligibility. We included one study carried out by our research group that had not been published up to the date of the search update and five reports found by screening the reference list of each full text included in the review. We could not get access to 14 full text articles despite exhaustive search. This process resulted in 38 studies: 29 on STEMI, three on NSTEMI and six that evaluated both (Supplementary Figure 1).

Figure 1. Pooled in-hospital mortality in patients admitted due to STEMI in Latin America and the Caribbean from 2000 onward.

Figure 1

Study characteristics

A total of 28,878 individuals from 35 STEMI studies2054 and a total of 2,377 individuals from nine NSTEMI studies20,26,30,32,39,46,5557 were included in this review. STEMI studies were conducted in Brazil (n=15), Cuba (n=6), Argentina (n=5), Mexico (n=3), Colombia (n=2), Chile (n=1), Paraguay (n=1), Peru (n=1) and Puerto Rico (n=1), while NSTEMI ones were conducted in Brazil (n=6), Argentina (n=2) and Colombia (n=1). Most studies were multicenter prospective cohort studies and emergency rooms were the most frequent locals of recruitment. Median study period was 18 months (IQR: 12 – 37 months) for STEMI studies and 10 months (IQR: 12 – 37 months) for NSTEMI studies. Characteristics of the selected studies are shown in Supplementary Table 1 (STEMI) and Supplementary Table 2 (NSTEMI).

Table 1. In-hospital mortality estimation following univariate and multivariable meta-regression analysis.

Characteristic Mortality % (95% CI)
Crude Analysis
Reperfusion therapy rate
20% 14.4 (12.3 – 16.8)
30% 13.2 (11.6 – 15.0)
40% 12.1 (11.0 – 13.4)
50% 11.1 (10.3 – 12.0)
60% 10.2 (9.5 – 10.8)
70% 9.3 (8.7 – 9.9)
80% 8.5 (7.8 – 9.2)
Decade
First 10.7 (9.6 – 11.9)
Second 9.1 (8.2 – 10.1)
Country (N of studies)
Chile (1) 8.5 (5.3 – 13.5)
Mexico (3) 8.6 (6.5 – 11.4)
Argentina (5) 9.6 (7.6 – 12.1)
Brazil (15) 9.6 (8.3 – 11.0)
Cuba (6) 10.0 (8.2 – 12.1)
Peru (1) 10.9 (6.5 – 17.5)
Puerto Rico (1) 12.5 (7.0 – 21.2)
Paraguay (1) 12.8 (7.7 – 20.5)
Colombia (2) 15.0 (10.1 – 21.7)
Adjusted Analysis
First decade Second decade
Reperfusion therapy rate
20% 15.0 (12.8 – 17.5) 13.3 (11.2 – 15.8)
30% 13.8 (12.1 – 15.7) 12.3 (10.6 – 14.2)
40% 12.7 (11.4 – 14.2) 11.3 (10.0 – 12.7)
50% 11.7 (10.7 – 12.9) 10.4 (9.4 – 11.5)
60% 10.8 (9.9 – 11.8) 9.5 (8.8 – 10.4)
70% 9.9 (9.4 – 10.9) 8.8 (8.0 – 9.5)
80% 9.1 (8.2 – 10.2) 8.0 (7.3 – 8.9)

CI: confidence interval.

In STEMI studies, mean age varied from 55 to 65 years old and most individuals were males (56% or more in each study). Regarding patient selection, some studies used specific ischemic times as inclusion criterion (up to 12, 24, 36, 48 and 72 hours). Patient delay time was reported in less than 50% of the studies while system delay time was reported in very few studies. The percentage of reperfusion therapy varied considerably across studies, from 21% to 99%; around 60% of them showed percentages below 70%. In the first decade, the most frequent reperfusion therapy was fibrinolysis (streptokinase). Primary percutaneous coronary intervention was more frequent in the second decade; however, when fibrinolysis was an option, a fibrin-specific agent was chosen. The main cause of no reperfusion therapy was the fact that patients looked for assistance 12 hours after symptom onset. System delay time and under-diagnosis were also mentioned.

In NSTEMI studies, mean age varied from 63 to 65 years old and most individuals were males (60% or more in each study). No study presented any risk scores or reported exclusive use of troponin as biomarker of myocardial injury. Five studies reported information about dual antiplatelet and anticoagulation therapy and only two reported data on early coronary revascularization.

Risk of bias

Overall risk of bias in STEMI studies was 14%, 49% and 37% for low, moderate and high-risk studies, respectively, and 22%, 56% and 22% for low, moderate and high-risk studies on STEMI, respectively (Supplementary Table 3). The selection bias (representativeness domain) was the primary concern while outcome measurement and loss to follow-up did not represent any risk.

STEMI outcomes

Mortality rates varied substantially across the studies, from 4.9% to 17.5%. Pooled in-hospital mortality was 9.9% (95% CI: 9.1 – 10.7) (Figure 1). Width of the prediction interval (6.6 – 14.5) showed non-trivial heterogeneity across studies. Percentage of variance not explained by sampling error (I2 statistics) was 74% (p <0.001). Univariate meta-regression revealed that the higher the percentage of reperfusion therapy, the lower the in-hospital mortality (coefficient −0.010, 95% CI: −0.014 to −0.006, p<0.001; residual I2 = 56%) (Supplementary Table 4 and Supplementary Figure 2). The linear effect on mortality rate is on the logit scale; thus, to improve the interpretation of results, mortality estimates for some reperfusion percentages are shown (Table 1). Subgroup analysis also identified lower in-hospital mortality in the second decade (2010 to 2020) by comparison with the first decade (2000 to 2009) of this review (9.1%, 95% CI: 8.2 – 10.1 vs 10.7%, 95% CI: 9.6 – 11.9; p=0.036) (Table 1 and Supplementary Table 4). Considering mortality by country, the lowest in-hospital mortality was in Chile (8.5, 95% CI: 5.3 – 13.5) while the highest was in Colombia (15%, 95% CI; 10.1 – 21.7) (Table 1); however, no statistical difference was found among counties (p=0.47) (Supplementary Table 4).

Figure 2. Pooled in-hospital mortality in patients admitted due to NSTEMI in Latin America and the Caribbean from 2000 onward.

Figure 2

In the multiple meta-regression model, only reperfusion rate and decade kept independently associated with in-hospital mortality (Supplementary Table 4). Regardless of the decade, logit of mortality decreased linearly when reperfusion rate increased (coefficient −0.009, 95% CI: −0.013 to −0.006, p<0.001). Regardless of the reperfusion rate, logit of mortality was higher in the first decade by comparison with the second one (coefficient −0.14, 95% CI: −0.27 to −0.02, p=0.047). Mortality estimates varied from 15% to 9.1% in the first decade and from 13.3% to 8% in the second decade, depending on reperfusion rate (Table 1). Difference in mortality throughout decades varied from 1.7 percentage point for 20% reperfusion rate to 1.1 percentage point for 80% rate (Table 1). Finally, heterogeneity decreased and was partially explained by these characteristics (residual I2=54%).

Sensitivity analyses excluding retrospective cohort studies, studies with a small sample size (below 100 patients), studies which used patient delay ischemic time < 12 h as inclusion criterion and high bias studies did not affect much overall results (Supplementary Table 5). None of the studies individually impacted results.

NSTEMI outcomes

NSTEMI mortality ranged from 4.9% to 8.6% across the studies, except one study whose rate was 16.5% (outlier study). Pooled NSTEMI in-hospital mortality was 7.2% (95% CI: 5.5 – 9.3) (Figure 2). The width of prediction interval (3.2 – 15.2) showed a substantial heterogeneity across studies. Percentage of variance not explained by sampling error (I2 statistics) was 63%. In sensitivity analysis (Supplementary Table 6), heterogeneity was totally explained (I2=0%) by exclusion of the outlier study (which is also a high bias one). As a result, the pooled estimate decreased to 6.3% (95% CI: 5.4 – 7.4) and the prediction interval narrowed to 5.1 – 7.7. Exclusion of one study with high bias risk and of three studies with a small sample size (below 100 patients) did not affect results. None of the studies individually impacted results, except the outlier study as previously mentioned.

Small-study effects

Visual inspection of funnel plot did not suggest small-study effects on STEMI mortality since asymmetry was not observed (Supplementary Figure 3), but it was not supported by the Peters test (p = 0.04). However, after the imputation of two hypothetical studies by the trim-and-fill method (sensitivity analysis), pooled mortality did not change much (9.7%; 95% CI: 8.9 – 10.5). Regarding NSTEMI studies, we did not have enough studies to assess this effect.

Discussion

In this systematic review, we investigated in-hospital mortality due to myocardial infarction (STEMI and NSTEMI) in Latin America and the Caribbean over the two last decades. Pooled in-hospital mortality was 9.9% and 6.3% for STEMI and NSTEMI, respectively, after exclusion of the outlier study with high-bias risk. To the best of our knowledge, it is the first systematic review that evaluated mortality due to myocardial infarction in this geographical area.

In-hospital mortality rate for STEMI varied among studies. The main source of this heterogeneity was the reperfusion therapy whose association with mortality has been well-established. The same fact is observed in Europe, where registries carried out by several countries showed mortality rates that ranged from 4% to 13% while reperfusion therapy also varied much.58 Therefore, low use of this therapy, which was observed in many studies in our review, is a concern in terms of the quality of medical care. The main reasons for this situation were patient delay in seeking medical care, besides system delay and under-diagnosis. These issues can be solved mainly with implementation of well-structured system of care which involves prehospital evaluation, triage, and transfer together with standardized protocols. This structure can improve access to tertiary care facilities, decrease the number of “eligible, but untreated” patients and shorten time-to-treatment.59 Educational measures about chest pain in the population must also implemented. Favorable results of these strategies were described by studies conducted in Latin American countries.22,50,60

Pooled in-hospital mortality rate for STEMI is higher than the ones found in registries in high-income countries, such as 5.1% and 7%61,62 in the United States and 6.8% in Canada.63 This difference may be due to low perfusion therapy percentages. This fact is also supported by the study that evaluated outcomes in STEMI patients in clinical trials which found negative association between mortality and gross national income.64 This association was independent of other predictors, such as severity of cases, ischemic time and perfusion management.

Another source of heterogeneity that we found in STEMI studies was related to the period in which studies were carried out. In the first decade of this review, we observed higher mortality than in the second one, which may be due to predominant use of non-fibrin-specific agents for fibrinolysis and less anti-thrombotic therapy. It should be highlighted that the result of this source of heterogeneity was very close to the arbitrary limit of statistical significance.

Finally, in-hospital mortality varied among the countries where the studies were carried out, but this source of heterogeneity was not statistically significant. Although the Latin America and the Caribbean are composed of low- and middle-income countries, there are differences in their gross national incomes and health systems.64 In this case, the fact that this systematic review did not have enough statistical power any power may have influenced the result.

Two large STEMI registries conducted in Latin America (Mexico and Brazil) should also be highlighted. They reported in-hospital60 and 30-day cardiovascular mortality65 rather than all-cause in-hospital mortality, as in our review.60,65 In the Mexican registry, 71% of patients received reperfusion therapy and cardiovascular mortality was 9.4% (after implementation of management protocol). This rate is also higher than the ones found in registries in high income countries. In the Brazilian registry, reperfusion therapy was used in 88% of patients while 30-day cardiovascular mortality was 3.4%. This rate was lower than the ones observed in high income countries although it considered only cardiovascular deaths. Reasons for this fact may include the participation of referral cardiac care centers, besides sampling and recruitment methods under use.

There are limitations to be considered. Some studies used different limits of ischemic times due to patient delay as an inclusion criterion (others did not mention whether they used it). Since ischemia time is associated with mortality, these studies could select patients with different prognosis. Likewise, lack of data on ischemia time (patient delay and system delay) in studies did not allow to evaluate it as a source of heterogeneity since mortality is not only associated with performing reperfusion therapy, but also with the time period in which it is performed. Other potential sources of heterogeneity, such as mean age and proportion of females were not also evaluated due to lack of information. Finally, concern about representativeness of studies should be considered. This systematic review of STEMI studies included only nine countries, and most studies were conducted in well-structured health services which usually have better results.

In-hospital mortality for NSTEMI across studies did not change after excluding the one outlier study, with a high bias risk. Pooled estimates were similar to the mortality rates of large registries, such as 5% in the GRACE study and 7.6% in the Kaiser registry.62,66 However, there are caveats to be considered in these analyses. The shortage of data on in-hospital mortality from NSTEMI alone is due to the fact that most studies have combined mortality from NSTEMI with from other conditions like unstable angina. In addition, the studies were carried out mainly in two countries (Brazil and Argentina), which can harm generalization of the estimate in the region. The studies did not report any risk score; therefore, we could not evaluate and compare the severity level of the population under study.

Finally, the overall risk of bias was classified into high and moderate risk according to the selection bias. Therefore, attention must be paid to sampling methods in order to avoid biased estimate. In addition, definition of the representativeness domain in this review was arbitrary, which was a limitation. As a result, these facts should be taken into account when in-hospital mortality estimates are considered.

Conclusion

Pooled STEMI in-hospital mortality in low- middle-income countries was high in comparison with rates found in high income countries. To improve these estimates, it is fundamental to increase the percentage of reperfusion therapy, which can be reached by focusing on organization of the health care system and population education. Pooled NSTEMI in-hospital mortality was similar to the ones found in high-income countries; however, it was based on few studies and most of them were carried out in two countries. Therefore, regarding NSTEMI data, more registries from different countries must be addressed to obtain a more accurate estimate. Finally, researchers must focus on quality of both sampling and recruitment methods in order to avoid bias risk and, consequently, improve estimates.

Footnotes

Sources of Funding

There were no external funding sources for this study.

Study Association

This article is part of the thesis of doctoral submitted by Leonardo Alves, from Universidade Federal do Rio Grande do Sul.

Ethics approval and consent to participate

This article does not contain any studies with human participants or animals

*Supplemental Materials

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